* ✕ 。 • — você não ficou sabendo? Trevor Wells acabou de chegar em SG, vamos ser sinceros ele se parece muito com Nico Tortorella. você sabe, aquele que tem 32 anos e é conhecido por ser surfista profissional? eu fiquei sabendo que ele pode ser chegado, bondoso e altruísta mas também aluado, relaxado e cabeça dura. só me pergunto o que o futuro reserva para ele.
Basics
apelido: Trev; Big Tre
idade: 32 anos
profissão: surfista
sexualidade: pansexual não-monogâmico
mapa astral: sol em Leão, asc. em Capricórnio, lua e vênus em Câncer.
altura: 1,83m
qualidades: inteligente, chegado, bondoso, paquerador, leal e altruísta
defeitos: aluado, cabeça dura, relaxado
inspos: Pedro Scooby
Family;
About:
Nascido e criado na Alemanha, Trevor sempre foi uma pessoa apaixonada. Tudo que ele fazia, tudo que lhe despertava o minimo de interesse, tinha 100% da sua atenção e devoção, sempre foi assim desde que se entendia por gente. O amor pelo mar, começou na infância, em uma viagem que a família fez e o pequeno viu ali o grande amor da sua vida, na combinação simples de água, sal e areia. Se existe um lugar onde o homem se sente bem, este lugar é na vastidão do oceano.
E como dito, tudo que despertava seu interesse tinha sua inteira devoção. Como o mar era sem fim, Trevor se viu desesperadamente devotado a conhecer mais e mais daquilo, explorar ao máximo e foi ai que sua carreira começou. Agarrou-se num pedaço de isopor e começou a fingir que surfava em qualquer lugar que estivesse. Ao observar isso, os pais do pequeno começaram a incentiva-lo cada vez, colocando-o em cursos, levando-o para campeonatos e assim por diante, até que ele conseguiu fazer seu nome.
Mas o sucesso de Trevor não se limitava ao mar, ele também era o terror das garotinhas - e depois de um tempo, dos garotinhos... e assim por diante. Mas nada conseguia prender seu coração como o mar fazia, e por isso ele não conseguia se prender a uma só pessoa, ou jurar amor eterno, até que conheceu Ofélia. A mulher de cabelos cor de mel, lhe encantou os olhos e o coração, eles tinham tanto em comum, inclusive aquela preferência pro relações que não fossem de exclusividade. E assim, eles viraram o par perfeito um do outro.
Quando Ofélia disse que viajaria para ficar perto do irmão em sg, Trevor não pensou duas vezes antes de dizer que iria com ela. Ele não tinha morada fixa, vivia viajando por conta dos campeonatos, mas sempre fazia questão de estar onde ela estivesse, e não seria diferente agora.
— Talvez um pouco de tudo? — ele deu um meio sorriso. Trevor havia se mudado tinha alguns meses, mas era definitivamente a pior pessoa com mudanças. Parte das suas coisas ainda estavam em caixas, algumas outras espalhadas pela casa. O verdadeiro caos. — Ok, de urgente, eu preciso de organizadores, pois claramente sou desorganizado e alguns itens de cozinha, e acho que você pode me ajudar muito com esse último, considerando as prateleiras aqui
A mão de Trevor tateava por baixo das cobertas, buscando a firmeza do peitoral de Hamish. Já era a terceira vez que eles se encontravam daquele jeito, e Trevor parecia simplesmente não se cansar do outro, sempre buscando por mais. Era como se Hamish fosse seu novo desafio, a nova adrenalina a correr pelas suas veias. Ele não tinha o mar em Saint, mas tinha o moreno e isso estava sendo suficiente no momento. — Você ainda vai ser a minha ruina, sabia? — brincou assim que alcançou o corpo do mais novo, a mão deslizou do peitoral para a cintura, trazendo-o para mais parte — literalmente, tirou toda a minha energia. Me diz, como vou para casa agora? — o tom provocativo das palavras, vinha acompanhado da expressão maliciosa, que se desfez no momento em que Wells chegou o rosto mais a frente, selando os lábios nos do outros.
