Atenção, partes desse video são em inglês, mas a palestra da Amanda Paschoal é em português. Começa em 7:56

blake kathryn
🪼
Peter Solarz

oozey mess

tannertan36
almost home
Lint Roller? I Barely Know Her

No title available
Acquired Stardust
hello vonnie

JBB: An Artblog!

ellievsbear
I'd rather be in outer space 🛸
h

Discoholic 🪩

Andulka
taylor price
todays bird

pixel skylines

PR's Tumblrdome

seen from Ireland
seen from United States
seen from Switzerland
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Argentina
seen from United States

seen from China
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from Belarus
seen from United States
seen from United Kingdom
seen from United States

seen from United States

seen from Malaysia

seen from Argentina
seen from India
seen from United States
@neurodiversidade
Atenção, partes desse video são em inglês, mas a palestra da Amanda Paschoal é em português. Começa em 7:56
Construção do Programa Nacional de Acessibilidade em Museus e Pontos de Memória.
Além da arte-educadora e autista Amanda Paschoal, o programa que vai ao ar nesta quinta-feira, 3/5, tem a participação da psiquiatra Raquel
Bate-papo com a Dra. Adrianna Reis - Psicóloga M.e., e com Amanda Paschoal - autista e palestrante, sobre um assunto muito importante e que
ACESSANDO LUCÍLIA - Autismo e Protagonismo Uma condição muito falada, mas pouco entendida o Transtorno do Espectro Autista-TEA é o tema do P
Não existe “idade mental”
Uma pessoa adulta com deficiência intelectual tem a cabeça de uma pessoa adulta com deficiência intelectual. Ter dificuldades não é comparável a "ter mente de criança".
Não importa o quão "severa" seja a deficiência da pessoa, ela cresceu, teve experiências, aprendeu cosias, seu cérebro cresceu e se desenvolveu, não tem nada de "criança" ali.
Pode continuar gostando de coisa de criança, coleciona brinquedos, assiste desenho, qualquer coisa que seja, existe neurotípico adulto fazendo também.
Pode ter dificuldades com entender subtextos, não entender linguagem não-verbal, coisas assim são literalmente a deficiência do autismo, não tem nada a ver com "ser criança".
Precisar de suporte nas atividades do dia-a-dia, é literalmente o que ter uma deficiência é, não tem nada a ver com "ter mente de criança".
Essa história de classificar deficiência intelectual com "idade mental" começou com o nazismo/eugenia, como uma forma de retirar qualquer direto da pessoa com deficiência, ao mesmo tempo que explora o trabalho dela. Não tem embasamento científico.
Segue links de mais textos sobre o assunto aqui, aqui e aqui .
texto por Amanda Paschoal
Boa tarde, então eu convivi com um menino autista por 7 meses, a mãe dele é minha melhor amiga assim como o pai. Logo ela fez uma análise sobre mim, quando me deu o resultado ela disse que eu tinha espectro autista. Mas eu nunca suspeitei antes. É possível vc ter autismo ou espectro autista sem saber? Ou seus pais tbm?
Com certeza. É enorme o numero de autistas que só foram descobrir depois de adultos.
Chegando o 02 de Abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, vou usar essa imagem pra dizer que muitos autistas amam rodopiar, vamos refletir um pouco sobre isso. Girar o corpo, livremente, é uma forma de se estimular e de se acalmar. Muitos profissionais apontam isso como um sintoma, dentro de um pensamento de que o autismo é uma doença e tentam fazer com que a pessoa pare com o hábito de rodopiar. Mas, como vocês podem ver, girar o corpo pode ser algo trabalhado e gracioso. A nossa sociedade aceita bem o hábito de girar o corpo quando não o encara como um sintoma a ser extirpado da pessoa. É comum que crianças brinquem de rodar o corpo, isso tem uma função para elas. Girar o corpo pode ser algo divertido e prazeroso, pode ser algo trabalhado também para se construir uma dança, como bem ilustra a imagem. Rodopiar pode ser usado como gancho por educadores para se trabalhar coordenação motora, noção de ritmo, de tempo, sequência...
