O novo sorriso que ofereceu ao tio agora possuía escárnio e confidência em medidas iguais. Era um alívio para seu coração saber que não estava sozinha em rotular todos os lordes e suas filhas que brigavam pela atenção de Rhagael após seu pai anunciá-lo em busca de uma noiva. Era como balançar um pedaço de carne fresca na frente de leões famintos, e todos eles pareciam lamber os beiços com a perspectiva de aproximar-se da família real, prontos para o abate. Mal sabiam eles que seu pai, em toda a sua arrogância, já deveria ter algumas favoritas e que as pobres moças fora dessa lista não tinham chance alguma, mesmo que conseguissem conquistar o coração do príncipe. — Não sabe como é bom ouvir outra pessoa além de mim dizer isso. — Segredou a ele. Roubaria seu irmão de todos eles muito em breve, na intenção de dar-lhe um pouco de paz – afinal, sabia que dificilmente alguma lady se aproximaria deles com ela rodeando-o como um predador.
Imaginar sua mãe brigando com Oak era, no mínimo, cômico. Todos esses anos assistindo-a aceitar tudo que seu pai fazia tornava difícil, beirando o impossível, acreditar que a rainha Hyacinth seria capaz de impor a sua vontade sobre alguém, menos ainda dar sermões. Ela jamais diria isso ao seu tio, é claro, e limitou-se a sorrir. — Minha mãe sabe que sei me cuidar. E também, nenhum lorde ou lady pode me criticar por dançar com o tio que não vejo há anos. — Pontuou, direta em sua crítica nada sutil. — E sobre os grandes partidos, você não faz ideia de quem são. — Havia falsa animação em sua voz, pura ironia ao falar dos supostos pretendentes – a palavra chegada a lhe dar nojo – que seu pai tinha indicado. — Começamos com um forte candidato, Lorde Dickon Baratheon, nosso Mestre das Leis. Conhece sua estimada reputação, eu imagino. — Não conseguiu evitar um rolar dos olhos ao falar. A reputação de Lorde Dickon era tudo, menos estimada e, apesar do sobrenome forte, uma sugestão patética. Mas então, novamente, Aleera achava todas aquelas sugestões de seu pai completamente patéticas. E absurdas. — Em seguida, temos o Lorde Luthor Stark que, além de muito mais novo que eu, deve me deixar viúva antes mesmo de casarmos. — A animação ensaiada lembrava a de um menestrel e, mesmo frustrada, Aleera se permitiu rir brevemente. — E, talvez mais absurdo de todos, o Lorde Desmond Royce que, veja só, já está prometido em casamento a outra. Aparentemente meu pai acredita na minha capacidade de quebrar maldições, endireitar os homens e também de desfazer quaisquer arranjos já feitos. — A ironia em suas palavras era quase palpável. Apesar da imagem de pai carinhoso que Aemond cuidadosamente assumia em frente aos demais, Oak com certeza sabia da indiferença latente do rei para com suas filhas. E se não soubesse, estava prestes a descobrir.