Não pode ser, não pode ser, não pode ser. Aqueles pensamentos preencheram a mente feminina na fração de segundo que o rapaz levou para se afastar. E, em certo ponto, Cecilia havia se deixado convencer de que não havia motivo para Trevor estar em Saint-Gingolph. Afinal, o que ele faria em uma cidade tão distante do mar? A brasileira poderia apostar que ele não se sujeitaria a viver em um local onde não pudesse surfar todos os dias e… Ela se interrompeu ao se virar para o rapaz, concretizando os próprios receios. “Oh…” Deixou escapar, incapaz de esconder a surpresa de reencontrá-lo após tantos anos. Ao contrário do que havia imaginado, não foi a melancolia que a preencheu e sim um sentimento quase paradoxal, que mesclava a saudade a certo pesar pelo que os dois poderiam ter construído juntos. “Trevor.” Um sorriso discreto desenhou-se em seus lábios, antes que ela se visse impelida a aproximar-se, depositando um beijo em seu rosto. “Ahn, James? Não, é um amigo. Eu só… Eu não achei que estaria aqui. Aliás, o que está fazendo aqui? Não que isso seja ruim, é claro. Ou que você estivesse proibido. Você sabe! Você pode ir para qualquer lugar. Mas não pensei que viria a Saint-Gingolph. Entende o que eu quero dizer?” E, assim, teve início o característico tagarelar nervoso da Müller, acompanhado do colocar de uma mecha do cabelo para atrás da orelha.
Ele deixou que um sorriso sem jeito se moldasse aos lábios, em reação aquele “Oh”, que ela emitiu assim que seus olhos caíram sobre ele, como se fosse uma assombração. As mãos logo acertaram o caminho dos bolsos, fazendo com que Trevor assumisse uma postura um tanto fechada. Mesmo que essa não fosse a sua vontade no momento. — O próprio — interrompeu-se, surpreso pela aproximação repentina e pelos lábios que lhe tocaram a face. O sorriso antes tímido, se fez mais largo com aquele simples movimento e com o tagarelar tão familiar. Aquela era a Cecilia que ele conhecera, falante, ansiosa e tão... adorável ao ajeitar o cabelo.
Os olhos atentos observavam cada movimento, enquanto a mente o arrastava ao passado entre eles. Trevor suspirou pesado e nostálgico. — Bem, nem eu imaginava que estaria em Saint. Mas cá estamos, não é mesmo? — tomou a liberdade de cutuca-la a cima da cintura — Vim ficar com minha irmã, estava com saudades, precisava de um lugar para sair um pouco do caos, entende? Era sempre mar e as vezes o corpo pede um descanso. — completou, ainda um tanto perdido com o olhar fixo a ela — bom te rever, faz tanto tempo desde... — torceu os lábios, deixando no ar a referência que fazia. Não queria falar do termino e deixar o clima tenso entre eles, mas também não conseguia ignorar o que um dia foram.
talvez não fosse a pessoa mais apegada no mundo, mas desde que tinha decido que seria apenas ela e seu trabalho, havia se apegado nas pessoas que sabia que podia contar e trevor era uma delas. ele podia ficar meses fora, viajar o mundo, terem fusos diferentes que mesmo assim, quando ele precisasse, a mais velha largaria tudo e faria o que fosse possível para estar com ele. não escondeu o sorriso animado quando ouviu aquilo. “ sabe… saint pode se mostrar bem interessante, se você der uma chance… ” tentou ser positiva. por mais que ela soubesse que grandes coisas não aconteciam ali, trevor era um rapaz divertido e interessante, afinal, não era sempre que um surfista parava por ali. seria fácil encontrar alguém, caso ele quisesse. revirou os olhos com a fala dele. thalia fugia de qualquer tipo de envolvimento, afinal, as coisas eram complicadas e sempre seriam. ela tinha aquele muro que evitava se apegar as pessoas porque realmente era complicado, sentimentos e compreensão. fora que seu trabalho ocupada boa parte dos seus dias e fins de semana ela fazia trabalho voluntário. não tinha tempo para aquilo. e além de tudo, trevor não precisava saber se ela possuía alguém ou não, pois a partir dali ele iria querer saber quem e ela evitava informações desnecessárias. “ trevor, por favor! a gente já passou desse assunto e você sabe melhor do que ninguém que eu não preciso disso. as coisas estão bem assim e até eu achar que não tem porque, eu vou continuar assim. garoto, eu não vou “ mandar ver ” com alguém assim. sério, as vezes você parece um adolescente cheio de hormônios. ” implicou com ele, dando uma risada em seguida.
