Só porque eu gostei de criar algo em cima do frontman de Round 6.
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Só porque eu gostei de criar algo em cima do frontman de Round 6.
Jogo Mortal: A Obsessão do Líder.
Capítulo 4:
História publicada no Wattpad.
🫶🏻
Todos os jogadores estavam na grande sala, e eu, como todos, fui acordada abruptamente por uma música estrondosa, uma melodia infantil, mas que soava mais como um grito ensurdecedor, capaz de arrancar qualquer um do transe profundo em que se encontrava durante o sono. O som reverberava por cada canto da sala, cortando o silêncio que antes nos envolvia como um manto pesado. Meus olhos se arregalaram, e enquanto tentava entender o que estava acontecendo, minha visão se desviou para o lado direito. Vi alguns jogadores espreguiçando-se, tentando se recuperar do choque da música que ainda ecoava por nossas mentes. Mas, quando virei o olhar para o outro lado, percebi que muitos deles já estavam em pé, como se a música não tivesse abalado sua tranquilidade.
Junto ao barulho insuportável da canção, uma voz mecânica e impessoal começou a soar por alto-falantes espalhados pela sala, anunciando que o primeiro jogo começaria em breve. O pavor começava a se espalhar entre todos, a tensão se tornando palpável. De repente, a enorme porta da sala se abriu com um barulho, e logo um grupo de soldados com macacões rosa entrou, suas presenças imponentes e ameaçadoras, cada um portando uma arma pesada. O ar ficou ainda mais denso, e o peso da situação se instalou em nossos corações. O jogo estava prestes a começar. E nenhum de nós sabia o que esperar a seguir.
Eu estava calma. Não calma de verdade, como se estivesse em paz com tudo aquilo, mas calma porque sabia que eram apenas jogos infantis. Jogos que, no final, me renderiam uma fortuna. Claro, uma parte de mim sabia que tudo isso soava absurdo, mas de alguma forma, parecia o caminho mais lógico. Afinal, o que poderia dar errado? Eram só jogos, não eram?
Eu me mantive firme, observando tudo com uma expressão tranquila, enquanto o som das botas dos soldados ecoava pela sala. Se os desafios se mostrassem mais difíceis do que eu imaginava, bem, não seria o fim do mundo. Eu poderia simplesmente ser eliminada e voltar para casa. Sem dinheiro, é verdade, e com as dívidas. Só mais uma história para contar.
Era uma sensação estranha, estar ali, tão próxima de algo tão perigoso, mas ao mesmo tempo, tão distante da verdade sobre o que realmente significava aquele jogo. O que me restava agora era esperar o início. A tensão crescente ao meu redor não me afetava. Eu só precisava manter a cabeça no lugar. O jogo poderia até ser cruel, mas eu saberia jogar com as regras, mesmo que não soubesse exatamente o que me aguardava.
— Quero dar as boas vindas à todos vocês aqui presentes. — A voz era modificada, claramente dentro daquele macacão e máscara havia algum aparelho para que nós em hipótese alguma ouvisse a verdadeira voz de quem estava por trás. — Todos irão participar de 6 jogos diferentes ao longo de 6 dias. E os que vencerem receberão um prêmio bem generoso em dinheiro.
Ri sozinha ao ver que o homem realmente estava sendo honesto com o que estava dizendo. Porém não consegui entender qual era o sentido do jogo, dar dinheiro para desconhecidos endividados, enquanto quem criou tudo isso nos assiste. É bizarro. Antes que o mascarado continuasse com sua fala, uma mulher levantou a mão. O numeral 120 estava estampado na roupa parecida que usava.
— Posso falar? — Pediu a autorização e sem resposta continuou mesmo assim. — Disseram que seria somente jogos, mas vocês nos sequestraram. — Ela tinha razão, concordei com a cabeça sorrindo mesmo que ninguém percebesse. — E querem que a gente acredite mesmo nisso?
Ela não estava errada, mas observando bem a devida situação, eles não pareciam mentir. Assim como nós, possivelmente também estavam recebendo ordens.
— Você tem um bom ponto. Eu peço desculpas! Todavia foi uma medida necessária para garantir a confidencialidade do jogo que foi organizado.
Ao menos era educado e tentou explicar, só que o povo decidiu continuar questionando.
— Mas, pra que essas máscaras? — Uma mulher de idade mais avançada caminhou para frente perguntando. —O rosto de vocês também é confidencial?
Se eu fosse um desses caras, eu já teria mandado ambos calarem a boca e deixado com que o primeiro jogo começasse. Não sei porque tanta dúvida, se eles mesmo ligaram para vir à esse lugar.
— Para garantir que os jogos sejam justos e confidenciais, nossa política é de não revelar o rosto de todos os membros da nossa equipe. Espero que entendam.
Sim, entendemos. Acabe logo com isso, nos explique como vai funcionar essa merda toda. Pensei. Observei o jogador 456 bastante inquieto, sua face cansada dizia muito sobre si mesmo. Talvez as dívidas tivessem acabado com ele e com todo seu psicológico ou fosse apenas mais um dos drogados que por aqui estavam. Merda, ele me encarou assim que percebeu ser observado, engoli seco desviando o olhar novamente para os soldados.
— Conversaremos mais sobre, após o primeiro jogo. — Comentou o robô mecanizado. Não havia muitas coisas para fazer, então dar apelidos a cada mascarado soou bastante tentador e foi o que comecei a fazer. — Dirijam-se a arena de jogos, no meio do caminho terão câmeras para que cada um, individualmente tire uma foto para deixar em seus registros e logo após, boa sorte.
Caminhei em direção a um labirinto com as cores latentes e infantis. Um monte de portas e escadas me deixavam ainda mais perplexa como aquilo tudo conseguia ser assustador. Parada frente a câmera, fiquei séria, imaginando que alguém poderia estar do outro lado me observando enquanto tirava a foto, o que seria perigoso, mas, de certo modo, confuso e atraente. Dei risada e segui os comandos até a arena principal que aconteceria o primeiro jogo.
— Está nervoso? — Perguntei ao jogador que havia visto inquieto alguns minutos atrás. Ele estava subindo na minha frente. E eu não puxo assunto com ninguém, mas queria entender. Ou ao menos tentar.
456 deu uma leve olhada para trás e continuou caminhando como se minha pergunta não atingisse. Porém, em seus olhos o desespero era notório, e a forma como seus lábios se comprimiam um no outro, mostrava quão nervoso aquele homem estava.
— Esse jogo vai matar pessoas. — Uma confissão foi ouvida depois que as portas se fecharam e meus olhos encontraram sob meus pés areia. — Você tem o direito de não acreditar em mim, mas não se mexa, por si própria. É sério, esse não é um jogo qualquer. O criador disso tudo é um doente mental que tem por fetiche ver o desespero das pessoas e claro a morte delas quando perdem um jogo.
