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blake kathryn
d e v o n
Peter Solarz
Cosimo Galluzzi
Sade Olutola
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

Kaledo Art

PR's Tumblrdome
Show & Tell
NASA

⁂
wallacepolsom

❣ Chile in a Photography ❣

★
Jules of Nature
occasionally subtle
trying on a metaphor
EXPECTATIONS
Noah Kahan

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@p-lagis
this used to have dialogue there but hell if I’m gonna put that up here I suck at writing and I’m too shy to post any of it lol
Even Kid’s tie is like: dude waddafaq
b i a n c o m o r t a l e.
— Bem, um pouco — Mikael respondeu, usando uma das mãos para segurar o chapéu que ameaçava ser levado por uma ventania gelada. — Mas eu vou ficar bem, Sunbae! Eu já tô me recuperando, eu acho.
Outra rajada de vento e o Ishim cambaleou de novo. Tá, não estava se curando tão rápido assim, ainda tinha certas limitações. Assim que Felix estava próximo o bastante, o anjo segurou a mão do outro com força, envolvendo os dedos gelados ao redor da sua palma. Ainda precisava segurar em alguma coisa para não cair de cara ou de bunda no chão. — Vem, eu sinto que a gente tá chegando!
Quando ele diz isso, é só pura adivinhação mesmo. Mikael não sente nada.
⌠ ♠ ⌡ Felix estava feliz (veja a ironia) o bastante quando o conseguiu ver o moreno andar de uma maneira a qual conseguisse se equilibrar mais ou menos sozinho e não precisar mais totalmente do apoio humano que o listrado era. Como Mikael, pelo jeito, recusou a jaqueta, o menor amarrou-a na cintura, caso o mais alto precisasse. Andou até o colega, e já estava preparado para liderar o caminho de novo, quando sentiu os dedos frios do semelhante envolverem a palma de uma das suas mãos.
Deus. Que constrangedor. Felix conseguiu sentir uma exclamação acabar travando em sua garganta (tendo uma sensação de tê-la cortado por dentro), e as suas bochechas ficarem vermelhas. A verdade é que aquela era a primeira vez que estava caminhando de mãos dadas com alguém - mesmo que não fosse com um sentido romântico - e era... Bom. Bom. Um tanto estranho, já que contato físico era realmente raro para o americano, mas... Bom.
-- Ugh... -- engoliu em seco, enquanto retribuía de leve o aperto, para dar mais segurança ao Ishim, já que não queria que ele caísse mais uma vez. Suspirou, enquanto já voltava a caminhar, no mesmo ritmo de antes, com as orbes douradas fixas nos pés do outro, para ver se ele iria tropeçar de novo ou coisa do tipo., esquecendo totalmente de dar qualquer resposta ao comentário do garoto
happy birthday.
Se deu conta finalmente da idade do rapaz depois de alguns segundos. Seus olhos grandes e azuis arregalaram e ficaram ainda maiores, cheios de brilho de puro encanto. Duzentos e sessenta e nove era muito mais do que apenas o dobro de sua idade, quem sabe. Lise mal conseguia projetar essa idade em sua mente, tentou até contar nos dedos rapidamente.
— Que incrível! O senhor é velho, mas tem cara de um menino! Isso é tão legal! — Dava leves pulinhos de animação, não sabia se continha toda aquela fascinação ou não, tudo o que conseguia fazer agora era agarrar a manga da roupa do mais velho. Além disso, a pergunta do rapaz era mais que fácil! Muito mais fácil do que qualquer pergunta de álgebra que aprendera — Algo como 2+2, entende? — e encheu o peito de orgulho. — Sim! Lise tem brincado muito com Dorian! De esconde-esconde e pega-pega, e Marco Polo!
