A senhorita poderia se acalmar? Só estou tentando e querendo ajudar!
Eu estou calmíssima. Tudo bem. Então ajude.
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A senhorita poderia se acalmar? Só estou tentando e querendo ajudar!
Eu estou calmíssima. Tudo bem. Então ajude.
Nossa, que garota estressadinha! Me obrigue!
Tá legal. -- Sugar deu de ombros e andou até o garoto, parando na frente dele. -- Tem certeza?
Eu já pedi com o máximo de delicadeza que eu pude pra você sair daqui. Agora dá o fora!
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
A sensação de estar cavalgando em um cachorro de três cabeças era inigualável, e definitivamente trazia um enjoo muito incômodo. Ele quase cai várias vezes, ganhou alguns arranhões e o modo como o Cérbero derrubou algumas árvores como se fossem gravetos fez o garoto soltar uma gargalhada completamente espontânea.
“Sugar, a domadora suicida de Cérberos. Dá um bom nome.” Retrucou rindo, se segurando nas orelhas. “Certo. Olha, podemos levitar as conchas da praia e balançar até alguma coisa cair delas. Ou podemos ser mais inteligentes e fazer um detector de metais.” Sugeriu no mesmo tom de voz que ela.
Ele agradeceu secretamente quando chegaram à praia novamente, e quando se estabilizou na areia, bebeu um pouco de água com o feitiço Aguamenti. Enquanto Sugar colocava o Cérbero para dormir, ele encarou a areia e a água à sua frente, tentando pensar em mais um modo de capturar uma chave. Onde elas poderiam estar? O máximo que ele pensava era fazer um detector de metais, não seria muito difícil. Eles poderiam transfigurar uma parte da areia em um imã grande, chamar as vassouras e ir voando por cima da areia com uma velocidade moderada até alguma coisa ser atraída pelo imã. Mas eles estavam pensando em como atrair as chaves ou como localizá-las. Talvez tentar procurar um local específico desse mais certo. Mas olhando bem, ali não tinha absolutamente nada, e eles não haviam dado nenhuma dica em específico. Sentia que ela olhava para ele com um olhar de expectativa, mas ele não tinha muito a oferecer. Podia ter alguma chave nos coqueiros, mas aquela ideia não parecia muito atraente para ele. Foi quando ele teve uma ideia, olhando para os limites da arena. Depois de toda aquela areia, tinha um paredão de pedra enorme. E se a chave estivesse encrustada em algum lugar especial no fundo da arena? Parecia uma boa ideia, porque era bem improvável. Ele tinha certeza que se estivesse mesmo lá, seria em um lugar bem visível e difícil de ser extraída.
A voz de Sugar o interrompeu do seu devaneio e ele olhou com expectativa para ela, esperando que algo acontecesse. Um sorriso brotou dos seus lábios quando um coqueiro se mexeu e uma chave saiu voando dele para a mão da garota. Olhou para o céu, como se agradecesse, e pegou a chave da mão dela, colocando no elo junto com as outras duas.
“Muito bem.” Piscou para ele como se fossem cúmplices. “Agora só faltam quatro. A outra pode estar no fim daquele paredão, está vendo? Incrustada em algum lugar. Pode ter um feitiço de proteção ou algo assim, eu não acho que todas vão estar protegidas por criaturas.” Falou, apontando para os limites da arena, depois de toda a areia e coqueiros.
Sugar não achava que a sua ideia fosse realmente dar certo, mas ao ver o chacoalhar de um dos coqueiros que havia no local e um brilho prateado vindo em sua direção, surpreendeu-se com aquilo, e ainda mais quando nada aconteceu depois que a chave chegou. "Tudo bem. Essa foi fácil." Comentou enquanto entregava a chave para Ludwig guardar junto as outras. Sorriu dando de ombros ao ver a piscadela do rapaz, percebendo que estavam fazendo um bom trabalho em equipe. No final, trabalhar em equipe não era algo tão difícil de conseguir lidar como a morena achou que seria.
Ainda que tivessem conseguido uma chave, de acordo com a teoria que estavam seguindo, deveria haver uma segunda na área da praia, mas o accio não funcionou para ela, e a morena duvidava que fosse funcionar. Olhou ao redor, procurando algum lugar que a chave pudesse estar escondida, mas a praia era ampla demais, e tinha pouquíssimos esconderijos. Provavelmente estava na areia, ou camuflada em algum lugar. Sugar não ouviu o início das coisas que Ludwig falava, por estar distraída em seus pensamentos, mas voltou sua atenção as palavras dele a tempo suficiente de ouvir alguma coisa sobre estar incrustada em algum lugar, e ao vê-lo indicar a extremidade da arena ela entendeu. "Eu não sei se compartilhei a minha opinião com você logo quando chegamos, mas talvez ela não esteja incrustada, e sim camuflada. Um feitiço simples que a deixe invisível. Pode estar presa e camuflada ao paredão, assim como pode estar presa e camuflada a um desses coqueiros. Pode até ser um desses coqueiros. A segunda chave estava transfigurada para parecer uma corrente, lembra? Podemos tentar o revelium." Completou a sua frase olhando ao redor. Não seria tão fácil. Haviam muitos coqueiros, pedras pequenas, pedras grandes, conchas. Não teriam tempo para tudo, mas ela tentaria em alguma coisa.
"Bom, vamos testar a minha teoria e a sua juntas. Vamos até o paredão, damos uma olhada, e se não acharmos nada de cara eu uso o revelium pra ver se acontece alguma coisa. Não é um ótimo plano, mas por ora, é o que temos." Ela deu dois tapinhas em um dos ombros do rapaz e começou a correr em direção ao paredão. Não ficava muito longe, já que a faixa de areia da praia era estreita, mas ainda assim foi uma boa corrida até chegar lá. o lugar parecia não haver nada, como era de se imaginar. Uma estrutura totalmente grosseira. A chave poderia realmente estar incrustada como Ludwig havia dito. Mas também poderia estar camuflada. Seja lá como fosse, talvez o feitiço fosse ajudá-los. Ela olhou para o rapaz na esperança de que ele houvesse encontrado algo, mas pareciam estar no zero a zero. Sem ter mais paciência para perder tempo procurando por algo que nem tinham certeza que estava ali, Sugar tirou a varinha das vestes mais uma vez e apontando para a enorme parede de pedra, conjurou o feitiço. "Revelium."
