Home sweet home?
Não vi o que aconteceu, não sei o que aconteceu e a única coisa que sei é que estou encarando um par de olhos verdes que me encara de volta. Sabe aqueles momentos em câmera lenta que há nos filmes quando duas pessoas ficam em uma situação semelhante ou igual a esta? Pois é, estou me sentindo assim neste exato momento. Se eu não estivesse no meu quarto, diria que tinha uma câmera focando em meu rosto e no de Dean. A tensão se instalou em meus músculos, qualquer ação ou palavra se esvaíram como a areia dentro de uma ampulheta. Por que eu não tinha reparado nisso antes? Dean tem olhos bonitos. Expressivos de uma forma misteriosa como se me convidasse a descobrir o que ele esconde. São atraentes de certa forma. “Deus, o que estou pensando?”. O pensamento me desligou do momento e o rapaz me tirou do torpor quando laçou meus punhos com as mãos. – Me… Solta…! – Falo com certa dificuldade pela força que exerço numa tentativa falha e frustrada de me livrar de seus domínios. Mas, eu quero mesmo me livrar? É incrivelmente embaraçoso perder para alguém mais velho e, ainda mais, ter esse alguém mais velho encaixado por dente minhas pernas e seria ainda mais se eu estivesse me importando. Estou perdido demais na imensidão verde e atraente dos olhos do meu primo, e isso não é invenção da minha cabeça, eu realmente estou perdido deles.
- Se você quisesse me machucar já teria feito, Dean! – Respondo tão manso quanto uma criança indefesa, mas a firmeza se fez presente e agradeci mentalmente por isso. Vez ou outra tento forçar-me contra ele querendo me libertar, mas nitidamente Dean é mais forte que eu, “por que ainda tento?”. – Estou errado? – Pergunto tentando esconder a apreensão na voz. Eu sei que ele não me machucaria, ou ao menos eu acho que sei. Bom, assim eu espero. Mas devo confessar que estou gostando da situação e que estamos. Não estou entendendo isso, não sei como posso estar me sentindo bem quando eu deveria querer sair daqui, mas não quero.
Como ele era petulante. Deus, eu realmente poderia estripá-lo ali mesmo. Socá-lo até que aqueles olhinhos pidões não pudessem mais me encarar daquela forma. Mas não, eu estava sendo fraco. Droga, grande, grande merda, por que ele me olhava daquela forma? Porque falava de forma tão macia. Merda, merda. É assim que você pensou em dar boas vindas ao seu primo? Eu quase poderia rir, porque agora talvez ele entendesse o que dizem sobre não se poder contar comigo. Ele deve ter entendido mais cedo do que eu mesmo esperava. Ainda que, provavelmente, toda essa euforia seja proveniente da porcaria que consumi na noite passada. Controle-se, Dean. Cogitei afrouxar minhas mãos de seus pulsos, e foi o que fiz, durante alguns rápidos segundos, antes dele ter questionado de se estava errado. Porra, qual era a dele? Minha mandíbula latejava, e pelo visto, não era a única coisa latejando ali. Que porra... Levantei meu tronco, puxando meu primo pelos pulsos com violência, minha perna ainda entre as suas, que acabou por servir como um acento para ele. Soltei um de seus pulsos, jogando minha mão para trás de suas costas, mantendo-o naquela posição, que com certeza não era das mais confortáveis, visando suas pernas naquela posição.
– Sabe quando você errou? – Eu com certeza não deveria ter começado aquilo, mas não tinha volta, então prossegui. Cravei minhas unhas sobre suas costas. – Quer saber mesmo? Eu te digo. Quando veio para cá, quando tentou dar uma de maioral para cima de mim – Cada palavra saia da minha boca sem qualquer controle, ou mesmo sinceridade. Era claro que el não havia errado. É claro que eu estava sendo apenas estúpido, mas ali, naquele quarto de merda, eu só conseguia agir por extintos. O meu velho extinto em querer ferir alguém, antes que esse alguém me machuque. Como você é maduro, Dean, como você é maduro. – Afinal de contas, o que tinha naquela porcaria? Eu nem estava interessado em saber das suas aventuras sexuais da puberdade... – Ri seco, voltando meus olhos para qualquer lugar, menos para os seus próprios – Ah, espera! Agora eu errei, não é? Aventuras sexuais, essa foi boa. Alguma vez você ao menos beijou alguém, Sammy?















