Aquele sorriso que era irritante e cativante em igual proporção, aos olhos de Annie, foram o suficiente para ela trincar o maxilar, como se tentasse reprimir qualquer reação que não fosse de raiva. Desde a última vez em que se viram, em que ele fez uma gracinha sobre a mordida, que a deixou igualmente irritada e envergonhada. Logo quando ela parecia querer ceder e tentar ficar bem com ele, Noah tinha de estragar tudo com uma piadinha de conotação sexual. —— Ah, claro! —— Debochou. —— Sua ausência foi muito sentida por mim. E muito apreciada, também. —— Implicou um pouco mais. Como se tornava infantil na presença dele, por Deus! Remexeu-se ao ouvir o apelido, preferindo não dizer nada para não lhe dar o gostinho, mas sua reação era o suficiente para incentivá-lo a continuar. Paralisou quando o viu se aproximar, e esse foi o seu erro: deixá-lo tão perto. O sussurro no ouvido, o toque em sua pele, o hálito fresco que arrepiou os pelinhos de sua nuca. Virou o rosto para fitá-lo, os dois perigosamente perto. Annabel, de cenho franzido, estava pronta para lhe dar alguma resposta, um corte, quando notou o quão bonito ele era de tão próximo. Se não fosse tão babaca… Mas, então, decidiu mudar a tática. Se ele queria brincar, iria entrar no jogo dele. Desfez a expressão dura, e abriu um sorrisinho no canto dos lábios. —— Noah, Noah… —— Esticou as mãos para tocar em seus braços, passeando com as pontas dos dedos por toda a extensão, até lhe alcançar os ombros. —— Fica brincando com isso, uma hora eu vou te levar a sério. —— Cortou o contato, cruzando os braços, mas dando um passo a frente para ficar ainda mais próxima dele. —— Você fica me provocando, então não reclame se a qualquer hora eu não resistir e te agarrar. —— Implicou, o tom de deboche somado ao risinho irônico.
Quando trocava flertes com outra mulher, Noah geralmente sentia-se mais confortável quando estava conduzindo a situação. Portanto, seu jeito galanteador bambeou ao ver que Annie não recuara diante suas investidas, como era de costume. A loira parecia não cansar de surpreende-lo. Aquela altura, ele nem mesmo lembrava-se do motivo inicial para a odiar tanto. Agora, podia até mesmo dizer que aproveitava a companhia dela, já que sempre que estavam juntos ele acabava se divertindo, mesmo que tivesse saído mordido da última vez. Mas Noah gostava de implicar com Annie, de ver suas reações, e aquela de agora foi de longe a mais surpreendente e agradável. Se a mulher pensava que ele daria pra trás, estava muito enganada.
Trincou o maxilar, sentindo todos os poros do corpo arrepiarem diante o toque suave de Annie. Eles agora estavam tão próximos que não era necessário muitos movimentos para que suas bocas se encontrassem. Noah não sabia se olhava para os olhos azuis da moça ou para seus lábios rosados, mas a segunda opção parecia estar ganhando a batalha. - Quem disse que estou brincando? - A voz tornou-se rouca por conta de um desejo reprimido inconscientemente, que agora viera a tona. Já que ela havia bloqueado o acesso ao seu corpo com os braços cruzados, Noah deu a volta, posicionando-se atrás dela. Jogou os cabelos loiros de Annie todo para um lado do ombro para que ele pudesse ter livre acesso ao pescoço. Estava curioso para saber qual era o limite da moça, e se ela realmente não resistiria se ele continuasse a atiçando.
- Sabe o que andei pensando? - Começou a dizer em um sussurro rouco, a boca próxima ao ouvido enquanto a ponta dos dedos dedilhavam a curva do pescoço, passando pelo ombro e descendo pela extensão do braço. - Talvez toda essa sua irritação comigo seja por conta de tensão sexual acumulada. Estou mais do que disposto a te ajudar a resolver esse problema. - O seu tom era de implicância e desafio, mas não havia nenhuma mentira em suas palavras. Se Annie consentisse, ele a levaria dali no mesmo instante.