Conscientizar sobre o autismo também passa por isso, por se questionar se aquilo que se aponta como sintoma não tem de fato uma função para o autista. Assim como você, antes de uma situação meio tensa como antes de uma entrevista de emprego ou de uma apresentação em público ou até mesmo fazendo uma prova, fica balançando os pés, mordendo a caneta, batendo os dedos sobre a mesa e usa isso como uma maneira de se acalmar e se manter em equilíbrio para exercer a sua função naquele momento, uma pessoa autista pode estar fazendo a mesmíssima coisa quando gira o corpo livremente. Seria justo simplesmente tirar esse recurso que ela mesma desenvolveu e obrigá-la a ficar parada só porque se convencionou que isso é esquisito? Como você se sentiria se todos os recursos que você desenvolveu pra se acalmar fossem retirados de você? Você sequer pode imaginar, pois ninguém nem repara que você os tem, você pode continuar balançando os seus pés livremente, ninguém vai dizer que isso é um sintoma e que você está doente por causa disso.
#respeiteostim
#pracegover: imagem em loop de uma bailarina que gira o corpo na ponta dos pés, enquanto suas mãe sobem e se cruzam sobre sua cabeça voltando depois à posição inicial.
Original aqui
AUTISMO EM MULHERES: O MITO DO 4X1
Autoria: Amanda Paschoal
Revisão: Fernanda Santana e Adriana Torres
Resumo: Costumava-se pensar que o autismo era mais comum em homens do que em mulheres, mas, atualmente, essa incidência de gênero no autismo está sendo reconsiderada. Não mais 4 homens para 1 mulher, e sim 2 para 1, ou até mesmo 1,5 para 1. Isso aconteceu porque a história da medicina já excluiu as mulheres e o mesmo aconteceu com autismo. Somente o autismo “masculino” típico foi estudado e as mulheres ficaram de fora. Faremos uma breve demonstração das típicas diferenças entre homens e mulheres autistas, como o mito da prevalência masculina é mantido e como podemos quebrá-lo.
Vocês, com certeza, já ouviram falar. É praticamente um mantra, repetido toda vez que alguém pergunta: Porque o azul é a cor do autismo? Existe sempre um jornalista, um médico ou mesmo uma pessoa comum, seja ela neurotípica ou neurodivergente, para responder: “É porque o autismo é mais comum em meninos do que em meninas, na proporção de 4 para 1.”
Mas isso é um mito. Segundo Judith Gould, da National Autistic Society a proporção é na verdade de 1,5 para 1. Ou seja, quase não há diferença. Então aqui cabe a pergunta. Se são quase iguais as proporções, como foi que isso aconteceu? Já me perguntaram isso. “Puxa Amanda, se essa diferença de incidência é tão pequena, como foi que os dados científicos apontaram uma diferença tão grande?
Para entendermos como chegamos aqui, temos que voltar no tempo e entender o contexto histórico da medicina, pesquisa científica e bioética do século XX. Sim, eu sei, autismo não é uma doença, mas durante a maior parte da história ele foi tratado como tal. Portanto, as pesquisas que hoje formam o nosso conhecimento sobre o autismo foram conduzidas dentro da lógica do modelo médico de deficiência.
Durante a Segunda Guerra Mundial, atrocidades e graves violações dos direitos humanos foram cometidas em nome da ciência. Pesquisas foram feitas sem o consentimento e a autonomia dos pacientes. Não acho que seja necessário entrar em detalhes, esse assunto daria um fórum, vários fóruns e ainda não o esgotaríamos. Vou apenas fazer um breve comentário de que não foi apenas na Alemanha nazista que estas coisas ocorreram, como MCGREGOR já citou.
Ao fim da guerra, foram estabelecidas regras e princípios para evitar que esses crimes acontecessem novamente, que pacientes se tornassem vítimas de seus médicos. E um dos princípios foi o de evitar que mulheres em idade fértil participassem de qualquer pesquisa clínica. E se ela ficasse grávida durante a pesquisa? E se ocorressem efeitos colaterais na criança?
Com o tempo, os cientistas perceberam que era muito mais simples trabalhar apenas com homens, afinal, o corpo deles é mais constante e não passa pelas variações mensais que as mulheres passam. Eram menos questões a serem consideradas. Além disso, os médicos da época acreditavam que não havia diferenças entre homens e mulheres para além das partes reprodutivas e hormônios sexuais. Ficou implicitamente combinado de que as pesquisas seriam realizadas em homens e os resultados seriam aplicados às mulheres. E foi assim que aconteceu, até que nos anos 80/90 isso foi questionado. E as evidências científicas demonstraram, finalmente, como as mulheres têm uma anatomia e fisiologia próprias.
