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@o-cancioneiro
Quero saber de você.
Também quero saber de você.
La Défense, Paris, France 2010
Eu desejo que os jovens percebam razoavelmente cedo que há tanto significado na vida quando eles conseguem adicionar isso a ela através de esforço e dedicação. Que a árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos.
Zygmunt Bauman
Oi. Te amo. Tchau.
Te amo miga
Sinto falta de inúmeras coisas, de inúmeras estrelas que alcançava através do teu olhar, do Universo que me cabia nas mãos com teu toque a perceber meus traços. Pesa existir sem você a me dar sustento. Pesa a lágrima, pesa a pena, pesa o nó e também o laço. Vago é o dia e a noite me traz agonia sem ter nada a clarear o quarto, a vida e a solidão. Já não grito nem me descabelo, há coisas que a boca não diz por falta de coragem, outras que o coração exibe que ninguém as ouve. Tudo se expõe, se escapa, até as coisas mais profundas como o silêncio entre duas pausas. De ti guardo o tom sossegado da tua voz, a esperança que cabia no teu falar e tua personalidade que não encontrei parecida por aí. Singular.
Quero por querer, por bater o pé, fazer birra e entrever.
Quero por saber que temos olhos únicos. Estando juntos além das mãos, eram os abraços pra nos aquecer.
O riso bate, que o beijo retrate, todo esse entorpecer.
Quero por vaidade, mima de infância. Pra nunca esquecer que esse querer é prometido. Antes de agora, desde o nosso nascer.
Igor, querer.
Eu me aprochegando assim sorrateiramente na melhor intenção. Você achando graça, mostrando-se tampinha, entulho e latão.
Fosse desse sentir aposta de pedra, papel e tesoura. Do meu peito brilhante que não me deixava escolha em reafirmar: “Eu é quem sei do meu valor…”
Por todo esse nosso desencontro, retirei-me da pilha de lixo. Recolhi meus sentimentos mais caros e botei na vitrine: “Faço saber que sou livre, faço saber que sem ti, eu existo.”
Igor, da impublicável infantilidade, Recicle isto!
Sensibilidade de Cordas
ser um violino dizer uma frase inteira de palavras finas ter o agudo no peito, alto um ressalto até o final dos tempos assumir o perfil magro da dançarina o rodopio sonoro sobre as nuvens a marcação do olhar no destino a descoberta do que se esconde atrás do muro do peito atrás das vidraças da alma ser um violino, fino.
Elisa Bartlett
Começa a tocar santa chuva e eu lembro de você sua voz cantando marcelo camelo e eu provavelmente desistiria de viver e me afundaria em qualquer canto de qualquer poema só pra eu durar mais você sabe que poesia eterniza eu poderia viver pra sempre escutando a sua voz e todas as suas palavras que parecer ter sido programadas pra destruir meu coração e suas rimas seus tons você cantaria santa chuva e eu desabaria assim como eu desabo quando você fala de pink floyd, conta suas histórias malucas, encosta os dedos na minha mão, ri, me faz sentir de novo o que eu já não sentia há muito tempo me faz acreditar em finais em sentimentos em uma chuva que quer trazer você pra mim nessa incógnita que os poetas chamavam de amor e os cantores chamavam de sintonia e os adultos de desordem as crianças de pique esconde e eu que nunca entendi nada disso direito nem conheço o gosto nem experimentei insisto em chamar de esperança
você é toda claridade em forma de poema. cura pra todo e qualquer espasmo de dor. você é brisa leve que aquieta todo alvoroço interno. é toda a liberdade que mora nas janelas abertas e grita pra gente se libertar. você é todo sossego que mora na beira do mar. um potinho de luz no meio de tanta escuridão. você é um tipo de salvação pra toda maldade que assola o mundo. e eu sei que quando você sorri, muitos corações em volta transbordam. você merece o perfume de todas as rosas, o luar mais bonito refletindo no oceano. você merece uma felicidade toda estampada nos teus olhos infinitos e um amor com cheiro de terra molhada, com o conforto de todos os abraços. você é o arco-íris que chega depois do temporal e aquieta o dia com tantas cores aquareladas no fundo azul do céu. só que, você é abrigo pros dias tempestivos, mas também merece um cais pra se ancorar. você não merece migalhas e sim um amor cheio, como a tua alma. você é um acúmulo de coisas bonitas e não merece que nenhuma gota de tristeza tente te inundar. se eu pudesse, nadava esses oceanos inteiros só pra te pra provar, que vale a pena lutar. se eu pudesse, eu juro, te colocaria nos meus olhos pra ver como você brilha daqui do outro lado. porque eu sei das guerras que se fazem em ti, mesmo sabendo que enquanto granadas estouram daí, você tenta apaziguar o meu sofrimento daqui. e sou grata. mas isso tudo, talvez seja só pra te dizer, que se as coisas aí dentro implodirem, eu também vou estar aqui pra te proteger.
porque se as pessoas fossem bombas prestes a explodir, você explodiria em constelações e poesia.