Trevor ouviu as palavras e sentiu a verdade delas. Não duvidava que a pequena cidade poderia lhe oferecer uma boa diversão, afinal de contas, ele estava acostumado a viajar o mundo e sempre conseguiu se divertir nelas, estando dentro ou fora do mar. Saint não poderia ser diferente. Na verdade, ele desejava que não fosse, ou sua viagem seria menor do que poderia garantir. Mas não amolaria a mais velha com isso, não depois de ver aquele sorriso que enchia seu peito de calor e confortava a alma. — Estou realmente ansioso para ser surpreendido, e você sabe que estou sempre aberto as novas aventuras — retrucou com aquele mesmo largo sorriso nos lábios, um que tentava replicar o dela, mesmo que isso fosse completamente impossível. Sempre que tocavam no ponto da vida amorosa, ou até mesmo a sexual de Thalia, a mais velha parecia se fechar. Não era como se Trevor desconsiderasse que ela era feliz com a vida que tinha, pois ele conseguia ver isso, conseguia ver a irmã como uma mulher completa, nada lhe faltava. Sua insistência para que ela tivesse alguém, ou o mínimo de contato que fosse, era por encarar que ele não estaria ali para sempre, e era importante ter alguém, um apoio que fosse. Era engraçado que Trevor tivesse tanto amor pra dar, que não conseguisse se prender a uma só pessoa e precisasse de várias. E Thalia fosse seu completo oposto, reservada, contida e fechada. Seu amor era regrado e seletivo. Suspirou, fazendo uma careta ao final. — Certo certo, não tocarei mais nesse assunto. Vou respeitar seu estilo de vida, assim como você tem respeitado o meu por todos esses anos — ergueu as mãos na altura paralela do rosto enquanto falava, como se estivesse se rendendo — Mas será que podemos sair juntos qualquer noite? A Mary tá inaugurando um club por aqui e adoraria ir com você — comentou, esperando que ela se lembrasse da amiga de anos que Trevor tinha. E se ainda assim não conseguisse, provavelmente lembraria do club. Não era como se sg tivesse muitos.
Como professora do jardim de infância, Cecília tinha uma rotina extremamente regrada. Ao contrário do senso comum, sua profissão demandava uma quantidade de energia exorbitante e, por isso, era usual que a morena fosse se deitar antes das nove horas da noite. Não que ela se queixasse, contudo. Sempre se considerara uma pessoa diurna. E, além disso, era demasiado apaixonada por suas crianças para se importar de realizar sacrifícios como aquele. O anúncio do recesso estudantil decorrente da reunião da diretoria do colégio, porém, foi suficiente para que suas amigas a coagissem a encontrá-las em um bar - afinal, quando fora a última vez que haviam saído para beber e dançar? Determinada a passar não mais do que um par de horas no local, Ceci viu seus planos irem por água abaixo após o terceiro shot. Com o sorriso frouxo e o ânimo redobrado, ela se dirigiu à pista de dança para encontrar as amigas. E foi nesse instante que seus caminhos voltaram a se cruzar. Era possível que fosse mesmo @trevorxwells?
“Ah, não, não, não. Você de novo não. Agora eu com certeza estou vendo coisas. Três vezes na mesma semana é muito, mesmo em Saint-Gingolph, ô universo!” A morena se queixou, erguendo o olhar como se falasse com alguma entidade oculta. “Eu vou fechar os olhos e, quem é que esteja ai do outro lado achando graça dessa brincadeirinha, vai parar de fingir que é o Trevor de novo. Porque ele deve estar… É, provavelmente na cama com alguma loira bonitona.” O tagarelar e as proposições um tanto exageradas pareciam ainda piores sob o efeito do álcool. “Um, dois e…” Ela abriu os olhos antes mesmo de pronunciar o último número, certa de que deveria estar ficando louca. Ao contrário do que havia se convencido, porém, a figura do ex namorado continuava plantada a sua frente, tão encantador quanto antes. Nesse contexto, o curvar de lábios femininos foi inevitável. “Que gracinha, você ainda tem o mesmo sorriso bonitinho de quando a gente namorava.”
Saint falhava pela ausência de um oceano no qual Trevor pudesse desprender seu tempo, onde pudesse mergulhar e refletir nas coisas que aconteciam durante seus dias. Mas compensava no número de bares disponíveis e na boate que a amiga acabava de inaugurar. Entretanto, nunca foi do feitio do Wells afogar-se em álcool. Não, o atleta não tinha o costume de beber e por isso, bastavam duas cervejas para que ele ficasse alegrinho, leve e mais solto do que o normal. Ele gostava da energia caótica e desprendida dos bares, das pessoas felizes, dançantes e completamente entregues a viver o momento. E esse era o principal motivo para frequenta-los. Só não imaginava que na noite em questão, encontraria com Cecília em uma das pontas da pista. Sempre imaginou a outra mais reclusa e reservada, mas vê-la ali tão radiante, mexeu um pouco com o Wells, que não hesitou em se aproximar.
