“faça como eu, valerie, dê o máximo de si para ajudar a cidade. estou vendendo meu móveis a preço de banana e você está aflita por vender um vaso?” as mãos estavam nos bolsos da calça, não estava interessado em fazer compras durante a feira, nem que fosse para ajudar os próprios colegas. vickers não era prestativo de graça e a sua parte já estava em andamento. “talvez eu prefira levar alguma relíquia dos anos 80, você tem alguma por aí? é que você sabe a minha paixão por bandas, covers e tudo relacionado àquela década”. o sorriso zombeteiro em seus lábios denunciava o que estava tentando fazer e nem assim se sentia intimidado em não continuar. “o que você pode me oferecer dessa época?”
Se segurou para não revirar os olhos com a fala alheia. Por qual motivo vender um móvel seria mais difícil do que um vaso? Apesar de saber que na realidade aquela peça não era dona de nenhum valor sentimental familiar como anunciado anteriormente, ainda assim era um objeto válido de se manter em casa “― É O vaso, okay, senhor marceneiro?” retrucou. Mesmo que estivesse determinada a não manter nenhum assunto muito longo com o outro, o assunto que tanto temia veio a tona. Mais uma das piadas de Vickers e que, diga-se de passagem, não tinha mais nenhuma graça ao ver da mulher “― É, eu bem que imagino seu amor pelos anos 80, você parece ser meio antigão mesmo, incluindo seus móveis. Nunca pensou em atualizar?” era péssima fazendo aquilo. Suas tiradas sempre eram falhas e por mais que tentasse soar sarcástica e irônica, na maioria saia como alguém da quinta série achando que arrasava na briga “― Bom, eu posso te oferecer o caminho de volta pros seus móveis e isso vai ser um presente pra mim também e... posso te falar em primeiro mão, que existe uma certa possibilidade do neon e glitter dos anos oitenta voltarem pra Stars Hollow e pensando aqui, seria uma boa nos apresentarmos bem de frente pra marcenaria. Gosta de Madonna? Pode ser um clássico dela pra começar o show” brincou com o outro “― Olha, Leonard... pode ficar” pegou o vaso em mãos e com os olhos fechados querendo evitar qualquer arrependimento, Valerie entregou o objeto para o moreno “― Toma, antes que eu me arrependa. Tô fazendo isso, porque achei legal sua atitude de ajudar as pessoas aqui na cidade. Se não gostar, significa que você tem um péssimo gosto e que sua casa deve ter uma decoração horrível”