YOU ARE THE REASON

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Maria minha mãe
Maria minha mãe é meu pai e meu irmão Maria é força e é vida é cabeça e coração
Maria chora como as mulheres Maria luta como as mulheres Maria é forte, enfrenta exércitos mas Maria nem leva créditos Maria veste-se de deusa Maria veste-se de dona Maria veste-se de mãe Maria sabe vir à tona
Maria sabe o que ser Maria sabe aonde estar Maria pode estar nas ruas ou aonde à convém brotar Maria minha mãe mãe de mim e de você Maria não é santa ela é como vosmecê Maria sabe como amar Maria sabe como sorrir Maria sabe o seu lugar Lugar que não é parir
Esconde esse absorvente Essas espinhas Arranca esses pelos Da um jeito nesse seu cabelo duro Mal cuidada Porca Feche esse sorriso Sua mãe não te ensinou Sobre o perigo de andar sorrindo na rua? Abaixa essa cabeça Para de encarar Você esta chamando atenção Assim vão achar que você esta dando mole Delicia Gostosa Oh la em casa Fecha essa boca e não reclama Saiu de casa de saia curta Camisa decotada Maquiagem Sem um homem Tem que aguentar Como assim não sabe cozinhar? Você é mulher Tem que cuidar do lar Como assim não quer engravidar? Você é mulher Tem que engravidar Faculdade? Viagem? Mas você é mãe Tem que cuidar Abriu as pernas, agora não adianta Largar na creche Irresponsável Mãe solteira? O pai foi embora? Não sabe quem é o pai? Transou sem camisinha Vai ter que aguentar Vadia Esse roxo ai Tenho certeza que apanhou Que teu marido te bateu Mas você mereceu Provocou ele Você sabe que não pode se levantar Mulher tem que ser submissa O homem é que comanda o lar Ah, mas que criança linda É uma menina? Toma aqui esse vestidinho rosa Essa coberta de florzinhas Pinta o quarto de rosa Um rosa bem bonito Porquê mulher é monocromática durante a infância Ih, chegou a menarca Essa vai dar trabalho Ensina pra ela a se valorizar Mulher tem que se dar ao respeito Fala pra ela não deixar ninguém ver esse absorvente Esse sangue sujo Vai ter que começar a usar sutiã Os mamilos estão aparecendo pela camisa Que coisa horrível Adolescente descuidada A mãe dessa ai não ensinou nada Foi estuprada? Morreu no processo? Devia estar pedindo Sem sutiã, andava sozinha Aquele batom vermelho Aquela bunda enorme Não sabe que menina tem que ficar em casa? Deu sorte pro azar Não foi educada A mãe era solteira O pai estava é certo de ir embora Se ela era assim com a filha, imagine com o marido Não foi respeitada Opressão? Imagine Olha lá a mãe dela Na beira do caixão Olhando pro rosto da filha Sem cor, sem vida Um futuro morto antes mesmo do nascimento Filha de mãe solteira Sem pai, sem respeito Morreu tão jovem Aos 17 Uma menina tão linda Maldita sociedade Espero que a mãe dela aprenda a lição E não tenha mais filhos Suicídio? Mas ela poderia ter começado uma vida nova Agora que tinha perdido a filha Poderia terminar a faculdade Arrumar um emprego Mas era uma fraca Era mulher O destino, a vida, as possibilidades As pessoas Cavaram a cova e jogaram ela lá dentro Vitimismo? Preconceito? Abuso? Agressão? Cala essa boca e vai lavar uma louça Você tem uma delegacia só sua Tem seus direitos Não luta na vida (Mas luta na rua) Não morre na guerra (Mas morre em casa)
(via ideologia-feminista)
eu sei, fomos ensinadas à competir, nos odiar pelo cabelo, pela roupa pelo emprego, pelo gosto pelo jeito, ver defeito em tudo você sabe, muitas de nós ainda brigam rivalizam sem motivos evitamos sem conhecer separadas somos menos fortes em tudo acreditemos, ainda podemos cada uma com sua luta reconhecendo seus privilégios seguirmos em frente por nós, por amor, vamos juntas mudar o mundo
Grazi (via ideologia-feminista)
ê moça, quantas foram as vezes que você chorou, trancada no banheiro, bem baixinho pra ninguém perceber? quantas foram as noites em que você voltou pra casa sozinha, e com medo, tirou os sapatos na rua pra não fazer barulho ou andar mais depressa? quantos foram os caras legais e ‘livres’ que você conheceu, se identificou, até se apaixonou, mas que nunca olharam pra você ou suas amigas, sempre ficando com as mulheres padrão? quantas foram as pessoas que te deixaram de lado por ter engravidado cedo, depois te julgaram por você entender que ser mãe não significa deixar de viver? quantos foram as portas de empregos fechadas por você morar tão longe, na periferia, naquele bairro onde 'só tem bandidos’? quantos foram os apelidos cruéis, te fazendo alisar o cabelo, colocar faixa nos seios, beijar sua amada escondido, não mostrar as pernas, querer embranquecer ou emagrecer a todo custo? você lembra, moça? o quanto essas coisas doeram e ainda mexem com você… mistura de rancor e tristeza, eu sei, ainda dói. mas sabe, moça, corre e se olha aí no espelho. aquela menina mudou. está mais forte. tem orgulho do seu corpo, do seu cabelo, da sua classe, da sua cor, da sua história. aquela menina hoje é essa mulher, empoderada, lutadora, uma guerreira. e eu espero ( e luto por isso ) que sua filha não sofra tanto quanto a gente. que você transforme todas essas dores em luta. que seu choro de ontem seja hoje, amanhã e sempre o sorriso mais radiante e encorajador desse universo. é por mim, por elas, por ti, por nós, por amor.
