( ✝ ) embora seja abnegado de partícula de religiosidade ou misticismo, aquele não é alienado acerca dos provérbios a jornadear o oriente e o ocidente. descobre através da experiência para com os mundanos sobre dizeres; princípios inexoráveis que regem o livre arbítrio: a colheita é proporcional a semeadura. um indivíduo não será capaz de colher tâmaras caso a sua lavra seja de damasco; bem como aquele que semeia insignificância não será bem-aventurado de fortuna quando é chegada a hora da safra. conformando adágio a própria ordinariedade aquele EXTRAI meditação; havia plantado soberba e sangria durante séculos de sua existência; exortado junto a ganância a cerne da BARBÁRIE. portanto, era RAZOÁVEL aceitar que não viria a colher altruísmo, brandura ou estima enquanto a LEGALIDADE da vida não fosse feita. há quem diga que a vida é injusta; porém, ele refutaria tal dizer para afirmar que todos são julgados sob a mesma medita de suas ações. quando um indivíduo torna-se réu do fadário não há advogado para abrandar penalidade; a própria biografia do indivíduo é transformada em juiz para TECER julgamento: o parecer da arbitragem depende tão unicamente do protagonista da história. às suas ações são dignas de perdão? caso a persona em questão seja aquele cuja alcunha de outrora imperador, este tem plena consciência que é destituído de inocência ante às leis da humanidade. o indivíduo do qual fora um dia difere do que é hoje; porém, LiHo não admite ser HIPÓCRITA perante a verdade: era merecedor das penitências da vida; não jazia à margem da arbitrariedade; ou seja, a sentença qualificada a sua trajetória não detinha do pesar da injustiça. aquele estava submetido ao peso certeiro às suas penalidades, pois desfruta do saibo da amargura por anos de punição. porém, em traço de ingenuidade ele havia acreditado que após entrar em sua jornada de redenção (da qual contabiliza quase 400 anos) já estaria destituído das sequelas dos pecados de outrora. Porém, o destino mostra-se suficientemente astuto para pregar uma peça sobre ele. Aquele do qual julga ter o controle da situação; mas que por trás de hipotético manto de invulnerabilidade, jazia à deriva da incerteza. Afinal, desestabiliza o indivíduo estar de frente a quem tem VEROSSIMILHANÇA com alguém de seu passado; onde cultiva a incerteza em sua cerne diante a indagação. Como as duas poderiam ser tão parecidas? Seria uma obra divina para castigá-lo mais uma vez? Havia acreditado que estaria livre da punição após alguns séculos, mas de certo que o destino era absurdamente jocoso. Tentando-lhe a sanidade ao torná-las tão parecidas; seja por aparência ou por personalidade. Eunji trazia recordações de sua primeira esposa, o primeiro conceito de amor que o seu eu havia usufruído. Porém, verossímil a maioria de suas relações interpessoais de sua vida como imperador, aquela fora empeçonhada ao veneno da soberba. Portanto, ele não mente que aquela mísera presença coloca em xeque a sua estabilidade. Pois todas às vezes em que estava na companhia alheia, certas recordações suscitavam ao náufrago de seu juízo. ❛❛ —— Oh. Jinjja? Perdoe-me por isso. Não queria deixá-la magoada. ❜❜ Rebate em timbre igualmente irônico e jocoso, retirando a mão do ombro feminino posteriormente.
