Primeira coisa que vou reparar
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year
Sade Olutola

Kiana Khansmith
RMH
Mike Driver

oozey mess

Andulka
𓃗
No title available

titsay
Show & Tell
No title available
EXPECTATIONS

Discoholic 🪩
Claire Keane
he wasn't even looking at me and he found me
art blog(derogatory)
we're not kids anymore.

No title available

if i look back, i am lost
seen from Netherlands

seen from United Kingdom

seen from United States
seen from Mexico

seen from United States

seen from United States

seen from Japan
seen from Brazil

seen from United States

seen from United States

seen from Netherlands

seen from United States
seen from Vietnam

seen from United States

seen from United States
seen from United States

seen from Morocco
seen from United States
seen from Germany

seen from Malaysia
@neuvoada
Primeira coisa que vou reparar
Eu te observo de longe.
Não porque a distância tenha diminuído o que existiu, mas porque existem pessoas que, mesmo quando vão embora, continuam deixando rastros em tudo o que são.
Percebo cada detalhe. O silêncio que aprendeu a falar antes da sua voz. A frieza que veste o peito como quem acredita que sentir menos dói menos. As conversas que nunca se aprofundam, os encontros que parecem apenas um jeito de adiar o momento de ficar sozinho. Como se relações rasas fossem suficientes para calar um vazio que insiste em chamar pelo nome de alguma coisa perdida.
Você sorri largo.
Mas há flores que continuam fechadas por dentro.
Seu olhar ainda é o lugar onde tudo escapa. É bonito, intenso, impossível de atravessar sem voltar diferente. Nele ainda mora alguém que sonha, mesmo quando finge já não acreditar em sonho algum.
Às vezes penso que já não te conheço.
Mas então te vejo.
E, curiosamente, é quando menos sei de você que mais consigo enxergar.
Mesmo de longe. Mesmo através de uma tela.
Existe uma presença que nunca aprendeu a mentir para mim.
Eu vejo quem caminhava devagar, quase pedindo desculpas por existir. Vejo também quem aprendeu a ocupar espaço, a erguer a cabeça, a rir alto. Como se fossem duas maneiras diferentes de atravessar o mesmo mundo.
Uma ainda vive nos gestos mais delicados, no jeito de olhar antes de partir, nos medos que escondia em silêncio. A outra segue em frente tentando convencer a própria vida de que finalmente encontrou um lugar para descansar.
E, ainda assim, em ambas existe o mesmo abismo.
Porque há vazios que mudam de roupa, mas continuam sendo vazios.
Às vezes acho que você tenta preenchê-los com qualquer coisa: uma foto, um vício, uma madrugada longa demais, um sorriso perfeitamente ensaiado ou a esperança de que alguém consiga silenciar o que grita por dentro.
Mas nenhuma dessas coisas alcança onde a dor realmente mora.
Há dias em que tenho a impressão de que você acredita que ninguém merece o seu amor. Outros, de que você simplesmente deixou de acreditar que alguém seria capaz de cuidar de você sem ir embora depois.
Talvez por isso tenha aprendido a parecer inteiro.
Mas os olhos...
Os olhos nunca aprenderam esse truque.
Eles continuam contando histórias que a boca se recusa a dizer.
E eu continuo te enxergando.
Não o corpo.
Não a pele.
Não o nome que o tempo escolheu.
Nem as versões que a vida foi criando para sobreviver.
Eu enxergo aquilo que permaneceu.
A alma inquieta que sempre buscou um lugar onde pudesse descansar sem precisar provar nada a ninguém.
É essa parte que reconheço.
É essa parte que nunca deixou de existir.
E talvez seja por isso que, mesmo quando sinto que já não conheço quem você se tornou, ainda encontro, no fundo do seu olhar, a pessoa que um dia amei.
Não porque ela tenha ficado presa no passado.
