Área do milagreiro
Licenciatura é uma das áreas em que todos acham que conhecem a solução e eu era uma dessas pessoas.
Quando entrei na sala "de verdade" a história mudou de figura.
Não é que professor ganhe pouco, mas professor pelo que faz de diferença na sociedade e pelo que ouve de críticas (de alunos, pais, direção e pares), deveria ganhar pelo menos o dobro.
Não é só planejamento diário, semanal, trimestral e anual. É reunião semanal, uns 3 tipos de conselhos, carga horária de hora atividade a ser cumprida dentro da escola - mesmo que você trabalhe melhor em casa e não nas cadeiras da sala dos professores. Até aí tudo bem, faz parte de qualquer trabalho.
O problema vem quando além de tudo isso, você decide postar um desabafo para seus pares e vem alunos, pais, aspirantes a licenciados, pessoas que nunca pisaram na sala como professores, cobrar de você a excelência num trabalho que não depende somente de você.
Criticar um professor porque uma turma não presta atenção em alguns momentos é como você criticar um médico porque alguns pacientes não quiseram tomar o remédio prescrito.
Novamente, até aí nada de novo na sociedade. O que me provocou toda essa indignação foi os novos aspirantes a professores e sua visão de mundo idealizada. Eu até tinha essa paixão, mas não a ponto de negar a realidade igual vi alguns fazendo hoje.
Antes de entrar no piso, pensei que teria mais ideias, traria propostas inovadoras, faria os alunos pensarem fora da caixa. Só que eles não querem.
Eles também estão cansados do turno integral e não querem ficar brincando de seminário comigo, não querem fazer um site, não querem atividade que envolvam colorir, não querem atividades que envolvam questionário, não querem ler um texto, não querem responder perguntas, não querem sobretudo pensar. Eles só não querem.
E tudo bem. Mas colocar a culpa no professor sendo que não é você que está vivenciando aquela realidade daquelas salas de aula enquanto você planeja se tornar professor é dar um tiro no pé. É se preparar pra ser um amargurado frustrado com a profissão porque vai lidar com uma realidade muito cruel e fora das expectativas.
Antes de ser professor, avalie se você gosta de dar aulas ou se você apenas se imagina o próximo Freire. Porque no campo não tem só flores.














