Rescue Mission || @Grames
Ainda que parecesse confiante o suficiente para enfrentar tudo aquilo, estava incrivelmente assustada por dentro. Grace Hemmings não quebrava regras muito importantes, mas ultimamente isso tem acontecido com uma frequência fora do comum. Estava quase sentindo-se uma fora da lei. Primeiro, saiu do campus através de uma subordinação, depois escondeu o namorado dentro do armário e agora estava prestes a adentrar à sala do diretor sem a mínima permissão que fosse. Estava decidida, mas amedrontada e aquele sentimento não a agradava.
Logo que chegaram à sala, percebeu que estava trancada, como esperado. Costumava abrir a porta do quarto dos pais quando era mais nova para buscar os seus brinquedos confiscados. Fazer aquele tipo de arrombamento não era grande coisa para a morena. Arrancou o grampo do cabelo e, com o maior cuidado foi executando o movimento que conhecia com grande precisão. Alguns obstáculos na hora de virar a fechadura atrapalharam a pequena, mas nada o suficiente para pará-la. Finalmente, porta aberta, só esperava não haver um caminho infestado de lasers pelo chão. Deu seus primeiros passos para frente, chamando James para segui-la. Não haviam lasers e, por incrível que parecesse, não conseguia enxergar sequer uma mísera câmera de segurança, será que o diretor era tão burro assim?
Uma boa notícia, lá estava seu querido e amado celular, largado em cima da mesa do principal. Pegou-o o mais rápido que pode e saiu correndo daquela sala que era um tanto… amedrontadora. Fechou a porta novamente com seu grampo e parecia que tudo estava bem, só precisariam agora arranjar um jeito de voltar para o dormitório, que não era tão perto quanto o desejado. As meninas ficavam nos alojamentos mais afastados, devido à sua chegada recente, mas uma boa caminhada não faria mal a ambos, principalmente depois de uma missão James Bond como aquela.
Assim que a garota destrancou a porta, entraram cautelosamente. Estava finalmente sentindo a adrenalina explodir pelo seu sistema nervoso. Quebravam uma regra pior do que estar fora dos dormitórios após o toque de recolher e não queria pensar na possibilidade de ser pego. Ao mesmo tempo que gostava da sensação, achava-a incômoda. Só queria acabar logo com aquilo. Não gostava da sensação de vigilância constante, porém não podia baixar a guarda. Se manter atento a qualquer sinal de aproximação pelo corredor para conseguir se esconder a tempo e poupar todos os problemas em que provavelmente se sujeitou.
Não acreditava em sorte, mas foi bom o fato do celular estar repousando em cima da mesa, bem a vista para qualquer um. Ou os professores eram bem idiotas ou simplesmente não se importam tanto com os aparelhos dos alunos, mas de qualquer forma se sentiu aliviado por deixar o cômodo, mesmo que só tenha adentrado alguns poucos passos.
A primeira parte havia sido realizada com sucesso. Nenhum imprevisto e havia sido relativamente rápido. Agora vinha a parte mais difícil, ou era o que esperava: tentar concertar o problema no celular. Confiaria em suas habilidades e tentaria dar um jeito no aparelho, ou pelo menos descobrir a origem do problema. Provavelmente mexer em celulares deve ser mais fácil do que comutadores, já que eram menos potentes e tinham menos funções. Era igual comparar um Fusca a um Porshe. Ou era o que ele esperava. Não entendia nada de celulares, tampouco de carros, mas tentava confiar na lógica. Agora era só esperar para ver se sua teoria se confirmaria.












