☁︎⋆ ⸻ era uma vez… uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! há, sim, estou falando de você cassandra santiago. você veio de dallas, estados unidos e costumava ser engenheira de dados por lá antes de ser enviado para o mundo das histórias. se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava andando de skate, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! tem gente aqui que estava montando em dragões. tá vendo só? você pode até ser corajosa, mas você não deixa de ser uma baita de uma ressentida… se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de chapeleira na história wonderland… bom, eu desejo boa sorte. porque você vai precisar!
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☁︎ HEADCANONS
☁︎⋆ ⸻ nascida em dallas, descendente de uma família de imigrantes, precisou entender desde pequena a dar valor nas pequenas coisas. sua mãe faleceu quando ela tinha apenas 12 anos, deixando a responsabilidade de sua criação para sua irmã mais velha, valentina.
☁︎⋆ ⸻ cassie nem sempre foi um garota fácil de lidar, em sua concepção infantil, não conseguia assimilar o fato de não poder ter uma família feliz, não aceitava que dentre tantas pessoas no mundo ela precisasse passar dificuldades. eventualmente a maturidade clareou as ideias para cassie, mesmo que ainda fosse geniosa. fato que acabou tornando sua convivência com a irmã nem tão agradável assim.
☁︎⋆ ⸻ cassandra sempre gostou de assistir tv, aquele era um luxo que conseguiram ter e era sua maior distração junto com o skate. veio inclusive dos filmes de ficção científica o gosto por computadores, já que não podia ter um em casa. talvez por exigirem tanto de cassie, responsabilidades lhe desagradam fortemente, embora as cobranças de valentina sobre ter notas boas acabaram servindo para algo quando passou na universidade e estudou tecnologia da informação.
☁︎⋆ ⸻ as circunstâncias fizeram cassie se tornar uma mulher de espírito livre. assim como a irmã, que viaja a trabalho, também não passa muito tempo em casa. quando não está trabalhando, gosta de hobbies como andar de skate com amigos, visitar bibliotecas, ler os mais variados tipos de livros, respeitando o próprio orçamento é claro.
☁︎⋆ ⸻ naquela tarde de folga, foi conferir as encomendas como um dia qualquer quando se surpreendeu ao encontrar o livro. não se recordava de nenhum amigo que pudesse lhe presentear com um livro como aquele, logo achou que a irmã valentina estaria tentando uma reconciliação. o pensamento a fez repudiar o presente, e ainda magoada, deixou o livro esquecido em sua prateleira de colecionáveis. uma luz excessiva tarde da noite a levou acreditar que valentina estaria arrependida e havia retornado da viagem. não poderia estar mais errada, pois quando seguiu a trajetória da luz, notou que vinha do livro. tomada por uma curiosidade arrebatadora, se aproximou trajada de seus pijamas, mas mal teve tempo para tocar no livro antes de ser abduzida pelo objeto e levada ao mundo das histórias.
☁︎ PERDIDA
☁︎⋆ ⸻ quando caiu no mundo das histórias de merlin, cassie achou que estava sonhando, seus pijamas não a deixavam pensar diferente. contudo, quanto mais tempo passava naquele lugar, mais percebia que não estava sonhando, nem que tinha fumado maconha estragada. aceitou enfim que estava acordada e consciente. ficou extasiada por estar no mesmo lugar que todos aqueles personagens de livros que já tinha lido, e sim, ainda comete a gafe de chamá-los de personagens.
˗ˏˋ ♡ ˎˊ˗ Viver naquele mundo ainda era como um sonho (ou pesadelo, neste caso). Tinha certeza de que tudo não passava de uma grande alucinação, talvez estivesse em um coma causado pelo estresse que enfrentara nos últimos dias existindo no planeta terra, quem sabe?
E para piorar se tornaria uma vilã! Logo quando era acostumada a ser adorada e venerada por todos, se pudesse escolher, com certeza seria uma mocinha indefesa como Cinderela ou Ariel (exceto pela parte em que trocaria as suas pernas por um homem, já que particularmente achava a vida das sereias muitíssimo mais interessante).
