quatro da tarde. pela primeira vez nos dois meses e meio em que esteve morando na casa juntamente a tantos outros, beyza percebeu-se sozinha no andar da sala de vĂdeo, livre de qualquer compromisso â provavelmente, diferente de tantos outros modelos naquele momento. nĂŁo havia visto absolutamente ninguĂ©m, o que era muito raro e claramente muito precioso. isso significava duas coisas: a primeira, obviamente, que teria acesso pleno ao local e poderia assistir o que quisesse sem ser julgada, e segundo, podia desfrutar de seu segredinho sem que ninguĂ©m estivesse lĂĄ para pegĂĄ-la aprontando. nĂŁo que nĂŁo gostasse das pessoas de lĂĄ, baby sĂł nĂŁo confiava, e nem conseguira, atĂ© entĂŁo, aproximar-se realmente de alguĂ©m â afinal, ainda devia parecer a turca de nariz em pĂ© para a maioria, nĂŁo duvidava. Ă s vezes se importava, porque nĂŁo reclamaria de ter alguĂ©m pra conversar, mas tambĂ©m nĂŁo fazia questĂŁo, jĂĄ que nunca realmente precisara de alguĂ©m ali, e assim ia seguindo o baile. era melhor subir sozinha, certo? de qualquer forma, lĂĄ estava dela, na pontinha dos pĂ©s cobertos de chinelo e meia, entrando pela porta como uma ladrazinha gatuna e olhando para fora antes de fechar a mesma. de tĂŁo animada que estava, nĂŁo vira que se abrira levemente, porque nĂŁo fechara apropriadamente, animada com seu momento Ăntimo. de tĂŁo emocionada, ficou mais de quinze minutos escolhendo algo pra assistir nas tantas plataformas maravilhosas de streaming disponĂveis pra no final escolher assistir Encantada, como uma criança que quase nĂŁo conseguira ser. Levantando levemente o puff de apoiar os pĂ©s de uma determinada cadeira, tirou as barras de chocolate e os salgadinhos que escondera nĂŁo hĂĄ muito tempo, esperando em um dia abençoado ter um momento como aquele, e aproveitou seu filme sentadinha, pelo menos atĂ© que âThatâs How You Knowâ começasse a tocar. Oh, era hora de performar. Com um snickers mordido na mĂŁo, estava sendo a princesa cantora que nunca fora enquanto dançava pra lĂĄ e pra cĂĄ acompanhando Amy Adams na cantoria.
Na maioria dos dias havia tanto trabalho a ser feito que Debby mal via o tempo passar, mas nĂŁo era bem a realidade daquela tarde. No momento se via livre de qualquer obrigação com os modelos e sem absolutamente nenhum funcionĂĄrio para conversar. A casa estava deserta, eram raros os dias. Deu uma breve olhada no relĂłgio da sala principal e verificou a bateria chegando no limite. NinguĂ©m teria algum problema se, por apenas meia horinha, Deborah tirasse um cochilo na sala de vĂdeo. Bom, a nĂŁo ser ela mesma, no entanto, considerando o vazio em que a casa se encontrava, aquele nĂŁo seria um problema. Com um sorriso animado colocado em seu rosto graças ao descanso futuro, Debby seguiu em direção a sala, mas parando na porta ao ouvir alguĂ©m cantar... a mĂșsica de Encantada? Câmon, aquilo nĂŁo era um musical da Disney. Abriu a porta de leve para que a pessoa nĂŁo percebesse. Mesmo entendendo que sua soneca nĂŁo se tornaria mais uma realidade, sua meta agora era descobrir a responsĂĄvel pela cantoria âOlha, olha, olha essa Beyza... como cantora vocĂȘ Ă© uma Ăłtima modelo.â cruzou os braços observando a mulher, atĂ© seu olhar focar diretamente na embalagem de Snickers âEspero que esteja muito boa sua barra de cereais lightâ