⌜ Cultiva sob o adubo da REPUGNÂNCIA o fruto da desavença por aquela; cujo simplório timbre incita conceito de asco a empeçonhar o solo d’alma. Pois verossímil a toxicina a DEGENERAR fertilidade de um terreno, aquela presença tem o poderio para disseminar a SECURA em seu âmago. Era demasiado IRÔNICO a soberania que ela tem sobre si, a capacidade de induzi-lo a permuta de sua cerne. Porque basta sentir a companhia de sua criadora para ser INUNDADO por aquele sentimento; a sinestesia de estar à deriva do babel. POSSUÍDO pelo espírito maligno da carnificina, da qual SUSSURRA em fala viperina em prol do clamor da insânia. O desejo tão INTRÍNSECO de matá-la; o almejar tão DESESPERADOR de aniquilar aquela que o destruiu. Porém, assim como reconstrói o próprio sustentáculo, aquele fortifica o égide a protegê-lo do desiquilíbrio. Pois, de fato, não seria capaz de negar que há TENTAÇÃO em ceder ao estímulo da carne e retirar o músculo cardíaco da caixa torácica alheia. De assisti-la declinar ao óbito sob a MUSICALIDADE do ferro a decapitar a outrem, de contemplar em PASSIVIDADE o doce néctar do sangue feminino a SERPENTEAR o cenário em bálsamo de vitória. Porém, ele retarda a própria selvageria de seus ANSEIOS para focalizar o olhar sobre o contorno alheio. Não há nada mais do que INDIFERENÇA a pincelar a ESCURIDÃO de suas orbes, mas caso fosse justo consigo mesmo, acrescentaria o teor de ÓDIO e REPULSA a tingir a matriz de sua cerne. Afinal, se os olhos são realmente a janela da alma, os seus CERTAMENTE são o próprio reflexo do pandemônio. A representação da barbárie de um espírito que jazia em CAOS; embora dissimulado sob o manto da impassividade. Da qual demanda por DEMASIADO auto-controle, até porque jazia na presença do ser que mais DETESTAVA em seus 850 anos de existência. O ódio era absurdo; capaz de INEBRIAR o juízo diante o CLAMOR de REJEITAR e REFUTAR o tratado para matá-la. Pois aquele tratado não representa a proteção apenas aos humanos, a festividade era um simbolismo ao TEMPO em que precisou SUCUMBIR o anseio da violência e sangria por haver PROIBIÇÃO diante a morte de outrem. Portanto, LiHo escolhe por respondê-la através de uma risada de escárnio. Pois ironicamente ele entrega CREDIBILIDADE a sentença alheia, porque se os tempos fossem outros, ambos certamente já estariam DESTRUINDO um ao outro. Às vezes há CONTENTAMENTO diante ao tratado; porém, em outros (exatamente como aquele) existe o AMARGOR. Quão mais agradável seria sepultar a CONSTÂNCIA e destruir quem o desmantelou em outrora? Ele morde o lábio inferior com ADOCICADO consideração, deslizando o olhar pela curvatura alheia até finalmente retornar as orbes demoníacas.
❛❛ —— De fato, esta é uma raríssima circunstância onde preciso concordar com você. Há certas cláusulas neste tratado que são tão desagradáveis. ❜❜ Refere-se sem tem a pretensão de ocultar sob a DISSIMULAÇÃO ao fato de não poder haver homicídio. Realmente era uma pena, o vampiro complementa em pensamento. Preservando o olhar diante a outra; onde não procura nem por um instante em mascarar a SOBERBA de seus pensamentos. De fato, ela tem a capacidade de despertar o pior nuance em si. Era algo DEMASIADO perigoso; porém, por trás de toda a TENSÃO a jornadear a alma, havia certo ENTRETENIMENTO e luxúria mascarada em indiferença. ⌟
Era realmente antinatural como a ligação entre ambos ainda persistia. Século após século, era como uma pontada contra o peito, como um beliscão suave contra a carne. Ela o sentiu antes mesmo que ele falasse qualquer coisa; era como um choque elétrico que percorreu de seus dedos dos pés até as raízes de seus cabelos escuros. Entretanto, Hayoon não era uma pessoa capaz de se analisar através de movimentos bruscos ou expressões, anos sob a tutela do vampiro japonês a fizeram ser dura como um muro de concreto. Mas nesse caso em particular, a vampira não conseguiu suprimir que a besta ronronasse em antecipação ao sentir a presença do outro; eram como ondas magnéticas, conectando-se e provocando um ao outro, como uma dança mortal sobre quem cederia primeiro. Era ainda o mesmo quando ele era humano, essa presença intimidadora e forte, quase incomum, que faria qualquer pessoa estremecer ou ficar intimidada; entretanto, para Hayoon, tudo que fazia era atiçar seus instintos bestiais ao pico, como se o animal estivesse pronto a provar-se diante do outro. Mesmo com o som alto das batidas da musica que faziam até mesmo as paredes estremecerem, a voz rouca e forte abafara todo e qualquer som externo que pudesse vir a interferir naquele momento. Quase como se no momento em que ele pisara no mesmo perímetro que ela, um escudo envolvesse ambos, separando-os do mundo externo. Seu corpo arqueou, adquirindo uma postura perfeitamente reta antes que se virasse para fitar o outro. Ele ainda era o mesmo, em aparência, exceto que seus olhos lutavam para conter o brilho louco de ódio e desprezo que ele costumava exibir sem pudor em sua humanidade, mas ela sabia que os sentimentos ainda estavam lá. Ela podia sentir isso em cada silaba que ele lhe dirigiu ou o modo como seu corpo reagia ao seu redor, era particularmente adorável. Depois de analisa-lo meticulosamente com os olhos escuros, Hayoon tomou seu tempo para articular uma resposta adequada para a sentença que o outro lhe desferira, um tanto irreal para a situação de ambos. Com isso, ela não pode deixar de soltar um riso baixo.
– Você já está bêbado o suficiente para dizer que concorda comigo? – Questionou a vampira com desdém enquanto mexia a taça com o liquido rubro pela metade em pequenos círculos suaves. – Porém, essa sentença não estaria de acordo com os suas novas “condutas morais”, sunshine. Você não estava em busca, como era mesmo... – Ela tomou seu tempo para provoca-lo, era seu talento deixa-lo a ponto de perder o controle e, sinceramente, isto seria sua maior diversão até agora. – Oh, isso! “Redenção”, não é? Você não deveria estar pregando todo o amor, paz e harmonia até agora? Só não vá se vestir de laranja meu caro, eu não poderia me conter. – Finalizou, gargalhando para si mesma com a referencia. Ela jamais contou ao outro sobre como a transformação de “Aika”; afinal, todos têm esqueletos para manterem em seus armários.