⌠ ♠ ⌡ O sorriso alastrou-se ainda mais no rosto do mais alto quando a loirinha começou a tentar contar a sua idade nos seus pequenos dedos, por mais que ele soubesse que era impossível. Mas, o comentário seguinte que a outra fez, sobre ele ser velho com cara de menino, foi o que fez uma curta risada escapar pelos lábios do americano. Normalmente, Felix se sentiria mal por ter sido chamado de velho daquela maneira, mas não quando quem o fizera era uma criancinha tão pequena e adorável como Lise, ah, não.
Por isso, aproveitando o fato de que estava ajoelhado em frente à loira, levou uma das mãos e fez um pequeno carinho na cabeça dela. E, ouvindo que ela continuava a brincar bastante (trazendo uma estranha sensação de orgulho e tranquilidade ao seu peito), o carinho continuou, com os dedos finos e pálidos do anjo se enroscando com os fios dourados do cabelo curto da outra. -- Ah, que bom. -- suspirou o americano. -- Continue sempre brincando, certo, Lise? -- disse, dando uma leve piscadela.
happy birthday.
— Quantos anos o senhor vai fazer? — Perguntou, com um tom animada, inocente, falando rapidamente por conta da animação. A reação do rapaz fora perfeita, exatamente o que Lise estava querendo.
Sim, não é nada educado perguntar a idade dos outros — mesmo em seus aniversários ou não — e Lise sabia disso, sua mãe lhe ensinou direitinho. Mas não podia guardar aquela dúvida para sempre, e ainda mais depois de ouvir os boatos de que ele completaria cento e tantos anos! Isso era tempo o suficiente para poder comer muitos doces e de poder brincar até escurecer!
— Lise tem 10! — A menininha lhe estendeu as duas mãos com as palmas bem abertas e os dedos pequeninos esticados. Mas ficou um tempo pensativa e colocou a língua para fora. — “Fingue que a lengua é um dedo! Tlenho onge!” — Em outras palavras: “Finge que a língua é um dedo! Tenho onze!”, corrigiu-se a pequenina.
⌠ ♠ ⌡ Quando ouviu a pergunta da outra sobre a sua idade, Felix sentiu vontade de rir - mas tudo o que escapou de seus lábios foi um sorrisinho torto e levemente debochante (talvez até de si mesmo). Deveria mesmo contar qual a sua idade verdadeira para a pequena? Se bem que mentir não lhe traria nada de bom - e, se ela descobrisse, poderia ficar magoada, triste, brava ou quaisquer coisas do tipo (o que não era algo que o americano gostaria que acontecesse).
-- Sendo franco... -- começou, sem nem se importando se a outra sabia o que "franco" significava. --... Duzentos e sessenta e nove. -- respondeu. E, assim que o fizera, a loura se desvincilhou dos seus braços, apenas para mostrar ambas as mãos, com todos os dedos estendidos - e mais a língua, um "dedo imaginário", no caso -, dizendo-lhe a própria idade e, ao mesmo tempo, o nome. O maior puxou os cantos dos lábios, abrindo um sorriso maior e mais morno, ao mesmo tempo em que ficava de joelhos em frente de Lise.
-- Onze anos é uma idade muito prazerosa. -- disse, por mais que, por dentro, Felix estivesse murmurando qualquer coisa sobre a sua infância desperdiçada no meio de uma família de militares e médicos, terminada na revolução americana, e de como estava mentindo sobre saber qualquer coisa sobre aquela idade. Na verdade, ele mal havia conseguido presenciar seus próprios onze anos humanos. E, por causa disso, resolveu perguntar, apenas para lhe dar uma certa paz: -- Anda aproveitando e brincando bastante?
happy birthday.
— … Peguei! — Uma voz aguda e infantil surgiu do nada e uma figura pequenina e loira abraçou o pulso de Felix com entusiasmo. Quase o fizera cair com toda a força que havia posto naquela pegada.
Lise prezava os aniversários como datas extremamente importantes e que deveriam ser muito bem comemorados. E como era realmente atenta às conversas alheias que aconteciam por todos os cantos da Matriz, ficara sabendo do aniversário de um certo Anjo em especial que neste momento estava em suas mãos.