Recostou a testa contra a madeira refinada do balcão do Bloody Hooked, cerrando os seus olhos e soltando um suspiro profundo antes de começar a atingir o objeto com a cabeça com certa força, enquanto murmurava: ── Acorda! Acorda! Acorda! ── Parou subitamente ao notar a presença de muse, que parecia encará-la. Apoiou-se em sua bochecha e ofereceu o seu sorriso mais encantador, como se não estivesse prestes a enlouquecer. ── O seu pai é padeiro? ── Perguntou.
Se aquele reino não fosse mágico de verdade, haveria uma superlotação de pessoas. Cassandra não conseguia acreditar que mesmo depois de tudo que aconteceu, aquele mago de araque tinha trago mais pessoas para aquele lugar. Como se não bastasse os sonhos, aquela nova — ou velha, — informação, agora tinha que ver o ciclo se repetindo. Pensou em encher a cara pelo menos uma vez, esperava que o álcool tirasse de sua mente aqueles pensamentos obscuros sobre ser esquecida mas sua atenção foi literalmente roubada para a cena da mulher batendo a cabeça no balcão. "Isso não funciona, já tentei quando cheguei." Se referia a tentar acordar, e então percebeu o duplo sentido no que disse, já que ela estava claramente tentando um flerte. "Quis dizer a parte de acordar, sobre meu pai eu não sei, ele sumiu quando eu era pequena." Deu de ombros, com muito custo desviando o olhar para pegar sua bebida, pelo menos enquanto ainda parecia gelada. Não era um assunto muito agradável para as pessoas, mas Cassie não sentia nada ao dizer aquelas palavras.
“Vou querer um buquê de rosas vermelhas.” Se sentou na cadeira na frente de Cassandra com um raro sorriso de orelha a orelha, cruzando as pernas como se fosse a dona do lugar. Uma contadora não lidava com as flores em si, sabia disso, mas já tinha ultrapassado os limites do outro lado do balcão, perambulando pelo ambiente da floricultura, e seu objetivo principal era perturbar a suposta chapeleira um pouco, vê-la com seus próprios olhos e deixar claro que estava a observando. “Então é assim que você está passando o tempo, fazendo a contabilidade pra Cinderela? Ocupação interessante pra um chapeleiro.”
A primeira reação de Cassie foi olhar em volta, procurando qualquer outro alguém que pudesse ajudar aquela mulher, mas parecia todos tinham se escondido de propósito. "Covardes." Resmungou num murmúrio baixo, desejando em silêncio que todos virassem ratos. Engolindo em seco sua vontade de mandar ela voltar outra hora, pensou que sua chefe não gostaria de vê-la maltratando seus clientes, por mais que a cliente fosse a cabeçuda em pessoa. "Grande, médio?" Perguntou à muito contragosto soltando seus papéis, fazendo menção de se levantar quando ouvisse uma resposta. "Eu me pareço com uma chapeleira pra você?" Era uma pergunta retórica, nem ela se sentia como uma chapeleira, o único chapéu que usou foi em sua casa no Texas, por isso continuou. "A lógica de preferir mexer com números do que pessoas vem de não precisar fazer isso que estamos fazendo agora. Não gosto de muita conversa, e nem estou falando de conversa com pessoas com um tamanho avantajado da cabeça, é no geral mesmo."
💌 this is a closed starter for @notchapeleira with the mad unicorn at the Crimson Room (proceed with caution!)
