ɪ ʜɪᴅ ᴇᴠᴇʀʏᴛʜɪɴɢ ᴀɴᴅ ꜱᴜʀᴠɪᴠᴇᴅ ᴡᴇʟʟ ʏᴏᴜ ꜱᴛɪʟʟ ᴅᴏɴ’ᴛ ʀᴇᴀʟʟʏ ᴋɴᴏᴡ ᴍᴇ ᴘᴇᴏᴘʟᴇ ᴍɪɢʜᴛ ᴛʜɪɴᴋ ɪ’ᴍ ᴀ ɴɪᴄᴇ ɢᴜʏ ʙᴜᴛ ᴛʜᴇʏ ᴅᴏɴ’ᴛ ᴋɴᴏᴡ ᴛʜᴇ ʀᴇᴀʟ ᴍᴇ
🍂 𝐫𝐞𝐬𝐮𝐦𝐨 🍂
𝐛𝐢𝐨 ↓
Sabe, eu não deveria estar falando com estranhos, mas sinto que já te conheço! Foi você o sonho bonito que eu sonhei, certo? Você costumava ser conhecido como PETER PAN, do conto PETER PAN antes da maldição atingir o seu mundo ACAMPAMENTO DE PAN e o seu reino NEVERLAND. Agora, em Storybrooke, você é conhecido como KNOX GRAYSON, um TRAFICANTE EMPRESÁRIO de 23 anos de idade. Você me lembra um pouco HERO FIENNES TIFFIN, mas deve ser só a névoa da maldição me confundindo…
— ESTÁ ACORDADO?
Não.
— STORYBROOKE…
Garotos serão garotos. Dentre muitas, essa era a desculpa favorita de Pan. Que as palavras sequer precisassem sair de seus lábios, então, apenas acrescentava ao seu prazer. Não que o demonstrasse, afinal, precisava conservar a imagem de garoto ingênuo — uma máscara que vestia com naturalidade estarrecedora. Ludibriados pelos olhos vívidos e o sorriso travesso, os seres de Neverland eram compelidos a defender aquele que guardava a essência de seu lar, completamente incapazes de enxergar além do charme juvenil. Isso é, até serem eles o alvo de suas brincadeiras.
Talvez, fosse esse o único momento em que era possível confrontar a verdadeira face de Peter. A única maneira de presenciar o brilho efêmero em seu olhar, quando ficava óbvio que ir longe demais não era somente um impulso, mas uma escolha. Ah, sim, claro! Não podemos esquecer da sua famigerada Sombra, a criatura que costumava incitá-lo às mais diabólicas ideias… Naturalmente, toda sua maldade vinha dali, de uma mancha escura sem face ou voz. Sorte sua que não soubessem que nem sempre a tivera — ou como a ganhara. Seria uma pena não ser capaz de testemunhar o choque nos rostos de seus parceiros de jogo ao verem, finalmente, o que fazia garotos pularem de pranchas e homens perderem as mãos.
Não que fosse completamente maligno. Pan era egoísta, inconsequente e com frequência cruel. Porém, ainda era o Comandante de Neverland e, como tal, guardião de forte Magia da Luz. Esse, por si só, era um indicativo da presença de pureza em seu coração, um canto intocado pela malícia. Uma dinâmica difícil de compreender, decerto. Ao menos, do ponto de vista humano — o que, há de se recordar, o garoto não era. Não mais, de qualquer forma.
Quem sabe tenha sido sua dualidade o que incentivou Clarion a depositar tanto poder no rapaz. Um presente de um ser ambíguo a outro, um semelhante. Uma ideia que parecera brilhante, até a chegada dos Darlings e sua eventual partida.
Peter sempre demonstrara sentimentos intensos, lealdade sendo um deles. Contudo, saudades era algo com o qual nunca tivera que lidar. Uma emoção mundana demais para alguém como ele, uma que tornava-o um pouco mais como os Darling — para o azar de todos. Sua melancolia foi uma época obscura para Neverland. Árvores morriam, flores nunca desabrochavam, animais hibernavam em pleno verão e o pior: o pó das fadas diminuía dia após dia. A situação imprevista era desesperadora, tanto que não se pensava em nada além disso. A não ser em Skull Rock. No desespero geral, Gancho enxergara uma oportunidade, que veio a se concretizar enquanto todos estavam distraídos por, enfim, ter a terra viva e prosperando novamente.