O moreno ouviu as primeiras palavras, e instantaneamente se pois a rir de toda a situação. Cecília sempre fora bastante tagarela, mas quando bebia isso parecia se destacar ainda mais. Não interrompeu, apenas permaneceu parado diante dela, pensando na mesma piada que o destino fazia em coloca-los novamente num mesmo espaço. Tudo bem que Saint era uma cidade relativamente pequena, mas ainda assim, ele não esbarrava com as mesmas pessoas todos os dias, ou ao menos não parecia notar as pessoas, como notava a mulher a sua frente. O sorriso se alargou com o revelar do rosto e o último comentário que saíra dos lábios da mais nova. Será que ela sabia que entre os dois, ela que era a gracinha? — Acha mesmo? Da última vez parecia que nem se lembrava de mim, ou do tempo que passamos juntos — brincou, tomando a liberdade de aproximar-se um pouco mais. O som alto do espaço atrapalhava a comunicação, e por isso ele inclinou a parte superior do corpo a frente, encostando os lábios no ouvido alheio — E você ainda é tão bonita e radiante, quanto era quando namorávamos. Principalmente assim, levemente bêbada — soltou um sorriso soprado, antes de se afastar para olha-la.
Se John ficasse irritado toda vez que fosse interrompido, não estaria na posição que se encontrava. Dessa forma, foi com um sorriso simpático de pai que recebeu a iniciativa corajosa daquele estranho. “Nobre cidadão,” limpou os cantos da boca com um guardanapo, “não foi obra minha, devo salientar isso, mas realmente, estava impecável. Seguirei o exemplo em breve e darei uma grande festa, mas sem mais spoilers."
John não estava curioso, imaginava que deveria vir alguma sugestão de como ele deveria investir em qualquer setor que fosse e isso era de praxe. Ouvia todo dia. Mas lá estava ele com aquele sorriso simpático, sem tremeliques.
"Ouvi outras opiniões, eventos como aquele apenas incentivam conversas de negócios e um pouco de vergonha alheia depois de alguns drinks. Mas vamos lá, me conte sobre o seu negócio.”
— Bem. Aguardarei ansioso por essa festa grandiosa — repetiu as palavras do mais velho, com o sorriso largo ainda desenhado aos lábios. Alguns anos tendo que lidar com a mídia, os poucos fãs e a vida minimamente publica, e Trevor já sabia exatamente como se portar diante de figuras desconhecidas, mas de quem ele poderia arrancar algo. Estar ali com John, era como estar diante de um patrocinador, ou coisa assim. Ele balançou a cabeça em concordância, quando o ouviu falar sobre as conversas do evento, coisas que ele imaginava que aconteciam, mas que sinceramente não tinha prazer em participar. Festas foram feitas para se divertir, não para falar de assuntos chatos, e Wells era bem decidido quanto a isso.
— Então, eu acho lamentável que Saint não seja cortada por algum oceano sabe? A falta de sal e mar, pode matar — dramatizou um pouco, mas tudo fazia parte da tentativa de vender seu peixe — Bem, eu sou um cara do surf. Então eu amo o mar, mas na ausência dele, penso que poderíamos ter uma piscina com ondas e incentivar as crianças com um esporte que não seja limita a bolas, tacos ou cestas.
Cecilia era provavelmente uma das únicas pessoas do planeta que preferiria se esconder de seu primeiro amor a deixar-se preencher pela nostalgia associada àquele período. Não havia como negar a doçura daquele início, porém, o problema com as primeiras vezes é a intensidade dos sentimentos: da euforia, do desejo e do desamparo. E a brasileira duvidava que um dia se esqueceria do embaraço e da tristeza que a assolaram ao ter seu coração partido por Trevor.
