O som da risada dela ali tão perto de seu ouvido, fazia com que Tonks quisesse rir junto, mas nesse caso de nervoso. Porque era nesse momentos que ele não sabia o que fazer, ele apenas se atrapalhava todo e precisava de alguns segundos pra conseguir voltar a se concentrar no que estava fazendo antes. E ele tinha noção que Andromeda sabia disso e não era algo de agora. - Nah, isso é uma coisa do Sirius. Sem chances que eu comece a fazer isso. Não vou fazer o que ele faz com a pobre coitada da Vance, tenho quase certeza que uma hora ela vai tentar azarar ele. Além do mais, a única que eu queria cantar não preciso mais canta-la. - Brincou mais uma vezes. Era óbvio que ele não precisava mais cantar Andy para que ela se derretesse por ele igual acontecia com a maioria das garotas com que o primo dela fazia esse tipo de coisa, ela já estava ali com ele. Aquela era a prova que ele já havia lhe conquistado.
Quando a mão delicada de Black tocou a face de Ted, ele desfez o sorriso e fechou os olhos pra conseguir absorver todas as sensações que ele sentia quando ela lhe tocava, não evitar tirar as mãos que rodeavam a cintura dela e levar até onde estavam as mãos dela, encostando seus palmos mais ásperos na pele mais fina e delicada dela, num pedido mudo para que ela não as tirasse dali. Se antes ele já não conseguia se concentrar, agora com a morena se aproximando cada vez mais era como se ele não conseguisse pensar mais nada além de como era bom ter ela ali. O encostar dos narizes e frontes, fez com que Tonks soltasse um leve suspiro. Tinha certeza que naquele momento poderia cair um meteoro ali perto que ele não ia sentir, era como se eles nem estivessem naquela sala. Era como se não tivesse mais ninguém num raio de milhões de quilômetros, era só os dois e aquilo era o suficiente pra ele.
“Eu só te perdoarei porque não consigo mais imaginar uma vida sem você.”
O sussurro dela veio seguido de um sorriso dele, ele queria dizer que sentia o mesmo, mas naquele momento ele duvidava que sabia o próprio nome, não ia encontrar palavras pra usar. E ela continuou a falar.
“Tarde demais pra mim, Tonks.”
Se já era tarde demais pra ela, ele nem sabia o que era pra ele. Já tinha passado de tarde demais, não tinha volta. Ele estava completamente apaixonado por ela e mesmo se ela não quisesse vê-lo mais, ele ia continuar naquele estado crítico de paixão. Continuou de olhos fechados por alguns segundos, deixando que ela acariciasse seu rosto e foi só assim que soltou as mãos dela, para deixar que elas corressem livremente pela sua pele e fizesse ele esquecer qualquer coisa que existisse fora daquela sala.
A pergunta dela, fez com que o sorriso dele se alargasse e ele abrisse os olhos pra fitar os alheios que se encontravam tão perto naquele momento. Ele não pode evitar o impulso de se inclinar e colar seus lábios nos lábios macios da morena, em um leve e demorado selar. Ele precisava daquilo pra acabar com o resto de sanidade que ainda lhe restava. E mesmo depois de separar levemente dela e voltar a encostar as frontes, Ted precisou respirar fundo para conseguir mandar oxigênio ao cérebro pra que aquele saísse do modo desligado que Andromeda Black causava.
- Eu poderia… - Tonks riu baixo, ainda não conseguia encontrar as palavras certas e tinha certeza que ainda demorar um pouco para conseguir. Tentou se recompor para prosseguir com o que ia dizer. - Eu poderia dizer que não preciso ver mais nenhuma constelação porque a minha favorita está parada bem na minha frente…Mas Ted Tonks não consegue negar um pedido ou uma sugestão de Andromeda Black. - O sorriso largo voltou a aparece nos lábios de Tonks e só então ele levou as mãos novamente até as mãos da morena, para retira-las de seu rosto, ainda que não quisesse perder o toque dela ali, entrelaçou seus dedos nos alheios e inclinou a cabeça levemente na direção da porta.
Sabia que naquele momentos os dois precisariam tomar muito cuidado para sair dali sem ser vistos, mas considerando o horário, já estavam todos dentro de seus dormitórios e só alguns monitores rondavam o castelo, nada que eles não pudesse contornar. Se afastou da garota para começar a caminhar na direção da porta, puxando-a delicadamente para que o seguisse. Antes de passar pela porta, olhou para os lados e o castelo parecia estar vazio já que estava totalmente silencioso. E só assim Tonks saiu, trazendo Black junto e caminhando na direção da torre de astronomia.
