Mas… Mas que porra tá acontecendo aqui? – Amber olhou para os lados completamente confusa, e percebia a expressão de desespero e ao mesmo tempo confusão na face de Jason também. Antes que o loiro pudesse dizer qualquer coisa a respeito do estado de Becky, do quanto ela estava machucada ou até mesmo da conversa que os dois haviam tido há alguns minutos, Oliver chegou com as ferramentas para tirar Rebecca de lá, e Amber se assustou ao ver o tamanho daquela sacola. Ela não se importou em abri-la para conferir o que havia dentro, e engoliu em seco mais confusa do que nunca – Mas… Mas o que é isso? Pra quê vocês precisam disso? – ela perguntou confusa, pois por alguns segundos, ela esquecera que Becky estava de fato acorrentada dentro daquele porão. Jason, sem mais delongas, puxou Amber para dentro do porão para que ela pudesse ver o estado da amiga, e a Amber entreabriu a boca ao ver a garota daquela maneira, com os olhos vermelhos como se tivesse acabado de chorar e as mãos para trás, acorrentadas – Becky… – ela disse simplesmente, com os olhos arregalados e, ao contrário do que Jason havia feito, Amber não pensou no medo que a menina poderia vir a sentir com uma aproximação repentina, e fez isso, se ajoelhando ao lado da amiga e a olhando de maneira piedosa e assustadora – O que… O que aconteceu aqui? Você… – ela olhou para o pescoço da amiga, onde pôde visualizar um pequeno corte feito com algo pequeno – Você tá toda… Toda machucada… – ela sentiu os olhos se encherem de lagrimas – Alguém pode me explicar o que é isso?!
Becky ouviu a voz de Amber do lado de fora e não soube o que fazer a princípio, se chamava pela menina ou simplesmente esperava que ela aparecesse. Ficou um pouco quieta apenas ouvindo a confusão da menina e ela mesma não conseguia entender como que poderia ter causado tudo aquilo. Tentou mexer nas correntes em seu braço mas estavam cheias de cadeados por ela toda. O maior medo da menina naquele momento é que Brad aparecesse e fizesse alguma coisa com os três, já havia passado muito tempo. Becky não estava tendo mais um de seus ataques mas não gostou da aproximação total da garota em si, ficou um pouco quieta, embora com ela não se sentisse tão insegura pois Amber era uma mulher, de alguma forma aquilo deixava a menina mais calma. Ela parecia confusa, e Becky não sabia o que dizer, simplesmente não sabia como explicar para os três que seu ex-namorado pirado havia a colocado naquele lugar, não sabia como explicar do quanto havia sofrido, da violação de eu corpo, das torturas, ela não conseuia dizer aquilo, pois não havia palavra que explicasse o suficiente o que havia acontecido – Eu acho melhor vocês irem rápido se não quiserem que ele apareça aqui e faça isso com vocês também. – disse se encolhendo em uma parede e abraçando seus próprios joelhos voltando a derrubar lágrimas – Foi horrível, Amber. Ele, ele acabou comigo. Eu não, eu… Eu me sinto suja. F-foi horrível. – a menina sentiu uma sensação de náusea ao se lembrar de algumas coisas que ocorreram e rastejou rapidamente até o vaso sanitário que havia ali começando a colocar pra fora o que a enjoava, mas não tinha muito o que ela pudesse fazer já que não comia desde o café da manhã quando Brad a deixou. Ver Oliver e Jason causou raiva na menina por outro lado também – SEUS IMBECIS, – ela se levantou rapidamente e foi na direção deles, embora não pudesse andar muito pelo local por estar acorrentada – QUEM VOCÊS PENSAM QUE SÃO PRA DEIXAR O ANDREW AQUI DENTRO TODO ESSE TEMPO? ELE QUASE TEVE UM ATAQUE, VOCÊS SÃO MALUCOS? – começou a bater em Oliver e Jason no peito mas não tinha tanta força para fazer isso – Eu odeio vocês. – suspirou um pouco se sentando no chão novamente. – Só me tirem daqui, rápido.
Amber sentia a sua respiração extremamente acelerada, e termia que a amiga se machucasse mais ao tentar tirar as correntes da suas mãos. Ela franziu o cenho ao ouvir a descrição da amiga sobre o que e que tinha acontecido e a loira logo conseguiu ligar os pontos de todas aquelas palavras. Era óbvio o que havia acontecido, por mais que um lado da menina se negasse a acreditar que aquele tipo de coisa podia de fato acontecer, que aquele tipo de coisa era real. O estado psicológico dela, as marcas no seu corpo, a expressão facial esgotada e o corpo magro e sem saúde. Tudo, por mais obscuro que fosse, estava claro na mente de Amber – Ele te estuprou – ela disse simplesmente, não como se fosse uma pergunta, já que tudo era óbvio para a loira – Brad te estuprou – ela disse novamente, agora não olhando mais para a amiga. Olha para um ponto aleatório em todo aquele porão como se procurasse algum sentido para aquelas palavras juntas numa frase – Ele… – ela se levantou e olhou para os meninos, que estavam parados diante da porta – Ele estuprou… – ela disse de forma mais rasa e fraca, sentindo os seus olhos marejarem – A Becky – comprimiu os lábios e sentiu uma lágrima solitária escorrer pela sua bochecha, e ao perceber que a amiga estava prestes a vomitar, ela a acompanhou correndo em direção ao vaso e segurou os seus cabelos, nem se importando se aquela cena era mais nojenta ainda daquele jeito. Engoliu em seco quando viu a menina se levantar e agredir os dois, e naquele momento a cabeça de Amber não poderia estar mais confusa – Espera, como assim? O Andrew estava aqui, o tempo todo? Ele estuprou ele também!? – arregalou os olhos, respirando fundo e se sentando ao lado de Becky quando ela foi ao chão – A gente vai te tirar daqui – a loira olhou para Oliver, como se ordenasse que ele a tirasse dali naquele momento – Agora.
