1. Como as Pessoas Veem: o que você vê não é o que seu cérebro recebe
Dando início à série COMO AS PESSOAS VEEM, este post agrupa pequenos tópicos que ajudarão você a entender o tema: O que você vê não é o que seu cérebro recebe.
Você acha que quando você está andando e olhando ao redor de tudo que está ao seu alcance, seus olhos estão enviando informações para o cérebro e que essas informações são processadas numa experiência realista do que está "lá fora".
Mas a verdade o seu cérebro não vê exatamente o que seus olhos estão focando. Seu cérebro está constantemente interpretando tudo que você vê.
A ilusão particular abaixo é chamada de Triângulo Kanizsa, nomeada pelo psicólogo italiano Gaetano Kanizsa, que a desenvolveu em 1955.
O que você vê? Provavelmente você verá um triângulo sobre as rodelas de Kiwi.
Bem, isso não é realmente o que está lá, são apenas kiwis parciais. Seu cérebro cria a forma de um triângulo fora do espaço vazio porque ele tende a buscar unidade em tudo o que identifica visualmente.
O uso das formas e das cores. Você pode influenciar o que as pessoas veem, ou pensam que veem, pelo uso de formas e cores. Veja essa ideia no exemplo abaixo:
Se você precisa ver no escuro, não olhe para a frente. O olho tem 7 milhões de cones que são sensíveis à luz brilhante e 125 milhões de bastonetes que são sensíveis à luz fraca. Os cones estão na fóvea (região central da visão) e as hastes são menos centrais. Então, se você está em condições de pouca luz, verá melhor se não olhar diretamente para a área que você está tentando ver.
Vemos em 2D, não 3D. Os raios de luz entram no olho através da córnea e do cristalino e a lente foca uma Imagem na retina. Esta imagem, é sempre uma representação bidimensional, mesmo que seja um objeto tridimensional. Ela é enviada para o córtex visual no cérebro, onde ocorre o reconhecimento de padrões e em seguida a imagem 2D é transformada em uma representação 3D.
O córtex visual coloca todas as informações juntas. Segundo John Medina (2009), a retina recebe padrões elétricos do que nós olhamos e cria várias faixas de padrões. Algumas faixas contêm informações sobre as sombras, outros sobre o movimento e assim por diante. Aproximadamente 12 faixas de informação são enviadas para o córtex visual do cérebro. Lá, diferentes regiões respondem e processam a informação, desta forma uma área responde apenas às linhas que são inclinadas 40 graus, uma outra apenas à cor, à outra apenas ao movimento, e outra somente as arestas. Eventualmente, todos estes dados se combinam em apenas duas faixas: uma para o movimento e outro para o local, ou seja, está o objeto em movimento? Onde está o objeto em relação a mim?.
Trazendo para a prática. Quando você está desenvolvendo um produto ou serviço, seja um software ou produto físico, o que você pensa que as pessoas veem talvez não seja o que elas realmente estão vendo sobre este determinado produto. Tudo pode depender da informação, do conhecimento, da familiaridade com o produto e das expectativas em relação a ele. São estes indicadores que muitas vezes fazem o cérebro interpretar os objetos de maneira distinta para cada pessoa.
Um dos nossos objetivos como designers é ser capaz de induzir as pessoas a ver as coisas de uma determinada maneira para melhorar a sua experiência com produtos ou serviços.
No próximo post falaremos sobre o tema: a importância da visão periférica na essência do que você vê.