Ela prendeu a respiração por algum tempo, sem saber exatamente o porquê. Uma tensão repentina começava a tomar conta da morena, mas ela não se permitiria ficar tensa ou nervosa, não quando eles começavam a achar as chaves. Uma pontada de insegurança a atingiu por algum motivo que a mesma não saberia explicar. Talvez porque suas ideias estivessem começando a evaporar. Mas se recusava a admitir aquilo para si mesma. Ela não deixaria aquele sentimento permanecer e tomar conta dela, não poderia. Estavam indo bem, bastava manter-se relaxada e deixar o cérebro funcionar. Não seja idiota, Starkweather. Disse internamente, afastando da cabeça aqueles pensamentos que começavam deixá-la apreensiva e se concentrou no feitiço que havia acabado de fazer. É só se concentrar no seu objetivo. Você vai conseguir. Disse para si mesma por fim, soltando o ar e voltando sua atenção para o muro de pedra, esperando que alguma coisa acontecesse.
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
O impacto no tronco havia sido maior do que Lutz imaginava, e ao tentar se levantar para ajudar Sugar, sentiu uma pontada na coluna e uma ardência incômoda. Ignorando os possíveis danos, levantou e pulou na direção de onde Sugar havia jogado a chave. Com uma péssima mira para pegar coisas, Lutz acaba deixando a chave cair, e esta pousa no chão atrás de si. Ao abaixar para pegar a chave, percebe que a corrente que prendia a corda estava mudando de forma e se transformou em uma segunda chave. O sentimento de vitória invade seu peito e um grande sorriso toma conta de seu rosto. Quando se vira para mostrar pra garota o prêmio de todo o esforço dos dois, se depara com a cena muito engraçada de uma Sugar sendo lambida por Clifford, o cérbero.
“Obrigada, Starkweather. Sempre um prazer ajudar. Dura uma hora, mas eu não garanto que vá durar tudo isso. Qualquer coisa é só refazer o feitiço. Espero que essa carona role, vai poupar muita caminhada.” Gargalhou, colocando as duas chaves em um elo dado aos participantes no início da prova e enganchando na da calça firmemente com um feitiço adesivo. “Vai um lencinho? Eu não sou tão bom em transfiguração quanto você, sabe, mas eu posso tentar transformar alguma dessas folhas em papel.” Completou, se aproximando dela com uma postura displicente, e acariciando o focinho de uma das cabeças. Estava incomodamente úmido, mas ele não se incomodou.
Observando o estado dela após aquela situação, percebeu que havia uma mancha de sangue em um vermelho escuro na blusa dela. Franziu as sobrancelhas e se aproximou dela, levantando a blusa e observando que havia alguma coisa de errado com a costela dela. Fez uma careta, e posicionou a ponta da varinha no lugar.
“Não estou querendo te despir, mas essa costela está com uma cara feia e nós precisamos dela intacta. Não vai ficar nem um décimo do que a enfermeira faria, mas deve segurar até o fim da prova. Isso provavelmente vai doer.” Falou, acrescentando o comentário no fim com um tom meio risonho. Pronunciou, em seguida, com uma voz alta e clara, se concentrando no resultado do feitiço. “Brackium Remendo. Pode me agradecer mais tarde.”
Abaixou a camisa dela, voltando à posição normal, e olhando para o enorme animal ao seu lado. Era inegavelmente uma grande ajuda, e muito inesperada. Era uma cena reconfortante ver o animal animado daquela forma, e Lutz se questionou, por um segundo, como seu pai poderia maltratar criaturas assim daquela forma. O pensamento logo fugiu da sua cabeça, se lembrando das outras chaves. Ainda acreditava na teoria de que podiam existir duas chaves na floresta, duas na praia, duas na água e uma na ilha. Ainda mais agora que eles pegaram duas chaves de uma vez só. Entretanto, aquilo não poderia deixar subir à cabeça deles e precisavam ir mais rápido ainda.
“Bom, acredito que minha teoria sobre duas chaves em cada setor e a última no meio é válida.” Bateu palmas para dispersar os pensamentos ruins e se focar naquilo. Deu uma breve caminhada encarando o dorso do cachorro e pensando sobre como escalaria até chegar na cabeça. “Já achamos duas aqui, agora podemos pegar o Clifford e ir pra a praia. Usamos sua tática do Accio lá, e está tudo resolvido. Ou não, vamos rezar pra que dê certo, de qualquer forma.”
Deu duas batidinhas atrás da grande orelha da cabeça da esquerda, como fazia com Odin, torcendo pra Clifford obedecer o comando e abaixar a cabeça. A resposta foi positiva, e quando ele abaixou a cabeça, na verdade foi com a intenção de lamber Lutz. O garoto revirou os olhos, com um sorriso de lado, e aproveitou a deixa para se segurar no pelo do cão e escalar segurando as mexas do pescoço até chegar à cabeça. Ele quase cai algumas vezes, mas se segura bastante nas mexas de pelo. Tenta se equilibrar no topo da cabeça, colocando uma perna de cada lado e se segurando nas orelhas.
“Espero que eu não caia, se não, acho que vou quebrar o pescoço.” Diz alegremente, convidando Sugar a ficar ao seu lado. “Aqui tem bastante espaço para mais um suicida.”