Não importava quem, se fosse seu aniversário, Lise provavelmente fará questão de presenteá-lo com um dia especial. Ninguém nunca comemorou seu aniversário — Apenas uma pessoa e esta já não estava mais aqui.
— Parabéns, senhor!
⌠ ♠ ⌡ Quase que a pequena fizera o listrado cair, mesmo. Sendo pego de surpresa, Felix engoliu uma exclamação, fazendo ele emitir um som parecido com o de um engasgo. Porém, vendo aquela menininha abraçá-lo pela cintura e, lógico, depois do susto passado, o americano permitiu-se rir de leve. Ela era uma criaturinha pequena e fofa, não totalmente desconhecida - já deve ter visto ela andando por algum dos corredores de Sancti Sacramentum, mas não tinha memória boa para rostos.
De qualquer forma, não era importante. O importante era que a outra havia lembrado de seu aniversário - mesmo que já tivesse sido há quase um mês atrás... Mas preferiu não corrigi-la, para não constranger ela de alguma forma. Levou uma das mãos à cabeça da outra, afagando o local de leve, enquanto a envolvia, com o outro braço, pelos ombros pequenos e magros. -- Muito obrigado, senhorita. -- agradeceu, por fim, com um tom simpático - que era raramente usado de imediato em uma conversa.
b i a n c o m o r t a l e.
Como se ali estivesse bem confortável e quentinho - e na verdade estava - Mikael ficou um tempinho por lá, sentado e olhando pro nada, esperando novas instruções ou coisa do tipo. Só se deu conta que deveria se levantar quando recebeu o empurrãozinho de leve. Só então riu e concordou, se levantando de uma forma desajeitada. E não era que já sentia os ferimentos aliviarem nas dores? Sentiu até mais vontade de rir com isso. Quem sabe ele não conseguiria andar direitinho sem estar se segurando em Felix? Conseguiriam chegar mais rápido assim. Testou dois passos que saíram claudicantes, mas conseguiram manter o Ishim de pé.
— Olha, dá pra andar! — Disse, com os braços abertos, ainda precisando de um pouquinho de esforço para se equilibrar adequadamente. — A gente vai chegar mais rápido agora!
⌠ ♠ ⌡ Ainda sério, o listrado olhou, com um lampejo de preocupação nas orbes douradas - que só seria percebido se prestassem bem atenção em suas expressões oculares -, o moreno se levantar de seu colo e cambalear um ou dois passos, com os braços abertos, em uma tentativa de equilíbrio. Tombou a cabeça um pouco para o lado, juntando os lábios, deixando um tantinho mais clara a preocupação que estava nutrindo pelo semelhante, analisando a situação.
Levantou-se, por fim, usando os joelhos de apoio para as mãos, ficando com as costas totalmente eretas, enfiando as mãos nos bolsos, andando até o ishim. Já ia dizer alguma coisa, quando notou a sua tão querida jaqueta preta jogada no meio da neve, não muito longe deles. Suspirou, usando, mais uma vez, seus poderes telecinéticos para recuperá-la (porque não arriscaria sair do lado de Mikael nesse momento). -- Droga. -- disse, dando alguns tapas na peça de roupa. -- Está molhada, agora. -- murmurou.
Lembrando-se, por fim, que eles estavam ali para salvar uma exorcista (mais o maior que o próprio americano), Felix despertou-se dos seus pequenos devaneios sobre a jaqueta, e jogou-a por cima do próprio ombro direito, segurando-a com o dedo indicador. -- Dá para andar mesmo? -- perguntou, em um tom alto o suficiente para o outro ouvir. -- E outra, ainda está com frio? -- perguntou, apontando a peça de roupa negra com a cabeça, para caso Mikael ainda precisasse dela.
Open.
