Mercúrio deixará de ser retrógrado e me disseram que isso é algo bom. De fato, se mercúrio estava em retrocesso, ainda que eu tivesse a destreza de desprezar mercúrio, quem seria eu para estar em processo? Logo hoje, que a sorte não me visitou nem por uns instantes e que a falência da mente chegou um pouco antes do corpo. É engraçado como eu sempre escrevo nessas ocasiões, quem me lê assim, pensa que mercúrio nunca deixou de ser retrógrado na minha vida, mas a verdade é que o aconchego do teclado é mais necessário quando o dia não te aconchega por si só, quando o sol não te abraça no fim da tarde ou quando a maré fria entra pela janela mas não roga por pipoca, cobertor e filme. O teclado é aquele amigo que você deita o ombro e pede consolo, que ouve tanta história de desquite que já tecla sozinho quando o assunto é amor, que sabe o começo, meio e quase sempre advinha o fim. Talvez mercúrio tenha feito isso só pra eu ter um motivo a explicar pro teclado, afinal, seria sem graça apenas vir e dizer que eu estava mal. Talvez tenha feito também, para que eu ansiasse o próximo dia sabendo que ele seria bom, acordasse e desse um suspiro fundo de alívio e então, logo de manhã, que não é lá meu melhor momento de humor, eu abrisse um sorriso, desse bom dia pro dia e seguisse todo aconchegante, mesmo sabendo, que no fundo, a posição em que ele estava poderia não mudar em nada se eu não acreditasse que mercúrio também faz parte da galáxia que ha dentro de mim. Maria Clara Neder