Virginia tinha que admitir a estranheza de viver uma situação do tipo "hey! olha essa desconhecida aqui! Vocês serão melhores amigas, ok?". Quando soube da existência de Cassie, ela até se desesperou um pouco, porque não era a pessoa mais amigável do mundo e a probabilidade de ir com a cara da perdida era muito pequena. Unicórnio e chapeleira eram melhores amigas, mas ela não era a Unicórnio!!! Simples assim!!! Porém, acabou não sendo tão simples assim. Ela gostou da personalidade de Cassandra, era rebelde, parecia um pouco petulante, prezava por sua independência... Assim como ela mesma. Acabou decidindo que gostaria de ser amiga da jovem, independente do destino delas no conto. De qualquer forma, seria difícil tirar uma amizade do nada, então de vez em quando a chamava para sair para lugares da cidade. E como nada cria cumplicidade melhor do que o ódio, daquela vez a convidou para o Crimson Room, para que pudessem bater em coisas aleatórias de outros personagens, quebrar objetos, gritar e no meio disso, quem sabe não ter conversas amigáveis? "Hey!" acenou ao ver a jovem chegando em frente ao local. "Que bom que você veio!" sorriu animadamente "Eu realmente preciso bater em coisas. Estou estressada feito um cachorro com raiva, só falta começar a babar." a chegada dos novos personagens, o sonho estranho com Jacob, o fato de não conseguir falar sobre aquilo com as pessoas... Estava deixando-a mais temperamental do que já era normalmente. "Não sei você, mas eu pretendo descontar todo meu ódio acumulado em qualquer coisa dos chefões da Academia. Se tiver réplicas deles, melhor ainda. Eles vem com 'ah, vamos levar vocês para casa!' e aí de repente tem mais gente chegando? Que porra é essa?" bufou, percebendo que estava tagarelando demais. "Como você está, Cass?"
Não sabia exatamente como ela era tão boa naquilo, mas Gina sempre parecia saber o que Cassie precisava. Assim que foi convidada ao Crimson Room um sorriso um tanto maníaco lhe enfeitou os lábios. Mal podia esperar para liberar a raiva em alguma coisa que não a levasse para a prisão daquele mundo. Então se apressou em resolver suas coisas no trabalho e correu para encontrar a amiga, quase saltando de empolgação ao encontrá-la na porta do lugar. "E aí!" Devolveu o aceno com um gesto simples, apesar do entusiasmo, tinha uma reputação a zelar. "Claro que eu viria, esse lugar é exatamente o que eu preciso." Chatos, tipo Valentina, diriam que o que ela realmente precisava era um psicólogo. Riu da fala dela sobre babar de raiva, se identificando em parte. "Te entendo, até demais." Queria poder comentar sobre seu sonho, sentia que ela entenderia, ainda assim não conseguia verbalizar sua vontade. Encarou a porta do estabelecimento sentindo a adrenalina começar a lhe afetar enquanto ouvia a amiga desabafar. "Não quero ser egoísta mas se puder deixar alguns Merlins pra mim, eu ficaria muito agradecida. Não aguento mais nem ouvir falar nesse mago loroteiro." Suspirou fundo se sentindo ansiosa. "Eu? Não muito melhor que você. Vamos entrar logo antes que eu bata em alguém que passe pela gente aqui na rua. Falo mais sobre isso lá dentro."
aproveitando seu tempo livre, a padeira decidiu buscar uma de suas amizades para melhorar seu humor. a padeira costumava ser bem tranquila, até demais para algumas pessoas, mas tinha seus momentos. com um sentimento um tanto triste no peito, decidiu visitar a floricultura de cinderela, só para descobrir que ela não estava ali. ou melhor, parecia que tinha saído. "olá, boa tarde." se aproximou da funcionária ali, abrindo um sorriso tímido. "a cinderela está? se ela saiu, você acha que volta ainda hoje?"
Havia algo tão efetivo quanto os chás calmantes da Rainha Branca quando o assunto era ocupar a mente de Cassie, e a resposta era números. Ser contadora na Blooming Affairs era o trabalho dos sonhos, mexer com números e ainda estar cercada de flores bonitas, e diamantes. Era um ambiente diferente do que ela costumava frequentar em seu mundo, era óbvio, mas tudo naquele reino era diferente de qualquer forma. "Opa, boa tarde." Respondeu no automático ao ouvir a voz de alguém se aproximando dela. Rapidamente terminou a conta que fazia e ergueu o olhar para a cliente. "Hm, oi! Ela saiu...Sim. Não sei se volta hoje, deve voltar né?" Um pouco perdida, olhou em volta antes de coçar a nuca. "Quer dizer, se não me engano, ela foi fazer aulas com a minha irmã, geralmente não demora o dia todo. Então, ela deve voltar." Algum dia, queria mencionar, mas já se sentia atrapalhada o suficiente.
