Alguns anos atrás, guardei uma caneca que estava se rachando e por medo de alguém quebra-la, cuidadosamente guardei com muito carinho. Durante todo esse tempo, sempre que chegava visitas em minha casa, eu a escondia para que assim, ninguém a quebrasse, - e assim foi por muito tempo. - Mesmo que as vezes algumas delas eram visitas constantes, eu certificava que ainda continuasse ali. Até que um belo dia uma pessoa chegou e por um momento eu até pensei fugir, quando ela se aproximou, me encantei, a beleza dela era única, sabe? O olhar dela me atravessou e não me recordava de ter visto tão linda assim. Ela era cuidadosa e doce, tão breve e aos poucos ela foi tirando todo esse medo de mim, me fez sentir segura, então, finalmente a convidei para entrar no meu lar. Depois desses anos, retirei a caneca do esconderijo e a ofereci com um belo café. Vê-la cuidando tão bem da caneca que um dia torcia para ninguém mais chegar perto, era tão lindo e confortável, que então decidi repousar naquele amor. Quando tudo parecia se encaixar, ela soltou a caneca no chão e saiu correndo pela porta, sem olhar para trás, meus olhos encheram de lágrimas. Então, sentei-me para juntar e recolher os cacos pelo chão, o primeiro estilhaços me cortou e começou a sangrar e aquilo doeu.
Eu cuidei tão bem por tanto tempo e quando finalmente decidi tirá-la do esconderijo e confiar, a minha caneca favorita se quebrou.
- Oliveira, Mar.