"Se dura uma hora em um animal normal, com toda certeza vai durar muito menos em um como este." Garantiu olhando para a criatura. A ideia que havia dado de pegar carona no cérbero não havia ido embora. Realmente era uma oportunidade que eles não poderiam deixar escapar. Precisavam daquilo, nem que fosse somente para chegar até a praia, depois poderiam colocá-lo para dormir ou arranjar uma outra forma de se livrar. Voltou a olhar para Ludwig, afim de reforçar sua ideia de usar o cão gigante como carona, a tempo suficiente de vê-lo guardar as chaves. "Se você perder essas chaves, eu te mato. É sério." Disse aquilo de forma séria. Não achava que ele fosse perdê-las, mas não custava nada reforçar a importância daquilo. "Não precisa. Vou ter tempo de sobra pra tomar banho quando sairmos daqui. Agora vamos. A não ser que queira ficar aí fazendo carinho nele." Ela ficou parada o fitando com as sobrancelhas erguidas, e quando cruzou os braços sobre a barriga, para reforçar a sua expressão séria, sentiu uma dor incômoda que não havia sentido até aquele momento.
Olhou na direção da própria barriga, vendo que havia uma mancha consideravelmente grande na região da costela, e fez uma careta. Deveria ter se machucado quando levou a patada e foi arremessada longe, mas não tinha percebido até aquele momento. E como todo machucado, aquele só começou a doer quando ela percebeu a existência do mesmo. "Mas que droga." Resmungou, pouco antes de sentir a aproximação do rapaz. Arqueou mais uma vez as sobrancelhas, de modo sugestivo, quando o viu levantar sua blusa. "Calma aí, Ludwig. Se lembre que tem gente nos assistindo. Inclusive crianças." Sorriu de canto, maliciosamente, de forma que sua risada não escapasse. Ao vê-lo posicionar a varinha sobre o osso fraturado, a morena já sabia o que viria a seguir, e já estava se preparando psicologicamente para não gritar com a dor que aquele feitiço provocava. "É, obrigada por avisar o que eu já sei." Disse inspirando o ar. Quando ouviu o feitiço ser proferido, impediu que um grito escapasse pressionando seus lábios um contra o outro com força. Soltou o ar preso, ainda incomodada com a dor. "Valeu."
Sugar ainda tentava pensar em uma forma de subir no animal, e Ludwig parecia fazer o mesmo. Ela teve ainda mais certeza daquilo quando o viu subir em uma das cabeças do cachorro. Não sabia como havia feito aquilo, mas também não se preocupava em saber. Quando ouviu o convite do rapaz ela deu de ombros. "Maravilha. Adoro morrer caindo da cabeça de um cachorro gigante de três cabeças." Comentou enquanto subia no animal. A morena não sabia como fazê-lo andar na direção que queria, sendo assim, conjurou o feitiço Flagello, transformando sua varinha em um chicote e usando-a para guiar o cão, e fazê-lo correr. "Acho melhor se segurar bem." Comentou enquanto sentia o cérbero pegar velocidade, chegando a derrubar algumas árvores no caminho. Eles tinham duas chaves, e aparentemente, a teoria do rapaz estava certa. Se dessem a sorte, os outros pares estariam juntos como este primeiro, mas isso não era uma certeza. Sugar odiava incertezas.
"Muito bem. As chaves são feitas de metal comum. Assim que chegarmos na praia vou usar accio para isso. Caso não funcione, se prepare pra jogar areia pra cima até ver alguma coisa além da areia voar. Ou tenha um plano B. Eu acho melhor que tenha um plano B." Disse quase gritando enquanto tentava se segurar nas mexas do pelo do cachorro. Aquele não era o melhor transporte do mundo. Ainda mais para alguém que estava com a costela um pouco fraturada. Quando finalmente chegaram a praia, Sugar pulou da cabeça do cachorro, esforçando-se para cair em pé na areia, o que quase não obteve sucesso. Sabia que não tinham muito tempo até que o encantamento no cérbero passasse, então pegou a primeira concha que viu na areia e tentou concentrar-se o máximo que pôde para transfigurá-la em uma harpa. "Animus Corpus." Disse o feitiço, fazendo com que a harpa começasse a tocar sozinha. "Tenham um bom dia de sono." Falou para o animal antes de se voltar para o parceiro.
Ela ficou encarando Ludwig por um tempo, sem falar nada. Esperava que ele estivesse pensando em um plano B, porque por mais que parecesse coerente e inteligente a sua ideia de acionar, não a chave, mas sim o material do qual ela é feita, não havia uma garantia de que funcionaria. "Tudo bem. Eu vou tentar. Enquanto isso você pode ir pensando onde elas poderiam estar." Sugeriu pouco antes de fechar os olhos brevemente para se concentrar naquilo. "Accio metal." Conjurou de forma alta e nítida, olhando ao redor depois, a espera de que alguma coisa acontecesse.
flashback
Você não consegue ser simpática nem por um segundo, não é mesmo? A única vez que eu não discuto com você, você continua sendo irritante.
Ué, mas eu só disse que chegamos a uma conclusão, que por sinal é muito importante. Estou sendo simpática, até demais. O que você queria? Que eu ficasse sorrindo igual uma idiota, te abraçasse e chamasse pra pintar as unhas enquanto falamos de garotos?
flashback
Normalmente você me olha de um jeito mais… Como descrever? De um jeito menos direto e sério. Não prec… Se eu? Ahn… Espera, o quê?
Deveria estar acostumado de qualquer forma. Bingo. E essas são as suas expressões faciais te entregando mais uma vez. Tsc. Não se preocupe, Peter. Vou fingir que não sei desse seu segredo.
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
Assim como o esperado, o cachorro avançou para eles e derrubou Sugar. Quando ele ia avançar na garota, os passarinhos fizeram o efeito esperado pela garota e fez o Cérbero mudar de rota. Não havia feito o cão dormir, mas já havia sido um bom trabalho na distração. Lutz não conseguiu deixar de prender a gargalhada quando percebeu a ideia de Sugar, e riu ainda mais ao ver o Clifford de três cabeças brincar com os passarinhos como se fosse um filhote. Posicionou-se para ajudar a garota caída, mas então uma ideia veio como um relâmpago à sua mente. Naquela hora, torceu pra que Sugar fosse boa em mímica.
“Tente pegar a chave. Eu vou tentar distrair o resto das cabeças.” Falou gesticulando muito, e em um tom de voz que não fosse chamar a atenção do cachorro.