De acordo com a Doutora Alysson McGregor, “cada célula do nosso corpo tem um sexo. [...] é importante perceber que desde quando somos concebidos, cada célula do nosso corpo, pele, cabelo, coração, pulmões, contêm o nosso DNA único. E que esse DNA contém os cromossomos que vão determinar se somos macho ou fêmea, homem ou mulher. Costumava-se a pensar que esses cromossomos meramente determinavam se iríamos nascer com testículos ou ovários e eram os hormônios sexuais que esses órgãos produziam que eram responsáveis pelas diferenças que vemos no sexo oposto. Mas agora sabemos que essa teoria está errada, ou pelo menos um pouco incompleta.” E devo lembrá-los, o cérebro é uma parte do corpo como qualquer outra.
Logo os efeitos daquela crença se tornaram visíveis, um estudo da Government Accountability revelou que das drogas retiradas do mercado entre 1997 e 2001, 80% foram por causa de efeitos colaterais sérios em mulheres, alguns até fatais.
Para quem não sabe, são necessários anos desde que uma droga saia da ideia, passe por testes em células em laboratório, passe por testes em animais para então ser testada em humanos para,enfim, ser aprovada a sua comercialização e sua prescrição. Isso, sem falar em todo o processo burocrático e o financiamento necessários. Então, como descobrem efeitos colaterais em mulheres só após o lançamento? Quando se investiga, descobrem-se casos em que aquelas células do laboratório, eram,em verdade, células masculinas. As cobaias não humanas eram do sexo masculino e os testes em humanos, eram, quase que exclusivamente, feitos em homens, conforme MCGREGOR. Por exemplo, o medicamento para dormir, Zolpidem, foi aprovado para uso no mercado, e somente 20 anos depois que a FDA recomendou que cortassem a dosagem pela metade apenas para mulheres, porque, enfim, descobriu-se que o corpo feminino metaboliza a droga mais lentamente.
Isso nos leva inclusive a refletir: será que as drogas comumente receitadas a autistas foram testadas em mulheres? Risperidona, ritalina, depakene? Será que os pediatras e neurologistas levam em consideração o sexo e gênero ao passar a receita?
Agora que compreendemos um pouco do contexto histórico, vamos analisar a história do autismo e seus nomes principais: Hans Asperger e Leo Kanner. Nos anos 30, Hans Asperger trabalhava numa “clínica-escola-internato” em Viena, Áustria, com uma abordagem muito avançada para este período da história. O psiquiatra austríaco que, assim como Kanner, foi aluno de Eugen Bleuler, primeiro especialista a citar o termo autismo (referindo-se, na época, a um conjunto de sintomas associado a esquizofrenia), percebeu determinados padrões de comportamento e de interesse em quatrocentas crianças atendidas nesse local, em sua maioria meninos, e, em 1944 ele publicou o artigo sobre a “psicopatologia autística da infância”.
Já do lado relativamente sem guerra do mundo, nos EUA, no Hospital Johns Hopkins, Leo Kanner estudou um grupo de onze crianças (oito meninos e três meninas), para, em 1943, lançar o artigo sobre “os distúrbios autísticos do contato afetivo”. É interessante ressaltar que oito das onze mães dessas crianças tinham ensino superior completo, numa época em que isso não era nem um pouco comum, e essa característica se estendia a outros familiares. Hoje sabe-se que havia um machismo pertinente quando Kanner criou a teoria da mãe-geladeira, pois ele descreveu os pais de autistas, mães principalmente, como ausentes e distantes, que apenas “haviam se descongelado por tempo suficiente para produzir uma criança”. Ao mesmo tempo, e um tanto quanto ironicamente, ele destacou que poucas vezes em sua prática clínica ele viu crianças tão bem observadas pelos seus pais (SILBERMAN et al., 2007).
Enquanto Kanner culpava os pais pelo autismo dos filhos, considerando uma forma de psicose infantil, Asperger acreditava ser uma condição poligenética que perdura pela vida inteira.