Balancei a cabeça sem entender e meus olhos fixaram em algo grande, uma boneca totalmente esquisita, tão esquisita que pela primeira vez diante todos esses acontecimentos, eu tive medo. Agora entendo o porquê senti aquele arrepio na espinha quando aceitei o cartão, e se o todo esquisitão estivesse realmente certo, muitos morreriam aqui e começaria por esse primeiro jogo.
Faz sentido, eles nos fizeram assinar um contrato, quais haviam diversas cláusulas e uma delas dizia que caso todos os participantes ou a maioria quisesse desistir, o jogo acabaria. Só que depois da confissão do 456 não sei se os soldados realmente nos liberariam, ainda mais se o dono dessa merda toda tenha prazer em assistir mortes alheias.
— O primeiro jogo será o batatinha frita 1, 2, 3. — A voz robótica de uma mulher, barra boneca, porque realmente parecia, estava explicando como iria funcionar o primeiro jogo. — Todos os jogadores que chegarem do outro lado da arena em 5 minutos passarão de fase. E aqueles que se mexerem, ou que não cheguem à tempo do outro lado, serão eliminados.
O jogador 456 correu para frente de todos e a veia que estava saltada em sua testa mostrava quão tenso o homem parecia. O que me fazia ter medo de que o mesmo tenha razão, de que iremos morrer, a palavra "eliminados" ficou na minha cabeça martelando. E eu não poderia correr o risco, mesmo que morrer não pareça tão ruim. Agora tudo faz sentido, as armas que os soldados carregavam, era real, é real.
— ATENÇÃO! — Gritou ele. — TODO MUNDO ME ESCUTA! — Continuou gritando. — Prestem muita atenção no que estou dizendo. Isso aqui não é um jogo normal, se eles perceberem que vocês se mexeram, vocês vão morrer.
Uma quantidade significativa de vozes preencheu todo o ambiente em que estávamos. Uns riram, outros demonstram medo e claro, outros achavam que o homem estava drogado.
— Ei, você. Que história é essa? Nós vamos morrer brincando de batatinha frita 1, 2, 3? — A mulher cruzou os braços incrédula do que acabara de ouvir. — Como assim?
— É isso aí, se eles perceberem que vocês se mexeram, eles vão atirar. Eles tem um monte de arma lá em cima. — Contou.
Mas, de novo, ninguém acreditava nele.
— Esse cara deve estar bêbado. — Uma pick-me, porque a forma de falar e de andar já mostrava que seria uma das primeiras a morrer, caso fosse verdade. — Falando que vão atirar na gente.
Meus olhos encontraram a figura do cara irritante da noite anterior e ele parecia animado para o jogo. Porém, era visível que se alguém pudesse estar drogado, era ele e não o 456.
— Meu velho era igualzinho à ele. Sempre que ele chegava bêbado, ele começava à falar um monte de bosta. — Apontou para a cabeça onde estava aquele cabelo roxo espetado ridículo. — Tipo que tinha um chip dentro do cérebro dele.
Eu revirei os olhos.
— Aquela boneca tem dispositivo no olho, que percebe quem se mexeu. — Tentou finalizar a explicação.
Mas, foi falho, de novo e de novo.
— Que porra é essa que ele está falando? — O homem atrás de mim indagou. — Tenho certeza de que ele só está inventando tudo isso, pra ganhar a merda do prêmio sozinho.
Cruzei meus braços e finalmente decidi me meter. Não porque eu acreditava nele, mas, sim, porque talvez, no fundo ele estivesse certo e só quisesse ajudar esses lixos de seres humanos como nós.
— Calem a merda da boca! — Exclamei. — Vocês tem o livre árbitro de acreditar no que quiserem. Ele só está tentando nos alertar e sendo sincera não parece drogado. — Encarei o 456 que agradeceu com a cabeça. — Façam da forma que quiserem e se ele estiver certo, podem escolher se mexer e morrer com um tiro bem na cabeça.
Suspirei depois de jogar as palavras. O ser humano consegue ser o ser mais desprezível de toda face da terra. Assim como egoísta também.
— Você acha que alguém vai acreditar no que você fala? — Vicenzo questionou. E eu apenas mostrei o dedo do meio para o filho da mãe.
Um homem de estatura baixa puxou o jogador que tentou nos avisar para seu lado e eu pude ouvir o que o coreano disse ao seu amigo.
— Gi-Hun, você está me assustando. — Então o 456 se chamava Gi-Hun e tinha um conhecido aqui dentro. E pelo que parece são melhores amigos.
***
Ele estava certo, metade morreu e agora estamos quase no fim da prova. A garota pick-me levou um tiro na minha frente e o sangue da mesma espirrou em meu rosto, deixando-o vermelho. Aqueles que caçoaram do 456, viu o quão certo o mesmo estava. E se fossem racionais, desistiram na primeira votação.
Meu ser não encontrava-se com medo, porque eu queria o dinheiro, eu precisava dele. Porém me sentia bastante assustada. Nunca vi tantas mortes e uma delas bem na minha frente. Gi-Hun estava certo, sabia do jogo e sabia que haveriam mortes. Será que ele já esteve aqui? Será que ele já jogou?
— Você precisa correr mais rápido. — O homem me tirou do transe me derrubado no chão no momento em que a boneca estava contando. O relógio faltava apenas 20 segundos. — Se você morrer, eu não preciso te pagar, não é?
Merda! Filho da puta! Desgraçado! Eu ainda vou te matar seu canalha de merda. Assim que a boneca virou-se pela última vez para contar, levantei e comecei a correr o mais rápido que pude. Meus cabelos que estavam em um coque se desfez e senti a mão de algum coreano me puxando no último segundo. Consegui! Mesmo tendo caindo nos braços de alguém.
— Obrigada! — Minha voz era trêmula, eu quase morri. Quase. Mas agora, aquele desgraçado me paga.
Gi-Hun não disse nada apenas acenou com a cabeça de que tudo certo. E voltamos para a sala, onde todas as camas estavam. Minha barriga roncou, indicando que não seria nada mal, uma marmita cheia para que eu pudesse degustar.
♡
Anjinhos, tem algumas coisas que acontecem nos episódios que irei pular, não quero fazer exatamente igual, pra que a minha ideia se encaixe melhor. Espero que estejam gostando, significa muito pra mim. Volto em breve!
— C.
Jogo Mortal: A Obsessão do Líder.