Quem diria que o listrado havia gostado do comentário sobre ser ator! Nathaniel, um tanto surpreso, deu uma pequena risada de si mesmo, por ter conseguido arrancar um sorriso um tanto sincero dos lábios do seu superior. Mas antes que sequer pudesse dizer alguma coisa, qualquer comentário para fazê-lo sorrir ainda mais, o listrado se virou, sem dizer uma palavra mais, indo a caminho da sala de pesquisas. E, para não ficar para trás, o alemão rapidamente ajeitou a caixa com os vidros quebrados e andou para dentro da sala de pesquisas.
O americano, em um gesto gentil, abriu a porta para o ruivo para que ele passasse sem problemas pela porta, já que estava segurando a caixa, o que fez o mais novo abrir um pequenino sorriso em agradecimento para ele. Colocou a caixa na mesa circular o qual o maior havia apontado-o. Por fim, Felix o entregou alguns tubos de ensaio e pediu a ele que os preenchesse com o suco que ele mesmo havia derramado. O ruivo assentiu, e começou a fazer a tarefa que havia lhe designado, com cuidado - não queria decepcionar o listrado, mais uma vez.
Mas, com o pensamento de ter sido praticamente humilhado há poucos minutos atrás, a situação e o silêncio na sala estavam ficando cada vez mais constrangedores. Por isso, observando pelo canto dos olhos o americano fazer o próprio trabalho, ao mesmo tempo em que se concentrava no seu, apenas para quebrar a tensão no ar, o alemão tentou iniciar uma conversa - de uma maneira não tão boa. — Então… E aí? — disse, simplesmente.
⌠ ♠ ⌡ Enquanto arrumava na mesa todos os materiais necessários que precisava para extrair o suco da planta mais uma vez (claro que perfeitamente bem colocados um do lado do outro), as expressões do listrado se transformaram de levemente simpáticas para sérias e concentradas - nada muito diferente do normal, na verdade. Seus dedos finos já haviam pego a pequena seringa e as orbes douradas já tinham se fixado no lugar exato para conseguir extrair apenas o que precisava da pequena plantinha, sem matá-la, quando Nathaniel lançou-o uma pergunta.
Uma pergunta que não havia resposta exata. O tipo que irritava Felix profundamente.
O americano deu um longo suspiro antes de responder alguma coisa. Deixou a seringa na mesa novamente, apesar de não ter soltado o objeto, e franziu o cenho, sem desgrudar os olhos do mesmo ponto de antes. Juntou os lábios e franziu o cenho, e, só depois de alguns segundos daquele jeito, suas orbes douradas fixaram-se no rosto do ruivo. -- "E aí?" -- repetiu, baixinho, como se não tivesse entendido - e não havia. -- Como eu poderia responder essa pergunta? -- disse, com um tom de voz mais alto, levantando uma sobrancelha.
30 Day Anime Challenge - Day 3: Favorite Male Anime Character ever
Death the Kid「デス・ザ・キッド」
happy birthday.
Amigos. Eles são importantes. Não existe neste mundo um tesouro mais precioso do que eles. E Nanna cuidava muito bem dos seus. À primeira vista, ela parecia um tanto quanto desleixada e distraída… Mas isso era apenas quando tratava-se de si mesma. Estava tudo bem relaxar um pouco quanto a si mesma, porque seus amigos cuidariam dela… Assim como ela cuidava tanto deles.
A querubim nunca esquecia de uma data especial ou dos problemas dos outros. Seu maior prazer era estar por perto nessas horas e fazer lembranças agradáveis. Ela lembrava do que gostavam e não gostavam, anotava tudo mentalmente e guardava as informações com cuidado para não cometer nenhum deslize na sua tarefa de fazê-los felizes. Afinal, era esse o que ela acredtiava ser o seu objetivo na Terra: fazer o maior número de amigos possível e deixar a todos felizes.
