Rádio: Há, em um navio de muito boa qualidade, excepcionalmente bom nos meios e propósitos da navegação marÃtima, três tripulantes. Quando, de inesperada forma, surge o que parece uma tempestade. Em situação esta, cada um dos tripulantes torna em distinta direção, indo cada um para uma parte do navio. E, durante boa parte da tempestade, estes hão de ficar sem ver uns aos outros, ao menos era este o esperado, e não por és-não-és qualquer. Em certo momento, não um outro que meio a tempestade, que verte de forma especialmente abrupta sobre um dos tripulantes, que, por sua vez, se encontra quase a delir, o Capitão, único apto a conduzir o timão, age de inesperada forma, opta por abandorar o navio em busca de esposa sua, a Solidão. Solidão esta que carinhosamente nomeou uma vez Solitude. Utilizando-se dos autofalantes dos quais o navio se mune, o Capitão noticia tão nociva decisão, obnóxia atitude, de forma que o som atinge por inteiro o convés, de que no prazo de dois dias, havia ele de imiscuir-se em Solitude, abandonando, assim, o navio ao simplesmente o trocar por outro (Que sequer sabia qual haveria de ser, mas não havia pressa para descobrir, pois havia quem o buscasse e levasse para navio outro caso fosse falha a empreitada). O tripulante Anegado, asperso pela vertida água, exaspera em tristeza, por fatores outros que a saÃda do capitão, mas desespera-se ainda mais pela decisão. O tripulante Outro está muito bem, obrigado, feliz por estar recebendo pelo que não pode ser trabalhado, e nada desesperado pela saÃda do Capitão. Põem-se os tripulantes outros que não amantes da Solitude a fazerem ligações, em busca de barcos outros para estar. Tripulante Outro, quase de imediato, encontra barco outro para estar, desce a baleeira e toma rumo seu, torna em direção a um barco que até pouco era ocupado, mas que agora há de ser bom lar, Outro encontra-se feliz pelo benefÃcio de sozinho estar. Anegado e Capitão encontram-se, e o tripulante asperso diz tudo o mais diverso ao negligente capitão, que demonstra menos que és-não-és de remorso, inexiste arrependimento nele, tampouco preocupa-se com Anegado, mas diz o Capitão: "Entendo que é uma situação difÃcil para você", ciente de que o tripulante em questão jamais poderia arcar sozinho com o peso do papel de capitão no navio que se encontra, e tampouco em navio ou barco outro, pois Anegado, incapaz, precisa de uma tripulação para auxilÃa-lo em papel este. Ocorre, não obstante, que mediante a tempestades, sensatos indivÃduos optam por não sair de seus navios em busca de navios outros, e sendo assim, Anegado, asperso em corpo pela água da chuva, mas também asperso por água salgada em seu rosto, sente-se abandonado e considera, de fato, desistir de si.