Já estava desconfiada que nada mais havia acontecido nas últimas semanas, mas óbvio que toda essa paz não iria continuar. E novamente, Kaylee teve uma noite digna de pesadelos. E como sempre quando isso acontecia; não havia dado qualquer sinal de vida. Não havia respondido às chamadas ou mensagens, e não iria conseguir cumprir seus planos para a noite. Estava envergonhada demais pra isso. No dia seguinte, acordou sabendo que não podia ficar na cama. Ignorou novamente o celular, ia pensar nisso depois de um banho. Um bom banho, e o já tradicional ritual de maquiagem, onde ela escondia as olheiras, as marcas e os hematomas. Era uma artista quando se tratava disso. Saiu de casa sem fazer barulho, e ainda era bem cedo para a aula, sabia que precisava se desculpar com o namorado, deveria tê-lo deixado preocupado. E não teve problemas para chegar à casa dele. Passou pelos empregados que já estavam mais do que acostumados com ela, garantiu que não precisava ser anunciada. Era só subir, como sempre, mas não fez caso quando a governanta saiu animada para chama-lo. Esperou Lance na sala então, e tinha um sorriso aberto nos lábios pintados de batom quando botou seus olhos nele. Deus, estavam juntos à uma eternidade e seu coração ainda acelerava quando o via. Mas o sorriso morreu com a recepção que ganhou. “—— Amor? Babe, o que foi? ” Se aproximou dele devagar, não precisava de muito para notar a irritação de Lance. E por ser culpa dela, se sentia mal. “—— Eu só quero dar um beijo de bom dia no amor da minha vida. Será que posso? ” Tentou acalma-lo com todo o seu carinho, e ignorou todos os sinais dele para afastar-se. Sorrindo minimamente, Maeve o abraçou pela cintura, a baixa estatura a fazendo ter que levantar o rosto para continuar o olhando, enquanto se aconchegava no perfume marcante e tão amado por ela. “—— Não fica assim, odeio ter você bravo comigo. Eu sei que deveria ter respondido, mas ontem tive uma enxaqueca tão forte que não consegui ficar no celular… ” Mentiu, mas considerava uma mentira razoável, ainda que não conseguisse fazer isso olhando nos olhos dele. Desviou o olhar brevemente, suspirou antes de voltar a encarar Lance. “—— O que posso fazer para me redimir? ”
Conhecia Kaylee mais do que ninguém, e ela era a pessoa que ele conhecia há mais tempo. Devido isso, foi de fácil aceitação o relacionamento por parte de seus pais, e até ele sabia que a família a adorava mais do que a ele mesmo — não que Lance tivesse problema com isso, era mútuo. Portanto, ela era sua confidente e melhor amiga, como sempre fora. Não sabe dizer o momento em que passou a chamá-la de sua, mas com o passar do tempo, e os laços apenas apertando entre ambos, o Vaughn tomou como parte do curso natural das coisas que, depois de namorada, eles iriam para a mesma faculdade, depois a pediria em casamento num determinado momento e eles viveriam juntos para o resto da vida. As crises de ciúme vieram com comentários de terceiros, a loira ficando mais bonita com o passar do tempo. Não era um pecado, a seus olhos, proteger um relacionalmente que ele amava. Naquela manhã, porém, o planejado era manter-se neutro, afim de observar e escutar a possível explicação que Kaylee teria acerca da noite passada, como imaginava que teria, mas era apenas olhar para aquele rostinho delicado dela que ele esquecia a razão de estar nervoso. “ Não respondeu minhas mensagens ontem. Fiquei preocupado. ” contudo, também, era apenas voltar o pensamento sobre sua ausência e imaginar que outros também poderiam ter estado olhando para a sua garota que ele se sentia motivado a continuar com a cisma. “ I love you. Know that, pretty face? ” disse, com um sorriso sabido, antes de segurar o rosto feminino com ambas as mãos e depositar um selar de lábios nos da garota, enquanto mexia nos fios loiros com os dígitos. “ Bravo? É você quem está dizendo isso. All I know is that I’m a worried boyfriend worrying about his beautiful, and I mean, beautiful, girlfriend. ” soltou um riso pelo nariz, arriscando a evasiva, mas tentando largar de mão a falta de confiança e corresponder a todos os carinhos de Maeve. Mas o sentimento era como algemas, das quais não era capaz de se livrar tão facilmente, não sem escutar o que precisava ouvir. Quando ela mencionou a enxaqueca, Lance maneou a cabeça, assentindo. “ Mesmo? Que péssimo, amor, ” franziu o cenho. Segurou o queixo da Tanner com os dedos, levando em conta que o desviar de olhar era uma demonstração de responsabilidade. “ deveria ter dormido aqui. Jill faz ótimos remédios caseiros. Alguma coisa que ela aprendeu com a tatara-tatara sei lá o que da família dela. De qualquer modo, você melhorou? ” deu de ombros, a irritabilidade de antes parecendo adormecer. Com a promessa de se redimir, no entanto, a mente do rapaz se clareou com uma ideia. “ What do you say we skip the first class? Just you and me, at Veeno Bristol? ”