Avançou na direção do cachorro, tentando se aproximar e não ser jogado longe com a cauda do cachorro balançando alegremente ou com a terra tremendo pelo peso do Cérbero quando ele pulava para pegar os cães. Ludwig precisava de um lugar estável e que tivesse um mira boa, se não, erraria o feitiço e Sugar seria devorada. Ela estava mais perto das cabeças, e se seu plano desse certo, conseguiria pegar a chave. Quando dois passarinhos chegaram mais perto do rosto da cabeça da ponta, o cachorro diminuiu os pulos, e Ludwig conseguiu se estabilizar para lançar o feitiço na copa de uma das maiores árvores da clareira onde estavam.
“Avifors!” exclamou, repetindo o gesto de Sugar, de forma que mais passarinhos surgissem em direção às cabeças. Ao todo, com o trabalho dos dois, estavam lá quase vinte e cinco pássaros. Quando eles acabaram de serem transformados de folhas para pássaros, não perdeu tempo e lançou um feitiço em alguns pássaros para o volume da cantoria aumentar. “Sonorus!”
Mas só aquilo não funcionaria, e provavelmente só irritaria o cão. Lutz precisava achar um feitiço que, se unido à cantoria dos passarinhos, fosse deixar Clifford alegre. Repassou mentalmente as técnicas que usava com Odin, seu cachorro, e se lembrou de um feitiço que usava para o cachorro acordar quando ficava preguiçoso. Era um feitiço não verbal e simples, cobrado nos exames do N.O.M’s, e se chamava “Cheering Charm”. Em humanos, fazia as pessoas ficarem sorridentes, com uma risada incontrolável e como se tudo estivesse bem. Em animais, naturalmente, o feitiço era bem mais fraco e só os deixava alegres. Sem a carranca costumeira que Odin tinha quando acordava. Apontou para cada uma das cabeças individualmente, se concentrando para que o feitiço desse certo e aplicando uma vez em cada cabeça.
Foi quando havia terminado de aplicar o feitiço, que foi pego de surpresa pela cauda do cachorro, que atingiu sua barriga e o fez cair para trás. Bateu as costas desconfortavelmente em um tronco, e ficou um pouco dolorido, mas nada que realmente machucasse. Foi a oportunidade perfeita para que Sugar pegasse a chave.
"Cachorrinho mal criado." Sugar já esperava ser atacada depois daquele gesto nada suave com a varinha, mas após bater as costas contra o chão, de forma tão forte que foi possível ouvir um estalo, uma expressão de raiva se formou em seu rosto e ela levantou-se pronta para conjurar um Oppugno, com a intenção de fazer os pássaros atacarem o cão gigante, quando olhou para Ludwig e viu uma cena que a fez rir. A forma como ele gesticulava compulsivamente chegava a ser engraçado. Era tão ridículo que a morena quase se esquecera de prestar atenção no que ele queria dizer. Sugar sempre fora péssima com mímica, e não entendeu uma palavra sequer do que o loiro quis dizer, de forma que precisou observar o que ele faria, para tentar chegar a alguma conclusão. De início, pensou que ele tentaria pegar a chave, mas quando o viu conjurar o mesmo feitiço que ela, percebeu que agora ele estava responsável pela distração. Era ela quem deveria tentar pegar a chave.
Estava tão próxima do cérbero que parecia que podia ser pisoteada pelas patas enormes a qualquer momento. O barulho irritante dos pássaros fez a garota cogitar novamente a possibilidade de usar Oppugno e acabar com aquilo, mas não tinha certeza se daria certo, poderia até piorar a situação então ela decidiu seguir com o plano. Caminhou devagar, tentando equilibrar-se, na direção do pescoço central. Quando chegou ao local ela precisava dividir sua atenção em desviar das patas, e tentar pegar a chave, o que era uma tarefa mais difícil do que pensara. Percebeu que não conseguiria pegar o objeto com um simples puxão, ela precisava romper a corda. Enquanto tentava se lembrar de um feitiço que pudesse fazer o trabalho, percebeu que Ludwig parecia estar fazendo algum tipo de encantamento. Não sabia do que se tratava, mas esperava que funcionasse.
Não demorou para que visse o parceiro ser arremeçado pela cauda do animal, e gargalhou ao ver a cena, esquecendo-se por alguns segundos que ainda tinha uma chave para pegar. Sabia que não deveria distrair-se daquele jeito, mas era inevitável rir. Ela tinha o péssimo hábito de divertir-se vendo os outros se dando mal. Um tremor no chão, causado pelos pulos do cachorro, a fez cair de joelhos, e a queda a fez voltar a realidade. Precisava da chave. Lembrou-se de um feitiço simples que havia aprendido em um dos seus primeiros anos na escola, e decidiu que ele teria que servir. "Diffindo." Proferiu apontando a varinha na direção da corrente que prendia a chave, vendo a mesma romper, e a chave cair. "Wingardium Leviosa." Disse o mais rápido que conseguiu, antes da chave cair no chão, e com um aceno de varinha fez com que o objeto voasse na direção de Ludwig, sabendo que não chegaria tão próximo de uma das cabeças do cérbero sem ser abocanhada por ele.
Aquele pensamento de que poderia ser abocanhada pelo animal mudou quando ela sentiu algo molhado e de aspecto um tanto viscoso atingir todo o lado direito do seu corpo. Olhou para o lado deparando-se com uma das cabeças do cérbero a encarando. O primeiro impulso dela foi correr, mas lembrou-se do que acabara de acontecer. O animal havia a lambido, como um cachorrinho fazia com as pessoas quando estavam alegres ou queriam carinho, e aquela havia sido uma das coisas mais estranhas que ela já presenciou. Lembrou-se de ver Ludwig concentrado, como se estivesse fazendo um encantamento, e as coisas fizeram mais sentido. Sorriu largo e olhou para o rapaz. "Muito bom, Metzger." Disse antes de olhar para o cérbero de novo. "E você, nem pense em me lamber de novo. É nojento." Ela fez uma careta aliviada por terem conseguido a chave, mas logo se lembrando de que ainda tinham mais seis para achar, e pouco tempo para aquilo. "Ok, vamos. Precisamos das outras seis. Agora seria uma boa hora para eu tentar acionar o material dela. E precisamos de um transporte. Podemos trazer nossas vassouras, porque só a caminhada para se deslocar de um lugar a outro já é uma perde de tempo enorme." Falou tudo aquilo um pouco rápido, devido a pressa de achar as chaves logo.