Capítulo 3:
♡
A escuridão era opressiva. Minha visão estava totalmente comprometida, como se eu estivesse usando uma venda, mas não era só isso. O pano que cobria meus olhos exalava um cheiro insuportável de carne podre, como se algo ali tivesse apodrecido há dias. O último pensamento claro que consigo lembrar é de uma ligação recebida. Era do mesmo número que eu havia discado dias atrás, desesperada por alguma resposta. A voz do outro lado havia sido fria, direta. Pediu-me para encontrá-la em um beco, perto da esquina principal do posto onde eu estava ''hospedada''. Jurei que não iria, mas, como sempre, a necessidade de grana falou mais alto. Havia a possibilidade de que não houvesse sequer um centavo esperando por mim, mas no fundo, o risco parecia valer a pena. Jogos. Afinal, não seria difícil, não é? Não com todas as pistas que poderiam ser lidas.
Foi então que uma van apareceu do nada, ou talvez fosse uma furgão, não tenho certeza. A cor era um preto profundo, e parecia absorver a pouca luz que havia. O que aconteceu a seguir foi rápido, quase como um reflexo de algo predestinado. Homens mascarados desceram assim que a porta se abriu. A máscara de cada um trazia uma forma que, no fundo, não me era estranha: círculo, triângulo, quadrado. De novo. As mesmas formas. Eu me considerava uma pessoa atenta, observadora até demais, mas naquele momento, a dúvida me invadiu como um calafrio: por que sempre essas formas? O criador disso tudo, seja quem fosse, tinha um fascínio estranho por geometria, ou estava apenas tentando me amedrontar, criando uma atmosfera de medo em torno de símbolos que não faziam sentido.
Dentro da van, senti a presença de pelo menos duas outras pessoas. A respiração deles era pesada, ofegante, misturada com a umidade do ar naquele veículo. A tensão era palpável, e eu não sabia se estava mais preocupada com a situação ou com o fato de sentir que todos estavam tão nervosos. A van balançava violentamente, provavelmente em uma estrada de terra que não via manutenção há anos. O cascalho solto fazia o veículo pular, e, por mais que tentasse me situar, não sabia em que lugar estava. Só sabia que, a cada quilômetro percorrido, eram distâncias da minha doce Seul.
Finalmente, a van parou. O som da porta se abrindo foi como um estalo no silêncio profundo, e antes que pudesse processar o que estava acontecendo, mãos fortes me puxaram para fora. O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Meu corpo se moveu como se estivesse em transe, tentando entender o que estava acontecendo.
— Tire a venda. — A voz autoritária soou, cortando o ar.
Obedeci automaticamente, sentindo o pano ser retirado dos meus olhos. O que vi me cegou momentaneamente. A claridade das luzes brancas fez minhas órbitas arderem, e eu lacrimejei. Depois de tanto tempo no escuro, a luz parecia insuportável. A primeira coisa que consegui distinguir foi o ambiente: um banheiro. Mas, por mais que olhasse ao redor, não havia ninguém comigo. Onde estavam as outras pessoas que estavam na van? Será que tudo isso era um delírio? Será que eu havia sido a única levada até ali?
— Onde estamos? — Minha voz soou estranha, como se não fosse minha. A ansiedade me deformava.
Foi então que uma figura mascarada, com o símbolo do quadrado, se aproximou e jogou uma muda de roupa para o círculo, que estava mais distante.
— Faça ela vestir a roupa. — A ordem foi clara, sem espaço para questionamentos. Em seguida, a figura com a máscara quadrada virou-se e saiu, deixando-me sozinha naquele banheiro branco e imaculado.Eu não tinha escolha. O que quer que fosse que estivesse acontecendo, eu precisava agir rápido.
O que me chamou a atenção foi algo que, a princípio, não poderia ser ignorado: ambos estavam armados. Não havia como saber se eram de brinquedo, mas pela maneira como se portavam, e pela rigidez com que seguravam as armas, fiquei em dúvida por apenas uma fração de segundo. Eram de verdade. MP5's, com canos curtos e miras subordinadas. Nada de imitação. E ao olhar mais de perto, percebi que as formas que se destacavam em seus uniformes talvez dissesse mais sobre a hierarquia entre eles do que qualquer outra coisa. O círculo, de alguma forma, era inferior ao quadrado. Mas havia algo mais. O triângulo. O que ele significava?
Eu estava absorto nessas especulações quando uma voz grave e autoritária me arrancou do meu devaneio:
— Se vista!
A ordem foi simples, direta. Sem espaço para dúvidas. Meu corpo reagiu quase automaticamente, dando um passo atrás, enquanto a roupa que havia sido entregue em minhas mãos parecia pesar mais do que deveria. Apontei para o sanitário, os passos se arrastando enquanto pensava no que havia acabado de ouvir. Entrei e tranquei a porta atrás de mim, retirando rapidamente a roupa que usava. O tecido da nova vestimenta era estranho, mas ao mesmo tempo, familiar. Um verde escuro e branco, simples, mas com uma presença imponente. Calças de moletom verde, uma camiseta branca, e uma jaqueta verde, mais pesada. Porém, o que realmente me chamou atenção, foi o número. 007. Um código, talvez? Ou uma identidade? Não sabia, mas uma coisa era certa: isso não era coincidência.
— 007. — Um leve toque na porta me fez saltar. — Temos que ir.
Eu me virei, jogando a jaqueta sobre os ombros, o peso do número estampado nela ressoando em minha mente. O que quer que fosse, estava prestes a começar. E eu estava pronta.
Quando sai do banheiro, eles estavam ali, esperando, como se o tempo fosse apenas uma formalidade. Os homens, de máscaras e uniformes, me cercaram rapidamente, me conduzindo com uma precisão quase ensaiada. Não havia uma palavra trocada, mas a tensão no ar era palpável. O som de nossos passos ecoava pelos corredores, marcando o ritmo de uma caminhada que me levava cada vez mais para dentro daquele lugar desconhecido. Estava entre eles, no meio dos armados, e a sensação de estar cercada por aqueles que, de alguma forma, controlavam a situação, fez meu estômago revirar.
Atravessamos o corredor até chegar a uma porta imensa, que parecia feita para engolir tudo o que estivesse perto. Antes que alguém a abrisse, meus olhos percorreram rapidamente o ambiente ao redor, e algo me fez parar por um segundo. As paredes. As cores. Cada sala à nossa volta parecia ser um pedaço de um universo infantil, com tonalidades vibrantes e paredes pintadas em tons de azul, rosa, amarelo, como se fosse um lugar de crianças - quartos, banheiros... As cores se chocavam, criando uma sensação desconcertante de familiaridade, mas ao mesmo tempo, de algo errado. Meu corpo gelou.
Havia algo de macabro nas cores daquele lugar. A inocência aparente das paredes não combinava com o ambiente de medo que começava a se formar dentro de mim. Não era o medo físico, o medo de ser ferida ou maltratada. Não. Era algo muito mais profundo: era a ansiedade. Uma expectativa sufocante, como se o pior ainda estivesse por vir, mas eu não soubesse o que exatamente esperar. Quais seriam os jogos? Como seriam jogados? Como minha mente seria testada? Eu não sabia, mas podia sentir a pressão de estar à beira de algo muito maior e mais obscuro do que eu jamais imaginara.