Enquanto Kanner acreditava ser uma condição extremamente rara, tendo critérios muito rígidos para o diagnóstico (por exemplo, ele desconsiderava crianças com ataques epilépticos, mas hoje se sabe que a epilepsia é uma das condições coexistentes mais comuns em autistas, chegando a 30%), Asperger acreditava que o autismo era comum, e que uma vez que você entendesse suas características, iria passar a vê-lo em todos os lugares.
Nesse período a Europa estava saindo da guerra e o trabalho de Hans Asperger ia na contramão do pensamento eugênico da época, não sendo então traduzido para o inglês e ficando esquecido nas cinzas da história. O modelo restrito de Kanner foi o que permaneceu por várias décadas. O autista ficou invisibilizado, trancados em instituições por décadas. Somente em 1971, com Lorna Wing,que o trabalho de Hans foi resgatado e então, cunhado o termo “síndrome de Asperger”. Em 1994, este diagnóstico entrou para o DSM, ainda como sendo algo diferente do autismo descrito por Kanner.
Lorna era uma psicóloga cognitiva em Londres. Sua filha, Susie, foi diagnosticada com autismo clássico. Lorna sabia que ela e seu marido eram pessoas afeiçoadas e carinhosas, o que a levou a perceber que a teoria do da mãe geladeira era “totalmente estúpida”. Em sua busca para convencer o governo de que seriam necessários mais recursos financeiros e políticas públicas para auxiliar no desenvolvimento dos autistas, ela e sua colega, Judith Gould, fizeram um levantamento estático em Londres da prevalência do autismo entre a população geral. Não se tem conhecimento de algum estudo desse tipo anterior a esse. A prevalência era, até então, apenas estimada, mas nunca tinha sido estudada de fato.
Nesse levantamento, Wing e Gould encontraram um número muito maior, e um espectro muito mais amplo do Kanner havia previsto. Procurando fazer sentido aos dados que obtiveram, aprofundaram-se ainda mais na busca por estudos na área, quando então Gould encontrou uma referência a Hans Asperger, e tudo começou a fazer sentido.
Ao analisarmos esses dois históricos - da exclusão sistemática de mulheres em pesquisas médicas-científicas e o dos critérios extremamente limitados para o diagnóstico do autismo, podemos perceber que ambos contribuiram para a invisibilidade da menina e da mulher autista.
Resta claro que a condição só foi estudada em meninos. Basicamente, os testes identificadores de autismo foram feitos para diagnosticar o autismo “masculino”. Por muitos anos, meninas autistas só conseguiam ser diagnosticadas caso suas características fossem mais próximas das características do autismo “masculino”, e estudos recentes mostram que existem diferenças importantes entre a forma como o autismo se apresenta em homens e em mulheres.
Nota: Não classificarei o autismo entre feminino e masculino, e sim como autismo típico e atípico. Importante lembrar que, em geral,o “autismo atípico” significa um “tipo” de autismo que não é diagnosticado pelos protocolos tradicionais. Esses traços “fora dos padrões esperados”, usualmente, são encontrados, por pesquisadores, no sexo feminino. Mas essas não são categorias fixas, de regras fechadas. Uma mesma pessoa autista pode ter traços tanto de autismo típico quanto de autismo atípico. Um homem pode ter todos os traços de autismo atípico e uma mulher ter todos os traços de autismo típico que isso não interfere em nada suas orientações sexuais e identidade de gênero. É apenas uma generalização pela incidência ser mais notada nas pesquisas.
É comum, hoje, especialistas afirmarem que não existe um autismo, mas autismoS. Eu, particularmente, prefiro dizer que existem não um autista, mas autistaS. Cada autista é um, não somente pela forma como a condição se apresenta, já que é um espectro, mas pela conjunção com sua personalidade, hábitos culturais, sociais, regionais… Portanto, ao citar exemplos de um ou outro autismo, é importante afirmar que são traços comuns, não significando que todo autista “atípico” terá essas características, e nem que todo autista “típico” terá as mesmas questões exemplificadas abaixo como autismo “típico”.
