Quanto mais eu sorrio, mais vontade tenho de chorar, é como se a ansiedade fizesse eu achar que não mereço nem sorrir, não mereço nada

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@naohasobreviventes
Quanto mais eu sorrio, mais vontade tenho de chorar, é como se a ansiedade fizesse eu achar que não mereço nem sorrir, não mereço nada
O que é isso dentro de mim? O que é essa força ficando cada vez maior, deixando tudo cada vez mais escuro e silencioso, mas não é um escuro aconchegante e um silêncio acalmante, é um escuro que não me deixa ver nada além de medo, insegurança e insuficiência. O silêncio? O silêncio é a pior parte pois ele questiona tudo. Não há confiança em nada, não há mais esperança. Eu nem lembro mais como é o gosto da esperança, lembro de já te-la sentido, lembro de sorrir pensando nela, mas agora, essa força não deixa espaço pra mais nada, não me encontro mais, não encontro mais nada. Estou dando meu melhor, tentando não deixar que me engula por completo, mas está tão difícil. Não consigo ver nada, não consigo imaginar nada, é complicado se estivesse perdida no vazio e não tivesse nada a minha frente a não ser escuridão. Ela me seduz dizendo que é melhor assim, mas eu sei que não é. Eu não consigo mais controlar, cada palavra, cada gesto, cada ação tudo é tomado por essa força e me faz temer e não confiar. Eu só queria me encontrar
14 O que foi esse barulho?
Ecoando no escuro?
Será que veio de dentro do armário?
Olhe de baixo da cama
E note
Que o monstro de verdade está encarando a escuridão
Não ha nada de baixo da cama
Porque o monstro é você
E meu maior medo
É que não deixe de ser
Quando escrevo
Cada batida do meu coração
Bombeia arte pelo meu corpo
Ao mesmo tempo em que descubro a poesia
Ela me descobre
Eu a crio
E ela me cria
No traço de cada linha
Traço um universo
Que se abre assim que escrevo
Eu olho para a arte
E ela me olha de volta
Enquanto ela cresce juntamente com cada letra
Eu cresço também
E assim seguimos de mãos dadas
Infinitas
E se descobrindo
Em cada passo
Em cada palavra
Em simultânea expansão com cada universo que decidirmos criar
Mergulhe na fantasia
Abra os olhos
Olhe pra cima
Lace uma estrela
Escale a corda até lá chegar
A noite aqui é passageira
Lá em cima ela eterna
O quão medrosos são esses que temem a noite e adoram o sol?
Que sentido tem não gostar da escuridão se a grande amarela vive lá?
Não sabem que é o fogo que queima la em cima é o mesmo que queima na brasa?
Não sabem que no escuro que mora a vida?
E na noite mora todas as respostas?
A escuridão não é a ausência da luz, a luz é a ausência de escuridão
Do escuro tudo se fez, e na luz tudo morrerá
Aconchegaste-se no calor da ignorância
Enquanto fechas a porta impedindo o vento da sabedoria de entrar
Vento refrescante
Balança as asas da liberdade
Onde voa ela se não no céu?
Céu temido por ser escuro, guarda consigo as luzes mais lindas
Mas as cabeças vivem baixas, vidradas em caixas que prendem tua atenção e tua alma
Mas não te apressa
Anda de mansinho
Pra aproveitar cada presente do agora
Pode achar que na escuridão está perdido
Mas a luz da vida vem de dentro
E vai iluminar o viver
Assim que quiseres o enchergar
Saudade de quando tu me dava um mar de "xeiros", do meu pescoço até a minha bochecha. Saudade de quando tu apertava minha mão forte enquanto olhava no fundo dos meus olhos e sorria. Saudade de quando tu me oferecia algo pra comer, e sempre que eu ia morder tu afastava da minha boca, só pra ver eu começar a rir. Saudade de quando tu ria das minhas piadas sobre carros usarem chapéus. Saudade da tua voz. Saudade de planejar aventuras contigo. Saudade de viver aventuras contigo. Saudade de ter certeza que viveria contigo pra sempre. Saudade de passar horas conversando sobre tudo e nem sentir o tempo passar. Saudade do teu abraço. Saudade de compartilhar o que tinha acontecido no meu dia contigo. Saudade do frio na barriga toda vez que ia te ver. Saudade de sentir a certeza de que tu me amava. Saudade de ter certeza que tu jamais soltaria minha mão. Saudade de não sentir dor por tu ter soltado minha mão. Saudade de quando eu não chorava de saudade tua. Saudade de acreditar que tu era aquilo que mostrava ser. E agora, como saber se essa pessoa que eu sinto falta existe de verdade?
