“Surprise! I already knew that," exclamou, igualmente debochado. Às vezes ele também se questionava o que os pais dela––e ela, principalmente–– haviam visto nele. Tá certo que sabia ser carismático, mas ele achava que todas as suas habilidades sociais não convertiam em sinceridade vinda dos outros, não quando se tratavam de sentimentos bons. Abriu a boca para falar, mas ficou surpreso com as opções que ela colocou na mesa. Uma bebida? Normal, mas uma massagem. Até se sentiu tentado a fazer aquilo, mas se limitou a beber. "Você só pode ser muito sonhadora se acha que vou embora só porque me mandou," azar o dela, iria continuar ali plantado vendo aquela cara de idiota que ela tinha. Piscou, surpreso. "Se não queria namorar comigo, por que aceitou?” Claro que ela diria aquilo, eles tinham que exercer um bom papel e ela ia tão bem na atuação que ele estava começando a acreditar. Ela parecia sem jeito em admitir os elogios e isso o deixava até satisfeito, principalmente quando falou sorriso alinhado. Tom gargalhou alto. “Por Deus, por um momento acreditei, sinceramente você deveria ser contratada para atuar em alguma série. Vem cá.” Ele queria elevar aquela conversa para um patamar mais interessante. Arrancou os papéis da mão dela e a trouxe pelo punho para ficar na sua frente. “Se gosta dos meus olhos, olhe neles e finja que tem uma platéia aqui. O que uma plateia esperaria de um casal apaixonado?” Sua voz estava aveludada, e seus olhos fixos nos lábios vermelhos da mulher. Ele estava atuando, mas com um grande quê de verdade no que fazia. “Eu digo que você é chata, insuportável, idiota…” mentiras, atrás de mentiras. “E linda. O suficiente para me fazer querer acreditar que isso fosse verdade.”
Poderia listar algumas características positivas que ela enxergava nele, e sabia que os pais também, mas ele reagia de maneira tão insuportável que ela só pensava que ele era confiante o suficiente para não se abater pelos comentários dela. E aquilo era irritante! Porque ele sabia bem como tirá-la do sério, e ela queria poder fazer o mesmo, mas ele parecia não se incomodar com nada que ela dissesse. Marilyn odiava se importar tanto com o que ele pensava sobre ela. —— Azar o meu mesmo... —— Resmungou, baixinho, não se importando caso ele ouvisse. Virou-se para ele ao ouvir a pergunta, com uma das sobrancelhas erguidas. —— Você quer que eu fale mesmo? Achei que estivesse óbvio o motivo pelo qual estamos juntos. —— Provocou, pela primeira vez em todo aquele tempo falando um pouco mais diretamente que estava com ele para agradar os pais. E sabia bem das intenções dele também. A ruiva trincou o maxilar, irritada por ter aberto um pouquinho o coração, e ele simplesmente riu, duvidando do que ela dizia. Sentiu os papeis serem arrancados de sua mão, e o punho ser puxado e estava perigosamente perto demais dele. Para ela, aquilo era muito íntimo, muito contato, e ela não se sentia nem um pouco confortável. Estava tão acostumada a ser fria e fechada, que se sentia estranha quando ele minimamente lhe obrigava a olhar nos olhos e falar sobre o que pensava ou sentia, sem mentiras, sem dizer coisas apenas para agradar. Apenas ser ela mesma. Sem dizer nada, levou as mãos até a nuca do rapaz, aproximando o rosto do dele, sem desviar dos olhos azuis que ela acabara de admitir que gostava. —— Eu gosto dos seus olhos. —— Ela repetiu, agora olhando diretamente para eles. Deslizou os dedos até os ombros dele, afastando-se. —— Acreditar que o que é verdade? —— Perguntou, levemente confusa, tentando ignorar o fato de que sentiu um desejo de sorrir só por ouvi-lo chamá-la de linda. Não um sorriso vitorioso por ele ter admitido, mas um sorriso de quem gostou do que ouviu. Afastou-se dele, recolhendo os braços. —— Você fala isso mesmo pros seus amigos? Que eu sou chata, insuportável, e tudo mais? —— Odiou a si mesma por mostrar o mínimo de vulnerabilidade. E era estranho que estivesse chateada com isso, porque ele sempre disse coisas parecidas em sua cara. —— Uma coisa é você falar essas coisas me provocando, porque eu também provoco... Eu só não sabia que você achava mesmo isso de mim. Pior: que você fala isso com outras pessoas.