Autismo Típico
Autismo Atípico
Dificuldade de empatia
Hiper-empatia
Gosto por leituras técnicas
Gosto por leituras de ficção
Gosto por ciências exatas
Gosto por artes e comunicação/letras
Interesses especiais não usuais em neurotípicos da mesma faixa etária
Interesses especiais usuais para neurotípicos da mesma idade
Crises nervosas com maior agressividade
Crises nervosas com choro
Grande apego a objetos
Apego a animais
Personalidade/aparência simples, despojada
Personalidade e aparência mais excêntrica
Isso é apenas a seleção de alguns pontos, a lista de sinais do autismo atípico é bem longa. Por outro lado, existem alguns outros pontos em que o típico e o atípico são praticamente iguais, como, por exemplo, a hipersensibilidade tátil, que leva a criança a buscar roupas mais práticas e confortáveis. Mas, por desconhecimento ou mesmo pelos mitos existentes, quando esses sinais são vistos em meninos, os profissionais vêem um indicativo de autismo, porém, quando percebem os mesmo sinais numa menina, raramente apontam para um diagnóstico de autismo.
Podemos então chegar a um ciclo de invisibilidade das meninas e mulheres autistas:
1-Pesquisas feitas com amostras quase exclusivas do sexo masculino e, assim protocolos e métodos de diagnósticos elaborados só para o autismo “masculino”.
2- O resultado? Menos mulheres são diagnosticadas do que homens. As estatísticas, feitas em cima de diagnósticos, atestam a existência de mais homens do que mulheres autistas.
3-Os dados divulgados convencem profissionais e cientistas de que há mais homens autistas do que mulheres. Assim, ao fazerem novas pesquisas, buscam uma amostragem semelhante ao que é encontrado anteriormente, ou seja, uma amostra quase que exclusiva do sexo masculino!
O que pode ser feito, então, para quebrar este ciclo vicioso?
1-Incluir mulheres nas pesquisas. Sejam nas ciências sociais, biológicas, etc.
2-Conscientizar e informar os profissionais sobre o autismo atípico, divulgando os últimos estudos feitos, incluindo a elaboração de um protocolo que contenha os traços mais comuns do “autismo atípico”.
3- Mudar a forma como se dissemina o conhecimento sobre o autismo, o que inclui a comunicação visual. Divulgar mais amplamente as pesquisas referentes ao subdiagnóstico de meninas e mulheres, informar a mídia sobre erros relacionados a questão, e utilizar outras cores para “representar o autismo”.
Por fim, é preciso também realizar mais pesquisas sobre o autismo em adultos, principalmente em mulheres adultas. Como os protocolos foram criados para serem aplicados em meninos, existe hoje - principalmente no Brasil - um número desconhecido de adultos não diagnosticados ou diagnosticados com condições neurodivergentes diversas, como TDAH, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, entre outras. Para um estudo de prevalência mais correto e para a elaboração de estratégias de qualidade de vida para essas pessoas, é preciso mais consciência que elas existem e também de como o autismo “típico” e “atípico” se manifesta na fase adulta.
Uma revisão sistemática com meta-análise de 2018 cita como principais diferenças encontradas entre autistas homens e mulheres na fase adulta, a questão da comunicação e do sensório-motor. Enquanto mulheres tendem a desenvolver melhor a comunicação e a apresentar maiores dificuldades sensório-motoras, homens, ao contrário, tem maior tendência a manterem mais prejuízos na comunicação e maiores competências sensório-motoras.
REFERÊNCIAS:
1 GOULD, J.. Autism and diagnosis: depoiment. [2011].
2 HILL, A.. Not just a boy thing: How doctors are letting down girls with autism. The Guardian, Reino Unido, 2012.
3 JOHNSON, P.. His and Hers… Healthcare. Disponível em: https://www.ted.com/talks/paula_johnson_his_and_hers_healthcare
4 ERNSPERGER, L.; Wendel, D.. Girls Under the Umbrella of Autism Spectrum Disorders: Practical Solutions for Addressing Everyday Challenges. 1. ed. EUA: AAPC. 2007.
5 LLAMAS, Michelle. How the FDA Let Women Down. Disponível em: https://www.drugwatch.com/featured/fda-let-women-down/ Acesso em março, 2019.