O silêncio foi interrompido apenas pelo som da porta se abrindo lentamente, e então, com um gesto, fui empurrada para dentro. Assim que fui empurrada para dentro, a porta se fechou atrás de mim com um estrondo surdo. O som do metal batendo contra o batente ecoou pelos meus ouvidos, como se quisesse me aprisionar ali. Meus olhos se ajustaram rapidamente à penumbra, mas o que vi fez meu coração disparar. Estava em uma sala, talvez uma espécie de grande salão, onde dezenas de pares de olhos se voltaram na minha direção, fixos, tentando entender a mesma coisa que eu: o que estava acontecendo? O que éramos nós?
Todos ali estavam vestidos exatamente como eu, com as mesmas cores, verde e branco, mas havia algo que os tornava diferentes. Os números. Enquanto o meu era 007, os outros possuíam sequências distintas, como códigos, marcando suas identidades de maneira impessoal. Eu podia sentir o peso daqueles números estampados nas roupas, como se fossem mais do que apenas identificação - como se fossem uma sentença, uma parte de um jogo maior que eu mal conseguia compreender. As pessoas não falavam, mas podiam ser vistas trocando olhares, buscando respostas nos rostos uns dos outros. Mas ninguém ousou se mover. Todos pareciam tão presos quanto eu, como se tivéssemos sido deixados ali, à espera de algo que nos fosse imposto, algo além da nossa compreensão. A ansiedade no ar era espessa, quase tangível, e por um momento, não pude evitar o sentimento de estar completamente fora de lugar. O que eu estava fazendo ali? O que ia acontecer a seguir? Meu coração batia forte, cada batida ressoando como uma advertência, mas, de alguma forma, não havia mais volta. O jogo já havia começado. E eu não tinha ideia de até onde ele poderia me levar.
As perguntas se amontoavam na minha mente, um turbilhão sem fim, e isso me deixava completamente desorientada. Mordi meu lábio inferior com força, tentando focar, tentando entender. Mas tudo parecia nebuloso, como se o espaço ao meu redor estivesse se distorcendo, a cada respiração mais pesada. O que estava acontecendo? Por que estávamos todos ali? Por que as máscaras, os números, e principalmente, o jogo? A necessidade de respostas era sufocante.
Então, com os pensamentos ainda emaranhados, comecei a descer as escadas, vagarosamente, como se o próprio movimento fosse uma tentativa de desacelerar o caos dentro de mim. O barulho dos meus pés ecoava em cada degrau, mas o que realmente me chamou a atenção foi o que encontrei no final. Era um grande espaço, mais amplo do que eu imaginava. Linhas e mais linhas de camas, beliches, dispostas de forma ordenada e fria, como um dormitório coletivo, uma prisão disfarçada de abrigo.
E foi aí que a verdade se fez mais clara: todos nós dormiríamos ali. Todos. Ninguém escaparia daquele lugar. Aquele espaço era nosso, agora. Não havia mais saída, não havia mais escolhas. O ambiente que antes parecia vazio e distante, agora estava vivo, pulsando com a tensão das pessoas ao meu redor.
O que antes era um silêncio pesado, agora se transformava em um burburinho incessante. Vozeiros baixos, mas intensos, preenchiam o ar enquanto as pessoas começavam a se agrupar em pequenos círculos, se questionando umas às outras. "Quanto você deve?", "Quanto foi a sua dívida?", "Por que está aqui?" As perguntas voavam de boca em boca, como se fossem a única coisa que ligava aquele amontoado de estranhos. Todos estavam ali pela mesma razão, buscando respostas. Todos, à espera de um jogo que prometia um prêmio gigantesco para quem saísse vitorioso, mas o preço de entrada parecia ser muito mais alto do que qualquer um poderia imaginar.
E então, uma sensação apertada se instalou em meu peito. Eu sabia, no fundo, que aquele jogo não seria apenas sobre dinheiro. Era algo mais sinistro, algo mais profundo. Eu só não sabia ainda o quê.
Fui arrancada de meus pensamentos pela voz irritante de um homem ao meu lado direito. Aquele tom insuportável, carregado de sarcasmo e curiosidade, penetrou nos meus ouvidos como uma lâmina.
— E aí, gatinha, o que um xuxuzinho desse como você está fazendo aqui? — A voz soou, desdenhosa, mas com um tom peculiar de divertimento.
Meus olhos se direcionaram automaticamente para o dono daquela voz. Ele estava ali, parado ao meu lado, com um sorriso arrogante estampado no rosto. Seu cabelo era roxo, espetado para cima, uma tentativa claramente desesperada de chamar atenção. No uniforme, o número 230 estava visível, destacado de forma quase teatral. Ele parecia orgulhoso do que representava, ou ao menos, queria parecer assim.
— O mesmo que você. — Respondi, sem hesitar, mantendo a seriedade no olhar. Não estava ali para perder tempo com alguém como ele.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente surpreso com a minha resposta, mas a expressão logo se transformou em algo ainda mais irritante. Um sorriso torto, como se a minha frieza fosse exatamente o que ele procurava.
— Mulher de atitude e desbocada, é dessas que eu gosto. — O sorriso dele ficou ainda mais malicioso, os olhos brilhando com uma satisfação cruel.
Eu senti um arrepio desconfortável subir pela minha espinha, mas permaneci impassível. Ele não me amedrontava, apenas me irritava mais.
— Você deveria ficar conosco. — Ele deu um passo à frente, o tom da sua voz ficando mais persuasivo, como se estivesse tentando me seduzir para um jogo sujo. — Seja lá quais forem os jogos, eu e meus 3 amigos podemos te ajudar.
O sorriso dele, mais uma vez, foi diabólico, como se estivesse me oferecendo algo irresistível, uma proposta tentadora. Mas eu sabia melhor. Nada naquela situação era tentador, nem mesmo a promessa de "ajuda".
Eu o encarei por um segundo, com a expressão inalterada. Não estava lá para fazer amizades.
— Eu recuso. — Fui direta, empurrando o homem para trás com um movimento rápido, sem nem ao menos olhar para ele. Ele tropeçou, mas não disse nada. Eu já estava decidida. A última coisa que eu queria era me envolver com aquele tipo de gente.
Continuei caminhando, mantendo a postura firme. Não ia dar o braço a torcer, não naquele lugar, não com aquelas pessoas. Mas então, outra voz cortou o ar, carregada de desprezo, e me fez parar por um momento, uma sensação gelada percorrendo a espinha.
— Essa filha da puta não vale nada.