Naquele dia, ela vestiu-se com especial cuidado: escolheu um vestido azul feito por Isak, cheio de babados e laços. Prendeu os cabelos dos dois lados, checando duas vezes no espelho se estavam na mesma altura. Calçou meias compridas e perdeu vários minutos endireitando-as, até que a pele exposta em cada perna fosse exatamente igual. Calçou sapatos combinando com a roupa. E checou mais de uma vez a própria aparência antes de sair de casa.
Nanna não era o tipo de pessoa que ligaria para aquelas coisas. Sua aparência não era tão importante assim, desde que não ofendesse ninguém. Mas naquele dia em especial ela gostaria de estar… Simétrica.
Carregava nas duas mãos uma sacola, que ela segurava na frente do corpo. O conteúdo desta era um bolo pequeno que ela passara a noite toda fazendo e bagunçara toda a cozinha na tarefa, para desespero do exorcista com quem morava.
E todos esses preparativos foram feitos para que a querubim fosse esperar na porta do Setor de Pesquisas por um serafim em particular… Que não demorou nada.
— Felix! — Exclamou deixando o seu posto e aproximando-se do outro anjo ao mesmo tempo em que abria os braços e o envolvia num abraço carinhoso. — Nanna estava esperando por você. Feliz aniversário. — E estendeu a sacola que continua o bolo… E que por acaso ela tinha pedido a Lee para decorar, para não correr o risco de fazer um bolo bagunçado.
⌠ ♠ ⌡ Quase que Felix deixou o embrulho da camisa cair dos braços assim que rosada acabou por andar até ele e abraçá-lo, carinhosamente. Mas só o andar dela foi o suficiente para que o listrado pudesse enxergar a outra, a qual mantinha um laço de coleguismo que quase chegava a ser uma boa amizade, de cima à baixo, fazendo ele notar uma coisa, que parecia ser ridícula aos olhos de outras pessoas:
Nanna estava perfeita. As roupas passadas, os cabelos arrumados, a falta de expressões estranhamente combinando com tudo. A querubim fez o listrado ficar envergonhado apenas por fazer ele ficar perto de tamanha perfeição como aquela. Ela estava na conduta de toda a filosofia do serafim, acredite. Até a simetria, uma forma de perfeição a qual Felix não se importava muito, estava presente, como se fosse um "toque final".
Quase que não abraçou-a para não estragar a perfeição a qual a colega se encontrava. Mas achou que se não o fizesse, Nanna ficaria triste (além de ser uma tremenda falta de educação por parte do americano), e não era como se o americano quisesse deixá-la daquele jeito. Por isso, de uma maneira um tanto constrangida, envolveu a outra com seus braços, de leve. Permitiu-se sorrir pelo canto dos lábios vermelhos, e as expressões surpresas transformaram-se em mornas.
-- Obrigado, Nanna. -- falou ele, preferindo omitir o fato que seu aniversário tinha sido há quase um mês atrás, com as suas orbes douradas sendo desviadas para o embrulho nas mãos dela. Sentiu o cheiro de doce que saía do pacote, e seu sorriso aumentou um tantinho mais. -- Você quem fez? -- perguntou, apontando com a cabeça para o bolo.
happy birthday.
⌠ ♠ ⌡ Aniversários são algo banal para Felix. Ele parara de comemorar há muito, muito tempo - talvez por volta dos seus cento e dois ou cento e três anos -, apesar de sempre continuar contando, pois achava constrangedor não saber a própria idade. E, naquele mês, ele havia completado duzentos e sessenta e nove. Talvez agora dê para entender o porquê ele não querer comemorar todos os seus aniversários - os custos seriam enormes.
Uma idade extremamente avançada para alguém com aquele corpo de, no máximo, dezoito anos. Mas, como dito antes, não era como se o listrado se importasse necessariamente com isso. Nem com o fato de ninguém ter lembrado, ou desejado os parabéns. Não era importante, mesmo. Com ou sem pessoas cumprimentando-o na data onde ele começara a viver, não faria a mínima diferença. Na verdade, ele já estava acostumado.