Após tantos anos, era de se esperar que tivesse superado a situação. Contudo, Ceci não hesitaria em desviar o próprio caminho para evitar cruzar com ele na rua. Não que isso fosse um problema, era evidente. Fazia tantos anos que não se encontrava com o moreno que sua figura era uma memória longínqua, associada apenas à música que havia feito sucesso nas redes sociais recentemente. A morena apenas não esperava que o destino poderia ter ideias distintas. E, para sua surpresa, o timbre rouco ainda era capaz de provocar-lhe um arrepio. A Müller mordiscou o lábio inferior. Como era possível que ele a tivesse a encontrado ali? Não era possível, certo? Não poderia ser. “Eu… Hum, James?” Ela não teve coragem de pronunciar o nome do primeiro amor, afinal, seria demasiado vergonhoso se estivesse equivocada.
Trevor mantinha a mão cobrindo os olhos da mais nova, um tanto ansioso e apreensivo pela resposta. Será que ela já o havia esquecido? Quanto tempo se passara desde a última vez que se viram? Trevor tentava não se lembrar do último encontro, pois ele fora o mais desastroso de todos. Em todo o momento em que esteve com Cecilia, em todas as juras trocadas e promessas feitas, ele realmente não tivera a intenção de magoa-la, mas ainda assim havia acontecido.
Ele torcia internamente para que todos os anos distantes, tivessem levado embora as lembranças ruins, assim como acontecera com ele, que apenas lembrava da morena com carinho. Mas foi quando ele ouviu a resposta, aquele nome que não era o dele, que a chama da esperança se apagou tão rápido quanto se ascendeu. Então ela havia esquecido, pensou. Um sorriso soprado escapou dos lábios e ele afastou a mão que lhe cobria os olhos. — James, uhn? Alguém que esteja esperando? — perguntou ainda mantendo o tom baixo e casual. Não havia ciúmes na sua voz, apenas pesar por não ter sido lembrado. — Faz tanto tempo assim, Ceci? O suficiente para esquecer da minha voz?
—— Que bom! —— Comentou, brevemente, com um sorriso nos lábios. Eram raros os momentos em que se via Marilyn assim, mas Trevor parecia ter algum dom, com aquele jeitinho descontraído e leve que se equilibrava com o fato de que ela parecia estar sempre irritada, tensa, ansiosa e até mesmo fria em muito momentos. —— Esse sábado! Pode imaginar como estou com os nervos à flor da pele, não é? —— No fundo, esperava que ele tivesse alguma palavra de conforto, como sempre parecia ter. —— Talvez eu esteja surtando à toa? É possível… Se você tiver algum incentivo ou quiser me salvar um pouco dessa minha loucura, a hora é essa.
Trevor tomou a liberdade de dar alguns passos a frente, passando de Marilyn, ganhando mais terro dentro do imóvel para observar os detalhes. Tudo realmente incrível, como se tivesse sido pensado até nos mínimos detalhes. Foi quando ele ouviu a data da inauguração, e deu um meio giro, voltando a fita-la. — Sim. Mas vai sair tudo certo, Mary-Mary. Tudo que você toda dá certo, você é tipo o rei midas, só que sem a parte da tragédia, só o ouro mesmo — brincou, o largo sorriso continuava desenhado nos lábios, tentando transmitir algum conforto para a amiga. — Vai dar tudo certo, e se precisar de um ombro amigo, faço questão de estar aqui para te prestigiar. Posso postar nas redes, chamar alguns amigos, só os organizados. O que me diz?
“ eu ainda vou enfartar com você falando do tamanho das ondas, sabia? ” revirou os olhos ao imaginar algo acontecendo com o irmão. thalia não tinha muitas pessoas quais era apegada, por isso, se preocupava com ele. deu uma risadinha baixa quando ele falou de ofélia. ela sabia como a mulher era importante pra ele e ficava feliz que trevor havia encontrando alguém. “ olha, você se acostuma com o tempo. a única coisa que eu não posso prometer são ondas, porque… bem, tem um lago e espero que isso contente você por algum tempo. ” brincou. sabia que ele iria implicar com a sua escolha de não ter alguém. mas era mais fácil quando você não se prendia a sentimentos. seus amores envolviam todos os tipos de espécies que ela podia cuidar. mas seu irmão estava na lista de quem ela se preocupava e por isso queria garantir que as coisas estavam bem. “ sabe, eu tenho duas ótimas companhias para fazer cardio. o ghost e o spice são ótimos companheiros, apesar de que eles estão mais preguiçosos pela manhã. ” disse se referindo a dois de seus cachorros.