Eu congelei por um segundo, meus pés paralisados no chão. A voz... era familiar. Aquele tom de desprezo era inconfundível. Virei-me rapidamente e, quando meus olhos encontraram o dono da voz, meu estômago deu um nó. Era ele. O filho da mãe que havia sido responsável pela minha demissão. O dono do bar, aquele maldito que, após meses de trabalho duro, havia me colocado na rua com uma desculpa esfarrapada. Seu sorriso era cínico, e os olhos cheios de malícia. Meu sangue ferveu. Como ele estava aqui? O que ele estava fazendo ali, no meio de tudo isso? Eu só queria ignorá-lo, mas a raiva queimava dentro de mim, e a vontade de enfrentá-lo, de dizer-lhe umas boas verdades, quase me consumia. Mas respirei fundo. Não valia a pena. Ainda assim, não pude evitar lançar um olhar fulminante na direção dele. Ele parecia se divertir com a minha expressão, como se soubesse o quanto tinha mexido com a minha paciência. Porém, eu não consegui me controlar.
— E o rosto, como ficou? Muitas cicatrizes? — Perguntei, a memória do que o estranho havia feito ainda fresca na minha mente. O estranho se arriscou para me proteger, e as marcas que agora ele carregava eram um lembrete silencioso de sua idiotice.
Ele me lançou um olhar carregado de desprezo e, num impulso, tentou avançar na minha direção. Mas eu não me deixei intimidar. Continuei meu caminho, os passos firmes e decididos, enquanto procurava por uma cama vaga onde pudesse finalmente me deitar e aguardar o início do jogo. Os olhares pesavam sobre mim, parecendo que eu não me importava nem um pouco. Minha mente estava em outro lugar, tão distante das provocações quanto meu corpo estava da tensão crescente ao meu redor.
♡
Me contem, o que estão achando?
— C.
JOGO MORTAL: A Obsessão do Líder.
Capítulo 2:
♡
Já estava na porta do inferno se posso assim chamar, não continha boas lembranças deste lugar, mas era bom estar aqui e não ser mais a funcionária, era bom não ter que ouvir os demais assédios de velhos asquerosos e claro era bom fazer o pedido e não servi-lo. O casal de amigos decidiram entrar na frente, enquanto eu fui logo atrás de ambos. A música já era alta e dava de ser ouvida pelo lado de fora, imagino que dentro do estabelecimento estaria lotado. Apertei minhas mãos e acenei com a cabeça de que estava pronta para entrar.
Assim que entramos atrai alguns olhares e tudo bem agora eu realmente estava arrumada o suficiente para ter olhos em mim. O vestido era preto e ficava bem acima das minhas coxas, o mesmo tinha uma corrente em forma de cinto com cadeado e claro por cima um blazer também da cor preta. Ficou bem explicito que minha cor favorita é da paleta escura, o luto me deixa confortável e a cor dele também. Pode soar sombrio, mas é como me sinto em relação á tudo ultimamente. Junto da roupa escolhida, optei por uma bota de cano longo e uma bolsa com correntes douradas. - Eu poderia ser pobre, estar na merda, mas ainda assim, era uma pobre com estilo. - Dei risada dos meus pensamentos
Vi que tinha três lugares vazios no balcão e nos sentamos nas banquetas que nos deixavam de frente para ele. Cruzei minhas pernas e coloquei a bolsa sobre a madeira escassa. Meus olhos percorreram os baristas que por ali estavam preparando e servindo as bebidas. Ele contratou outra garota no meu lugar e eu só posso sentir dó da pobre menina. Parecia tão sensível e desprovida da inteligência de saber que esse lugar não é para ela. Entretanto talvez ela fosse como eu, precisasse tanto de um emprego que não pudesse escolher no que seguiria.
— Já sabe o que vai pedir? — Min-Ji questionou-me.
Fiquei em um minuto de silêncio, percebi que Soo-Jin entrelaçou seus dedos nos dá mais nova e aquilo me deu uma ânsia de vômito, não porque eles eram feios juntos, nada disso, mas porque o amor era tão enjoativo. Eu nunca consegui entender e mesmo que eles tentassem me dar a devida atenção quando saíamos juntos, era notório que eu era a vela.
— Soju. - Sorri para a minha melhor amiga e assobiei para o garçom que claramente me conheceu de imediato.
— Caroline? O que você vai pedir hoje? — Ele sorriu.
Jimin era um querido, um dos únicos que eu tinha uma certa confiança de que não daria em cima de mim. Até porque da fruta que eu gosto, ele come até o caroço. O mais velho era gay e casado.
— Eu pediria você, mas não posso. — Fiz cara de choro ao brincar. — Quero o meu favorito. E meus dois amigos querem o mesmo.
Soo-Jin me interrompeu.
— Quero vodka. — Falou animado. — Nós três queremos vodka.
Revirei os olhos e arqueei minha sobrancelha direita sem entender. A bebida batia e valia tão rapidamente em mim que eu temia pela vodka. Mas, consenti, farei a felicidade dos meus amigos nem que seja por uma mera noite.
— Vou pedir permissão ao Jeon. — Jimin brincou e me fez mostrar língua ao mesmo. — Já trago o pedido de vocês. Aliás, Caroline você está linda, sair daqui te fez muito bem.
Um sorriso de orelha a orelha foi visto nos lábios do coreano, apesar dos pesares ele nunca saberia que minha casa é meu carro e que ter saído daqui, me levou a uma ordem de despejo e dívidas atrasadas. O garçom nos deixou sozinhos e Min-ji comentou que estava ansiosa para que ela e meu melhor amigo fossem morar juntos, tudo parecia um sonho genuíno assim como seu trabalho. A garota era contadora e Soo-Jin bancário, ambos com trabalho que pediram á Deus.
— O que é que você tá fazendo aqui?
A voz em conjunto de uma batida sobre o balcão nos assustou. Quando nos demos conta, era o dono, sim o maldito que me demitiu. O cara era tão merda que a própria esposa o deixou pelo fato que de o mesmo vivia nesse bar e esquecia que tinha casa, família e quando lembrava estava bêbado no fim do expediente. O local já estava quase entrando em leilão pelas dividas que ele deixou acumular. E ele tratar uma cliente, mesmo que fosse eu desta maneira, já explicava muita coisa sobre ele.
— Isto aqui é um bar e eu estou aguardando minha bebida. — A minha voz saiu confiante, porque eu estava confiante.
O desgraçado sorriu com aqueles dentes podres e amarelos. Seus olhos tinham fúria, ele me odiava e odiava ter que me pagar tudo que devia a mim, desde férias atrasadas, ao salário do último mês trabalhado.
— Você veio até aqui me desafiar, Caroline? — Perguntou. — Já não fez o bastante? Eu demiti você, ou seja, não quero que volte aqui nem como cliente
Minha mãe ou meu pai deviam ser debochados e eu infelizmente aderi isso de um dos dois, porque mais debochada e orgulhosa que eu, não existia, não naquele momento, não naquele bar.