Porém, quase vinte dias depois daquele dia "normal" ter se passado, alguém resolvera lembrar. O americano estava entrando na sua sala, no setor de Pesquisas, quando percebeu um pacote branco, deixado cuidadosamente em cima de sua mesa, com um pequeno bilhete escrito em cima, que lia-se "Está atrasado, Felix, mas espero que goste. Feliz duzentos e sessenta e nove anos".
O embrulho era simples e macio. No final das contas, era uma camisa polo preta. O anjo não conseguiu segurar um sorriso de canto, que logo sumiu. O presente, afinal, não tinha remetente. Ele finalmente teria alguém que poderia se importar com ele o suficiente para lembrar a data do seu aniversário, uma coisa esdrúxula. Mas essa pessoa era anônima. Ótimo.
Não era um motivo para ficar triste, porém. Colocando a blusa de volta no pacote, decidiu guardá-la em seu quarto, só depois voltar ao trabalho - não teria nada interessante para estudar naquele dia. Mas quando abriu a porta da sala do seu setor, uma pessoa estava do lado de fora, que fez Felix arquear as sobrancelhas, em curiosidade, apesar das expressões continuarem sérias.
-- Uh... -- começou, meio incerto. --... Precisa de alguma coisa?
b i a n c o m o r t a l e.
A falta de resposta por parte do serafim fez o Ishim impaciente ter que repetir o nome dele várias e várias vezes, achando que talvez ele não tivesse ouvido claramente por conta da nevasca. “Feeeelix? Feeeelix-sunbaaae!” Ele repetia, olhando diretamente para o rosto dele enquanto o fazia. Não fez isso o bastante para cansá-lo, quando se viu levitando de novo, e segundos depois, rápido demais para um cérebro que dividia o espaço com vento dentro do crânio perceber o que estava acontecendo.
Estava sendo pego no colo! Não ficou constrangido, apenas surpreso. O seu reflexo foi segurar-se ao redor do pesçoco do outro anjo, mas acabou pegando de mal-jeito e enfiou a cabeça de Felix em seu peito. Riu um pouco, impressionado, e feliz por estar prestes a voar de novo. — Woaaahahaha! Waaa-!
E até subiram alguns poucos desajeitados metros do chão, mas por estarem contra a corrente, a ventania da nevasca os empurrou para trás de uma vez. Desequilibraram-se e cairam de volta na neve, um pouco atrás do ponto de partida. Deve-se ressaltar que Mikael não sentiu tanto da queda, já que caiu sobre o colo do serafim - e não via problema nenhum nisso.
— … Parece que não deu…. O irmãozão não quer que a gente voe. — ele referia ao vento.
⌠ ♠ ⌡ Pelo jeito, seja lá quais forem os pecados de Felix, eles não foram perdoados.
Quando Mikael abraçou o seu pescoço, de alguma maneira, o listrado já sabia que aquilo não iria dar certo - mas, ainda sim, não arriscava tentar (ou era nisso que acreditava). Porém, não bastou o americano conseguir alcançar poucos metros no ar, que ele, junto com seu semelhante, acabaram por serem lançados para trás, ao mesmo tempo em que, vendo que não iria recuperar seu equilíbrio, o menor recolhia suas asas, para que não se machucasse mais do que já iria.
"Quicaram" umas três vezes antes de, por fim, pararem por completo. Ótimo, agora estavam mais para trás do que antes. Felix cerrou os dentes, com raiva dele mesmo - por que tinha essa maldita mania de querer dar respostas práticas em vez de simplesmente falá-las? -, assim que se levantava do chão... Isso é, se Mikael não estivesse sentado em seu colo (bem que ele achou que o impacto havia sido mais doloroso que o normal). Realmente, alguém lá em cima estava condenado o listrado por alguma coisa que ele fizera.