❛❛ —— Eunji-ssi. Você realmente é dissimulada, uhm? Sempre tão astuta e desafiando os limites. Você é diferente dos demais humanos. ❜❜ Diz mais para si mesmo do que para outrem, porém, ele sabe que ela seria capaz de escutá-lo. ❛❛ —— Não adiantará de nada dizer isso, mas tente lembrar de meu conselho: Às vezes o excesso de audácia poderá ser à sua ruína. Alguns vampiros são suficientemente temperamentais, especialmente com recém-transformados. ❜❜ Alerta de forma singela, guiando a taça escarlate aos lábios, mas antes de saborear ele acaba por aproveitar de seu perfume. Umedecendo a boca com o carmesim até finalmente bebericar ❛❛ —— Mas não se preocupe. Com o tempo você será capaz de perceber em quem pode confiar ou não ao estar do lado de cá. ❜❜ Diz em aleatoriedade, sendo pego de surpresa ante a afirmação e atitude alheia. Por sorte não precisava respirar como os demais humanos, pois se ainda fosse um mundano, teria prendido a respiração. ❛❛ —— Eunji-ssi. ❜❜ adocica o paladar sonorizar branda sentença aquela, cujo néctar de esmero atenua toda a seriedade tão INTRÍNSECA à sua natura. pois embora a postura denote impassibilidade diante a recém transformada, os vocábulos são recitados em paciência e cordialidade. da qual almeja salvaguardar em DEMASIADA cautela, pois a fleuma é principal SUSTENTÁCULO a cerne vampiresca. da qual sempre procura pela moderação; a discrição que ACALENTA e ADESTRA o espírito naturalmente babélico. portanto, não existe margem para desassossego em seu linguajar psicofísico, tampouco expõe vestígio de cisma diante ao toque alheio em seu peito. Mas não deixa de ser conduta imprevisível. ❛❛ —— Não é tão difícil o quanto parece. Respirar é quase como uma meditação. Com o tempo você conseguirá fingir respirar e se portar como eles. ❜❜ Diz enquanto repousa a taça agora vazia sobre uma superfície. ❛❛ —— Em breve? Refere-se ao tempo dos humanos ou o nosso tempo? Pois se você estiver usando a temporalidade dos vampiros, acredito que estarei acompanhando você pelos próximos anos. Talvez por toda a vida? Oh. Será que irei sobreviver a Kang Eunji e suas indagações por toda a eternidade? ❜❜ Indaga entre a dualidade da brincadeira e verídico questionamento. ❛❛ —— Está faminta? De certo que está com sede. Mas respondendo à sua pergunta. Naturalmente que nós podemos nos alimentar da comida humana. Entretanto, não são todos que gostam de seu sabor. Particularmente não gosto do sabor dos alimentos. Mas sempre há formas de tornar a comida dos humanos mais interessante. Quem sabe eu não te ensine como fazê-lo, uhm? ❜❜
Garota esperta, você brinca com fogo porque deseja se queimar, consciente das flamulas ardentes em sua pele, os dedos passando de um lado para outro das chamas pequenas da vela, que cresciam e destruíam a cera, sem controle e caminho. Não se pronunciara quanto ao comentário alheio sobre si, a palavra humanos pinicava a epiderme como grama aparada, não mais sabia o que restava em si que era humano, porém era prazeroso ouvir que partes dela não foram tiradas de si junto a transformação. Então, com as palavras alheias voltadas a ela, Eunji ouvira o conselho dado por LiHo e riu baixo, não pela graça em sua fala ou em ironia, apenas um som sem alegria e motivo, porém o riso morreu na mesma rapidez que viera, às vezes o excesso de audácia poderá ser à sua ruína... Já estava arruinada em perpetua existência, como matar aquilo que já estava morto? ❝ —- Eles são temperamentais? Que ótimo, eu também sou.❞ Arrependera-se das impulsivas palavras assim que saíram, de nada valia preocupar LiHo com suas atitudes e, por algum motivo, não desejava dar a ele motivos para perturbá-lo — mas a verdade ainda estava ali, oculta, rastejando nas sombras. Não queria explicar a imprudência, o prazer das más escolhas, o triunfo de fazer as próprias escolhas, mesmo que seja para a condenação. Com um arfar, observara com religiosa atenção enquanto o vampiro bebericava o sangue, ele era uma charada embrulhada em um mistério dentro de um enigma, concluiu Eunji, belo como uma pintura ou estátua de museus. Nunca entrara em um para saber com veracidade a beleza de tais obras, porém tivera certeza naquele