— Eu virei aqui quantas vezes eu quiser, até você me pagar o que me deve, Vicenzo. — Um riso debochado soou entre meus lábios.
A gritaria que o mais velho havia feito por nada, havia chamado atenção da galera que estava no balcão e os que estava bebendo não tiravam os olhos de nós dois. Enquanto outros faziam suas apostas na '' morena que estava desafiando o dono do local''. Vicenzo segurou meu braço forte e consequentemente ficaria marca. Ele me mataria se pudesse.
— Não deveria tratar uma dama desta maneira, não acha, Vicenzo?
Um homem mais velho de estatura alta interrompeu o que o meu ex chefe faria comigo a seguir. A presença física, o egoísmo e o egocentrismo estava presente em seja lá quem fosse esse coreano. Seu olhar fixou ao meu e deu para ver quão persuasivo e quanto poderia induzir os outros a verem as coisas do seu ponto de vista. Exalava o ar de inteligência, convincência e estratégia para conseguir aquilo que almeja. E pelo timbre de voz, não se baseava em ética ou justiça para que isso fosse possível. Por que droga, sigo olhando? Por que droga eu consegui analisar sua forma de ser em menos de um minuto?
— Quem você acha que é para dizer o que devo ou não fazer? — Vicenzo rebateu, mas eu não conseguia prestar atenção em nada, as outras pessoas haviam sumido do meu campo de visão. Apenas a música e a voz daquele mero estranho me tinham naquele instante.
O desconhecido estava usando um terno em um bar, um terno parecido e mais granfino do que homem que me entregou o cartão mais cedo. Mas, não era o mesmo, sua feição não me lembrava ninguém, apenas me causava uma sensação: o prazer de descobrir quem era esse filho da puta. Enquanto eu ainda o analisava, ele não parecia preocupado com a presença de Vicenzo, pois nesse momento estava levando seu copo com Whisky até a boca e saboreando o gosto.
— Alguém que sabe ter modos com uma bela mulher.
Enquanto falou largou a vidraça sobre o balcão. Vicenzo levou sua mão tão rapidamente que não pude ver de onde surgiu esse movimento, porém ele tinha um destino, o rosto do coreano que o repreendeu. Engoli seco quando percebi que o mais velho havia desviado, enquanto sua canhota segurou o colarinho do dono do bar e fez com que a cabeça do mesmo batesse sobre o balcão e fizesse pedaços daquela vidraria toda. Mas, algo ainda mais me chamou atenção, a tatuagem no pulso, os símbolos geométricos, parecidos com o do cartão que haviam me dado mais cedo. Pura coincidência? Ou ele estava me seguindo, ou ele era o mandante do homem. Merda, porque tantas perguntas e poucas respostas.
— Você deveria sair daqui, Caroline. — A voz do homem soou em meus tímpanos e me embargou, fazendo-me levantar. Quem era esse demônio? Porque eu estava acatando suas ordens? — E se quiser mudar isso, sabe exatamente o que fazer.
Meus amigos começaram a me puxar para fora do estabelecimento o quanto antes, mas eu ainda seguia assustada e impressionada com o que havia acabado de acontecer. Não saiam palavras, não saiam sons, nem ao menos da respiração, eu ainda não entendi como havia aceitado ordens de um estranho.
— O que acabou de acontecer? — Soo-Jin perguntou confuso.
— Você conhece aquele cara? — Foi a vez de Min-Hi questionar.
O quê eu poderia dizer a eles? Se nem eu mesma conhecia. Não fazia ideia de onde alguém tão elegante, interessante e persuasivo saiu. São tão poucos homens assim hoje em dia que isso com toda certeza ficará martelando na minha cabeça por dias. Endireitei minha postura e comecei a caminhar com ambos até o carro, desta vez eles me seguiam e não o contrário.
— Eu não sei quem ele é, está bem? — Meu tom era sério, assim como meu semblante. — E não me perguntem mais nada sobre...
Soon-Ji apontou com a cabeça para a porta do bar e vimos que o homem que havia acabado com a dignidade de Vicenzo estava saindo, enquanto saia limpava suas mãos com um lenço branco, deixando-o vermelho do sangue. O mais velho percorreu seus olhos para nós e parou especificamente nos meus. Apertei minhas mãos e balancei a cabeça entrando no carro e apertei a buzina para que o casal fizesse o mesmo. Estava uma ventania. Seul resolveu avisar que viria chuva e eu esperava que pedras ou quaisquer outra surpresa da natureza não viesse junto. Meu cabelo sobrevoava sobre meu rosto, e minhas mãos apertavam o volante forte, enquanto meu ouvido ouvia Metalica tocar no som do carro.
— Você deveria aceitar a proposta de ficar na minha casa até arrumar um canto pra você, Carol.
Aceitar a proposta da coreana não seria uma má ideia, mas meu orgulho subia em cima de mim e pisava sem dó. Eu não queria dar trabalho, não queria tirar o espaço que ela tinha, além do mais a garota morava com sua mãe e seria uma puta falta de consideração minha atrapalhar os últimos momentos de mãe e filha já que Min-Ji e Soon-Ji iriam se casar para morarem juntos em breve.
— Eu agradeço imensamente sua oferta, Mimi, mas não posso aceitar. — Sorri para a mesma. — Eu aguento mais um pouco no banco de trás do meu carro.
Após mais algum tempo dirigindo, deixei cada um dele em suas residências e segui para o posto de gasolina que no momento estava sendo a minha. Assim que cheguei tomei uma ducha, já era conhecida do frentista, ele me dava a chave dos banheiros sempre eu que o pedia e assim deite-me encolhida sobre o banco. Na mão direita estava o cartão marrom com o círculo, triângulo, quadrado e um número de telefone. Na esquerda meu celular, uma vontade imensa de descobrir onde tudo isso poderia me levar e quem sabe rever o desgraçado do bar que havia visto mais cedo. Digitei lentamente os dígitos que estavam aparentes, coloquei o celular na orelha, fiquei em silêncio apenas ouvindo a música e junto dela as ordens. E a partir de agora, eu não faço ideia do que irá acontecer, se valer realmente muita grana, eu farei questão de vencer. Caso contrário, desisto antes mesmo de começar.
Jogo Mortal: A Obsessão do Líder.
Capítulo um:
♡
Tsc! Fui demitida! Não é como se isso fosse o fim do mundo, porque era algo que eu queria muito, diante todos os acontecimentos naquele bar, esse último claramente foi o pior. Daqui há 5 dias eu iria completar os exatos 3 anos com o mesmo trabalho e se posso dizer completaria também os mais de 10 mil assédios? Quem olha de fora, pensa e diz que trabalhar em bares que serve diversas bebidas temáticas e contém música ao vivo, deve ser um sonho, o que ninguém conta, é como ser uma mulher trabalhando em um bar com marmanjos assediando em todo tempo é perturbador.