“Você é a mulher da minha vida.” Eu não sou tua. Isso mesmo. Eu não sou tua e nem sequer por um momento eu fui. Não sou uma propriedade. Muito menos uma mercadoria a ser comprada. Eu sou uma mulher. E não uma coisa formada de carne. Não uma simples mercadoria que pode ser consumida e usada ao bel-prazer do homem. Usadas. Rasgadas. Cortadas. Sentimentos sem valor. Não. Basta. Eu sou minha. Não sou a mulher da tua vida. Pois da minha vida já sou dona.
(via ideologia-feminista)
minha amiga minha amada minha irmã
talvez já tenham te alertado sobre a dureza da vida a maldade dos homens as injustiças presentes com certeza você já sentiu o perigo nas ruas o ódio nas veias o medo no olhar eu sei, irmã, ser mulher é uma batalha onde a gente parece sempre perder para as leis, os costumes para o retrocesso para o mundo eu quero que você saiba que pra mim não é tão diferente reconheço meus privilégios e também arrebento correntes ( todos os dias, não é? ) eu quero que tenha convicção de que pode contar comigo mesmo quando eu falho mesmo quando eu hipocritamente erro mesmo quando eu tropeço não vou soltar da sua mão me segura, eu te seguro e quando eu estiver perdida, me mostre o caminho e quando te fizerem chorar, te levarei um sorriso vamos atacar juntas, semear juntas, florescer uma primavera eu acredito que a nossa vida a vida das mulheres fica menos difícil se uma tem à outra
minha amiga minha amada minha irmã
talvez já tenham te alertado sobre a dureza da vida a maldade dos homens as injustiças presentes com certeza você já sentiu o perigo nas ruas o ódio nas veias o medo no olhar eu sei, irmã, ser mulher é uma batalha onde a gente parece sempre perder para as leis, os costumes para o retrocesso para o mundo eu quero que você saiba que pra mim não é tão diferente reconheço meus privilégios e também arrebento correntes ( todos os dias, não é? ) eu quero que tenha convicção de que pode contar comigo mesmo quando eu falho mesmo quando eu hipocritamente erro mesmo quando eu tropeço não vou soltar da sua mão me segura, eu te seguro e quando eu estiver perdida, me mostre o caminho e quando te fizerem chorar, te levarei um sorriso vamos atacar juntas, semear juntas, florescer uma primavera eu acredito que a nossa vida a vida das mulheres fica menos difícil se uma tem à outra
Lindo esse texto, recomendo muito.
Por que me tornei feminista
Não sou uma teórica feminista, sou alguém que se tornou feminista pra poder sobreviver. Feminismo pra mim é um modo de vida, foi o que me libertou da vontade de ser qualquer outra coisa, menos eu. Mas demorei muito tempo até conseguir chamar isso de feminismo, por muitas razões. Então o que vou contar aqui é também parte da minha história. Há muitas coisas que gostaria de falar para outras mulheres, na esperança de ajudar alguém como eu fui ajudada.
Às vezes parece que estamos sozinhas e estas coisas só acontecem conosco, mas muito do que passamos é compartilhado.
Acredito que o receio que muitas mulheres têm de se dizer feministas, é também o receio de reconhecer que suas vidas não são assim tão únicas quanto imaginam. Que somos, na verdade, seres moldados para a feminilidade e que esta feminilidade é uma forma de prisão. E é claro que a prisão mais eficaz será aquela que as pessoas prisioneiras puderem pensar que gostam, ou que escolheram.
Há algo que constantemente me pergunto: como fazer as mulheres perceberem que nosso problema não é individual, que nosso sofrimento não é algo meramente pessoal que poderia ser resolvido “no íntimo”?
