eu tenho escrito sobre vc nos últimos anos.
às vezes fantasio que vc está lendo secretamente e prefere que seja assim.
“e como eu estou reagindo na sua fantasia?”
não sei. eu tento não ir até lá.
porque nada de bom pode sair dali.
se vc disser que não gostou, eu vou me desculpar por não encontrar a melhor ou mais elaborada forma de descrever a forma como me sinto por vc.
se vc disser que gostou, eu vou te odiar e querer vc longe de mim porque agora, a essa altura, resolveu valorizar as minhas expressões de sentimento.
se vc perguntar o porque ainda tô fazendo isso, eu vou socar a sua cara.
se vc me disser que está muito sentimental, que eu devia estar seguindo em frente e fazendo novos amigos, conhecendo pessoas novas ou fodendo com alguém, eu também vou socar a sua cara.
é estranho pensar que em todos os cenários vc tá me julgando e nem sequer pensando em avaliar como vc se sente lendo tudo o que escrevi sobre vc.
e… eu não acredito que vc não se importa. e seria bom ter um pouco da sua fé.
fé em alguma coisa. qualquer coisa. é ingenuidade da minha parte pensar que vc teria fé em alguma coisa, mas vc só vive no que está aqui. e se vc fica ligado o tempo inteiro só no que está aqui, não sobra pro que poderia estar aqui. enquanto tudo o que vc acredita é o que vc vê e faz, não sobra espaço pro que vc sente e quer… não sobra espaço pra sentimento.
e adivinha o que eu tô escrevendo sobre vc? exato. sentir profunda e verdadeiramente pra vc parece uma ideia tão confusa que é mais fácil buscar a primeira defesa e nunca mergulhar no que pode sabe se lá o que.
“vc quer que eu diga alguma coisa?”
[o canto da minha boca se estica. não é um sorriso.]
não sei. contar isso pra vc não fazia parte das minhas fantasias, mas eu também não chegaria na parte onde vc me responde. esperava que o vc verdadeiro pudesse elaborar alguma coisa, mas parece que é pedir demais a porra de uma resposta.
vc ainda tá aqui ouvindo e provavelmente querendo saber onde eu quero chegar e na verdade eu também. é só que eu tenho escrito sobre vc já faz bastante tempo e não evito sentir o que preciso sentir e vc sempre volta.
talvez porque vc precise provar a si que não precisa disso e manter a sua mente tranquila de que fez tudo o que pôde e, além disso, ainda conseguiu sair com a postura de que entregou o melhor. sempre entrega só o melhor, chegando perto da perfeição.
e também não se permite estar em total perfeição porque se chega nesse lugar, ninguém vai querer vc longe. afinal, se conseguiu algo p-e-r-f-e-i-t-o em todos os sentidos, como deixaria ir? e é essa ideia que sempre te aterroriza.
então vc vem e faz a gente se sentir muito especial - somos especiais mesmo, agradeço por isso - e logo depois precisa voltar pra sabe se lá o que e aqui só fica a sensação de que se era tão especial, por que vc não ficou? por que precisou ir? o que mais tinha lá fora que vc precisava buscar?
e com toda a minha honestidade, não te culpo por isso. talvez seja a sua forma de tentar encontrar alguma força quando busca alinhar à liberdade, mas nem percebe que é quando escancara a sua maior fraqueza: o amor.
eu sei que vc inventou o seu próprio e isso é ótimo, as pessoas amam de jeitos diferentes e há liberdade no sentimento para que se descubra a sua melhor forma de interagir com ele. o que eu quero dizer é que vc só entra em contato com a sua forma de amar, sem nunca descobrir quais as outras formas de expressão do sentimento podem estar disponíveis pra vc porque talvez assim vc descubra que a sua não é tão boa quanto as suas fugas fazem parecer.
a melhor parte é que dentro de toda a complexidade que vc insiste em negar, todos os lampejos de liberdade tão atraentes pra sua vida e cada versão de vc que sou capaz de fantasiar para uma única situação, eu pude ficar e posso continuar por bastante tempo escrevendo sobre vc.