Ele riu diante daquele comentário. Não era que achava graça em deixar a irmã preocupada, ou coisa assim, mas tinha que admitir que era engraçado toda aquela preocupação, mesmo depois de tantos anos, mesmo com Trevor cheio de pelos na cara, tão velho e tudo mais. Ainda assim, Thalia parecia trata-lo como se tivesse cinco anos, e isso era adorável da parte dela. — bem, eu posso fazer o sacrifico de ficar algum tempo longe do mar, se isso significar ficar algum tempo perto de você — e ele falava sério sobre isso. De todas as viagens que fazia, sempre sentia a falta de Thalia, sempre se prometia fazer uma para passar algum tempo com ela, se reconectarem além de uma tela, e lá estava ele finalmente cumprindo essa promessa interna. — Aaah, maninha — revirou os olhos, suspirando alto — não foi esse cardio que eu me referi, e por mais incríveis que eles sejam, não são contato humano, não tem o mesmo calor, aquela mesma onda elétrica que passa no corpo quando outra pessoa te toca num ponto sensível, sabe? — e sobre essas ondas, ele entendia tão bem quanto as que surfava — você não precisa namorar, ficaria feliz só se você saísse pra mandar ver com alguém — deu de ombros, seu tom era divertido e provocativo, e internamente se preparava para uma replica abusada da mais velha.
— Senhor presidente — Trevor chamou a atenção do mais velho que parecia distraído tomando seu café. Provavelmente não era a melhor ideia importunar o presidente da comuna enquanto ele fazia seu desjejum, mas Wells não tinha muitos limites e estava bastante animado com a proposta que tinha a fazer. — Bela festa no outro dia, me divertir bastante — começou com um elogio, tomando a liberdade de puxar uma das cadeiras próximas para sentar-se ao lado do mais velho — sabe, eu queria a oportunidade de conversar com o senhor, mas no baile não pareceu ser uma boa. Quem gosta de falar de negócios quando está se divertindo não é?
“ você estava onde mesmo? ah, ofélia sendo ela, huh? e esses olhinhos apaixonados? eu nunca o vi tão bobo assim. ” brincou com o irmão. eles eram completamente opostos, ao ponto que thalia gelava a espinha só de imaginar passar tanto tempo com alguém. era complicado, não que ela não gostasse, mas colocava seu trabalho acima de tudo e evitava qualquer coisa que a desviasse daquele caminho, afinal, tinha sua profissão como uma vocação a seguir. deu uma risada com a resposta dele. “ você espera muito de uma cidadezinha no meio do nada, sabe? ” disse, limpando as mãos e cobrindo a boca enquanto terminava de mastigar o pedaço mordido. ela via o caçula como alguém que estava sempre atrás de alguma aventura, afinal, por que teria escolhido surf se não era aquele o motivo? ficou de pé e fora pegar um copo, para servir água. “ você pode até achar chato, mas vez ou outra acontece algum evento na cidade. e o pessoal ao redor vem e fica divertido. vai por mim. mas não espere grandes shows e espetáculos. para isso, tem genebra há uma hora daqui. ” brincou, porque realmente não tinha coisas grandiosas que acontecessem em saint como acontecia em cidades mais centrais. a diversão de thalia limitava-se a uma das praias e levar seus cachorros para caminhar nas trilhas. “ eu não sei o que você espera ouvir de mim, mas se considera algum romance, pode descartar, você sabe. e está tudo indo bem, eu voltei da clinica faz poucas horas. ”
— Japão. Ondas muito maneiras, ‘cê tinha que ver, a arrebentação ‘tava perfeita — fez o final de ok com uma das mãos, dando um pequeno sorriso sem jeito para a provocação seguinte dela — aaah, é como dizem, when you find the one, is the one — deu de ombros. Trevor nunca foi o tipo que se prendia, ao menos não por completo e esse sempre foi o problema com as pessoas do passado, mas não foi com Ofélia. Os dois combinaram de primeira, e ele sabia apreciar o quão rato era isso. — É, talvez eu tenha esperado bastante, mas tentarei colocar os pés no chão. Saint pode não ser tão ruim assim, tem duas das minhas pessoas preferidas no mundo, então já tá na vantagem — apoiou os cotovelos na mesa e logo na sequencia, repousou a cabeça nas mãos, olhando atentamente aos movimentos da mais velha. Adorava seus momentos com ela, sentia falta da rotina que partilhavam quando Trevor era mais jovem, mais relaxado e eles moravam juntos. — Aaah, qual é, você tem que arrumar alguém pra esquentar sua cama sabia? Nem que seja as vezes. Um pouco de cardio, sabe? Faz bem pra saúde e tudo mais.
