Estava combinado que Noah iria se encontrar com Caetano na casa dele para uma sessão de filmes e cerveja. Ele chegou um pouco mais cedo que o horário combinado, com um engradado de cerveja em mãos e acionou a campainha. Já devia estar esperando, mas mesmo assim surpreendeu-se ao ver Cecília abrindo a porta. Ainda não tinha a vista depois de sua volta para a cidade e céus… Ela estava ainda mais bonita que há alguns anos atrás. Era extremamente difícil ficar perto da moça, tendo em vista o quanto a achava atraente e o quanto ela estava fora de seus limites. Já não bastava que tivesse escorregado anos atrás e cometido o deslize de a beijá-la, fato que tenta ignorar e guarda à sete chaves para que Caetano nunca descubra. Aparentemente, Ceci ficava igualmente nervosa em sua presença, mas a maneira dela de disfarçar era muito menos eficiente.
Noah entrou na casa e riu discretamente da reação desajeitada da outra. - Está tudo bem, Ceci. É bom te ver também. - Tentou cumprimentá-la o mais naturalmente possível. Normalmente, daria um abraço de olá, mas pensou que talvez estabelecer contato físico não fosse a melhor ideia. - Caetano está sempre atrasado então não é novidade… Mas eu aceito uma água. E sua companhia enquanto o espero. - Fez o convite, sem conseguir se conter. Mesmo que não pudesse a ter, Cecília ainda era uma companhia deveras agradável, da qual Noah sinceramente sentiu falta. - Acredito que temos muitas novidades para pôr em dia. - Sorriu gentilmente, esperando que as palavras dele a fizessem ficar mais calma.
A doçura impressa nas palavras masculinas foi suficiente para acarretar no vacilar de uma batida do coração da Müller - que, a essa altura, sentia-se estúpida por ainda reagir como uma adolescente apaixonada. Após tantos anos, era esperado que ela estivesse acostumada à presença de Noah, não? Ao menos o suficiente para não envergonhar-se constantemente. Bom, infelizmente, o embaraço feminino parecia simplesmente não ter fim. E o fato de ela desejar desfrutar da companhia alheia, mesmo que no processo acabasse por fazer algo ridículo, era no mínimo curioso. “Eu... Sim. É bom te ver.” Os lábios femininos curvaram-se com timidez, tentando manter a calma sem muito sucesso.
Uma vez na cozinha, ela aproveitou-se da distância para colocar os pensamentos no lugar. “Não seja mal educada. Haja naturalmente, Cecilia. Ele é só um amigo do gêmeo que, por acaso, beija muito bem e é bastante atraente mas isso não significa nada.” Externar os próprios sermões havia se tornado um hábito feminino há alguns anos e, quando não era pega em meio a seus devaneios, costumava surtir um efeito positivo. Cecilia soltou um suspiro profundo e assentiu antes de posicionar sobre a bandeja dois copos e algumas opções diversas de bebidas: cervejas, suco de maracujá e laranja e a jarra de água. “Eu não sabia se você ia querer só a água mesmo, então trouxe de tudo um pouco... Inclusive, nem acredito que o Cae tinha tantas opções assim. Esses sucos são muito bons, eu normalmente compro para a minha casa e... Ah, é a cara dele ter assaltado a minha geladeira.” A morena balançou a cabeça ligeiramente, soltando um riso descrente. “Deixa eu te servir. E você... Pode me contar o que tem feito. As novidades. Aposto que deve ter muitas histórias engraçadas e garotas lindas. Quero dizer! Eu falei isso alto? Não é da minha conta! Não foi isso que eu quis dizer, eu só...” A agitação feminina era tamanha que ela não se deu conta do que fazia até estar com o colo encharcado pela água transbordada do copo. “Ah, droga! Eu realmente não faço nada direito.”