— “Faz muito tempo que está aqui? Estava perdido em meus pensamentos, perdão.”
— Não, na verdade eu cheguei agora. Você tem o rosto engraçado quando fica pensativo, sabia? Mas me diga, o que tanto pensa?
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— “Faz muito tempo que está aqui? Estava perdido em meus pensamentos, perdão.”
— Não, na verdade eu cheguei agora. Você tem o rosto engraçado quando fica pensativo, sabia? Mas me diga, o que tanto pensa?
“ – Eu não estou dizendo que eu não me sinto triste pela morte dela… Mas o que me deixa intrigado é, todos sabem que o bosque não é um lugar seguro, tanto que tem um aviso a cada passo que você dá sobre as criaturas, então por que aquilo ainda é um lugar aberto ao publico?
— Eu acho o bosque um lugar super agradável, sabe? Mas eu concordo com você, não deveria ser tão aberto. Poderia ter ao menos, sei lá... Guardas, ou canis majoris... Não tem guerras nos últimos anos, eles poderiam proteger as pessoas.
“Do que você ta falando…? Eu só perguntei se você podia me ajudar nesse feitiço.”
— Antes do feitiço você precisa saber os prós e contras dele, né? Respeite as leis dos mortos também. Agora que você já sabe, vamos conversar com aqueles que tudo sabem.
“Vejamos… Acanto, tentáculos de lula, extrato de raiz de chicória e folhas de menta. Está tudo certo para começarmos, está pronto?”
— Não estou? O que exatamente você está tentando fazer?
“At this point I have no idea what I’m doing anymore”
— Você fala minha língua? Eu não entendo direito a sua.
castigo - self-para.
( música.)
Dalila não estava no menor clima para conversar com os espíritos daquela escola. O máximo que conseguia fazer naquele dia era ficar afastada de tudo e de todos. Havia momentos em que ela realmente tinha vontade de arrancar sua cabeça fora, apenas para não ouvir as tão famosas e conhecidas vozes em sua mente. Mas naquele momento, tudo que deveria fazer era limpar sua parte da bagunça que havia feito naquele protesto. Havia ficado realmente com pena de seu amigo Brian por agora ele não poder participar das olimpíadas, ele era o que mais queria, e deveria dizer que ele tinha talento, já tinha o visto jogar.
Colocou os fones de ouvido e apertou o play, deixando a música lhe fazer seu trabalho em animá-la. Por escolha própria, ela não usou magia em nada. Queria ficar longe ao menos por uma hora daquele universo mágico que era no mínimo esquisito e voltou alguns anos atrás, onde era feliz morando sua família. O país onde nascera não era dos melhores, mas não havia tanta gente clichê como naquela escola em que estudava. Em alguns momentos as pessoas lhe davam nos nervos. Evitando pensar demais, ela começou a varrer alguns corredores, sempre deixando tudo arrumadinho e limpo. Mesmo que não usasse magia, vez ou outra ela pedia uma mãozinha há alguns espíritos, principalmente nos lugares mais altos.
Por mais que em dias como aquele ela simplesmente detestasse seus poderes, ela sempre voltava atrás e acabava por reconhecer que nem eles ela simplesmente deixaria de ser ela. Ainda que brincalhona demais, a garota tinha dias como aquele que estava mais séria que o normal, porém com a música e com a ajuda de uns amigos mortos de longa data, havia terminado seu trabalho. Juntou, por fim, o material de limpeza e entregou para o zelador com um sorriso no rosto. Logo passou a correr, estava atrasada para o treino de natação.
— Eu não acredito que você fez eu me arrumar inteira para no final dizer que não vai mais.