Para tudo que a mais velha falha, até certo ponto, Ludi somente sorrir. Minimamente, mas é facilmente possível de ver. Que fosse entendido o quê quisesse ser, não desmentiria, mas não seria acusado de tais palavras futuramente. Há o momento, entretanto, que é preciso fazer-se ouvido. “ — Não há nada em seu rosto. Não. Não é o vermelho.” Responde junto à cabeça que pende, levemente, em direção à um dos ombros. “ — Honestamente, é ainda mais assustador. Como aquele bonequinho daquele filme.” Agora, o sorriso é um tanto maior. É uma leve provocação usada para dar pontos à seus argumentos contra o aegyo alheio. “ — Ow, por favor, Yangmi-ssi. Não seja tão ignorante…” O breve riso soprado vem logo após. “ — O quê não é para você, tampouco para mim, aliás, é para muitos. E isso deve ser respeitado, claro, porque você não quer ser o vilão da história. O que seria mais grandioso que aquilo que fez convergir quatro polos opostos? E prende-los num mesmo ambiente… sob música eletrônica?” Há de certa forma sarcasmo, mas Ludi sempre fora inteligente demais, mesmo quando somente um garoto de dezessete. Há coisas que não se pode deixar ver com olhos da ignorância, de fato. O sarcasmo não o deixa mesmo depois, em palavras chaves. “ — Essa merda, como diz com tanto desdém, ganhou uma festa com direito aos quatros ilustres líderes e seus seguidores, e você com seus 506… Tão ainda insignificante. Não leve para o pessoal, é só para reflexão.”
Não estava em seus planos prolongar o assunto ou fazê-lo responder os questionamentos que soltara segundos anteriores, em fato, a resposta fez o curvar dos lábios transparecerem uma expressão semelhante à um sorriso. ❛ —— Vermelho sempre foi a minha cor favorita ❜ as íris negras inexpressivas analisavam com prudência a feição do homem mais novo. Era uma mania que carregava consigo: gostava de, discretamente, observar as pessoas para saber mais sobre elas. Conforme os anos passavam, Yangmi tornava-se realmente talentosa nisso. Porém, não era algo para se vangloriar – a única habilidade que a permitia que fizesse isso era o seu talento na pintura e, música. No entanto, guardava estes para si. Tanto que, assinava os próprios quadros como uma pintora anônima, modificando o nome conforme os anos passavam: até os dias de hoje, um quadro que pintou nos anos de 1800 tornou-se referência para a idade contemporânea. Ninguém sabia quem era a pintora misteriosa. Apenas a mulher. ❛ —— Bonequinho de qual filme? A maioria dos filmes atuais são chatos, não costumo assisti-los ❜ ergueu a sobrancelha ao aguardar pelo restante da sentença do rapaz mais alto, acabando por deixar um suspiro involuntário escapar dos lábios vermelhos entreabertos. ❛ —— Eu apenas faço não faço questão de demonstrar interesse ou fingir algo que não existe. Em fato, marquei a minha presença somente pela bebida. Aliás, realmente acredita que tudo isso é somente para “comemorar” o aniversário do tratado? ❜ as palavras proferidas pelo rapaz com aparência tão jovial a fizeram sorrir. Um sorriso distinto: não sabe-se ao certo o motivo deste surgir em seu rosto, porém fora inevitável. ❛ —— Tão sarcástico, mas não consegue entender sarcasmo? Por que diabos iria querer comemorar mais um ano ridículo de “vida”? ❜ era interessante – sempre foi – , conversar com Ludi. ❛ —— Agora... aceita uma bebida? Ou terei que fazer aegyo para convencê-lo? Ás vezes, você consegue aparentar mais velho que eu. Parabéns. ❜