momento único de quietude, depois que pronunciara seu nome de forma tão branda, que em um recinto repleto de artes, LiHo ainda seria o foco de sua atenção, independentes dos nomes artísticos que não saberia diferenciar, da antiguidade de suas existências, ele e apenas ele seria o foco de sua atenção. Era estranho ter consciência de tais pensamentos e não fugir deles como Eunji faria em outras situações, os deixava ali porque não via problemas ou ameaças a seu conforto mental — mesmo quando as vezes encontrava-se ponderando se o toque alheio seria tão frio como as madrugadas de inverno, se sentiria calor ainda com a frieza, e que sentimento antigo era aquele que a fazia pensar sim a todas essas indagações. A surpreendia tanto quanto aterrorizava. Não era fascínio romântico ou libidinoso, apenas curioso, era o que repetia sempre que cruzava com tais indagações. Erguera a sobrancelha em questionamento, as palavras dele a pegaram de surpresa. ❝ —- Imaginei que você desejasse se ver livre de mim o quanto antes. ❞ Ainda que o tom mostrasse divertimento, a observação era de uma questão real, sabia o quão irritante e atrevida poderia ser, eram traços assim que faziam com que Eunji fosse ótima em seu trabalho, mas péssima em sua vida pessoal. ❝ —- Mas acho que a questão não é se você vai sobreviver, mas sim se vai merecer tal benção de minha companhia eterna. ❞
Pensara em sua irmã mais nova, a veria florescer até tornar-se uma mulher, ponderava a vinda de sobrinhos assim que ela encontrasse alguém com quem passar a vida — com a aprovação de Eunji —, ela sempre tivera desejos familiares, fincar raízes. Será uma boa mãe, concluiu, amorosa e compreensiva. Eunji os veria crescer, mas não por muito tempo. As pessoas começariam a perceber que as mesmas feições dos vinte e cinco não desvaneceram e então precisaria sumir, observando as passagens dos anos em silêncio. O que é um legado? É plantar sementes em um jardim que nunca verá florir, compor canções que outros cantarão por ti, porém o que é pior do que ver seu desabrochar e perecer? Eunji não gostava de pensar nessas coisas em companhia, tais divagações eram reservadas a momentos noturnos com luzes acesas porque ela tinha medo do escuro, uma taça ou duas de vinho em suas mãos, momentos perdidos no tempo como lágrimas na chuva. Houve um segundo, e um apenas, onde o desespero poderia ser visto em sua iris, um segundo onde permitia-se transparecer as inseguranças ancestrais, presentes desde o inicio de seus dias. Um momento de hesitação, o discernimento do eterno, sua pele sentira arrepios, psicológicos, estaria sozinha. Odiava sentir-se sozinha, perdida, cortejava ameças a si porque era mais fácil aceitar estar em perigo do que só. Com um baixo pigarro, recompôs a postura, o sorriso brincava em seus lábios novamente, lembrando das palavras de LiHo antes do dissipar mental. ❝ —- Não fale coisas tão em aberto assim, eu imaginei absurdos. Morangos cobertos de sangue, sangue no lugar de ketchup, essa é sua ideia de interessante? ❞ Era como se nunca tivesse desaparecido, um segundo de franqueza, erguera a sobrancelha em tipica provocação, rindo antes de desviar o olhar, suspirando por puro hábito de fazer isso em momentos específicos. ❝ —- Acho que tive a minha cota de divertimento por uma noite, te vejo amanhã? ❞ Clara era a despedida que fazia, tudo em seu corpo indicava isso, o adiantamento em direção a saída, a alça da bolsa em seu ombro, cruzando o corpo e, acima de tudo, o explicito aviso de que não queria companhia para a volta. Como se para adiantar as palavras alheias, Eunji suavizou a voz, afabilidade que não usava com frequência. ❝ —- Vou pegar um carro e te aviso quando eu chegar, ok? Não estrague sua noite, com tantas belas criaturas nesse lugar seria um erro não aproveitar. ❞ Piscara em direção a LiHo, como se segredasse algo compartilhado entre ambos. Não sabia muito sobre a vida dele, muito menos amorosa, porém conhecia suficiente os imortais para compreender seus envolvimentos lascivos. Esperava que pelo menos ele se divertisse. Fizera uma breve reverencia por fim, conveniências de sua posição como mais nova. ❝ —- Annyeong, ahjussi. ❞