Uma das mãos até se levantou no intuito de empurrar o semelhante, mas ela parou na metade do movimento. Mikael já estava machucado o suficiente - não merecia ser empurrado na gélida neve, mais uma vez. A mão caiu, como a de um fantoche sem vida, atrás das costas do listrado, juntamente com a oposta, para que ele conseguisse se inclinar levemente para a trás, assim como a sua cabeça, suspirando levemente, e fechando as orbes douradas, se espreguiçando por poucos segundos.
Mas o Ishim continuava no mesmo lugar.
-- Vamos ter que andar, então. -- disse o americano, recolhendo ambas as pernas, em uma clara indireta, que dizia "saia de cima de mim", assim que abria apenas um dos olhos e voltava com a cabeça para a posição inicial, como se esperasse alguma reação do moreno. -- Vai, se levanta. -- falou, de uma maneira não rude, quase como uma brincadeira, ao mesmo tempo que tocava levemente o ombro direito do coreano.
b i a n c o m o r t a l e.
— Joh-ayo! — Exclamou na língua que mais simpatizava, coreano. Aquilo equivalia a um “Yatta!” em japonês ou um “Legal”. Não soltava os ombros de Felix, pois já se condicionara a andar daquele jeito, o que era algo extraordiário para uma mente tão teimosa. Os passos eram meio trêmulos e duros ainda, mas ele se esforçava o máximo para poder ir mais rápido, por que mesmo já conformado com as próprias condições, ainda era afobado o bastante para não querer perder mais nenhum minuto. Segundo ele, já havia perdido tempo demais desmaiado.
— Não me falaram o que ela tinha vindo fazer aqui — comentou ofegante, enquanto andava. O ar gelado cortava a sua garganta. — Não sei, mas ela deve estar ferida… Eu queria ir mais rápido! Felix, por que você não usa suas asas? Você tem asas também! — Olhou diretamente para ele. Essa era uma pergunta que sempre martelava na cabeça do Ishim. A maioria dos outros anjos andavam sem asas, e raramente os via usar. Se sentia meio confuso, uma vez que amava as próprias asas e se sentia frustrado por não pode usar. Eles podiam, então por que as negligenciavam?
⌠ ♠ ⌡ Soltou um leve riso assim que o semelhante comemorara pela outra estar viva, mas o próprio listrado não falou nada por cima da exclamação do moreno, apenas voltando a andar naquele ritmo suficientemente rápido para os dois conseguirem avançar com facilidade, sem que um deles reclamasse da velocidade. E o silêncio - confortável talvez apenas para o americano -, continuou até a fala seguinte do ishim.
Talvez deve ter sido nesse momento que Felix notou que Mikael realmente levava sua ações e trabalhos a sério - e o quanto ele admirava aquilo nele -, por mais que não conseguisse cumpri-los corretamente. Mas o menor tinha um motivo por não usar as suas asas. A nevasca poderia atrapalhar o seu voo, e sabe-se lá aonde eles poderiam parar... Porém, arriscar seria um tantinho divertido (ou assim o serafim poderia dar uma resposta mais prática para a resposta do outro).
Parou a caminhada no mesmo instante que Mikael parara de falar, quase que derrubando o ishim no chão, por conta da parada brusca, mais uma vez. Mas antes que o moreno pudesse reclamar de qualquer coisa, Felix aproveitou que segurava o outro pelos ombros para que, com um pouquinho da ajuda da telecinese, levantasse-o e conseguisse segurá-lo em seus braços, como se ele fosse uma noiva ou coisa parecida.
Sim. Mais contato físico constrangedor, apesar de necessário.
As suas asas brancas foram abertas quase de imediato (tão rápido que até algumas penas acabaram por se soltar delas no processo), assim que conseguira acomodar o outro de maneira correta. Deus, aquele seria, oficialmente, o dia do que Felix morreria de vergonha - mas morreria só depois de salvar a exorcista perdida. Dobrou os joelhos, e, curvando levemente a coluna para a frente, fechou os olhos dourados, batendo as asas algumas vezes, até sair do chão, com um pouco de turbulência.
E seja o que Deus quiser.