6 MCGREGOR, A.. Why medicine often has dangerous side effects for women. Disponível em: https://www.ted.com/talks/alyson_mcgregor_why_medicine_often_has_dangerous_side_effects_for_women
7 MERZ.,N. B.. The Single Biggest health threat women face. Disponível em: https://www.ted.com/talks/noel_bairey_merz_the_single_biggest_health_threat_women_face
8 MOSELEY, RL, et al. Self-reported sex differences in high-functioning adults with autism: a meta-analysis. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5960195/ Acesso em março, 2019.
9 SILBERMAN, S.. The forgotten history of autism. Disponível em: https://www.ted.com/talks/steve_silberman_the_forgotten_history_of_autism?language=pt-br
10 SILBERMAN, S. Neurotribes: The legacy of autism and how to think smarter about people who think differently. 1ª Edição. Australia: Allen & Unwin, 2015. 492p.
11 SIMONE, R.. List of Female Asperger Syndrome Traits. Disponível em: http://www.help4aspergers.com/pb/wp_a58d4f6a/wp_a58d4f6a.html
12 STELZER, F. G.. Uma pequena história do autismo. Volume 1. São Leopoldo: Associação Mantenedora Pandorga. 2010.
Boa tarde, então eu convivi com um menino autista por 7 meses, a mãe dele é minha melhor amiga assim como o pai. Logo ela fez uma análise sobre mim, quando me deu o resultado ela disse que eu tinha espectro autista. Mas eu nunca suspeitei antes. É possível vc ter autismo ou espectro autista sem saber? Ou seus pais tbm?
Com certeza. É super comum. Inclusive, metade dos novos diagnósticos são de adultos.
Eu creio que isso deveria ser óbvio, mas estou vendo que para muitas pessoas não é: NÃO EXISTE INCLUSÃO SEM MUDANÇA.
Incluir não é simplismente manter todo o sistema educacional do jeito que esta é tacar uma pessoa com deficiência lá dentro e quem conseguir ficar fica, quem não conseguir fica de fora. O nome desse sistema é integração.
Na inclusão, se o aluno não consegue ficar na sala de aula, a sala de aula tem que mudar para acomodar ele. Se ele não tá aprendendo, o professor vai ter que mudar a sua ensinagem para que ele aprenda.
Nós estamos tão condicionados ao sistema educacional engessado que temos dificuldade de imaginar que a escola, como um todo e para todos, pode ser diferente, pode mudar. Na integração a solução seria mandar para uma escola especial. Na inclusão não existe escola ou "ensino especializado" porque todo o ensino será especializado.
É muito cômodo para os políticos e gestores públicos defenderem o modelo de integração para continuar insistindo no modelo tradicional de escola. Muitos não gostam da inclusão porque ela nos força a encarar a realidade de que temos uma educação falida e excludente, que precisa urgentemente ser mudada.
Você já parou pra pensar que crianças, adolescentes e adultos neurotipicos e sem deficiência podem se beneficiar e aprender melhor com os modos de ensinagem e aprendizagem para pessoas com deficiência? Não é a toa que professores que revolucionaram a educação começaram a ensinar para pessoas com deficiência e depois perceberam que suas descobertas se aplicavam a todos. Maria Montessori e Lev Vygotsky são os exemplos mais óbvios.
Se uma criança com deficiência foi para a escola e não foi incluída (isso também envolve a aprendizagem) não é culpa da deficiência dela. Não é porque ela é incapaz. Tem a culpa do professor e da escola de não fazer a inclusão, tem a culpa do governo de não investir em educação, de não oferecer especialização, das faculdades de pedagogia e licenciatura de não ensinar os seus estudantes... Mas antes que tudo isso seja resolvido é literalmente impossível culpar a deficiência. Não funciona, não é real.
Agora, eu sei que vou pisar em alguns calos e criar polêmica, todavia a verdade precisa ser dita: o modelo de exclusão e integração é muito benéfico ao capitalismo selvagem. Por um lado, se coloca as crianças sem deficiência (lê-se: mais aptas a gerar lucro) num modelo único de competição para transforma-los em trabalhadores para o sistema (e quem não consegue é chutado pra fora e escrachado), e por outro você cria uma reserva de mercado dos excluídos, que na maioria das vezes não tem por objetivo a emancipação e autonomia, e sim criar dependentes eternos.