@notchapeleira ♡ says: “ i wasn't making assumptions about you ” on marmoreal produtos artesanais.
“não? você deveria supor quem eu sou quanto eu sei exatamente quem você se tornará.” exceto que não sabia que ela era atualmente. seria insignificante conhecê-la agora? “eu não vou mudar. você vai.” não sabia se existia uma versão de si mesmo existente no mundo dela. era bastante, bastante improvável. “se ficar aqui, deveria começar com suposições. é sempre o ponto de partida.”
"Acho que ambos sabemos isso. Mas eu não estava me referindo a esse tipo de suposições." Resolveu se esclarecer. Depois do último sonho, Cassie estava ainda mais desconfiada dos moradores daquele lugar. De antes ela tinha apenas uma desconfiança de que eles odiavam todos os perdidos, agora ela tinha quase certeza. No entanto, o Chapeleiro sempre lhe passou uma vibe de quem não a odiava tanto assim. "Você já é diferente do que eu conheço, então isso não faz muito sentido." Estava desconfiada mas nada a impedia de segurar o riso, porque sentia que todas as conversas com pessoas do País das Maravilhas não tinha muito sentido. "Então está querendo me dizer que eu devo supor que você—" Engoliu em seco quando as palavras ficaram presas na garganta. Cassie costumava falar sem rodeios, mas por algum motivo, daquela vez não conseguia falar sobre aquilo. "Ah, deixa pra lá."
através de tocas de pequenos pesadelos… até a teatime tea shop, com a chapeleira, @notchapeleira.
em momento algum a duquesa avisou que a sua amada gatinha diná estaria convidada ao encontro do chá, mas em primeiro lugar ela não avisou que haveria um encontro. apenas sentou-se na cadeira diante da mesa de tamanho enfadonho ─── nem muito grande, tampouco pequena demais ─── como se a pertencesse, e um olhar de lady alice para os serventes apressados do jardim de chá bastou para logo trazerem uma cadeirinha felina.
contente, alice aprumou a gata em seu honroso lugar, bem a seu lado. sentada à mesa, diná miou de um jeito que parecia um triste lamento de fome. sua pobre gatinha! a duquesa agitou os sapatinhos por baixo da mesa e apenas bisbilhotou o rosto da chapeleira por um vago instante antes de dar mais atenção para as vibrantes folhas do cardápio. lady alice bem que estava certa de que deveriam criar mais chás e doces em sua homenagem. não fosse por ela, todas as cabeças do país das maravilhas estariam caídas pelos cantos.
Antes que percebesse, Cassie se viu buscando cada vez mais se cercar de elementos do País das Maravilhas. Ela não tinha percebido antes de se ver sentada naquela cadeira do Teatime enquanto observava em silêncio Alice se acomodar, junto de sua gata. De certa forma a analista estava agradecida pela distração, não somente por almejar algo que a fizesse esquecer o sonho que tivera, como também pela companhia. Quem diria que a garota daquele conto seria tão peculiarmente agradável, principalmente por não ser tão tagarela. Aquilo certamente deixava uma familiaridade inexplicável permear os pensamentos turbulentos de Cassandra. Uma vez que percebeu estarem ambas prontas para começar a beber seu chá, segurou sua xícara, já pela metade com seu chá da Lagarta Azul. Teria que confessar, aqueles efeitos eram um tanto viciantes naquele reino, principalmente depois de tantos altos e baixos. "Sua gata me lembra a gata que a minha irmã tinha." Observou apenas alguns tons mais alto que a música de fundo, um tanto nostálgica. Obviamente não eram idênticas, mas era um gato, e gatos a lembravam da Alex. "Depois que ela foi roubada Vale nunca mais quis ter animais."
Defina o que é ser tratada “com empatia” em sua cultura do Outro Mundo — ou conte-nos com mais precisão como você espera ser tratada por nós.
Não sei se vocês tem um estatuto do trabalhador ou algo assim por aqui, mas no meu mundo as regras de tratamento e ética no trabalho estão descritas nisso. Espero que me tratem como gostariam de ser tratados, geralmente isso significa ter respeito, ter um pagamento justo de acordo com a minha função, esse tipo de coisa.
