Uma mão necrofílica como a de um cadáver apodrecido estava no centro da mesa redonda, exalando um ar de desconforto e terror. Era um contraste díspare com o resto da sala, que possuía paredes em um tom estéril de branco e móveis extremamente bem cuidados. Apenas quatro pessoas cercavam a mesa, encarando o objeto das trevas com reações distintas. Cada uma delas apresentava um semblante diferente, e tinham interesses diferentes em mente, mas muitos eram mais parecidos do que eles gostariam.
“Essa informação não vai sair daqui.” Rosnou o chefe do Departamento de Aurores alemão, com seus olhos eram de um azul cortante como gelo fino, ameaçadores como as finas cicatrizes que adornavam seu rosto.“Se essa notícia for parar nas mãos do seu jornalzinho barato, eu vou caçar cada um de vocês até descobrir quem foi. Eu não blefo.” Alguma coisa nele confirmava que era um homem capaz de tudo.
“O que nós vamos fazer com essa informação é algo para ser discutido depois. Até então, eu concordo com ele. Essa informação não sai daqui. Primeiro, temos que investigar com perícia o que é essa mensagem.” A chefe do Departamento de Aurores francesa se pronunciou, lendo em voz alta o curto bilhete pendurado em um dos dedos da mão com seus olhos cautelosos. “’Sangue se paga com sangue. Vocês vão pagar por anos de humilhação e massacre. Nós estamos em todos os lugares, observando vocês como ratos de esgoto. Os mesmos ratos que vocês esnobam há anos. Vamos contar com sua superior capacidade para resolver rápido o que queremos dizer.’ Está assinado como “Mãos da Glória.” Os olhos dela olhavam desconfiadamente para os homens da sala, e sua postura era de uma confiança e imposição admiráveis.
“Faz sentido, esse objeto é a Mão da Glória. É nojenta, mas foi elaborada com o propósito de iluminar o caminho de quem a segura. Você coloca uma vela na superfície da mão dela, coloca sua mão dentro da mão dela, está vendo? E ela se fecha, como se vocês estivessem de mãos dadas. Só vai iluminar o seu caminho e de mais ninguém. Se você estiver no escuro e não quiser ser visto, mas precisar de uma luz, esse é o seu objeto.” Um dos aurores mais experientes do Departamento de Aurores britânico demonstrou, conjurando uma vela e colocando na superfície superior da mão. Silenciosamente, a mão se fechou em torno da dele. Apagou as luzes do quarto com um aceno da varinha, e com outro acendeu a vela. Retirou a mão da mesa, segurando-a firmemente, mas com certo asco pelo seu aspecto pútrido. Via as silhuetas das outras pessoas na sala iluminada, mas elas não conseguiam vê-lo.
“Certo, agora coloque a Mão da Glória no lugar.” O alemão exigiu, claramente não confiando no outro.
Silenciosamente, ela foi colocada na mesa novamente, mas as luzes não foram acendidas. O experimento foi feito pelos dois outros chefes de departamento, que comprovaram o que o auror disse. A quarta pessoa na sala era uma figura negra e alta, seu aspecto solene e digna de extremo respeito de todos os presentes. Era uma pessoa que gerava o mínimo de confiança até no alemão.
“Eles são um grupo radical, isso foi comprovado pelos seus assassinatos. A Mão da Glória só indica mais uma coisa. Eles acreditam que estão iluminando o caminho das pessoas. No entanto, só está na luz quem está com eles. Apesar do seus modos “pútridos e grotescos” de fazer as coisas, como a aparência da Mão da Glória, as intenções são as melhores. Iluminar o que está escuro. Quem não concorda com eles, vai pagar.” Kingsley Shacklebolt murmurou com sua voz grave, olhos presos ao objeto recém-colocado na mesa.