O vento soprou um segredo no meu ouvido
No pé da noite
Antes de a chuva cair
Assim que ouvi
Olhei para o céu e vi um trovão anunciando a chegada da chuva com um canto
Canto lindo
Tão lindo
Que quando pousa no chão
Destrói a cidade
Minhas penas caem lentamente pelo chão e se deitam nele
Tão negras que podem ser confundidas com sombras antigas
Meu mundo está ao contrário, por que meu chão está no topo da sala?
A luz que sai da lâmpada é tão brilhante
Radiante,
Mas engana
Ela não significa liberdade.
Sua luz artificial significa morte
Eu aprecio a luz que me encara e aquece minhas pupilas de longe
Sei que não preciso ir até ela
Ela me encara
Eu faço minha morada aqui, na sombra
Armo uma barraca na escuridão
Ninguém me vê, mas eu vejo tudo.
Animais tolos
Cegos pela luz
A seguem
E acabam sendo mortos pelo seu calor e eletricidade
Que de longe parecem dar vida
Mas quando se encosta eles a tiram
Célula por célula desligando
Até o corpo apagar
A carcaça do corpo sem vida me atraí
As carcaças dos corpos com vida me distrai
Curioso
Será que um dia vão notar que cavam a cova da existência?
Será que um dia vão notar que cortam árvores em cima de suas próprias cabeças?
O prazer não está em devorar o que sobrou da vida, o prazer está em não ser o cadáver
2Eu aprendi a voar com as águias
Conheci todas as nuvens, todas tempestades, e todos dias de sol
E aprendi a enxergar com elas
Enxergar a alma transcendendo o corpo
Viajando e explorando a sua volta
Aprendi a ouvir uma expressão
Sentir a vibração de uma batida viajando e trazendo harmonia pelo chão
E a ver com minhas mãos
A eletricidade de um toque
Percorrendo o corpo e a essência.
Aprendi a cantar com os anjos
E a dançar com os demônios
Cantei até tudo fazer parte de mim
E eu
De tudo
E dancei até todos serem apenas si só
E um movimento em uníssono fazer.
Aprendi a meditar com os monges
E a lutar com os leões
Eu me fiz e me desfiz
Fui o tsunami
E a cidade derrubada
Fui forte como uma onda e fraco como um papel
Provei o gosto do céu
Que dentro da minha boca insistia em crescer
E o das estrelas, que insistiam em pulsar
Conheci o tempo e sua majestosidade
E quando cheguei lá, o relógio andava de um jeito diferente
Ele pulava, e a cada salto, criava uma nebulosa, que crescia e se tornava algo cada vez maior
Assim como uma semente.
O tempo, como um fazendeiro, abriu o portão de sua dimensão e me recebeu com um sorriso
E o espaço com um café
Lá também conheci a vida e toda sua beleza universal
E tudo isso
No momento em que te vi
Como é morar em meus versos?
Fizeste morada também em meus pensamentos
E agora toda palavra que sai da minha boca tem teu gosto
Toda canção lembra a ti
E todo perfume lembra o teu. E hoje
Quando olho pro céu
Lembro de ti
Pois o infinito
Tem teu jeito
E trejeito E eu monto meu trajeto Pelo teu peito Para fazer ele de lar E morar nessa casa em ti
Que tem mania
De fazer tudo
Ser mais
1 Era certo, assim como o vento que soprava o cabelo dela e o fazia balançar, era certo, assim como as folhas que caiam da árvore e pintavam o chão de verde, era certo, assim como as promessas de jamais se separarem, era certo, assim como aquele por-do-sol, era certo, assim como o toque de suas mãos, que quanto acontecia, saíam raios carregados de energia que poderia sustentar um país inteiro, era tão certo, tão certo que eles vivam em um universo só deles, maior do que qualquer coisa que se expandia a cada segundo e cada olhar, naquele momento, eles eram infinitos, naquele momento o que eles tinham eram eterno, até chegar o fim, eles soltarem as mãos, e darem adeus.
O amor tem a cor dos teus olhos
3 O que as ondas contam
Na história do mar
Eu caminho pela areia e sinto cada grão se movendo de baixo dos meus pés
Cada grão conta uma história diferente, cada grão sopra pro mar um conto, as aventuras de uma vida em cada molécula.
O mar banha os grãos de areia, que se deliciam ao se encharcar. Ando franzindo os olhos pois a luz forte do sol mal deixa eu abri-los.
Quando o sol se despede do mar a noite abraça a praia, tudo se faz escuridão, apenas uma parte pintada com o azul da água, até chegar a lua e iluminar abaixo dela para que o céu possa ler a praia, como uma criança lê escondida em baixo das cobertas de madrugada, com apenas uma lanterna para clarear.