Aquele desgraçado do Yejun conseguiu de uma vez por toda que eu derramasse todo o liquido na sua cara e ainda cuspisse para finalizar o ato. Esse maldito está aqui desde que eu comecei a trabalhar, ele é um velho asqueroso e bêbado, qual não tem nenhuma significativa de vida. - Não, que eu tivesse, pois trabalhava em um bar mesquinho em troca de 10 mil won por mês. - O que quero dizer é que ele não trabalhava, gastava todo o auxílio que sua falecida deixou para ele depois que morreu. A coitada teve um infarto e agonizou com o vômito até a morte, enquanto o bêbado estava quase em coma alcóolico ao seu lado na cama.
O apartamento qual nem se quer deveria ser dirigido como apartamento me despejou depois que atrasei 15 dias do aluguel. Eu não fiz de propósito por mais que essa espelunca merecesse. Entretanto em 2 anos e meio nunca deixei atrasar um dia e quando acontece pela primeira vez, recebo uma ordem de despejo. E pela infelicidade não foi por querer não pagar, mas sim, porque o dono do bar qual fui demitida estava enrolando com a rescisão que já deveria ter saído. Tudo bem que ele poderia ter me dado justa causa por ter cuspido em um de seus clientes mais antigos, porém mesmo sem dinheiro, se isso acontecesse, eu claramente entraria com um processo.
O metrô estava lotado, o cheiro de cigarro, maconha ou seja lá quantos drogados estivessem por ali, exalava por todo meu olfato. A cigana vendia pulseiras, o rapper tentava sorte para ver se alguém lhe dava centavos, e a macumbeira lia mãos e dizia que o vosso amor voltaria em menos de 24 horas se pagassem a ela o dinheiro das coisas para o tal feitiço. E claro, haviam pessoas esgotadas, semblantes sérios e estressados do dia de trabalho. Seul sempre foi a cidade da tecnologia, a cidade em que todos invejavam pelo tanto de trabalhadores que ganhavam bem, só que o que o governo escondia é o quanto você precisava trabalhar para isso, quantas noites mal dormidas você precisa para tirar um bom salário e até mesmo quantas vezes você precisa deixar sua família em pleno feriado sozinha e sem sua presença.
São coisas assim que me fazem ser solitária, bom, nem sempre foi assim, isso começou acontecer um pouco depois da morte de meus pais, aprendi cedo o que é não ter atenção das pessoas que tanto te amam e principalmente, aprendi cedo que esse mundo cruel pode nos arrancar a felicidade tão rapidamente quanto parece. Meus familiares todos eram de muito longe, meus pais vieram para Seul um pouco antes de eu nascer. E tudo se perdeu desde que eles morreram naquela noite.
Meus pensamentos se voltaram para onde eu iria e o que iria fazer, com dividas, sem casa e uma vida miserável. A única coisa que me restava era meu Mustang velho, única coisa que consegui comprar naquele mísero emprego. Como apartamento era completamente mobiliado, sai apenas com as malas e minha roupa do corpo e as joguei no porta-malas e banco de trás do carro. Minha casa era meu carro e vice-versa, eu estava quase por completo na merda. Fui interrompida dos meus pensamentos ao ver que um homem com terno preto, camisa branca e a gravata bordô se aproximou, parando-o em minha frente. Sua feição me parecia um homem de negócios, talvez um advogado pela roupa que estava usando, possivelmente o filho da mãe do dono do bar me processou e ele fez questão de mandar seu advogado me entregar em mãos a folha de uma possível audiência. Mas, no metrô? Ou quem sabe, fosse um mafioso muito rico, que me achou extremamente atraente com a calça jeans preta que eu estou usando e gostaria de me traficar. Tantas são as possibilidades, por que não questioná-lo?
— Srta Caroline? — A voz masculina foi em direção aos meus tímpanos e meu olhar foi obrigado a encará-lo para entender do que se tratava.
— Sim? Veio me entregar a notificação extrajudicial? Sabe que poderia ter enviado por e-mail. Ah, ou você foi até meu antigo apartamento e viu a ordem de despejo na porta e decidiu tentar a sorte vindo me procurar no metrô?
Sem resposta a mão vaga do homem deslizou até o bolso de seu paletó. Enquanto a mão esquerda segurava uma maleta que antes não havia sido percebida por minhas órbitas. Poderia ser uma arma e algum imbecil ter contratado esse homem tão bem vestido e com músculos bem desenhados na camiseta que se escondia atrás da gravata bordô para acabar com minha raça.
— Sei que sua vida é uma miserável vida, mas talvez a algo que possa ser mudado. — O sorriso ladino preencheu aqueles lábios e assim que toquei no cartão que estava sobre sua mão tive um arrepio, não um arrepio de frio, mas um arrepio que corroeu totalmente minha espinha, talvez, fosse um mau pressentimento. Entretanto, eu não morreria apenas de aceitar um cartão de um super bonitão de terno. — Caso você aceite, você poderá sair do seu carro e tentar concorrer a algo que se vencer, conseguirá morar onde bem quiser e ferrar com os desprovidos que te botaram para rua.
A proposta soou completamente tentadora, mas como confiar em um estranho bem vestido? Ele claramente deveria ser dono de um cassino e nesse cassino possivelmente havia prostitutas e ele queria me contratar para isso, sei que sou uma mulher bonita, mas a ponto de quererem me contratar como prostituta num metrô? Além do mais nem bem vestida nesse momento eu estou, será que meu coque mal-feito fez pensar que eu sou uma ótima fodedora? Não, não é possível. Eu realmente estou sendo confundida com uma daquelas puta de luxo?
— Olha, eu realmente não estou interessada em ser uma prostituta de cassino. — Comentei rapidamente após recusar o cartão e o empurrá-lo novamente para o mesmo. Não era por nada, mas, nunca na minha vida, eu serviria qualquer idiota. Baixei minha cabeça levantando-me e virei minhas costas.
O desgraçado segurou meu braço e me fez virar novamente para si. Os olhos eram negros e pareciam desesperados, como se precisasse que eu aceitasse seja lá qual proposta que fosse. Ele estava aqui mandado e não por sua vontade. Era notório.
— Srta Caroline, você não será uma prostituta. — Fez com que eu segurasse o pequeno cartão sobre as mãos. — É um jogo, qual vale muita grana e se você ganhar, você poderá ser milionária. Pense com carinho na proposta e caso aceite, ligue nesse número até o fim da semana, eu tenho certeza de que você não se arrependerá. — Fiz um sinal de concordância com a cabeça e olhei para minha mão analisando cada detalhe daquele pequeno cartãozinho, haviam formas geométricas, meio estranho, e que jogo seria esse qual teria que ter todo esse sigilo? Revirei os olhos, não poderia aceitar algo sem ao menos entender melhor. — Eu não posso dar mais informações, pense com carinho. E não deixe essa oportunidade escapar.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa o homem virou e saiu andando sem ao menos me dar comprimentos de saída. Olhei ao meu redor e só meu mundo tinha parado naquele momento, porque as pessoas continuavam vivendo as mesmices de suas vidas de sempre. Olhei novamente para o cartão e vi o número de telefone, mordi meu lábio inferior pela curiosidade, mas balancei a cabeça após jogá-lo dentro da bolsa que carregava meu notebook.
