AEE - Atendimento Educacional Especializado
Para ajudar no processo de aprendizagem das crianças de inclusão existe o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Mas o que é o AEE? E como ele funciona? Para obter essas respostas foi feita uma entrevista com a Alessandra Campanella, uma professora integrante desse projeto na escola José Maria dos Mares Guia, conforme relata:
"O AEE é um projeto do Governo Federal e as prefeituras é que aceitam ou não o projeto nas escolas municipais, então Belo Horizonte aceitou e está aqui desde 2010. O Governo Federal entrou com a organização, com a montagem das salas, com os equipamentos, ou seja, computadores e os materiais que a gente usa, a verba vem do Governo Federal e a prefeitura teria que ter o espaço da sala e os professores. Nós vamos até as salas para observar essa criança e ver a demanda dela e na sala de AEE nós testamos quais os recursos e estratégias vão facilitar o aprendizado dessa criança." (CAMPANELLA, 2021).
O AEE é um projeto de suma importância, visto que, é um projeto voltado totalmente para tornar mais fácil o processo de aprendizagem das crianças de inclusão. “O atendimento educacional especializado - AEE tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.” (BRASIL, Ministério da Educação, 2008)1
O fato de esse projeto não estar presente em todas as escolas é no mínimo preocupante, em 2020, a porcentagem de alunos de inclusão incluídos em casses comuns sem AEE era de 55,8% (INEP), 2020)2. Se esses alunos não forem integrados nas escolas, onde serão integrados? Além de funcional, esse projeto também ajuda no desenvolvimento pessoal desses alunos:
“Existe um aluno aqui da escola, um aluno autista, um autista severo, ele veio para a escola com 6 anos e agora com 13 anos ainda está nessa escola. Ele é um aluno autista não verbal, um aluno com deficiência intelectual, um aluno com um comportamento de isolamento social e que conseguimos, em um trabalho coletivo com a escola, integrar esse menino. Ele passou a participar da escola integrada, em vários lugares da escola como os banheiros, na cantina e na biblioteca tem fichas de comunicação alternativa, para ele se comunicar por ser um aluno não verbal. Com isso ele passou a se comunicar e as pessoas passaram a ver esse aluno um pouco diferente. Entre vários ganhos desse aluno, ele conseguiu iniciar o seu processo de alfabetização, então para um autista severo, esses ganhos são ganhos muito importantes para a vida dele, ou seja, comunicar, esperar, dar tchau, sentar, comer com a colher, ir ao banheiro entre outros parecem ganhos muito pequenos, porém, para esse aluno é uma grande aprendizagem.” (CAMPANELLA, 2021).
Ao contar essa experiência com esse aluno, Alessandra mostra que o AEE é importante também para que ocorra uma maior interação social entre os alunos de inclusão e os alunos de não inclusão. O que consequentemente ajuda no desenvolvimento pessoal de todas as crianças, pois as tornam adultos mais conscientes de suas diferenças e também mais empáticos.
Como forma de buscar saber mais a fundo sobre como o projeto influencia a vida dos alunos e de suas famílias, foi feita também uma entrevista com uma mãe de uma aluna de inclusão, Elaine Silva, mãe de uma aluna de 12 anos que tem Deficiência Intelectual cujo nome preservaremos. Ao se instituir um projeto como o AEE é de suma importância que a família veja funcionalidade nele para poderem observar mudanças em seus filhos.
“O projeto funciona com certeza. Se tiverem profissionais como a Alessandra que se empenha e que se preocupa com a criança, um profissional que vai e conversa com a família, aí tem jeito.” (SILVA, 2021).
Logo após a inserção dessas crianças no AEE nas turmas comuns, é comum que a família perceba as mudanças nelas trazidas pelo projeto e pelo contato com outras crianças. Essas mudanças levam a transformações tanto na forma de aprender das crianças como também modificam as interações sociais.
“A minha filha melhorou bastante desde que foi integrada ao AEE, apesar de ela ter um gene difícil, de querer fazer tudo sozinha, ela se desenvolveu muito bem. O que percebi foi que depois que ela adquiriu um celular e teve que se virar para se comunicar com as colegas dela, ela desenvolveu muito na leitura e na escrita.” (SILVA, 2021).
Conclui-se que a inclusão nas escolas é de grande importância, e por isso deve ser mais valorizada. Ademais, projetos como o AEE precisam ser integrados nas escolas com o objetivo de ajudar no aprendizado, e em muitos casos, na socialização das crianças com necessidades especiais motoras, neurológicas, intelectuais e de qualquer outra natureza.
1. BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, Decreto nº 6.571, de 18 de setembro de 2008, p. 1. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=428-diretrizes-publicacao&Itemid=30192>. Acesso em: 16 out. 2021.
2. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Censo Escolar, 2020. Brasília: MEC, 2021, p. 36. Disponível em <https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/resumo_tecnico_censo_escolar_2020.pdf>. Acesso em: 15 out. 2021.
3. Imagem extraída da internet via Blog Nutti. Disponível em: <https://nutti.com.br/blogs/posts/vamos-falar-sobre-inclusao-com-as-criancas>. Acesso em: 15 out. 2021.