Andromeda não pudera deixar de rir quando Edward mencionou as incessantes e sempre frustradas tentativas do primo em conquistar uma de suas melhores amigas. Ela mesma sempre ouvia Emmeline reclamar das cantadas de Sirius, o que tornava a fala de Ted engraçada por fazê-la lembrar dos protestos alheios. Todavia, mesmo o mais ameno riso morreu em seus lábios quando a frase final do lufano confirmou o fato de que ele não faria como Sirius, uma vez que já havia conquistado sua garota. Mesmo que soubesse que aquilo era verdade, Andromeda não pôde deixar de sorrir ligeiramente sem graça e aliviada. Edward era um rapaz bonito, extremamente doce e amigável. Mesmo naqueles dias era inconcebível na cabeça da Black que justo ela pudesse ter conquistado alguém como Ted, o suficiente para fazê-lo seu.
Aquilo fazia a sonserina desejar infundir-se contra o corpo do maior, ou talvez esconder o rosto em seu pescoço para sempre, até que o perfume masculino intoxicasse seus sentidos e a fizesse deixar aquele mundo por longos instantes, entretanto, o que fizera fora levar as mãos para o rosto de Edward, e a reação dele diante da carícia de seus dígitos provocou quase a mesma reação que imaginava diante do cheiro dele. Com o lufano de olhos fechados, Andromeda suspirou baixinho, mordendo o lábio inferior e quase deixando de respirar tamanha era a sensação de carinho que escorria dentro de si ao vê-lo entregue daquele modo. Fazia com que desejasse que o mundo ao redor deles acabasse de vez, e tudo que sobrasse fosse um espaço em branco, contínuo, onde o tempo passaria e ela poderia ficar por toda a eternidade acariciando a face de Tonks e observando a maneira como o mesmo gostava de seus carinhos. Andromeda não conseguia colocar em palavras o que sentia com aquilo, mas sabia que a fazia desejar cuidar de Ted até o fim de sua vida.
Mesmo que já sorrisse silenciosamente ao fitá-lo, acabou por tornar o repuxar de seus lábios mais evidente com os palmos dele pousando nos seus, enfim deixando que as frontes encostassem para que as próprias pálpebras viessem a fechar-se no processo de ouvir a respiração do mais alto.
Black não tinha mais noção de tempo ali. Não sabia se haviam ficado naquela intimidade aconchegante por cinco minutos ou dez segundos. Ela havia até mesmo esquecido sua voz, ou o convite que fizera. Eles precisavam mesmo sair dali? Naquele instante era como se a garota pudesse torcer para que Edward negasse a chamada para saírem, assim Andromeda poderia manter suas mãos no rosto dele, respirando o ar dele, e descobrindo que sua paz não vinha de muitas coisas, mas de uma só. Uma coisa alta, adorável e sua. Tais pensamentos divergiram a atenção mental da sonserina por um momento, contudo, logo Tonks a trazia de volta à tona com o selar dos lábios nos seus, o que, não obstante o quanto servisse para acordá-la quanto ao presente, parecia mais ter servido para enviá-la de vez para sua terra pessoal e secreta de contos de fadas e finais felizes.
Novamente, Andromeda riu baixo contra os lábios de Edward, retribuindo o mesmo longo selar que recebera por todo o tempo que este durara, até que ele separasse-se dela e a jovem permitisse-se um segundo tardio para absorver todas aquelas sensações; antes de abrir os olhos mediante as palavras sussurradas dele.
Parecia ridículo como ele conseguia fazê-la corar. A Black entreabriu os lábios na busca de palavras para com as quais responder aquela singular, mas forte frase que ele deixara escapar. Porém nem mesmo todos os livros de poesia do mundo tinha algo que servisse como resposta à altura para o “Eu poderia dizer que não preciso ver mais nenhuma constelação porque a minha favorita está parada bem na minha frente.” de Edward. Restara para Andromeda, então, sorrir envergonhada para ele, porém não com menos sinceridade na forma como dizia pelos olhos sobre a maneira como Ted parecia explodir fogos de artifício dentro de seu peito.
Sem dizer nada, Andromeda deixou que ele retirasse seus palmos do rosto que permanecera tocando, então entrelaçando ambos juntos e guiando-a para fora da sala. Ela não importava-se com horários, monitores ou sua própria família. Sabia apenas que era com Edward que queria estar. E, enquanto aquela mão estivesse disposta à segurar a sua e seguir em frente, Andromeda sabia que não pensaria duas vezes antes de ir junto. Fosse para a Torre de Astronomia ou para o inferno. Qualquer lugar onde pudesse ficar sozinha com ele.