O dia acordou diferente naquela segunda-feira. Eram tantas as tarefas, responsabilidades e medos. É, o medo era o sentimento que prevalecia naquele instante - medo seu, medo meu- . Cabeça bagunçada, aérea, olhos perdidos. No entanto, o interfone anunciava a sua chegada, um suspiro, um alívio.
O clima era de amistosidade misturado a uma tensão. Você não hesitou em me abraçar e acolher toda a explosão que ebulia em mim. Me ajeitou no seu colo, me beijou com afeto. Tremíamos de apreensão. Sabíamos das feridas que carregávamos, quais desafios estavam postos naquele instante em que lábios se encontravam. Nos permitimos ceder à vontade, ao encontro, à dissipação dos véus postos por nós. Mal imaginávamos que esse seria o primeiro passo de um novo "nós".
Muitos entraves se colocaram no caminho por causa da vida corrente enquanto pausamos nossa história. Minhas dúvidas, seu ego. Você, como as pessoas que o Sol em Leão grita, passa pelo caminho despertando paixões, sem pretensão de concretizá-las, pouco importam se lágrimas estarão pelo rumo. Eu, como boa escorpiana, mas com elementos da terra gritantes no mapa, não ajo por impulsos, eles não me movem. Nesse hiato, me deitei em minhas memórias, nadei com as minhas sombras, organizei meus personagens. Solitária, inerte em mim.
Do lado de cá, somente as minhas inseguranças já postas serviriam de impeditivo. Daí, personagens alheios inebriados de paixão e admiração, despertos pelos seus traços quase que miraculosos, invadiram nosso sagrado. Afrontaram e confrontaram minhas intenções e manipularam seus sentidos. Seu ego e vaidade cegaram os escrúpulos. Enquanto nos inundávamos de nós, suas mentiras e meias verdades ecoavam na minha intuição, nada, absolutamente nada, escapa dela.
Eu te abria os olhos para os intrusos em nossa cama, você se fechava no medo da verdade oculta. Eu te inquiria sobre os sentimentos e intenções dela, enquanto vocês pendulava entre amor e sua sobranceria. Aos poucos as coisas se empertigaram, seguimos entregues as emoções de estarmos em nós, conjugando amor. Os bisbilhoteiros metediços, aos poucos se punham em seu lugar, à margem, mas sempre alfinetando como podiam.
Os dias e as horas se passaram, eles eram velozes quando estávamos em sintonia entrelaçada, ao passo que eram infinitos nos abraços. Em momento sensível, as verdades vieram a tona, embaçaram dias, enlouqueceram a sanidade, roubaram momentaneamente a paz. Mas não importa, quando existe amor, os caminhos alternativos aparecem, aos poucos, com a distância física servindo de obstáculo, mas com a dedicação de fazer dar certo, seguimos alinhando os pontos, compreendendo as falhas, fortalecendo os laços e enlaçando as almas.
Pro hoje, paciência com o individual e com o nosso. Para amanhã matar a saudade aos beijos no mar. Para o futuro, o que for permitido pra ser feliz.