Percorri um caminho devastado, sentindo a ingenuidade dos pés a cabeça. O sol estava ali, iluminando as flores, que despedaçavam nas minhas mãos. O vento levava para a grama os rastros das flores. Meu cabelo voava quase horizontalmente, e enquanto eu me encantava com as cores, as formigas subiam pelos meus sapatos de camurça azul marinho. O susto por baixo da minha pele em forma de estampa de bolinhas pretas.
Uma caçamba de caminhonete, quatro homens desconhecidos, os sapatinhos brancos e o vestido rosa bebê. Como um flash, levou minha segurança. As risadas acompanhavam sorrisos, porém terminavam assustadoras na minha cabeça.
Na nobreza de um balanço azul, eu criei meu primeiro sonho. Com cabelos dourados e num belo vestido longo, eu me arrumava enquanto era surpreendida por um homem beijando meu pescoço. A brisa da janela e a altura do chão… Na época não pensei que a queda seria fatal.
Com um caminho repleto de homens em seus contextos, eu ouvi, eu vi, eu senti, eu segui. Entrei num labirinto de jardim, onde confiei e me perdi inúmeras vezes. Sem saída, eu me vi sozinha. Me hidratando com lágrimas, eu voltei ao caminho devastado. A escuridão cobriu meus cabelos dourados. Melhor amiga (imaginária). Ela realmente existiu? As fotos e os vídeos respondem que sim. Imaginária? Ela me chama toda noite. Não me deixe… Enquanto mostramos os pulsos, comparamos e rimos juntas. Não me deixe… Ou me deixe cruzar a linha. Eu sinto falta dela. Me diga onde está, onde encontrar ou como que eu tenho que fazer. Encontrá-la e contar sobre você, seria o suficiente? E se eu ouvir o barulho do mar? E se faltarem os raios de sol? E se o vento trouxer o cheiro da lembrança? E se eu não te encontrar do outro lado? Eu não sei abandonar, você que solta minha mão e corre sem mim. O caminho passa a ser úmido e desconfortável. Hidrato meus fios de cabelo com lágrimas de ouro inesgotáveis. Posso sentir a realidade pela respiração, me rasgando da cabeça aos pés.















