Assim que o menino bateu continência e corrigiu-lhe a garota abaixou a cabeça, como se tivesse tomado uma bronca e então começou a rir, sendo acompanhada pelo garoto. Enquanto ele parecia “processar” as falas, ela se arrependera de imediato; odiava deixar as pessoas naquele estado, pensativas, curiosas, intransparentes. Mas então, havia sido apenas questão de segundos, o que fazia a menina retirar todos os seus pensamentos anteriores. Afinal, todo mundo parava por segundos e talvez fosse a única no mundo que falasse o tempo todo sem digerir as coisas antes de expeli-las sem nenhum filtro. Conforme o menino falava, ia assentindo com a cabeça positivamente. — Não é medo da resposta, Oliver. — Fez uma pausa e esperou que ele completasse sua frase, respirando fundo e olhando em volta antes de encará-lo para prosseguir — É só que… Eu sempre odiei essa pergunta e toda vez que alguém a fazia, eu sentia que ia explodir. — Sorriu brevemente e soltou o ar pela boca, passando as mãos pela roupa como se tentasse ajeitar seu traje. Diante da pergunta do menino, a garota se sentia levemente encurralada. Sorriu novamente, desta vez de forma mais sincera, menos sarcástica, menos… Menos pesada. — Estou bem, sobrevivendo. — Repetiu a frase do garoto, em um misto de brincadeira e ironia. Mordeu o lábio inferior enquanto olhava tudo ao seu redor, quase evitando o contato direto com o rapaz — Sabe como é… Existem dias nos quais você acorda de mal pro mundo, certo? — Enquanto falava, voltava aos poucos a olhar para o rapaz já com um sorriso de cumplicidade no rosto.
Por alguns instantes eu me calei, tentando entender a resposta dela. Era curioso. Por fim, comprimi os lábios e assenti. Não tinha porquê fazer comentários a respeito disso, porque no fundo eu sabia que era realmente daquele jeito. As vezes eu mesmo me sentia daquela forma. Ri pelo nariz com a resposta que veio a seguir. — Não use as minhas palavras contra mim. — Fingi uma reclamação ao torcer o nariz. Eu estava meio inquieto, por isso, acabei afundando minhas mãos nos bolsos dianteiros da calça de uniforme e só voltei a olhar pra Alanna quando ela completou a fala. — Não sei. Nunca passei por isso. — Resolvi brincar. Com um meio sorriso, maneei a cabeça em negação pra mim mesmo. — Brincadeira. — Era melhor deixar claro, né? Suspirei e cocei a nuca. — Podemos arranjar alguma coisa pra fazer, se quiser. Esquecer isso... — Parecia uma boa ideia, inclusive, apontei para a saída para o corredor, esperando por ela.











