Project46 - Que Seja Feita A Nossa Vontade
Por: Diego Freitas
O Project46 vem fazer isso de uma das maneiras mais impactantes: pelo metal. Ou tem coisa mais insiciva do que um grito bem no ouvido da inércia? Um riff pesado da guitarra contra a apatia? Em pleno ano de Copa do Mundo, uma das maiores tirações de onda com a nossa cara já feitas pelo governo (como se ser tratado como gado no transporte público, por exemplo, já não fosse uma grande tiração), o banda paulista lança o seu segundo álbum "Que Seja Feita A Nossa Vontade" que desda da capa, até a última nota da última faixa é uma crítica ácida e direta a toda essa palhaçada que acontece no Brasil para qual nós preferimos fechar os olhos. O grupo não se preocupa em soar subliminar ou subjetivo, não faz metáforas complexas, eles apenas dão a letra, passam o recado da forma mais clara possível, como a muita não se via no rock nacional, que ultimamente tem tido sua qualidade num nível até questionável, mas com certeza não teve na amplificação do protesto, o seu forte.
Na primeira faixa, o intenso metalcore "Caos Renomeado" o refrão já traz um questionamento pra lá de verdadeiro: "Me diz ae, quem ganha mais dinheiro nessa porra? Me diz ae, quem paga a merda inteira dessa porra? Somos eu e você, ou o palhaço da TV?". Pois é, brother, o palhaço que você tem como ídolo que não é. A mais intensa e rápida ainda "Foda-se (Se Depender de Nós)" tem mensagens mais direcionada a cada um de nós, para afastarmos a covardia e o bundamolismo da nossa filosofia de vida, lembrando muito as letras do debut da banda "Doa a quem doer". Em "Erro+55" e na , de certa forma, introspectiva "Na Vala" aparece mais um fator frequente no álbum: a influência de rap em algumas partes das linhas de vocais de Caio McBeserra, além da agressividade lírica e temática lembrar bastante o gênero das periferias também, uma mistura de que funciona muito bem e deixa a mensagem mais clara ainda.
A sonoridade rápida e pesada bem característica do Project, se repete em algumas faixas do álbum como "Desordem e Progresso", a irônica "Carranca" que tem várias referências a alienação do carnaval, a fortíssima e chocante "Empedrado" que toca num delicado problema da nossa sociedade: o crack e o descaso das autoridades para com os viciados, a "Veneno" com uma temática parecida com a citada anteriormente, a "Em Nome de Quem" e a porrada "Vergonha na Cara" que fecha o álbum com um refrão que resume a mensagem do disco inteiro "O que nos falta é: vergonha na cara, o que nos falta é não se esconder o que te falta é não temer a batalha, é o que falta pra essa merda crescer".
É importante destacar que a qualidade do Project46 não se resume as letras, os músicos são sensacionais, constroem instrumentais bem marcantes que envolvem os incisivos versos de mais agressividade e peso ainda. Cabe a nós valorizar uma banda desse nível, raramento aparece uma com tamanha personalidade no cenário musical brasileiro, assim como cabe a nós absorver os recados dados e tentar encarar tudo isso com um pouco mais de senso crítico, pensar por si mesmo, buscar seus direitos e não ser uma marionete carregando seu conformismmo de estação para estação. Grande banda que ainda vai dar muito o que falar (e o que pensar) nesse país.







