Se Louise pudesse, ela tinha simplesmente arrancado aquele sentimento de dentro de si de modo que pudesse se relacionar profundamente com outra pessoa, mas sabia que era impossível, era uma das suas lutas diárias como uma veela e não podia negar que jamais poderia amar outra pessoa como amava Haru e isso lhe doía porque pensava não poder tê-lo para si. Aqueles pensamentos fizeram a criatura mágica baixar os olhos claros para o chão por um breve momento, tentando controlar suas emoções e a vontade que tinha em simplesmente pular nos braços dele e dizer que jamais tinha lhe esquecido, mesmo depois de todos aqueles anos. Ela queria apenas mais uma vez sentir os braços dele, seus lábios e poder sentir-se segura — embora jamais fosse admitir em voz alta — pelo simples fato de ter ele perto e com aquele perfume que conseguia lhe acalmar mais do que qualquer outra poção. Por Merlim, como ela o queria de volta. E claro, ele mal podia imaginar como era doloroso para ela lhe chamar de “amigo” quando na verdade queria chamá-lo de amor, seu amor… droga, por quê não podia simplesmente deixar aquilo de lado e seguir sua vida? No entanto, ela se forçou a focar nas palavras dele, dando um sorriso charmoso — É claro que vai. Entendeu? Na verdade, eu queria dizer… — parou de falar, tossindo baixo para indicar que não iria terminar aquela frase e olhou ao redor para disfarçar, apertando as mãos com um pouco de força na frente do seu corpo. — Peut-être*, mon amour. Vai ter que me convencer disso, sabia? — brincou com ele, ainda que o sorriso em seu rosto mostrasse que ela também falava sério sobre aquilo e céus, como falava. A francesa soltou uma risada melodiosa com as palavras dele e o biquinho, acabando por passar o braço por dentro do dele com carinho. — É claro que pode, cher. — Conforme caminhava na frente do rapaz, a loira sofria uma batalha interna que acabou sendo vencida pelo coração e assim que parou em frente a fonte do jardim, ela virou na direção do mais alto aproximando o corpo do dele lentamente — Está eleganté essa noite, Haru. Muito bonite, se quer saber… até demais. — falou em um tom de voz baixo, uma das mãos se erguendo para passar lentamente pelo peitoral masculino e os olhos azuis se ergueram para fitar os dele — Se eu fizer algo, vai me perdoar? — indagou no mesmo jeito baixo, mordendo o lábio inferior novamente antes e levar o rosto até próximo dele, selando seus lábios rapidamente. A destra se ergueu para passar pela nuca do mais alto, enquanto a canhota se apoiava no peito do rapaz.
Em certa parte Haru se sentia culpado por nunca ter conseguido ultrapassar seus sentimentos pela mais velha, afinal ele parecia ceder sempre que suas íris âmbar poisavam naquela silhueta tão delicada e perfeita aos seus olhos. Era praticamente inevitável para o asiático controlar suas emoções quando se tratava de Louise. A francesa parecia ceder uma espécie de poder sobre o ex-grifano, e mesmo que ele quisesse fugir do que realmente nutria pela mulher era impossível. Aquele amor, aquela paixão parecia ser impossível de arrancar de seu coração. Era quase como se uma espécie de cola permanente tivesse atuado em seus sentimentos fazendo com que os mesmos fossem impossíveis de se apagar. Era como se ele estivesse, de fato, destinado em amar a francesa. E talvez, na verdade, o Kang tivesse sido realmente destinado a amar a mulher. Mas seriam seus sentimentos correspondidos? Aquela dúvida o enlouquecia, especialmente porque em sua mente ele não conseguia ver a outra com mais ninguém para além dele. Seu coração não lhe permitia sequer pensar em perder a mais velha. Seria errado se deixar ser tão possessivo em relação a uma pessoa? A uma mulher? Talvez em parte fosse, mas ele não poderia ser considerado culpado, afinal fora a outra que o prendera a ela de um jeito que era completamente impossível soltar. As íris âmbar do coreano se voltaram para o rosto delicado da loirinha, e uma vez mais, Haru se deixou perder em toda aquela beleza. Aqueles traços tão perfeitos, tão únicos. O menino de cabelos azulados deixou que um breve suspiro se soltasse por entre os seus finos lábios. --- " O que tu queria dizer? " --- não conseguiu evitar em perguntar, afinal seu coração necessitava de uma resposta. Ele necessitava de saber se era apenas ele que ainda sentia tudo aquilo, todo aquele amor. Uma vez mais, o Kang desviara o seu olhar. Era difícil demais se controlar quando observava aquela beleza tão única aos seus olhos. --- " Não deveria duvidar, sabia? Hum...e como eu posso te convencer disso, hein? " --- era óbvio que o mais novo apenas estava brincando com a loira, porém ele não poderia negar que tudo aquilo apenas fazia com que seus sentimentos por ela apenas aumentassem. O ex-grifano assentiu positivamente com a sua cabeça diante da confirmação alheia, o sorriso se rasgando por completo em seus lábios. Era perfeitamente notável o quanto ele ficava feliz por estar na companhia da mais baixa. Assim que as palavras alheias ecoaram em seus tímpanos, o instrutor de quadribol voltara seu olhar para o rosto da francesa. Céus, como ela ficava ainda mais linda à luz da lua. Um suspiro pesado e completamente apaixonado se soltou por entre os lábios do mais alto, suas íris âmbar cintilando que nem duas estrelas no céu negro. --- " Não mais que tu, meu doce amor. " --- replicou num suave sussurro sentindo sua pele se arrepiar por completo. Sua garganta secava cada vez mais, e sem conseguir responder à pergunta alheia, o asiático simplesmente correspondeu ao selar em seus lábios. Sua destra fora em direção à delicada cintura da loirinha a puxando para si, enquanto sua outra mão se perdeu no pescoço pálido da veela. Aos poucos Haru fora aprofundando o beijo, acabando por colocar todo seu amor pela outra ali.