Uma mão por outra. Havia uma justiça poética nesse fato que mesmo Pan admitira aos risos, nada menos. Uma reação estranha, à priori, explicada somente ao exibir a palma, a pouco rasgada, intacta. Um lembrete de que muitas das regras da natureza não se aplicavam a ele, sequer a raiva. Não, nas íris verdes só se via um entusiasmo inquietante diante da tentativa falha de Gancho. Ah, finalmente uma nova partida do jogo entre eles. Apenas não sabia que a segunda rodada se daria num novo campo.
(…)
Knox Grayson. O nome parecia estranho em sua língua às vezes, mas supunha que combinava com sua personalidade singular. Uma palavra bonita para usar no lugar de babaca.
Aparentemente, a maldição tinha um senso de humor retorcido, já que se apegara de forma inusitada à juventude e risadas do antigo Pan. Agora filho de uma mastologista e um professor universitário, além de uma boa poupança, fora abençoado com aparência e charme invejáveis. E era aqui que as qualidades paravam e a piada começava, pois como em toda fanfic escrita por uma garota de 13 anos, o bad boy principal vinha equipado não só de uma moto, mas de uma personalidade detestável.
Sua vida seguia o script pontualmente: escola particular para garotos durante o fundamental, mista durante o ensino médio; com garotas caindo pelos cantos, encantadas pelo seu jeito rude. Então veio o primeiro piercing, tatuagem, os boatos sobre suas habilidades entre quatro paredes e a banda. Sim, a banda. Claro que nosso protagonista era vocalista e compositor de um grupo underground, uma promessa do cenário musical local, quiçá nacional. Decerto também que o talento não andava de mãos dadas com seu futuro pré determinado, que o colocava nas listas de aceitos de uma Ivy League. Medicina, como a mãe, claro.
Entretanto, essa fanfic não seria nada sem uma reviravolta, nem Knox um rebelde de respeito. A carta da Ivy League veio e o programa de pré-med na Columbia teve início. Contudo, dificilmente aprendera a suturar feridas no ano que passou fora de Storybrooke. Na verdade, tirou algo muito melhor da experiência, algo que não demorou a colocar em prática ao voltar para casa: tráfico de entorpecentes. Ah, sim, o rapaz definitivamente estava mais para Walter White que Derek Shepherd.
Como um verdadeiro empreendedor, enxergou uma lacuna no comércio vital da cidade. Com as estratégias outdated de distribuição dos chefões atuais, seria tudo muito fácil. Easy peasy. Assim, após se matricular em administração na universidade de Storybrook, Knox começou a introduzir seu negócio aos poucos: nas festas, nos intervalos entre as aulas, nas bibliotecas durante os finais de semestre… Colocando em prática todas as lições aprendidas nas salas de aula. Sem surpresa alguma, o Grayson assistiu seu negócio se expandir rapidamente para fora do campus, chamando atenção dos peixes grandes. Seu pó mágico aparecia em boates e seus meninos perdidos povoavam cada beco escuro da marina. Era uma afronta, sabia, um flerte com o perigo — um vício que começara a se tornar cada vez mais cativante.
O brilho em seu olhar, porém, parecia mais que mera adição por adrenalina. Loucura, talvez; instabilidade com certeza. Uma anomalia mesmo nos padrões de Neverland.
Seu personagem é dono/funcionário de algum estabelecimento que não está na lista de lugares? Possui um galpão na marina, uma aquisição recente, mas seu principal negócio é uma agência de publicidade, a Make Believe. Aberta em parceria com um de seus homens de confiança, o estabelecimento serve como fachada e facilitação para o tráfico — além, é claro, de ser o centro do seu marketing criativo. Foi dali que saiu a ideia do magic call, o disk droga mais bem sucedido dos últimos meses.