Ao sair do metrô fui em direção ao posto de combustível onde meu queridinho estava, sim por mais velho que fosse, meu Mustang tinha meu coração, não era atoa que eu tinha quedas por corridas, até que a ideia de um jogo valendo '' muita grana'' como disse o todo bonitão não era ruim, se valesse tanta grana, poderia comprar um lugar para que eu pudesse morar, dormir em uma cama novamente não me soava tão ruim. Por mais que o apartamento antigo onde eu estava morando por quase 3 anos fosse ruim, havia uma cama de solteiro e era o suficiente para ter noites de sono e menos dores nas costas. E fazer do seu carro um hotel não tem tido bons resultados, minhas olheiras e má postura falam por si só. E claro com tanta grana conseguiria comprar o carro dos meus sonhos, um Madza, e obviamente apostá-lo em corridas ilegais.
Larguei a mochila no banco do carona e dei a volta entrando no veículo, fechei a porta, coloquei as duas mãos sobre o volante e fechei meus olhos. Estava cansada de correr Seul todo em busca de emprego, e sim, apé. Como estou com pouco dinheiro, na verdade quase nada, eu não posso gastar toda gasolina que tem no meu carro e se eu realmente precisar dele? Soo-Jin e Min-Ji que são as únicas duas pessoas que tenho contato á anos, queriam me emprestar dinheiro, mas, eu jamais dependeria de alguém ou pediria dinheiro a eles. Não era do meu feitio e nem seria. Fui liberta do pensamento ao ouvir a vibração do meu celular vindo do bolso de trás da calça que estava usando. Ao pegar vi que Min-Ji estava me ligando, e logo após eu pensar na mesma, claramente ela não morre mais.
— Alô. - Disse ao atender.
Min-Ji era dois anos mais nova que eu, porém seu físico e sua maneira de viver demonstravam bem menos do que a idade que a mesma continha. A garota era otimista demais, e de certo modo isso acabava me irritando, porque sim, eu era pessimista. Também depois de tudo que aconteceu na minha vida, só falta cair um raio na minha cabeça, se é que já não caiu e isso tudo não passa de memórias antes que eu tenha morrido.
— Carol, Carol. — A mais nova chamou-me para realidade novamente. — O que você acha?
Acha do quê? Eu não prestei atenção em nada do que ela disse e se eu concordasse em vender meus rins? Se bem que ela não seria doida de fazer algo assim, mas ás pessoas estão tão estranhas nesses últimos tempos que não há de duvidar.
— Eu concordo. — Falei sem pensar.
Ouvi gritos do outro lado da linha, era claro, Min-Ji estava com seu namorado Soo-Ji e ambos estavam esperando que aceitasse seja lá qual fosse a proposta.
— Nos encontramos as 7 PM no Le Chamber.
Antes que eu pudesse recusar Min-Ji desligou a ligação. E eu estava com raiva, quando aceitei em ir no antigo bar que eu trabalhava? Por que diabos eu não perguntei onde iríamos? Tentei contornar a situação por mensagem, dizendo que não tinha dinheiro para bebidas, mas ambos não estavam nem ai, apenas queriam que eu fosse. Pensando bem, quem sabe quando o desgraçado me olhasse lá, lembrasse de me pagar o que me deve. Suspirei profundamente e desci do veículo.
♡
Meio nervosa por ser o primeiro capítulo. Mas, espero que gostem. Volto mais tarde,
— L.
Me diz,
também é difícil pra você?
“Gostaria que tivéssemos coragem de dizer mais.”
— O Diário de Anne Frank.
Em muitas ocasiões eu fui o próprio vilão da minha história...
Psionicos.
Aquece meu inverno com seus abraços quentes
flori meu rosto com os sorrisos
que são tão certos com a tua presença.
Fraseado.
te escrevi eras atrás que seria sempre meu entardecer, minha poesia. meu amor, como pudemos anoitecer tão fatalmente como uma noite sem lua?
"Verba volant, scripta manent — As palavras podem desaparecer no vento, mas os escritos deixam um legado eterno."
- Daiane Ribeiro
eu penso demais porque eu percebo tudo.
poemasdocaos
isso me deixa ansiosa, ao ponto de minhas mãos pingarem de suor.
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ruasㅤ ' ㅤarquivos.jpgㅤ #♡ ㅤ𝗺𝗽𝟯
romanceㅤ emㅤ escritas, ㅤpoesia.
fotografias.ㅤ( 週 )ㅤcalmosㅤdias '
Rádio & fotografias.
"As horas se passam, entre sorrisos, caminhos e olhares elas se despedem. Sob a tarde serena, pego a câmera e revejo as fotografias. A atmosfera banhada pelo sol alaranjado e canto dos pássaros, faz-se soar como uma memória distante, guardada pelo coração".
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capítulosㅤ ───ㅤ eㅤ destinos ㅤ♡
entreㅤ memórias ㅤ&ㅤ orquídeas.
oㅤ sussurarㅤ dosㅤ 'ㅤ ❀ ㅤversos
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𝗳𝗹𝗼𝗿·𝖽𝖾·𝗃𝖺𝖽𝖾 ㅤ🪇 ㅤ✿︎ ♩ ㅤ𝗌𝗂𝗇𝖿𝗈𝗇𝗂𝖺𝗌ㅤ𝖽𝖾ㅤ𝗏𝖾𝗋𝖺̃𝗈
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ㅤㅤ𝚅𝙻𝙾𝙶! ㅤ 🪴 ㅤwith ㅤ@ㅤ #recados
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trecho: Entre as fotos, algo as avivaste; por elas, transmitindo paz e doçura, era você. [...] Eu reconheço, sou como uma nota perdida, mas na sinfonia do teu olhar, me descubro poeta. "minha garota" 1997.
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01, 𝗃𝖺𝗇𝖾𝗂𝗋𝗈.
𝘃𝗶𝗼𝗹𝗮̃𝗼 ─── "音"
𝗍𝗋𝗈𝗉𝗂𝖼𝖺𝗹𝗼𝘃𝗲.
📻 𝑠𝑖𝑛𝑡𝑜𝑛𝑖𝑎
Conversas &' 𝐂𝐚𝐟𝐞́.
♡ㅤ🪈ㅤ시ㅤ🪴
𝘁𝘂 𝗆𝖾𝗎 𝗌𝗈𝗅
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