❛ — ⨳ A penitência resultante das próprias escolhas era, mais do que nunca, a única constância nos pensares de Jeff Miller; A comodidade em se fazer na comemoração era inexistente, e o desejo de abandonar o ambiente lhe imperava o âmago e influenciava cada ínfima ação. Em simultaneidade, lamentava em silêncio pela tola decisão de comparecer ao evento, uma vez que desde o princípio se fazia ciente de que pouco seria capaz de encontrar espaço por entre os demais jovens - sendo esses cultivadores assíduos de desejos e comportamento que em tudo se destoavam dos próprios. Não tinha, conquanto, tempo suficiente para focar-se unicamente em tal particularidade, uma vez que a situação atual requeria uma maior parcela de sua imediata atenção; A colisão com o desconhecido, afinal, em nada havia sido agradável para ambos os protagonistas, e o aluno de medicina pouco poderia prever quais seriam as reações adotadas pelo outro. Em tal maneira, os olhos escuros se faziam fixos apenas na figura alheia em prol garantir a própria segurança caso fronte um reagir adverso - apenas para ver todos os receios serem extinguidos por um sorriso gentil da segunda parte.
A calma, por sua vez, pouco teve tempo em instalar-se ao cerne do jovem; Antes mesmo que se pudesse externar um suspirar em alivio, as palavras verbalizadas em tamanha proximidade com a tez sensível lhe foram suficientes para um tencionar quase visível - o retesar de cada ínfimo músculo de seu corpo se deu involuntário ante a surpresa de ter um alguém cuja a distância se fazia diminuta. O engolir em seco sintetizou um ato natural para Jeff, apenas para que o virar do rosto se desse em vias de conseguir observar parcamente o autor de toda aquela cena repentina; Não precisava, todavia, de qualquer ato para saber exatamente quem se fazia indiferente a quebrar as barreiras de seu espaço pessoal, uma vez que seria capaz de reconhecer a voz de Bryce Folley em qualquer ínfimo ambiente, por mais caótico que viesse a se postar. O nervosismo óbvio, então, instaurou-se em plenitude sobre Miller, que pouco detinha para si as capacidades de se ocultar por entre uma camada de indiferença inexistente - e tal impediu-o de qualquer movimentar enquanto o mais velho se movimentava até fronte a si.
‘ Ahn… Is this a new trendy way to say ‘hi’ that I don’t know about? ’ A questão erguida por entre a própria tensão pouco tinha qualquer objetivo de soar rude ao que o mais baixo abaixava levemente o olhar da figura de Bryce - apenas em uma nova confirmação do nervosismo que agora o abraçava. Crispando então levemente os lábios, Miller se deixou observar o antigo conhecido mais uma vez antes de levar uma das mãos ao pescoço, em agires universais que representavam a ansiedade escancarada. ‘ I’m… Sorry?! ’ Arriscou, antes de se permitir continuar. ‘ Eu não acho que esse tipo de festa seja… Pra mim. Então eu realmente estou meio que… Indo pra casa. ’ Toda a situação apenas tomou vias de um novo degringolar ao oferecer de Folley, que poderia ser apenas em uma simpatia a qual Jeff desconhecia - mas que foi suficiente para fazê-lo arregalar sutilmente os olhos por trás das lentes de seus óculos. ‘ Não, eu não acho que seja necessário, Bryce… ’ Começou em tentativa de ignorar o quão patético soava; Ao mesmo tempo, questionava-se também as razões que o levavam a apresentar tamanha tensão fronte a um alguém que conhecia há tanto tempo - apenas para ver-se envolto em frustrações ao não conseguir alcançar qualquer ínfima resposta. O mais velho, enfim, detinha para si as capacidades de aniquilar qualquer ínfima calma que viesse a fazer morada no interior de Jeff. ‘ Pode voltar a aproveitar sua festa, o caminho nem é tão longo e acho que os Kappas estão bêbados demais pra sequer prestar atenção… Não precisa se incomodar, de verdade. ’ ❜
A tonalidade azul dos olhos de Folley fazia-se diminuta quando exposta em tamanha falta de claridade algo que, além de dificultar sua visão de maneira significativa, também entorpecia lhe os sentidos num envolto de sensações advindas de uma possível e cabível perda de consciência. Contudo, mesmo cercado de pessoas alteradas e pouco cientes de seus atos, Bryce não se permitia juntar-se a elas uma vez que, em seu estado de plena racionalidade poderia, sutilmente, observar a verdadeira natureza de seus colegas. Ter em sua real imagem e semelhança algo que o fizesse ter o tão corrosivo sentimento dentro de si neutralizado, mesmo que por uma quantidade deveras finitas horas. Não podia contestar o jubilo que jazia quase insólito em seu interior, sendo a busca por tal satisfação o principal motivo que o prendia em tão maçante ambiente. A permanência, portanto, era contestável, além de forçada ora que se fazia presente em prol também de fazer companhia a melhor amigo que tanto depositava confiança em si, porém, encontrava-se longe da companhia da Prior e os jovens desorientados não mais lhe traziam a satisfação de outrora, fazendo-o até mesmo ponderar acerca de ter ou não sua presença ali estendida mais que o necessário. Afinal, para o Folley, as tão joviais diversões oferecidas na famigerada festa de sua fraternidade não despertavam grandes interesses, ele até mesmo se privando de ingerir o tão consumido álcool que corria livremente pelos dígitos de qualquer um que desejasse.