Toda onda se despede do fundo do mar, e sempre volta para o reencontrar.
E o mar expõe sua beleza como um artista expõe seus quadros;
Pra sempre será mar
Mas todo dia renovado
2Memória do amor observando ela partir
Olho para dentro, e onde havia meu peito, só vejo um túmulo
Com uma sombra abrangente
Que tomou minha essência e o que de belo havia nela.
A escuridão escorada bem onde estava o coração
Tira o sabor de tudo que ali vivia
A dor não tem gosto
Dentro de mim, tudo que tinha se foi
Antes mesmo da morte chegar,
Agora só resta meu corpo vagando pelo mundo,
Andando pela vida como um fantoche
Cuja as linhas que decidem o caminho do meu corpo, já estão cansadas
E choram a cada movimento
As mãos que guiam as linhas
Cada vez mais velhas
E finas
Vão perdendo suas forças
E eu estou aqui
A ver a lua deitada nessa cama escura
Onde as estrelas dormem a mais de milhões de anos
A maioria está morta
Mas suas luzes viajam para dar um beijo de boa noite no céu
E o presentear com seus brilhos
Enquanto a lua sonhando testemunha
O beijo eterno na noite eterna
Assim foi o beijo de despedida que me deste segundos antes de partires;
Seu universo veio até mim
Mas eu já estava morto
“Eu não vou mentir, eu não te deixarei, nem que eu tenha que ir contigo até outros oceanos, viver em baixo do mar, em um submarino ou orbitando em volta da Terra. Eu não vou mentir, teu sorriso faz meu mundo ficar mais cheio. Não vou mentir, meu riso é aberto contigo, de um jeito que não é com as outras pessoas. Mas algum poeta uma vez disse “a poesia mais bonita é encontrar alguém que te dê frio na barriga” e eu acho que ligaram pro inverno e pediram pra ele atrasar e ficar aqui em mim só pra não acabar o frio na barriga. Talvez eu minta um pouco, pra poder sair mais cedo de onde quer que eu esteja, e ir te ver. Pode ser que eu atrase o relógio, pra poder tomar um café contigo. Infelizmente, eu não li o diário do tempo, então, não sei o que irá acontecer, mas eu mentiria, quebraria, dobraria, burlaria as leis da física e roubaria o espaço-tempo tranquilamente, pra poder viver contigo só mais um minuto”
O sorriso dele derruba qualquer onda
Afoga qualquer pensamento meu
A voz dele arrepia mais que qualquer brisa
Vinda do mar
Diretamente pro cais
E ele se faz porto
Inseguro
Muda seguindo o ritmo da maré
O jeito dele é mais colorido e encantador que qualquer nebulosas no espaço
E ele tem ideias tão brilhantes quanto as estrelas, e quanto meus olhos quando o veem
Me toca
Como se tocasse o céu
Tão cheio de vida que nem consegue notar
Pois se afoga nela
E o olhar dele abre qualquer porta
Entra em mim sem pedir licença
E faz morada
Eu digo pra ele que a noite trás o poeta em nós a tona
E ele sorrindo responde: “Eu sou a noite
Eu sou a poesia que vos fala.”
E se faz poema
Aos meus olhos
Minha parte favorita do dia, sempre será nós tomando café juntos. E não esquecer jamais, em hipótese alguma, de colocar música e dançar, se não o dia não é dia, a parte mais divertida. Eu sempre saindo do trabalho com pressa, e a ansiedade gritando para chegar em casa e poder fazer isso de novo. No dia que te pedi em casamente, o céu estava roxo, lembra? Assim como o pijama que tu usavas naquela manhã, enquanto tomávamos café. Aliás, tudo sempre roxo, porque se duvidar, seu amor por essa cor é maior que o amor por mim. Então, por isso, hoje eu trouxe esse colar com uma pedra ametista, já que tu sempre odiou ganhar flores, por que achas que são uma jogada do capitalismo machista para agradar alguém sem esforço, tirando um ser vivo de seu lar, quanto drama! Como cabe em ti? Mas até por seus dramas tenho paixão. Eu trouxe o colar, para te presentar, mas o céu também está te presenteando com sua nuance lilás. Feliz aniversário de casamento, meu amor, hoje fazem 40 anos desde o dia em que te propôs! Eu nunca vou esquecer de cada segundo do teu lado, contigo até minhas tristezas paravam pra dançar de alegria. Eu te amo, pra sempre, e se puder, vou encher esse cemitério de coisas roxas por você.