estavam em uma roda de pessoas, conhecidos de conhecidos, tentando aproveitar a noite temática do bar e aumentar o círculo de amizade de alguma forma. o clima estava confortável e amigável, até uma das pessoas que yazmín sequer havia descoberto o nome começou a falar sobre a terrível experiência de ter perdido o emprego — não que a mestiça não entendesse o que era estar desempregada e ainda assim ter contas pra pagar, só não fazia ideia de como lidar com emoções. suas ou de terceiros. “ não consigo pensar em nenhum assunto tão interessante quanto esse. “ murmurou baixo pra quem estava sentado em seu lado, apoiando a lateral do rosto em um dos pulsos. até queria continuar bebendo, mas o clima havia ficado tão pesado que a única coisa que conseguiu fazer foi tentar se distrair com conversa paralela. “ você tem conhecimento de alguma frase magicamente empática pra sair de situações do tipo? “
Os bares da cidade já tinham virado cativos de Trevor. Não que lá não tivesse muito o que se fazer, pois tinha, mas não para um surfista. Não haviam ondas, mar, céus não tinha uma praia. Como atleta, não era do seu costume beber, não era por isso que ele frequentava os bares. Mas por ter descoberto que a alma da cidade habitava ali de certa forma. Todas as conversas paralelas, fofocas, brigas e comemorações. Trevor gostava daquilo, alimentava sua alma de alguma forma. E lá estava ele, com uma garrafa de cerveja esquentando a sua frente, ouvindo os cochichos paralelos, quando a morena lhe dirigiu a palavra de forma direta. Os olhos desviaram para o lado, fitando o perfil alheio e logo ele girou mais o corpo, para se mostrar aberto a conversa e também, para vê-la melhor. — Uhnn, essa é uma difícil — ponderou, levando a ponta do indicador ao queixo — Talvez dizer para não desistir? Ou fazer o que ama? Vender sua arte na rua? Eu sinceramente não sei, mas independente do que seja, vai passar. Nós seres humanos, temos uma forma especial de superar as dificuldades — deu de ombros, esboçando um pequeno sorriso no canto dos lábios.
quando sentiu os braços dele ao seu redor, era como se ele nunca tivesse ido. sentia tanta falta de ter alguém para incomodar, afinal, ele era uma das poucas pessoas que aguentavam seu temperamento. “ mas você está bem, certo? e como está ofélia? ” revirou os olhos quando ele negou sua oferta para comer algo. naquele ponto, ela poderia ser como uma mãe ofendida por ter sido recusada. quis dar um tapa no braço dele, mas apenas seguiu o corredor até a cozinha. “ então você veio ao lugar errado, fique sabendo. não acontece grandes coisas em saint, sabe?! ” deu de ombros, sentando em uma das bancadas altas da ilha e mordendo o pão que havia feito antes dele chegar.
— Sim, sim. Um tanto enjoado da viagem, ainda no fuso horário, mas fora isso tudo bem. E Ofélia está sendo Ofélia — Trevor tinha o péssimo habito que sempre que falava da noiva, ele divagava sobre o quanto ela era incrível, perfeita e tanto mais. Ele sabia o quanto isso poderia ser cansativo para algumas pessoas, a forma como ele era rendido e completamente apaixonado, então apenas limitava-se a dizer que estava tudo bem, ou que ela seguia sendo ela, como se isso resumisse que continuava sendo sua vida inteira. Assim que chegou a cozinha, puxou uma das cadeiras para sentar-se, tudo ali era perto, mas isso não significava que ele não tivesse cansado da caminhada. — Era isso que eu temia — confessou com um meio sorriso, levando uma das mãos para bagunçar os cabelos — sabemos que consigo me entediar fácil, e eu temia que Saint fosse uma cidade tediosa — soprou o ar, fazendo um pequeno biquinho — mas tem que ter algo sobre sua vida que eu não saiba, uhn? Como estão as coisas, os negócios?
Franziu o cenho ao escutar a voz conhecida, mas levando alguns segundos até associar a quem pertencia. Ergueu o olhar, e a face suavizou, dando espaço a um sorriso largo. Levou a mão a testa, e sacudiu a cabeça em negativo, como se repreendesse a si mesma. —— Desculpa, Trev. O dia está uma loucura! —— Resumiu, caminhando até ele para um abraço, ainda sem deixar de lado a prancheta que carregava com anotações importantes para a abertura da boate. —— Faz tempo mesmo que não nos vemos. Como anda a vida? E a Ofelia, como vai? —— Perguntou, ainda apertando-o pelo abraço, só então se afastando para escutá-lo melhor.
