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@oitoedez
Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser.
Caio Fernando Abreu. (via distanciarei)
Tu não precisa mudar a tua essência para manter as pessoas na tua vida, tu precisa apenas ter por perto quem te aceita como realmente é, com tuas qualidades e defeitos. Mantenha distância de pessoas tóxicas. Nessa Cross.
Dor é assim mesmo. Arde, depois passa. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, virar um paralelepípedo ou qualquer outra coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traqueia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num mar imenso de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou.
Nattan Duran. (via distanciarei)
Às vezes, estamos tão empenhados em tirar dos nossos ombros uma história que falhou, algumas palavras que estapearam nosso ego, alguns relacionamentos que sugaram nossa saúde mental e estabilidade física e emocional, que não conseguimos entender que o perdão acontece silenciosamente, quase que por osmose. Você vai vivenciar outras pessoas, coisas, sensações, ruas e risadas. Você vai movimentar sua mente, tentar alcançar seus objetivos, verificar se seus sonhos condizem com o tamanho do travesseiro, se sua jornada tem sido bem trilhada. E aí, quando você estiver caminhando até seu trabalho, num dia completamente normal, num mês que não te anunciou nada, você perceberá: terá ido. Tudo, terá ido. A dor, a raiva, a tristeza, a frustração e a vontade de tentar arrancar à força aquilo que estava em você e não saía.
“Amar é mandar, achar que manda, obedecer, fingir que obedece. Amar é fazer vitamina de banana com nescau, é dar bom dia espreguiçando as vértebras com os braços esticados, sorrindo envergonhado de remela nos olhos. Amar é dizer “vem cá”, ter os pés aquecidos sem pedir, comemorar o dia do primeiro beijo, chegar da festa e comer pizza gelada. Só ama aquele que começa a falar pelo fim, que diz sim sem saber a pergunta, que discute o namoro sem lugar-comum. Ama quem sai na rua pra tirar fotos, pra ver estrela riscar o céu, pra pisar na grama descalço, pra pegar um cineminha na terça. Amar é perguntar “tá dormindo?”, é descer do ônibus com o outro à espera, é cantar “she loves you yeah yeah yeah”, é morder queixo, orelha, cotovelo, panturrilha, lábio. Amar é comer uma coisa diferente e lembrar o outro, é ficar de mal, é arrumar tempo pra pensar no outro na correria do dia.”
— Gabito Nunes.