Logo quando Oliver chegou com as ferramentas, Jason suspirou de alívio, pois parte da sua mente estava sendo a mais pessimista possível - algo que o loiro raramente era - e ele imaginou que o amigo não acharia nada que pudesse salvá-la. Ele acenou com a cabeça ao ouvir as palavras dele e, ao perceber o desespero da amiga loira, ele simplesmente a puxou para que finalmente visse aquela cena. Enquanto Amber se aproximava de Becky e as suas tinham uma “conversa”, Jason permaneceu ao lado de Oliver, porém olhando fixamente para a garota violentada, que parecia ainda mais frágil agora com a presença de Amber. O loiro não sabia mais o que pensar, principalmente depois de tudo que ele havia se atrevido a dizer. Não conseguia imaginar a tamanha confusão que poderia estar tomando a cabeça de Rebecca, e nem ao menos a dor física que ela devia estar sentindo. Prestou atenção nas palavras dela e, devido ao estado mental em que Jason estava, ele não conseguiu ligar os pontos da mesma maneira que Amber, e só conseguiu compreender o que realmente havia acontecido ali quando a loira falou. Ele passou as mãos pelos cabelos e se virou de costas para as duas, engolindo em seco e sentindo os seus olhos lacrimejarem, com uma mistura de ódio mortal pelo ex-namorado de Becky e compaixão total pela amiga passando pela sua cabeça. Ele comprimiu os lábios antes de voltar a encará-las, e àquela altura, Becky já havia vomitado no vaso sanitário. Fechou os olhos ao sentir os golpes no seu peito, definitivamente não se importando com aquilo, porque, para efeito de conversa, Jason nunca tinha estado certo, pra começar. Engoliu em seco novamente e sentiu o no se formar em sua garganta novamente, se lembrando das palavras que Rebecca havia dito há alguns minutos sobre não precisar mais dele – Bom… Cara, eu… Eu vou esperar lá fora pra ninguém entrar, fala o que a Amber disse… Eu já… É – ele disse simplesmente, dando uma última olhada em Becky e bufando pesadamente, virando de costas e sentindo os olhos marejarem novamente, passando as mãos nos cabelos. Ao sair do porão, ele deixou a porta encostada e se largou contra a parede, permitindo que o seu corpo deslizasse até o chão e que ele repousasse ali sentado, agora não se importando mais em esconder a tamanha tristeza que sentia.
Oliver ficou analisando a cena de Becky e Amber conversando, mas tentava não prestar muita atenção naquilo, por mais que estivesse preocupado com Becky, outra coisa se passava na sua cabeça. Se ela estava como prisioneira naquele lugar, provavelmente alguém apareceria pra vê-la a qualquer momento, por isso ele não podia perder tempo e se concentrou em prestar a atenção nos tipos de cadeados e quais ele deveria usar quais tipo de coisa. Começando pelo de de sua perna ele reparou que era o mais forte de todo, mas o grampo não seria o bastante, ele precisaria soltar com o maçarico e aquilo poderia ser um pouco perigoso. Só parou de raciocinar quando ouvir a afirmação de Amber e por um momento ele congelou qualquer tipo de movimento que pudesse estar fazendo para entender o que acabara de ouvir. Estuprada. Ele ficou completamente em choque com aquela palavra. Não conseguia dizer absolutamente nada e pela reação do amigo, deduziu que ele havia ficado bem abalado com a notícia. Oliver ficou completamente arrasado também, só de imaginar o que ela deveria estar sentindo fez com que ele se sentisse inútil em qualquer tentativa de fazer com que ela se sentisse melhor. O menino sabia que tudo o que poderia fazer era apenas ajudar para que ela escapasse. De repente se assustou com a cena da menina começando a bater em si, mas ficou quieto, assim como Jason, sabia que o estado mental da garota não estava favorecendo aquilo. -- Bom, eu acho melhor você não mexer muito sua perna, isso envolve fogo, e eu realmente não quero que você se queime -- ele se sentou pegando a corrente envolvida no tornozelo da menina e acendeu o maçarico na parte de plástico do cadeado para que ele derretesse, o que não durou nem mesmo alguns segundos, logo depois, ele pegou a chave de fenda com a parte de ferro que também estava quente e começou a puxar a região, tendo ajuda do alicate também, possuía uma certa dificuldade com aquilo, mas depois de um tempo já estava solto e reparou bem que na verdade só precisaria soltar mais um cadeado, no caso o da mão, ele reparou que aquele era mais simples e precisava de duas chaves inglesas, era só pressionar as duas próximas as outras e torcer que o cadeado se abria, ele era de péssima qualidade.