Você diz cuidar bem de livros. Que tipo de livros você costumava ler no Outro Mundo? Acredita que conseguiria aprender a preservar livros de natureza mágica?
Sim. De todo tipo. Desde livros sobre tecnologia até romances e ficção científica. Acredito que sim, se houver alguma particularidade nesse cuidado eu posso aprender sem problemas.
Starter para @notchapeleira no Chafariz dos desejos.
"Se eu não tivesse medo de maldições, bem que poderia roubar algumas moedas daqui." Comentou com Cassie, observando o chafariz. "É realmente o fundo do poço. Não acredito que estou realmente considerando roubar moedas." Não que tivesse vergonha de roubar, mas se fosse fazer, deveria ser algo melhor e mais valioso, pelo menos. "O que pensa em fazer? Vai arrumar um emprego?"
"Quer que eu pegue para você?" Não temia maldições, qual seria o pior que poderia lhe acontecer? Se tornar a chapeleira em um país das maravilhas recontado já não era o suficiente? "Já tentou pedir alguns merlos para aquele-que-não-deve-ser-nomeado? Pelo Scroll, quero dizer." Cassie não tinha tentando ainda, tinha algumas moedas sobrando desde a última vez, de alguma forma seu autocontrole com relação ao dinheiro permanecia intacta naquele reino. "Definitivamente preciso de um emprego. Não vão mais nos sustentar, estão cortando o cordão umbilical e eu tenho muito mais do que meses de idade. Isso não é nada justo."
Desde a infância, Valentina se viu na obrigação de ser a voz da razão para Cassie. Entretanto, era um desafio diário estar vivendo numa realidade onde tudo que conheciam não era relevante, magia, animais falantes, coisas peculiares de um canto ao outro. Era esperado que ela já estivesse familiarizada com o funcionamento das coisas certo? Na verdade, parecia que nada estava acontecendo como deveria, e agora elas estavam presas no lugar sem data para retornar ao mundo real. Era de deixar qualquer um maluco mesmo. Se perguntava se podia trocar de história, teria se dado bem como alguém de parafuso solto do Mundo das Maravilhas. “Cassie. Primeiro, você precisa respirar, vem cá.” Puxou a mais nova para um abraço, sabia que aquilo a acalmava. “Você tem ido às consultas com o Doutor Coelho?” Perguntou séria, até que percebeu o quão engraçado aquilo ainda soava, acabou por quebrar o clima tenso rindo alto. “Perdão, é, tem razão, mas talvez alguém esteja ciente que nós somos só perdidos, alguém que tenha mais poder e que possa fazer algo. Podemos ter esperanças de que ninguém mais vai morrer, certo? Se nada funcionar te ensino mais golpes.”
Poderia soar piegas se admitisse aquilo em voz alta, mas era a verdade, nada a faria recuperar o bom senso como um abraço apertado de sua irmã. E então lá estavam as perturbações de Valentina, sempre pegando no pé dela. "Eu estou bem, Tina." A empurrou indo se sentar na cama da irmã, bem mais calma. "Sim, somos quase obrigados a ir, não é? Ficaram me olhando estranho quando eu faltei num sábado do mês passado." Ela não se importava com o que os outros diziam, mas eventualmente acabou precisando visitar o consultório do coelho. A risada era contagiante, mesmo que estivesse mal humorada, acabou rindo com a irmã. "Honestamente?" Começou recuperando o fôlego. "Prefiro que me ensine golpes de verdade, você não vai estar por perto sempre. Vamos começar a trabalhar em breve, não sei qual vai ser meu destino aqui, Vale, só me ajude a não morrer rápido, certo?" Seu tom era amistoso, falava sério mas não queria preocupar tanto sua única irmã.