Agora inclusão significa olhar para as pessoas como pessoas, como seres únicos. Tanto as com, quanto as sem deficiência. Cada um tem formas particulares de apreender. Isso não deixa o capitalismo selvagem feliz.
Ensististir para o autista realizar uma atividade física, na escola não havendo restrição para realizar. E permissível?
O melhor a fazer é descobrir porque que ele não quer participar. Existem muitas variáveis a serem consideradas. Como eu vivi praticamente traumatizada pela ef, vou dar algumas dicas com exemplos da minha vida:
1- O estudante está entendo o que é pra fazer?
Um dos fatores que me afastou de esportes com bola era que eles tinham muitas regras e elas não faziam nenhum sentido pra mim.
2- Existe algum fator sensorial que está prejudicando?
Durante praticamente toda a minha vida escolar, o sol era o meu inimigo na educação física. Eu sempre tive muita sensibilidade a luz, quando era pra fazer atividade ao ar livre, não rolava, quando era num espaço fechado era muito melhor.
3- Existe algum outro fator "do autismo" que não esteja sendo atendido?
De novo com a minha dificuldade com esportes com bola, eles geralmente se dividiam em times, e sem usar nenhum uniforme ou algo que os diferenciava, eu nunca sabia quem era de qual time.
4- o motivo pelo qual o autista não queira participar pode ser o mesmo pelo qual outros estudantes não queiram participar também.
Queimada era um sofrimento, não só pra mim, mas para todas as outras crianças magrelas, fracas e desengonçadas.
Pode ser qualquer um desses, pode ser todos juntos, pode ser algo que eu não pensei agora... A questão é que não vai adiantar insistir e não resolver o problema.
- Amanda Paschoal
O que há de errado com a Autism Speaks?
Primeiro, vamos saber quem é Autism Speaks? Bem, sempre que você pensar em "ainnn, a cor do autismo é azul", ou vier a sua cabeça a imagem de quebra-cabeça representando o autismo, é na Autism Speaks que você está pensando, uma organização estadunidense que atua com o tema autismo há algumas décadas.
Atualização em 04/04/017: Desde dezembro de 2015 a Autism Speaks tem dois membros do Conselho autistas, Dr. Stephen Shore e Dr. Valarie Paradiz. Além disso, sua declaração de missão não inclui mais a palavra “cura”. Você pode ler mais detalhes aqui. (NT: Texto em inglês, a ser traduzido posteriormente a fim de complementar o atual).
Quando uma pessoa pensa no termo "conscientização do autismo" nos Estados Unidos, geralmente é uma Organização que vem à mente - a Autism Speaks. Ela é anunciada por celebridades, políticos e organizações com ou sem fins lucrativos. Muitos pais de crianças autistas aplaudem entusiasticamente seus "esforços", até mesmo participando na captação de recursos, apesar de não saberem muito sobre o que esses esforços implicam.
Pergunte a uma pessoa autista, no entanto, e você pode obter uma imagem bem diferente da Autism Speaks.
O princípio número um de qualquer ativismo nos grupos de deficiência é "Nada sobre nós sem nós", e a Autism Speaks não consegue sequer atender a essa qualificação básica. Eles nunca tiveram um membro autista em seu Conselho. Sua atual Diretoria é composta por pais, incluindo um que fundou a SafeMinds, Organização que contribuiu para o movimento antivacinação, bem como um outro membro do conselho que costumava ser membro do conselho do "Cure Autism Now" (uma associação feita, basicamente, de perigoso charlatanismo). Para ver a lista completa, clique aqui. Para visualizar uma lista de outras lideranças na Organização, clique aqui.
Amanda, meu filho tem 22 anos e síndrome de asperger. É fluente em inglês, que aprendeu praticamente sozinho. Terminou o ensino médio e hoje me deparo com a seguinte questão: ele não se interessa por nenhum curso específico, não trabalha, e troca o dia pela noite... passa a noite no computador e o dia dormindo.... seu interesse principal é cinema e sobre esse assunto poderia até dar aulas. Não me parece saudável ... vc teria alguma sugestão sobre o que fazer?
Ele não se interessaria em fazer o curso de cinema, ou letras inglês, ou língua estrangeira aplicada...?