Foi quando caiu no chão novamente, após sentir um impulso em suas costas, que provavelmente havia sido causado pelo rabo, ou até por um dos focinhos do cachorro, que ela teve mais uma ideia. Um sorriso malicioso formou-se em seus lábios enquanto ela levantava mais uma vez do chão. "Será que nosso mais novo amigo nos daria uma carona? Por quanto tempo o encantamento funciona?" Perguntou mesmo sem se importar muito com aquilo no momento. Poderiam se livrar do animal quando chegassem ao próximo destino. Tudo que ela queria eram as outras chaves.
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
“Bom, aí teremos quemostrar porque nós nos metemos em tantas detenções. Hora de brincar de lutinha.”Ironizou, com um sorriso enorme.
O garoto refletiu rapidamente sobre as propostas dela, egostou do modo de pensar. A ideia de Sugar era genial. Chegar ao pote de ouropor um caminho mais fácil, sem ser realmente o esperado por todos, ou o maisprevisto. Como um atalho na floresta. Foi nesse exato pensamento, prestes a verbalizar o que pensava, quando a resposta do feitiço surgiu onde não esperava. O feitiço respondia ao bruxo como uma breve coceira no cérebro, aquela sensação de que está sendo observado que o força a olhar para todos os lados o fazendo observar onde a luz do feitiço se manifesta. Olhou ao seu redor, analisando o ambiente.
A arena era circular, com dois círculos no meio: o mais centralizado, onde estava o baú; e um mais afastado, onde eles partiram da plataforma. Metade da arena era composta por areia, metade era floresta, e uma parte que era a gradação de floresta para praia. Da plataforma, tinham quatro caminhos: um para o baú, um para a floresta, um para a areia, e no meio um caminho para a gradação entre a floresta e a praia. Eles tinham seguido o caminho do meio, e tinham andado em direção à praia. Era onde eles estavam no presento momento. Lutz estava de costas para Sugar e para a praia, e de frente para a área com a floresta. Um flash surgiu da floresta à sua frente, de forma que as copas das árvores balançarem com um vento misterioso e fazerem pássaros saírem de lá em uma revoada. Não era o que ele esperava, mas era um resultado.
“Certo, não era essa a resposta que eu esperava, mas é definitivamente uma resposta.” Comentou com Sugar, ainda encarando a floresta e o flash que só ficava mais intenso. “Sua ideia é ótima, na verdade. Podemos usar isso na floresta, dependendo de onde esteja a chave.” Falou, se virando para ela subitamente. “Acredito que seja do mesmo material sim, até pelo brilho do baú de longe. Eu percebi quando estávamos lá em cima. Deve ser algum metal como aço ou sei lá, mas não é nada como ouro ou cobre, pois o brilho é mais prateado. Vamos para o flash, é uma resposta mais concreta que ficar brincando de jogo dos sete erros.”
Correu para a direção da luz, mantendo a respiração calma e regular para evitar a fadiga precoce. Ao chegar em uma região em que a floresta era mais densa, teve que tomar cuidado com a mudança de solo para terra firme, e não areia. Desviava dos galhos como obstáculo, e ignorou quando um mosquito tentou picar seu braço. Esperava que Sugar estivesse perto dele, mas não procurou a garota com os olhos, pois havia chegado exatamente onde a luz estava. O flash se desvaneceu, e ele mordeu o lábio inferior para segurar um riso.
“Você tem um cachorro em casa, Sugar? Eu tenho um São Bernardo enorme, mas nem chega perto do Clifford aqui.” Ele riu, observando o Cérbero enorme e suas três cabeças.
Era do tamanho de algumas das árvores, e estava deitado sob suas patas. A cabeça da esquerda estava olhando para a esquerda, a da direita olhava para a direita e a do meio encarava os dois como se fossem sua próxima refeição. Os olhos eram bem atentos, sem mostrar os dentes e com uma corda no pescoço. Era uma das chaves, e aquilo fez os olhos de Lutz brilharem. Seria inútil tentar estuporar um animal daquele tamanho, assim como seria inútil tentar petrificá-lo. Podia tentar colocá-lo para dormir de alguma forma, mas não se lembrava de nenhum feitiço pra isso, só a poção. Um flash surgiu na sua mente, estalou a língua nos dentes, abrindo um grande sorriso.
“É claro, eles dormem com música.” Balançou a cabeça lentamente. “Podemos tentar transfigurar algum tronco em uma vitrola, eu posso tentar chamar com Accio um disco do dormitório. Mas isso pode demorar muito. Ou podemos estuporar esse cãozinho até ele cansar. Mas eu tenho impressão que ele vai sair desse estado sereno no primeiro movimento que fizermos.”
"Graças a Merlin que você entende as coisas rápido." Disse realmente aliviada por não ter que explicar toda a sua teoria mais uma vez. Sugar odiava ter que explicar as coisas, mesmo quando necessário. Para ela, uma vez já era mais do que suficiente e agradeceu internamente por Ludwig ser seu parceiro naquele momento. Aparentemente, eles pensavam de forma parecida, e aquilo era bom. "Eu consigo identificar o material olhando a fechadura. Se está dizendo que havia um brilho prateado... então provavelmente é latão." Disse a última parte mais para si mesma do que para Ludwig. estava pronta para conjurar o feitiço, quando ouviu o rapaz mencionar o flash que, até então, ela não havia visto. Levantou-se em um pulo, olhando da direção da luz. Seus punhos cerraram-se ainda mais segurando a varinha, e desconfiada, ela começou a correr atrás dele.