Conversando com uma amiga, que não entendia porque ainda precisamos de feminismo, apesar de todos os índices de violência contra a mulher e desigualdade de gênero, ela me questionou: mas por que você se tornou feminista?
A resposta a fez perceber que embora eu estivesse falando de mim e das minhas experiências, talvez ela também pudesse se dizer feminista, pois a despeito de todas a nossas diferenças compartilhamos desse mesmo sentimento profundo de inadequação em relação à nossa própria identidade “feminina”.
Então, minhas irmãs, eu vou falar de mim. Mas não se surpreendam se isso as recordar algo, e doer em vocês como dói em mim.
Me tornei feminista porque cresci ouvindo para me comportar como uma mocinha, para sentar de pernas fechadas, para comer de boca fechada, para ficar de boca fechada.
Me tornei feminista porque fui ensinada que todas as brincadeiras divertidas dos meninos seriam para mim perigosas. Por até hoje só saber subir em árvore de maneira desajeitada. Por ter tido todo meu corpo moldado e condicionado aos movimentos comedidos do espaço privado.
Me tornei feminista por andar de cabeça baixa, por ter aprendido a ter medo, por não poder ficar até tarde na rua. Por saber que nenhum espaço seria seguro para mim, pela anatomia do meu corpo ser a anatomia do corpo violável e não do corpo de viola e violenta.
Me tornei feminista pelos abusos que sofri, facilitados pela educação de silêncio, culpa e domesticidade, e assim silenciados toda uma vida junto com a inocência engolida com o bolo que eu ajudava a fazer e até hoje sei a receita.
Me tornei feminista por ter nojo da minha menstruação, do meu corpo, dos meus pelos. Por crescer sentindo que jamais seria bonita o suficiente, e sem isso, eu nada seria.
Me tornei feminista por ter sido educada desde a infância para amar um homem, desejar um homem, depender de um homem para ter minha identidade respeitada, para, finalmente, ser “a mulher de alguém”.
Me tornei feminista por perceber que quase todas as pessoas importantes – que aparecem nos livros e nos jornais, que escrevem os livros e jornais – são homens.
Me tornei feminista porque até deus é homem.
Me tornei feminista pelo sentimento ambíguo de medo, reverência e dependência a tudo que diz respeito ao masculino.
Me tornei feminista por achar que precisava desesperadamente conquistar um homem. Por mutilar meu corpo para isso, por aceitar novas regras dentro do meu mundo de regras.
Me tornei feminista por ter sido ensinada a odiar mulheres, assim como os homens as odeiam, e a vê-las como minhas adversárias no objetivo de adentrar, ainda que subalterna, o mundo dos homens através do passaporte de ser mulher de um homem.
Me tornei feminista por todos os relacionamentos abusivos, pela imposição de um desejo que nunca foi meu. Para poder questionar que desejo é esse que me faz um ser inferior, submisso, subserviente. Que gozo é esse que me simboliza escrava e não deusa.
Me tornei feminista pelos olhos abertos no escuro e a dor no corpo.
Me tornei feminista pelo esforço não recompensado no trabalho. Pela gagueira com o público. Pelo nó na garganta em todas as reuniões a portas fechadas.
Me tornei feminista pelas doenças psicológicas que nenhum remédio curava.
Me tornei feminista pela humilhação de saber que as ruas não me pertencem, que meu corpo é público, é julgável, é tocável. Por saber que tenho que me esconder e, se isso não for o suficiente, tenho que correr. Mas, se isso tampouco for o suficiente, a culpa continua sendo minha.
Me tornei feminista porque os homens são ensinados a odiar mulheres.
Me tornei feminista porque os homens são ensinados a desejar mulheres obsessivamente e a detestar, dominar e corromper o objeto de sua obsessão sexual.
Me tornei feminista porque o feminino, no mundo dos homens, é a Mãe Natureza à disposição da destruição, do abuso, do desrespeito. O ser feito para ofertar terna e eternamente.
Me tornei feminista porque entre puta e santa, entre vadia e mãe, a escolha é entre duas prisões dependentes do masculino.
Me tornei feminista porque sempre fui apenas o outro daquele a quem é permitido ser.
Me tornei feminista porque dizem “nem todos os homens”, mas, sim, é o sofrimento de todas as mulheres.
Aqui
🤐😉
Não se preocupe. As coisas são assim mesmo, uma hora dá certo e a outra não. Mas do nada a felicidade chega e você até esquece que já deu errado um dia, é só ter paciência e fé.
Engelberg. (via florescitei)
Felicidade tem sorriso largo, coração tranquilo e alma serena... ❤🍀
Ela é uma letra do Caetano com flow do racionais, hoje pode até chover, porque ela só quer paz. ☔🌸🌀