Mas porque algumas essências não desaparecem.
Elas apenas aprendem a existir de outras maneiras
-AB
Aprender a Me Ver
Tenho medo de mim.
Não da mulher que sou, mas da que me observa.
Ela nunca descansa.
Mede meus passos, compara meus silêncios, desfaz minhas chegadas como se nenhuma delas fosse destino.
Tenho medo de passar a vida inteira olhando para mim com os olhos de quem procura falhas e nunca encontra abrigo.
Há uma violência silenciosa em não conseguir se reconhecer.
Em tocar a própria história como quem toca o corpo de uma desconhecida.
Eu me atravesso todos os dias tentando alcançar uma versão de mim que talvez nem exista.
E, enquanto corro, deixo para trás a única pessoa que realmente precisava que eu parasse.
Eu.
Talvez o maior medo não seja nunca ser suficiente.
Talvez seja nunca permitir que eu me enxergue sem julgamento.
Nunca aprender que existir não exige perfeição.
Que a minha vida não precisa ser extraordinária para merecer descanso.
E que talvez o gesto mais difícil, e mais corajoso, seja sustentar o próprio olhar sem desviar dele.
Porque viver também é isso:
aprender, aos poucos, a habitar a própria pele sem fazer dela uma guerra.
-AB
Queria fugir.
Não por fraqueza,
mas porque meu peito já não sabe mais respirar
entre as paredes que me prendem
e as obrigações que me roubam a vida.
Queria ir para um lugar
onde ninguém soubesse meu nome,
onde eu não precisasse carregar o peso de ser forte,
onde pudesse, pela primeira vez,
me sentir inteira
e não apenas sobreviver em pedaços.
Queria um lugar bonito,
cheio de flores,
de cores vivas,
onde o vento tivesse cheiro de jardim
e a felicidade morasse nas pequenas coisas:
no perfume das flores,
no aroma de uma comida quentinha,
na paz de um amanhecer sem medo.
Mas aqui...
tudo parece cinza.
Até a luz perdeu o brilho,
e os dias passam como se a vida tivesse esquecido de florescer.
Há uma escuridão que caminha ao meu lado,
correntes invisíveis que prendem meus passos
e mãos silenciosas
que apertam minha alma
até que respirar pareça um esforço.
Mesmo assim,
há dentro de mim um desejo que se recusa a morrer.
Não é vontade de desaparecer.
É vontade de encontrar um lugar
onde a dor não seja meu endereço,
onde o coração possa descansar,
onde eu finalmente descubra
que viver
é muito mais do que apenas resistir.
Porque, no fundo,
eu não quero fugir da vida.
Quero fugir de tudo aquilo
que me impede de vivê-la.
-AB.
ela gostava de ser gostada por mim, mas nunca gostou de mim.
Sei lá, o jeito que eu fico sem sono toda madrugada é diferente
A Grande Ilusão
Será que perguntam se estou bem...
ou apenas alimentam o próprio desdém?
Querem minha verdade
ou só saciar a curiosidade,
acalmar o próprio ego,
sem nunca carregar meu peso?
Importa-lhes meu pranto
ou apenas meu encanto?
Percebem quando sorrio,
quando desabo no vazio,
quando um simples silêncio grita
ou quando a alma, exausta, se despedaça e agoniza?
A vida... que bela ilusão.
Ensina cedo que nem toda mão estendida
é abrigo para o coração.
Então me fecho.
Pedra por fora, tempestade por dentro.
Afundo em um oceano sem maré,
onde perguntas morrem sem um porquê.
Descubro, tarde demais,
que a presença tem prazo,
e o afeto, às vezes, também.
Enquanto o riso floresce, todos permanecem;
mas basta a dor criar raízes...
e a multidão desaparece de uma vez.
Querem você inteiro,
desde que nunca esteja quebrado.
Querem sua luz,
mas fogem quando o céu se veste de nublado.
No fim, resta apenas o eco, o frio,
e a cruel certeza que a vida insiste em ensinar
Há quem diga que se importa com suas lágrimas...
mas prefere a distância quando elas começam a cair.
Porque amar a primavera é fácil.
Difícil é permanecer
quando o inverno decide florir.
-AB
Pfv, não para. 😮💨
Aff