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O senso comum é por vezes que nem lei invisível que, apesar de fisicamente não existir, te quer cortar a liberdade de ser e estar. E quando não conseguimos ver para além do que nos mostram e nos dizem acabamos por ser robots manipulados pela opinião dos outros. Já dizia saramago: "É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós". Os outros são importantes, tal como o senso comum, mas não desistas de percorrer o teu próprio caminho, fazer as tuas próprias descobertas e formular as tuas próprias perguntas.
Há coisas fantásticas que só me acontecem a mim como passar a meia noite no metro ensalsichada entre as pessoas e ainda assim ser das melhores passagens de ano de sempre. Pelo amor, pelo carinho, porque fomos menos mas fomos os essenciais. Porque resistimos às feridas e cicatrizes abertas da nossa amizade em 2014 e ousámos escrever novos capítulos. Não sei se estão eternos em mim. Mas finalmente percebi que me foram e são essenciais.
A melhor coisa que 2014 me trouxe foi a paz. 2014 não sendo melhor que outros anos ensinou-me a viver o presente e a focar-me no essencial descentralizando-me dos outros. Foi uma viagem rumo ao meu cerne e apesar de ser de longe dos anos mais atribulados foi aquele mais feliz e calmo por ter conseguido finalmente a paz, a calma e a sabedoria de viver o presente em lugar do passado ou futuro.
Ser activa lembra-me a minha agitação nos dias de agenda preenchida, aqueles dias premeditados ao segundo. E o que eu adoro acabar o dia e sentir-me cansada de ter feito muitas coisas tanto quanto gosto de não fazer nada o dia inteiro. O que seriamos nós sem as contradições que tão bem nos definem.
Tentei ser a rainha da prudência quando fiz do medo o meu melhor amigo, quando comecei a gostar dele.
Poetizar, escrever versos com a vida, o coração, os objetos, os pormenores e o que passa despercebido.
Poetizar é escrever-me.
Desconfia quando te dizem que gostam de pessoas sinceras e de sinceridade. A maioria das pessoas prefere ouvir mentiras reconfortantes a verdades duras.
Hoje acharam estranho quando disse que não tinha amigos aqui no sitio onde vivo. Para mim a amizade é dos sentimentos mais raros do mundo. As pessoas utilizam-na por vezes com medo de ofender as pessoas não as chamando amigas. Nem todas as pessoas que conhecemos são nossas amigas, não tenho medo de o dizer e nem deixo de as valorizar por isso. Simplesmente ainda não aconteceu e não há mal nenhum nisso.
Ouvires-me e reparar no que faço não é, nem nunca será, sinónimo de me conhecer. Isso é apenas uma parte de mim mas não aquilo que sou. Não queiras nem julgues conhecer-me com tão pouco. Lembra-te sabes o meu nome, não a minha história.
Volto a mim. Volto sempre ao meu cerne, basta parar e ver a vida acontecer, as pessoas a viver e a caminhar cada uma nos seus trilhos. Ouvir as pessoas, vê-las, leva-me sempre pela mão a mim, àquilo que sou quando ninguém vê. à pessoa pela qual luto para ser, todos os dias.
Volto sempre a mim. À criança inocente que brinca no campo que nunca desiste, que faz do medo companheiro, de derrotas oportunidades e de tudo uma aprendizagem.
Volto a mim. Jogadora neste imenso labirinto onde não importa o xeque-mate mas o caminho até lá.
o que é mais raro: o amor ou a sinceridade?
Nada ultrapassa a elegância de uma tulipa branca num solitário sobre a mesa.
Esta estranha sensação de sempre que olho para uma palavra associar os meus próprios significados como se ao olhar vasculhasse, por momentos, toda a minha existência procurando o meu significado para aquela palavra. Qual labirinto de palavras, experiências e sensações sem saída nem fim.
Somos donos de nós próprios. Somos o que escolhemos ser.
Há as pessoas para quem o dinheiro é tudo, outras que afirmam conseguir viver sem dinheiro e outras para as quais o dinheiro é apenas um meio. Infelizmente cresci e ainda vivo rodeada de pessoas para quem o dinheiro é tudo.
Uma das melhores coisas do mundo sempre será o cheiro do pão acabado de fazer por toda a casa assim que acordo.