Christine não se considerava a melhor investigadora. Era extremamente habilidosa quando o assunto era do campo artístico, já que levara anos se aprimorando em sua arte. Porém tempos estranhos requeriam medidas desesperadas. E se precisasse investigar - mesmo que muito mal - para conseguir deitar a cabeça no travesseiro com um pouco mais de esperança então o faria! "O quanto pudermos, eu acho? Não sabemos com quem ou com o que estamos lidando. Se tem alguma informação relevante que já foi lida e descartada." Não queria começar a ficar ansiosa novamente então logo inspirou e expirou profundamente, lembrando da técnica do Dr. Coelho de 'sentir o cheiro da cenoura e assoprar as velas'. "É uma boa teoria. Sabemos pouco sobre o passado de Merlin..." Christine analisou Cassie, pensando se poderia dividir com ela o que realmente estava pensando. Confiava em sua irmã. Logo, poderia confiar nela também. "Eu pensei bastante nesses últimos dias." Olhou por cima do próprio ombro, conferindo se não tinha alguém por perto para escutá-las. "Entendo os motivos de todos para desconfiar dos Perdidos. Mas nenhum de vocês parece ter poderes o suficiente para jogar uma maldição dessa magnitude nos reinos. Então só consegui chegar em uma conclusão: a ameaça está entre nós. Sempre esteve."
"Entendi, então por onde você acha que devemos começar a procurar? Voltar até a primeira história? Ou a primeira informação sobre ele? Tenho algumas coisas no meu Scroll. Já tentei mexer, mas eu não sei como isso funciona, é como tentar hackear um sistema sem saber a linguagem de programação que usaram." Comparou, percebendo depois que ela provavelmente não tinha ideia do que era aquilo. "Preciso aprender as ferramentas para poder mexer com isso, foi o que eu quis dizer." Concluiu suspirando fundo para focar no seu raciocínio. "Com isso eu concordo, um de nós até sumiu, e nem Merlin sabe dizer para onde ele foi. Isso deixa uma brecha enorme na confiança e também me faz ter certeza de que quem quer que seja, não é um simples perdido que por acaso vira pato."
"Será que quando formos ficando mais velhos, vamos nos arrepender de tudo isso aqui?" A questão era tão profunda que o próprio ao proferir tal frase, simplesmente teve uma epifania. "Ou pior: será que vamos sequer lembrar?" Então, o olhar recaiu sobre a outra, olhos arregalados e um semblante assustado. Já era suficientemente frustrante saber que parecia não ter volta para seu mundo real, agora imagine se frustrar até mesmo com aquela vida ali. Embora fosse um mundo mágico, literalmente, Stan não se sentia ainda tão bem preparado para enfrentar aquela realidade. Todo dia parecia o mesmo dia, a mesma luta, e seu mental ainda não havia se acostumado. Não parecia feito para encarar aquele domínio ainda, especialmente quando parecia um bebê dando os primeiros passos. "Juro que não fumei nada, nem sei onde pode ter algo pra usar aqui, mas me pego pensando nisso todo santo dia. Ainda me parece maluquice, mesmo depois desse tempo todo." Se recostou melhor no banco, voltando a colocar pra dentro o lanche que havia pego da lanchonete para comer no parquinho com Cassie.
Cassie não precisou pensar muito para responder, considerando o quão maravilhada ficou quando chegou naquele mundo, dificilmente se arrependeria de tudo que viveu no lugar. "Acho que não. É como um daquele filmes dos anos noventa, o protagonista abre um livro e é transportado para um mundo de fantasia, ele é necessário lá, muda a história para o bem e depois volta. Cresce, tem filhos, conta para eles as historias e isso sempre vai ser um momento bom." Devaneios à parte, Cassandra esperava que de fato se lembrasse daquela experiência para o resto da vida. "Eu faria qualquer coisa para me lembrar desse lugar." Deixou transparecer certa tristeza com aquelas palavras, lembrou-se logo de quando a ameaça de uma limpeza total de suas mentes a assombrou por dias até a festa de despedida. "Isso é você me perguntando se eu conheço algo do tipo? Porque eu conheço. Mas é, eu também acho, só não fico dizendo na cara dos personagens para não magoar eles. Alguns são sentimentais."
Para você, qual a importância de uma festa do chá?
Me parece que a princípio é como uma festa igual as outras, a diferença está no fato de que se bebe chá em vez de álcool. E se conversa sobre tudo e nada ao mesmo tempo. E podemos fazer charadas que não tem respostas.