Bolsa MEXT - Parte 3
Bom, finalmente chegamos à parte mais tensa do processo seletivo. Agora, após ser aprovado na entrevista, você é oficialmente um dos selecionados do Brasil. A partir de agora, todos os selecionados brasileiros são amiguinhos de novo e vão se ajudando e tirando dúvidas em páginas no facebook e afins. É agora que você, oficialmente, deve entrar em contato com os professores no Japão (essa informação varia de acordo com o consulado, já que tem alguns que aconselham esse contato desde antes da entrevista - mas sempre deixando claro ao professor que você não é um bolsista oficial ainda).
No post de hoje, vou abordar uma das perguntas que o pessoal mais faz: como encontrar professores relevantes no Japão e como escolher a faculdade. Eu vou descrever como foi a minha própria lógica, mas esse método pode variar de acordo com seu tema de pesquisa ou área. Eu sou formada na área de design e escrevi meu projeto sobre o desenvolvimento de próteses para amputados. Minha vontade inicial era voltar para Osaka ou Kyoto, lugares que ganharam meu coração em 2012, então fui pesquisando por faculdades de design nessas áreas. Ao encontrar, pesquisei no site de pós-graduação de cada uma a lista de professores de design (pra ver se minha pesquisa teria alguma relevância pra eles) e dei uma olhada em como poderia entrar no mestrado depois (normalmente, você tem que fazer uma prova em japonês). Eu não consegui achar uma faculdade ou um professor muito relevante à área na qual eu queria seguir minha pesquisa, então fui procurando por outras faculdades em outros lugares. Para facilitar minha vida, acabei jogando no google minha área, meu tema e 'Japão' pra ver o que me aparecia. No caso, coloquei algo tipo 'prosthesis design japan university' e ia trocando ou adicionando palavras para ver o que aparecia. Eventualmente, encontrei três faculdades interessantes e procurei no site de cada uma algum email para o qual eu pudesse mandar dúvidas sobre o processo do MEXT (para ver se aceitavam bolsistas) e para ver se tinha algum professor relevante. Se você já conseguir pegar o email do professor, ótimo, manda direto pra ele. Mas, mais uma vez, gostaria de frisar que isso tudo vai acontecer durante o período de férias no Japão, então é bem capaz dos professores demorarem muito para responder (se responderem). Mas, se vocês forem cara de pau como eu, vocês vão descobrir que o professor tem um twitter que ele atualiza diariamente, vão mandar uma arrobinha pra ele por lá e vão receber um email de volta rapidinho (depois de quase 2 meses desesperados sem resposta).
Japonês quebrado, mas pelo menos funcionou
Mas o que é mais importante, o renome da faculdade ou o professor? Sinceramente, eu acredito que é sempre melhor procurar por um professor que atue na área de sua pesquisa mesmo se ele não estiver num Harvard da vida. No final das contas, mesmo que a faculdade ofereça a infraestrutura, o laboratório e futuros contatos, isso não vai ter tanto peso quanto o conhecimento do professor que estará te orientando durante esses próximos anos. Mas, se você tiver sorte que nem eu, vai conseguir um professor foda numa faculdade ótima. É só saber procurar no google e conhecer o twitter certo.
Mas beleza, você conseguiu trocar uns emails com o professor. Mande seu plano de pesquisa (traduzido) para ele e veja o que ele acha. Às vezes, ele curte de cara, às vezes acha que alguma coisa deveria mudar para você poder entrar no laboratório dele, às vezes ele te recomenda um outro professor que você nem tinha encontrado na pesquisa. Você repete isso até conseguir que um professor fale 'irado teu plano' e pede carinhosamente para que ele escreva uma carta de aceitação pra você. Esse processo pode ser bem burocrático, então se prepare pra sempre responder emails rapidamente e tenha todos os seus documentos traduzidos (não precisa de tradução juramentada). Você pode pedir cartas de recomendação para quantos professores quiser, mas, no final das contas, só poderá escolher 3 opções de universidade. Depois, você tem que entregar essas cartas ao consulado. Lembra do consulado? Você ainda tem que entregar documentos lá, mesmo já tendo sido selecionado.
Bilhões de emails pra lá e pra cá
Você tem que traduzir basicamente todos os documentos que entregou ao consulado na primeira fase pro inglês ou japonês. Esses documentos serão enviados ao ministério de educação no Japão para o processo seletivo de lá. Além disso, você precisa fazer um exame médico (em um prazo muito curto pra quem tá acostumado à espera de dois meses no plano de saúde), entregar cartas de recomendação do seu orientador na faculdade (ou o reitor) e do seu chefe atual (se tiver), as cartas de aceitação dos professores japoneses e entregar uma lista com as suas três opções de faculdade em ordem de preferência. Porém, você só pode colocar nessa lista as faculdades das quais você recebeu a carta de aceitação. Por isso, o prazo de entrega dessa lista de preferência é um pouco maior do que o resto dos documentos. No final das contas, é uma grande correria porque agora os documentos não dependem só de você. Mas, depois de conseguir todas as cartas e entregar todos os documentos, você pode finalmente relaxar [inserir risos histéricos]. Isso se você conseguir relaxar enquanto espera seu futuro ser decidido lenta e silenciosamente. Você receberá a resposta em dois ou três meses, quando chegar dezembro. Mas essa não será a resposta final, porque relaxar não está mais nos seus planos pelos próximos 2 anos. Até março você recebe a resposta final e aí começa - adivinhem- a correria.







