“Durma enquanto pode.” - o conselho que mais ouvi.
Ele é real, de fato, eu já sonhei em poder dormir enquanto carregava um bebezinho pelo quarto. Mas nunca ninguém me falou da insônia, que te visita nas fases seguintes. Dos pensamentos que te mantém acordada:
“Será que o pediatra quis dizer tal coisa ou foi aquilo mesmo?”
“Há quantos dias o menu do jantar é algo improvisado?”
“Por que eu não me organizo melhor?”
Eu sempre escutei que ser mãe é a melhor coisa do mundo.
Nunca me disseram que dói. Que traz medos e inseguranças que eu não conhecia. Remexe em ferida que não lembrava existir.
Te deixa vulnerável por dentro, leoa por fora.
Eu sempre escutei que a maternidade transforma.
Nunca me contaram o quão difícil é a transformação. Que é preciso cavar, procurar, brigar, lutar por ela.
Eu sempre escutei que ser mãe exige responsabilidade.
Nunca me falaram das preocupações: “a mancha que apareceu na nuca é só um machucado?”, “medo do escuro com 5 anos é normal?”
Eu sempre escutei para aproveitar porque passa rápido.
Nunca me falaram que os dias são longos, os fins de tarde intermináveis mas a infância é curta. Em um instante você está trocando fralda, em outro está acendendo vela de número 8, e logo depois está lendo mensagem: “chego em casa as 19h.”
Eu sempre escutei que a maternidade é um excelente professor.
Nunca me falaram da potência das lições. Do rever conceitos, mudar de ideia, voltar atrás, entrar em desespero porque “eu não sei o que fazer e eles precisam de mim agora!”
O imediatismo, nunca me falaram dele.
Eu sempre escutei que amor de mãe é o maior do mundo.
Não me contaram que tomaria conta do meu corpo, que roubaria um pedaço da minha alma, que se tornaria parte de quem sou.
Que o coração ficaria lotado e, ainda assim, no dia seguinte, eu deixaria mais amor entrar. E acordaria amando mais do que amava ontem.
Que o sentimento entre mãe e filho não poderia estar na mesma categoria dos outros amores. Eu conhecia o amor, não conhecia isso aqui. Essa mistura de cansaço, medo, felicidade, transformação, gratidão.
O que uma mãe sente por um filho não é amor. Ainda não inventaram a palavra.
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