Os pés de Sugar vacilaram e a morena quase caiu devido a mudança de solo. Mas, ela conseguiu manter o equilibrio, de forma que prosseguiu com a corrida, acompanhando o ritmo do parceiro. Haviam dois fatores que faziam com que Ludwig corresse mais rápido do que ela. O primeiro fator era: suas pernas eram maiores. O segundo fator era: ele já estava muito mais acostumado com aquilo. Dessa forma, Sugar não conseguiu evitar ficar um pouco pra trás durante a corrida, mas concentrou-se para não perder o rapaz de vista. A cada galho que ele se desviava e deixava para trás, a morena fazia o mesmo, com um pouco mais de dificuldade. Quando começou a pensar que o lugar de onde vinha aquele tal flash nunca fosse chegar, avistou o rapaz parado, e após alguns segundos parou ao lado dele, um pouco surpresa com a visão. Um sorriso divertido se formou no rosto da morena, como se ela estivesse gostando do que poderia acontecer a seguir. Nunca tinha visto um cérbero frente a frente, e a primeira coisa que notou foi que ele era mais estranho do que ela imaginava. A segunda coisa foi que havia uma das chaves pendurada no pescoço do meio.
"Ei cachorrinho!" Disse com a mesma voz que as pessoas falam com animais e crianças, uma voz fina e enjoada. "Tá brincando? Eu tenho um Maltês. Esse aí faz meu filhote de brinquedo." Olhou com uma careta um pseudo-irritada imaginando o que aquele bicho gigante não faria com seu cachorro de 20 centímetros.
Enquanto ficava parada, encarando o cérbero, Sugar tentava achar uma solução para aquele problema. Qualquer feitiço que poderiam usar contra uma pessoa para enxotá-la ou deixá-la inconsciente seria falho se usado no cão de três cabeças. Quando ouviu o estalar da língua de Ludwig, ela olhou para o lado, já curiosa para saber o que o rapaz havia pensado. Música. É claro. Parecia uma ideia ótima. Mas Sugar tinha quase certeza de que no primeiro movimento que eles fizessem com a varinha, o cão os atacaria. "A música foi uma ótima ideia. Mas daqui que nós transfigurassemos um tronco em vitrola, acionassemos um disco e conseguissemos pôr o disco para tocar, o cachorrão ali já teria nos matado numa abocanhada." Disse tentando olhar para ele, mas sem conseguir desviar os olhos da chave no pescoço do cérbero. Teria que haver outra solução para aquilo. Algo que distraisse o cão gigante. Cão. Era isso. Ele poderia ser gigante e ter três cabeças, mas não deixava de ser um cão. Um sorriso largo se formou nos lábios de Sugar, e ela torceu para que o que estava pensando desse certo.
Olhou ao redor rápido, a procura de algo que fizesse seu plano funcionar e achou em questão de milésimos. "Ludwig. O seu São Bernardo gosta de caçar passarinhos? Meu pequeno Maltês adora." Comentou se preparando para movimentar a varinha num aceno suave e que não chamasse a atenção do cérbero. Cachorros se distraiam fácil. Inclusive quando viam pássaros. Era perfeito. E além disso, os pássaros também cantavam, então se a distração não funcionasse, a música teria que funcionar. Apontou a varinha na direção de algumas folhas na árvore, ciente de que aquela ação poderia tirar totalmente a serenidade do cérbero, e antes que ele pudesse, ou não, atacá-la, ela conjurou o feitiço em alto e bom som. "Avifors." Em questão de segundos viu quase todas as folhas de uma única árvore transformar-se em canários, que saíram voando, enquanto cantarolavam.
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
Lutz não respondeu à fala de Sugar, apenas ficou trabalhando com o que a garota falou, tentando bolar uma estratégia. Areia, como alguns dos filmes trouxas que Faith havia contado a ele, os de pirata. Lutz jamais pensou que algum deles fosse ser útil. Portanto, logo que Sugar fez o impulso para correr, não demorou e correu ao lado da garota na direção da areia.
"Podemos usar o Accio aqui. É muito mais fácil, apesar de que eu acho que deve vir com algum brinde, tipo uma criatura mágica. É melhor enfrentar a criatura do que ficar brincando de castelinho de areia." Sugeriu, observando o lugar e pensando em onde poderiam estar escondidas as chaves.
Eram três setores para procurarem as sete chaves, então pensou na possibilidade do local final, na verdade, ser um quarto setor. E se estivessem duas chaves escondidas nos três setores e a última chave na própria ilha? Mais de uma chave estaria ali na praia, então além de estar enterrada, ela poderia estar dentro de alguma concha ou algo assim. Ou, poderia estar escondida bem à vista, de forma que estivesse camuflada por algum feitiço de desilusão.
A temperatura não era um problema, e nem o fato de estar correndo em um ambiente com o solo tão incômodo quanto aquele. Agradeceu mentalmente ao treino do professor Writh, que o fez correr todos os dias ao redor do Lago Negro em diversas situações criadas por ele. Sua mente se desligou completamente dos outros competidores, e das pessoas que estavam assistindo. Agora, estava funcionando completamente em torno daquela prova.
"Temos três setores para procurarmos sete chaves. É um número desproporcional para a quantidade de setores, e eles não favoreceriam um setor com uma quantidade de chaves maior que as outras. Cada setor tem duas chaves, e a última está escondida na própria ilha." Verbalizou os pensamentos para a dupla, e acrescentou.
"Eu não acredito que as chaves devem estar escondidas só por feitiços, deve haver alguma criatura escondendo-a, então é só usarmos o feitiço que revela a presença de seres vivos, para acharmos a chave." Finalizou, sacando a varinha do compartimento para varinhas na perna e levantando-a na altura do nariz, apontando para o horizonte.
Era uma variante do feitiço Homenum Revelium, o feitiço para detectar a presença humana.
”Viventem Revelium”, murmurou, atento a uma possível luz que revelasse a localização da criatura.