A repentina decisão de ficar, por sorte, logo pareceu ser recompensada uma vez que uma tão singular figura mostrou-se cativante o suficiente para, de fato, despertar seu pleno interesse e atenção. O Miller era uma lembrança retesada em suas memórias, alguém que o conhecia por quem realmente era e não em virtude da imagem ilídima que tanto havia se empenhado para passar aqueles que agora participavam de seu cotidiano. Anos prévios davam aos outros uma vantagem inalcançável, ambos tendo uma vasta gama de recordações de seus anos como infantes, a mãe do Foller trabalhando na tão abastada casa dos pais do mais novo e sendo uma Bryce uma presença quase recorrente no lugar. Tinha, em tais memórias, um singular sentimento de serenidade que se estabelecia em seu tão turbulento âmago. Não entendia as reais razões de tão brandos sentires, porém, lhe eram deveras benéficas de forma que o buscar por uma intensificação se fizera necessário para o estudante, o estudante seguindo em seu caminho para sanar uma dúvida crescente, além da confirmação da ideia de quê, assim como ele, o Miller não havia esquecido todo o tempo que eles haviam passado juntos quando ainda eram crianças.
“ God. You are really asking me this. ” — O evitar um breve curvar positivo de seus lábios oferecendo um singelo sorriso ao outro em razão de seu questionamento, algo que, de certa forma, dava uma margem de interpretação ao mais velho, Bryce se fazendo agora convencido de que aquele era um ambiente deveras atípico para o menor que visivelmente se mostrava inquieto para com a desordem que estava presente em seu redor, tentando analisar as reações que em nada se faziam ignoráveis. “ Are you trying to hide a hickie or something? It’s alright, man... Ain’t no God in my eye. ” — Ergue as mãos de uma deliberadamente, um ato encenado em prol de mostrar ao outro que se fazia complacente para com o seu possível estados, curvando o pescoço em prol de uma vista mais significativa antes de novamente sorrir para o opositor. Simples ato que logo foi reforçado com o pedidos de desculpas alheio, o Foller mordendo a parte interior de sua bochecha numa mais pura manifestação de satisfação. “ And you are really apologising too... Tudo bem. Sabe, você não é o primeiro que faz isso. E nem vai ser o último, Miller. ” — Apesar da leve acidez em seu tom, não tinha qualquer intensão de ser corrosivo para o outro, respirando fundo e mantendo as cerúleas orbes em sua tão inusitada companhia, tendo, enfim, o privilégio de olhá-lo de maneira mais significativa, notando os traços que se faziam tão agradáveis aos olhos. “ Mas, você tentou? Tentou de verdade. Ou já chegou aqui torcendo pela hora de ir embora? ” — Apesar da insistência, Bryce compreendia que a assim denominada diversão proporcionada na tão barulhenta festa não era de agrado de todos — incluindo de si próprio em diversos âmbitos; porém, não tinha o desejo de deixá-lo partir.
Novamente via-se incapaz de conter o genuíno sorriso que surgia em virtude das reações do jovem Miller, tendo em tamanha nervosidade uma harmonia singular. “ But first things first. ” — O retomar ao foco inicial deu-se finalmente, o Folley olhando ao redor numa última e visível tentativa de encontrar a ruiva que se ainda se encontrava fora do seu campo de visão, tendo em tal ato a confirmação de que era a hora de ir. “ Ah, não faz essa desfeita comigo! Você já partiu meu coração hoje, tem certeza de que vai fazer de novo? ” — Uma breve pausa deu-se antes de continuar. “ Sabe, eu não sei se aguento, Jeffie. Não sei mesmo. ” — A expressão logo tornou-se a mais carente possível, os olhos azuis cravados na figura do opositor, Bryce adotando um olhar de pura inocência enquanto esperava uma reação do mais novo. “ Come on, dude. Faz quanto tempo que a gente não se fala? Uns sete ou oito anos? Aposto que tem várias coisas pra me contar. Eu sei que tenho. ” — Relatar ao Miller os principais acontecimentos que seguriam após o último encontro dos dois não era algo que o Folley queria, porém ainda tinha em Jeff uma figura tal posta de amizade, uma das únicas que possuía. “ Naah. Eu estou ficando velho demais pra essas coisas. E a Ame parece estar me evitando, então não tenho porquê ficar aqui. And I’m pretty sure there's a ménage going on in my room, so... ” — Revelou de forma dúbia, sem dar certeza de suas palavras e saindo de sua inércia para aproximar-se do Miller, sem, de fato, tocá-lo. “ Pretty please, Jeffie. I promise I’ll behave and I... ” — Contudo, a atenção foi totalmente desviada quando uma movimentação notável fez-se próxima aos garotos, sendo o ato algo extremo até mesmo para o Kappa que se viu rindo com o inusitado cenário antes de voltar-se ao opositor, contendo o sorriso. “ Fuck. I hope Montgomery has insurance. ” —