☀️───’ De um lado para o outro. De um lado para outro. Chrissy estava quase abrindo um buraco no chão de tanto que andara em frente aquela porta, estava ali faziam uns bons 20 minutos, só encarando a porta da King. Primeiro pensou que estava muito cedo e poderia acabar acordando a outra no susto, o que não seria bom, mas também, depois também poderia ser muito tarde e ela já teria saído, e dai de que adiantaria, ou então também ela poderia estar acompanhada e Chrissy atrapalharia tudo, a morena ficou passando todas as opções possíveis e imagináveis que a impediam de dar duas batidinhas na porta a sua frente, mas chegou um momento que até as opções improváveis haviam sido descartadas, então só lhe restou respirar fundo, tomar vergonha na cara e bater na porta. Agora, a nova questão era quanto deveria bater e o quanto deveria esperar ali na frente, não sabia se Amala poderia vê-la ali, e quem sabe até optasse por não abrir a porta, era uma probabilidade, afinal, as duas já não era mais tão próximas assim, a vida e também o trabalho de Chrissy as haviam afastado. A Boo estava pronta para sair correndo dali e fingir que nada aconteceu, quando a porta foi aberta de supetão, a pegando de surpresa também, demorando um pouco para processar que precisava falar alguma coisa. - “Eu te acordei não foi? Ai meu Narrador, eu sabia que era muito cedo, e eu não conseguia lembrar se você era uma pessoa das manhãs igual antes ou não… Porque sei lá, eu tenho me tornado bem mais do fim da tarde e noite então é aquilo.” - as palavras saltaram todas ao mesmo tempo e ela chegou até a se atropelar, rindo nervosamente mais uma vez. - “Eu vim te convidar pra tomar café da manhã.” - falou rápido e ficou encarando as próprias mãos, com tudo o que vinha acontecendo na cidade, e a aproximação de um estado de loucura por parte de sua mãe, Chrissy foi tomada pela vontade de retomar laços antigos que tanto significavam para si, e Amala era uma dessas pessoas. - “Isso se você não tiver algum compromisso ou se só não quiser mesmo, tá tudo bem também.”
“Não! Tudo bem, sério.” Rapidamente repreendeu quaisquer pensamentos alheios sobre isso, fazendo um gesto com as mãos a fim de acalmá-la. Por mais que fossem ausentes na vida uma da outra após as mudanças, Amala ainda sentia a necessidade incontestável de tratá-la com o mesmo carinho de antes. Isso nunca mudou - e talvez jamais mudasse, independente se era por Chrissy ou quem quer que fosse. “Bom, eu... sou da matina ainda. É bem difícil quando chega a noite, depois das aulas, e eu conseguir ficar acordada por muito tempo, sabe? Ainda mais com tanto experimento que faço à tarde antes do horário dos clubes.” Foi se explicando até que com muita liberdade para alguém que tinha perdido o contato com outrem. Porém, o convite da Boo lhe fez arregalar os olhos e começar uma série de gaguejos que foram bem nítidos. “Uh- Ah! Tomar café? Oh, s-sim! Sim! Café, claro!” De repente toda a ansiedade que sentia outrora esvaiu conforme sua animação começava a tomar conta. A King respirou bem fundo com o ar passando por entre os dentes expostos num sorriso, enquanto tentava desgrudar do mesmo lugar onde estava em pé para que fosse ao quarto se ajeitar. “Não, sem compromissos! Quer dizer, só o de tomar café da manhã. Ora, café da manhã é sagrado! A própria professora Marmoreal diz que o chá da tarde é um evento, não é? Isso é como o café da manhã pra mim.” Precisava de tanta informação? Não, com certeza não, mas se tratando de sua melhor amiga - ou que havia sido e que, ao que tudo indicava, voltaria a ser - certamente não era algo ruim. Significava que Amala estava finalmente se sentindo bem e confortável, pois apenas Chrissy poderia ser bombardeada de tanto falatório e não se cansar, não sem antes bombardeá-la de volta. “Você me dá uns minutinhos? Juro que é rápido! Me ajeito num piscar de olhos... Ou talvez cinco...” Apenas esperou a confirmação desta para que pudesse tomar rumo até seu quarto, chinelando chão adentro com toda pressa que podia.