Não nasci para ser hostilizada
“Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo, tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.
O brasileiro vai ter um presidente que, de fato, representa a maioria de seu povo: ignorante, preconceituoso e acha que tudo se resolve no grito e na porrada.
Escuto fogos lá fora. Eu choro e não é pouco. Lembro de todos os discursos de ódio contra o preto, o pobre, o jovem, o índio, o lgbt, a mulher... Lembro de tanta gente boa em sua essência, gente que eu amo e respeito sendo conivente com a falta de fé na humanidade. Como pode? Como isso foi acontecer?
Me sinto vulnerável, como uma ovelha na mata cercada de lobos. Quanta gente má, quanta gente incoerente, reflexo de um Brasil historicamente marginalizado.
Hoje a realidade vem, cruelmente, esfregar em nossos rostos que a luta é grande e que só demos o primeiro passo. Ainda falta muito. Hoje a tristeza dilacera, mas não é suficiente para que eu deixe de resistir. O medo não pode ser maior que o meu desejo de uma sociedade livre de opressão.
Ele não é novo, ele não é honesto. Ele é desumano. Ele é favorável a tortura. Não dá pra ser conivente. Certa vez ouvi que o cristão não pode perder a fé na humanidade. Eu não perco a fé. A vida humana é valiosa demais. Nenhuma a menos.
Estou pronta para fazer oposição à esse governo. Amo meu país, tenho orgulho do que conquistamos até aqui, é hora de continuar.
Serei resistência e não fraquejada, não nasci para ser hostilizada.