Senti saudades absurdas de tudo o que te envolvia. Você se tornou parte da paisagem, da arquitetura da cidade, de cada bloco de concreto, natureza, cor, luz e etc. Te vejo em cada mensagem escrita quase ilegível nos muros dessa cidade e subitamente não existo sem o teu nome assinando minha identidade. Espero te ver sempre por aí, te encontrar todo dia me alivia o peso morto de viver.
Das coisas paralelas a mim Lembro-me do teu cabelo esvoaçando aos ventos E os semáfaros vermelhos que iluminavam o seu rosto Estávamos no meio da avenida próximo ao centro Tínhamos um cenário perfeito para nosso escândalo Lembra-te dos nossos planos de gritar palavrões no meio da avenida? Efêmeros! Na tua mão um copo de vinho quente nos servia No meu bolso o suficiente para nossas passagens de ônibus Sentíamos vivos E desgraçados Com risos vulgares estampados no rosto E sem um pingo de prudência, ainda bem, Pois de nós só conheciam as responsabilidades e deveres
Vivos E desgraçados Você repetia isso a cada passo dado
Como deveria ser! Imaginamos toda nossa fuga Funcionou, finalmente Nos tornamos confidentes de nossa loucura e desejos reprimidos Dois seres em busca de ar e espaço Invisíveis Concretos como os prédios ao nosso redor Vivi contigo um dos mais absurdos sonhos
Qualquer término, por menor que seja, causa dores intensas. Nossa insignificância alcança níveis ainda mais altos e absurdos, ultrapassando qualquer tipo de aviso para preservação do nosso espírito. Espírito esse que adoece, porque qualquer ponto final tem formato de uma bala e atinge regiões vitais do corpo. Não há habitantes debaixo desse sol que não sinta o dolorido aceno de um adeus ou a despedida de um riso. Mesmo entre os mais poetas, que sofrem diariamente com o término de um poema, não conseguem se esquivar de algo abrupto e significativo. Todo adeus contém lágrimas e uma infinitude de palavras guardadas em segredos, a maioria delas, se ditas, causam uma sensação de marca, pegadas, rastros. Marcas que não saem com o passar angustiante do tempo e que, por maior que sejam os esforços em esquecê-las, cicatrizam na memória, pois todo instante tinha uma natureza eterna e inquebrável. E não deixa de sê-lo mesmo depois da interrupção de uma história. Não há ninguém debaixo desse sol que não tenha se despedaçado ou se desperdiçado com o fim. Mesmo feroz, assustador e impiedoso, essa linha final, esse verso no fim da página, serve para mostrar o quanto sensíveis e voláteis somos. Todo término causa náuseas, dores na cabeça, palpitações, taquicardia, pois não era somente o espírito que idolatrava, amava, sentia, mas o corpo também. Nossas muralhas não significam tanto quando um único furo, uma única entrada, um ponto esquecido é suficiente para pôr a baixo qualquer estrutura emocional, qualquer castelo, prisão ou proteção. É irrelevante tentar se esconder de algo que nos acompanha como sombra: a dor do fim.
Dizem que ainda é, que tá em tempo de sobreviver. Inda que vá e depois volte, não solte a mão e sempre escreva sobre o que ver.
Dizem que além do esforço das braçadas no mar, agente se esquece do cansaço e nada o mais longe sem perceber.
Dizem que se arrepender ainda pode ter seu tempo, voltar pra debaixo das asas pra reaprender de que se faz o céu azul, de que se faz o que te toca viver.
Dizem que se cair é vantagem, estar dentro dessa margem é reconhecer… Que sendo pássaro liberto, nunca é tarde pra deixar o ninho te amadurecer.
“21”, Igor
Osaka
(Source: Nandin Yuan)