A morena sorriu ironicamente a menção dele em brincar de castelinho de areia. Só usaria o accio para a chave em último caso. Afinal, por que gastar tempo e energia tentando combater alguma criatura mágica medonha se poderia haver uma outra forma de conseguirem a chave? Ela só precisava pensar mais um pouco. Sua intuição lhe dizia que estava perto da resposta. As chaves poderiam estar espalhadas, assim como poderiam estar todas juntas em um lugar só, o que para muitos não seria a coisa mais inteligente, mas tudo dependia do ponto de vista. No ponto de vista de Sugar, aquela prova havia sido planejada para testar o raciocínio e o conhecimento de cada um. E se era um teste, as chaves, obviamente, estavam escondidas em lugares estratégicos, não em lugares difíceis. Talvez nem mesmo estivessem escondidas. Aquela ideia parecia fazer tanto sentido em sua cabeça, que a garota agora estava agarrada a ela.
Naquele momento, a morena agradeceu por Durmstrang ser uma escola tão rigorosa, coisa que ela vivia reclamando mas agora percebera que valeu a pena. Se não fossem pelas detenções ridículas que a escola lhe dera todos esses anos, ela não teria preparo físico para aquele lugar, mesmo com o quadribol. Finalmente ela entendeu o que seus professores queriam dizer com "um dia você irá me agradecer por isso". Quando chegou ao seu destino, o círculo de areia, a morena parou de correr, e começou a analisar o local mais de perto. Andava em direção ao baú para ver se havia alguma pista, quando fora interrompida pelas palavras de Ludwig. Ela ouviu o rapaz com mais atenção do que jamais ouvira qualquer outra pessoa. A teoria dele era boa, de fato, mas algo parecia não estar certo. "É um bom tiro, Ludwig. Mas cuidado pra não sair pela culatra. Já pensou se revela todas as criaturas de uma vez só? Tudo bem que nos mostraria a localização, mas não duvido que mostraria a nossa localização a eles também. Seriamos dois contra sei lá quantos. Esse feitiço pode funcionar da mesma forma que o accio. Como uma isca."
A teoria de Lutz era boa, Sugar não negava aquilo, de forma alguma. Mas realmente aquele tiro poderia sair pela culatra. Haviam muitas possibilidades, e eles não poderiam descartar a possibilidade de que aquele feitiço poderia atrair alguma criatura também. Quando o viu proferir o feitiço, ela revirou os olhos e se aproximou dele, atenta a qualquer movimento, qualquer barulho e qualquer luz que revelasse alguma coisa. "Torça para eu estar errada." Murmurou enquanto esperava pra ver o que aconteceria a seguir, já sacando a varinha das vestes.
Enquanto esperava, não tão pacientemente, ela continuou atenta a possíveis pistas. E quando seu olhar passou pela plataforma do elevador pelo qual haviam chegado ali, uma ideia lhe veio a cabeça como um flash. "Você acha que essas chaves são do mesmo material de uma chave comum, Ludwig?" Perguntou um pouco absorta em seus pensamentos. Sugar sabia da possibilidade de aparecer uma criatura a qualquer segundo após o feitiço conjurado pelo rapaz, mas precisava tentar. Logo, se afastou dele, andando mais uma vez em direção ao baú e agachando perto do objeto. "Se conjuramos accio para a chave, ganhamos uma surpresinha, certo? E se conjurarmos accio para a matéria da chave? Eu sei, eu sei. Não sabemos de que são feitas as chaves que estamos procurando. Mas com toda certeza é feita do mesmo material que a fechadura. Então, a não ser que estejamos sobre uma mina de bronze ou sei-lá o quê, o que eu acho bem difícil, a chave virá livre leve e solta. Ou não. Nunca se sabe. Mas acho que qualquer coisa que tentarmos correremos o risco." Ela arqueou as sobrancelhas e deu de ombros indicando o baú ao seu lado com a cabeça.
Realmente, qualquer coisa que tentassem eles correriam o risco. Até porque as pessoas que planejavam aquelas provas eram inteligentes demais para deixar passar qualquer detalhe. Pela segunda vez em menos de cinco minutos Sugar desejou estar enganada.
FIRST TASK || DURMSTRANG || Lutz x Sugar
Umsentimento de aflição ameaçava se desabrochar do nó na garganta de Lutz,enquanto ele encarava a ilha com o baú. Contudo, ele não deixou que isso tomasse conta dele. Era capaz de fazer isso, tinha essa frase internalizada dentro dele. Ele conseguiria capturar todas as chaves, porque ele era um campeão. Estava motivado, porque aquilo precisava ser feito. Antes, ele havia se inscrito para se provar. Porque só as melhores pessoas ganhavam o Torneio Tribruxo, e não só no sentido de capacidade. Ele acreditava que eram as melhores pessoas que conseguiam segurar a taça na mão. Depois de tudo o que ele havia passado, era a chance dele provar para si mesmo que o que as pessoas diziam era mentira. Provar para si mesmo. Era um desafio que ele havia proposto para si mesmo.
“Você sabe que consegue fazer isso, seu otário.” Repetiu para si mesmo, com um sorriso vitorioso de canto de boca.
E depois veio a briga com Alek, seu melhor amigo, e a partida. Ele nunca mais falaria com o melhor amigo por causa de uma briga idiota, e depois o ímpeto de Alek de partir sem avisar para absolutamente ninguém. Então Lutz, mesmo depois do que aconteceu, propôs para si mesmo que ganharia por Alek.
Estalou as juntas dos dedos das mãos, sentindo o vento afiado como faca e gelado como o coração de um dos seus adversários arranhar sua face. Olhou para Sugar de forma desafiadora, mas com uma sensação de cumplicidade que nunca havia sentido com ela. Eles não eram amigos, não eram absolutamente nada, mas estavam juntos naquela. A ambição que ele sabia que Sugar tinha faria com que os dois formassem uma boa dupla. Ao menos era o que ele esperava.
“Apesar de tudo, a prova é em dupla, e estamos juntos nessa. Temos que pegar as sete chaves. Tem alguma sugestão?”