Ele manteve o sorriso nos lábios, sabia o quanto a ruiva podia ser ocupada, ainda mais agora com um negócio nas mãos. — Imagine, meu bem. Estranho seria se não estivesse. — comentou brevemente, antes de recebê-la nos braços, apertando-a forte. Trevor era daqueles que acreditava que abraços tinham que ser firmes, pois eles transpassavam o sentimento existente pela pessoa. — Tudo bem, eu acho. Acabei de voltar de um torneio, Ofélia estava arrumando as coisas no apartamento, vi minha irmã também. Acho que tudo exatamente onde deixamos — comentou com um breve sorriso, olhando-a agora mais de perto. Mary não tinha mudado absolutamente nada. A soltou e tomou a liberdade de olhar ao redor. — Então, quando será a grande abertura?
Melania sorriu, ele realmente poderia conhecer ela de tantos lugares: eventos, campanhas, ou pelo trabalho de cam girl ou de acompanhante de luxo, talvez até mesmo tenha visto Maya pela cidade e não o culparia por se confundir entre elas, mantendo o sorriso nos lábios ela deu o lugar ao lado para ele - Não sei se a gente se conhece, mas nada impede de nos conhecermos certo? Sou a Melania, mas por favor me chame de Mel.
Aquele sorriso foi seu trunfo, a carta branca para que ele pudesse relaxar um pouco, sem a tensão de ser tratado de forma rude ou de tomar um fora. Aproximou-se mais, vendo aquela porta aberta da oportunidade. — Melania, Melania... Mel. — repetiu o nome e o apelido, como se buscasse na memória por uma conhecida, ao menos era isso que ele tentava vender no seu exterior. Por dentro ele apenas arquivava e relacionava o nome ao rosto. — Não, acho que devo tê-la confundido com alguém, mas bem, concordo que podemos nos conhecer ainda. Trevor. — se apresentou, acompanhando o nome com um sorriso. Não tomou a liberdade de estender a mão, sabia que isso era formal demais. — Seria prepotência demais achar que a conheço, afinal sou novato por aqui.
“pior que eu sei, mas novamente” disse pegando a garrafa de volta e dando mais um gole nela diretamente da boca com um sorriso. “com emoção é mais divertido” sorriu para trevor e deu uma piscadela para ele. fazia tempo que não conversava com trevor, antes mesmo dele ir viajar os dois não se falavam a um tempo, mas não era nada pessoal, apenas que era uma pessoa um pouco ocupada. ficou feliz de ver o colega naquela festa. “eu digo o mesmo, trev. não sabia que viria nesses eventos” para ser sincero nem caetano estava com vontade de ir naqueles eventos, mas precisou porque cecília lhe insistira muito, além de que ele poderia reencontrar as pessoas. “como anda a sua vida? fazendo muitas competições ainda? inclusive você está me devendo uma cervejada por eu ter ganhado de você nas ondas no ano passado” falou fazendo referência a vez em que os dois competiram em sg mesmo, quando eles estavam na praia juntos e soltou uma risada.
ele espirito juvenil e inconsequente, era o que atraia Trevor. Ele gostava de amizades assim, de relações assim, que tinham aquela tensão perigosa e ao mesmo tempo eram tão divertidas. O moreno sorriu diante do comentário, observando a movimentação da garrafa que ia e vinha, na verdade ela se mantinha mais nas mãos de Caetano do que nas suas, talvez por conta de não ter realmente o costume de beber. — Aaah, você sabe. Não paro muito tempo em um lugar, sempre tenho que viajar, então quando posso socializar, eu o faço. É bom conhecer meus vizinhos, e acho que deve ser importante para Ofélia, já que os irmãos dela estão aqui — comentou dando de ombros. Trevor amava ter Thalia por perto, mas ambos pareciam já estar acostumado com a dinâmica de passar meses sem se ver, o que não parecia ser o caso da noiva e ele entendia, e portanto se esforçava para fazer seu papel. — Sim, acabei de voltar de uma disputa no Japão. As ondas estavam incríveis. Teria durado mais duas semanas, mas o clima não ajudou, então foi tudo muito corrido — ele riu ao lembra-se do momento que o amigo falava, uma pura jogada de sorte, ou talvez nem tanto assim, já que ele reconhecia o talento de Caetano e Cecília. — É só me dizer quando você pode, e marcamos