Sugar respirava fundo o ar gelado daquela arena. Não estava nervosa, mas estava ansiosa, e aquela ansiedade poderia pôr tudo a perder. Concentrou-se nas palavras da diretora, enquanto as engrenagens do seu cérebro trabalhavam para achar uma solução para aquela prova. Apesar de gostar de usar a força física, Sugar sabia tão bem quanto qualquer um que estratégia sempre vence. E é o que ela faria. Estratégia. Era com ela que a garota conseguiria vencer o torneio. Só a ideia da tal Glória Eterna faziam os olhos da garota brilharem. Havia um curto sorriso em seus lábios. Ela conseguiria fazer aquilo. Sempre conseguia tudo. Era só um obstáculo que ela teria que enfrentar. E o enfrentaria com toda determinação que tinha.
Ao contrário da maioria dos outros campeões, a morena não tinha muito com que se preocupar, o que já era um alívio. Nada de família. Nada de namorado. Nada de amigos. Era perfeito. Sem preocupações, não poderia haver nada demais em achar algumas chaves. "Vamos lá. Direto ao topo." Pensou consigo mesma enquanto passava o olhar ao seu redor. precisavam de um início. Por onde começariam? Era um lugar enorme para achar sete miseras chaves e aquela situação a deixava a garota frustrada.
"Pense, Starkweather. Pense" Obrigava a si mesma enquanto Lutz parecia estar no mundo da lua. Lutz. Ainda havia seu parceiro. Parceiro do qual ela estava quase esquecida mas felizmente, ou não, lembrou-se dele. Sugar não sabia muita coisa sobre ele, e também não achou que aquilo fosse necessário. Tudo que ela precisava saber é que ele estava tão motivado quanto ela a ganhar aquele Torneio e isso era o suficiente. Achou bom o fato de ele não ter a ignorado, e até surpreendeu-se um pouco quando o ouviu. pelo menos ele estava ciente de que duas cabeças pensavam melhor que uma. Arqueou as sobrancelhas, pensando duas vezes antes de abrir a boca para falar qualquer coisa. Sabia que além da ansiedade, também precisava controlar a língua.
"É. Nós estamos." Disse desviando o olhar da ilha para o loiro. "Acredito que a cada momento que acharmos a chave terá uma pista de onde podemos encontrar a outra. E bom... talvez a primeira chave esteja no lugar mais óbvio." Deu de ombros. Não sabia se Lutz entenderia o lugar óbvio, mas se ele já havia assistido alguma vez na vida um filme de pirata, saberia que era enterrada na areia. Ao ouvir o barulho do canhão, um sorriso malicioso se formou nos lábios da garota. "Que comece o jogo. Primeiro as damas." Disse saindo na frente dele e atravessando a faixa de areia que os levaria a ilha, com cuidado para não cair na água. Só tocaria naquela água se houvesse necessidade.
gui, insira um título pfvr || Sugar&Jackson
Não era como se Sugar estivesse em um sono maravilhoso e não quisesse acordar. Nem era como se estivesse com preguiça de sair da cama. Muito pelo contrário. Ela cogitava a possibilidade de cabular a primeira aula pelo simples fato de que ela não estava concentrada o suficiente para assistir uma aula. A garota mal havia conseguido dormir aquela noite, e passou a madrugada quase toda sentada na cama, fitando o papel de parede do seu quarto. Com a aproximação da primeira tarefa do Torneio, ela estava mais agitada internamente do que imaginou que ficaria. Em menos de dez minutos ela já vestia seu uniforme, mas ainda não havia decidido se compareceria as aulas daquela manhã ou não. Levando em conta de que a primeira aula seria de feitiços, mesmo que ela já tivesse estudado todos os feitiços possíveis para o Torneio, revisar nunca era demais. Saiu do quarto sem se importar em pegar livros, e marchou para fora do navio, diretamente a sala de aula.
O caminho do navio até a sala no quarto andar do castelo era longo, mesmo assim ela não se apressava em chegar lá. Não se preocupou em passar no Grande Salão nem na cozinha para comer alguma coisa, sabia que nada desceria. Os corredores estavam mais agitados do que o normal, o que não deveria acontecer já que todos estavam em aula, mas aquilo foi uma observação que logo foi jogada no lixo pela morena. Quando finalmente adentrou a sala, deparou-se com algo inédito. Não havia professor algum na sala. Sugar parou perto da porta e observou aquela cena com as sobrancelhas arqueadas. Se bem se lembrava, estava, no mínimo, vinte minutos atrasada. Mesmo achando aquilo estranho, ela procurou um lugar para sentar, e ao avistá-lo, caminhou até lá. A cadeira ficava na terceira fileira, e ao lado dela uma cena captou a atenção da morena por alguns segundos. Um garoto, que ela jurava nunca ter visto em nenhuma aula, se encontrava com os pés sobre a mesa, fazendo bolinhas de papel para tentar acertar a lixeira. "Patético." Ela pensou enquanto revirava os olhos e se sentava.
Bom, quem faz esse tipo de coisa é um psicopata, e psicopata matam pessoas por qualquer coisa. Se você fosse uma, eu provavelmente estaria morta agora.
Exato. Chegamos a conclusão de que eu não sou uma psicopata. Nice.
Assim espero, senão talvez eu seria uma de suas vítimas.
E por que seria? Se todo mundo com quem eu tenho uma pequena discussão fosse minha vítima... não restaria sobreviventes.
Você seria mesmo cruel a esse ponto? Que horror.
Não. Tô só brincando.
O que queria que eu dissesse? Você estava me olhando com aquela cara e esses olhos do tipo “vou te matar”. O quê? Pff, minhas expressões nunca me traem, Sugar.
Oitenta por cento das vezes que conversamos eu te olho assim, deveria, no mínimo, estar acostumado. Ah não? Ok, vamos testar. Você se sente, ou já se sentiu, atraído por mim?
Tá, eu só perguntei porque minha lista está ficando muito pequena. Só sobraram você e o campeão maluco de Hogwarts. E como você conseguiria fazer isso com alguém?
Não me culpe por isso. Um bom mágico nunca revela os seus truques.