então, se você recebeu uma carta com o selo de ventara… talvez já seja tarde demais para voltar atrás. agora resta descobrir o que os ventos querem de você: te transformar em alguém extraordinário — ou te consumir junto com todos os segredos escondidos acima das nuvens.
o grande salão de ventara permanecia mergulhado em silêncio absoluto. não existia música, conversa ou sequer o som dos passos ecoando pelo mármore. apenas o vento que atravessava as enormes janelas da torre central como se estivesse vivo, circulando lentamente entre os estudantes alinhados diante do altar etéreo. acima deles, os vitrais brilhavam em tons dourados e azulados, refletindo constelações que não pertenciam ao céu mortal. era sempre assim durante a cerimônia das correntes.
selene vale entrou e ficou de frente para os iniciados por alguns segundos, sem falar. com a voz calma, iniciou o discurso que se alterava um pouco todos os anos —"ventara não os recebeu porque são talentosos. talento é comum e é o mínimo que esta universidade espera de qualquer pessoa que atravesse esses portões. e o mínimo nunca foi motivo de celebração aqui. vocês foram recebidos porque os ventos sentiram algo em vocês que ainda não tem nome, que esta universidade acredita que vale a pena cultivar, ou, dependendo do que os próximos anos revelarem, que vale a pena entender... antes que se torne um problema." fez uma pausa, observando todos em meio ao salão, inclusive os veteranos que ficavam ao redor dos calouros, obrigados a assistir até se algum deles sucumbice. "esta cerimônia não é uma honra. é uma avaliação. os ventos não são gentis, não são justos e não se importam com o que vocês esperavam que acontecesse aqui esta noite. eles vão enxergar o que existe em vocês antes que vocês mesmos saibam nomear. e vão escolher de acordo com isso. quando a escolha acontecer, não resistam. não existe resistência útil contra uma corrente antiga. e quando saírem deste salão com uma casa, lembrem que a escolha não termina aqui. ela apenas começa." ela olhou para os iniciados uma última vez, com a atenção específica de quem está catalogando o que vê. "podem começar."
os professores ocupavam seus lugares ao redor do salão enquanto os nomes eram chamados um por um. alguns estudantes tentavam parecer tranquilos. outros mal conseguiam esconder o nervosismo. porque ninguém escolhia os ventos. os ventos escolhiam você. quando o primeiro estudante atravessou o círculo rúnico no centro do salão, as luzes diminuíram imediatamente. as runas espalhadas pelo chão começaram a pulsar devagar, como se a própria universidade despertasse sob seus pés. por alguns segundos, nada aconteceu. então o ar congelou. rajadas azuladas passaram a circular ao redor do estudante enquanto o silêncio se tornava pesado demais para respirar. as correntes etéreas giravam lentamente, estabilizando-se ao redor dele como se o próprio vento finalmente tivesse encontrado equilíbrio. borealis. o símbolo do lobo surgiu acima do altar e alguns professores assentiram discretamente, outros apenas continuaram observando.
o próximo nome foi chamado. dessa vez, o salão aqueceu tão rápido que vários estudantes prenderam a respiração. faíscas douradas surgiram no ar, dançando entre os lustres suspensos enquanto objetos metálicos vibravam ao redor da estudante escolhida. o fogo etéreo nunca queimava durante a cerimônia. apenas observava. embermere. o falcão de fogo apareceu nas paredes como uma sombra viva. e assim continuou, em aetheris, runas douradas começaram a subir pelas colunas do salão enquanto símbolos antigos surgiam brevemente nas mãos do estudante antes de desaparecerem outra vez. o silêncio parecia diferente ali. atento. inteligente demais. em noxvale, as velas se apagaram uma a uma. as sombras avançaram lentamente pelo chão de mármore, envolvendo o estudante antes de desaparecer completamente. alguns juravam sentir algo encarando do outro lado da escuridão durante aqueles segundos. ninguém nunca confirmava. quando o último nome foi chamado e o último vento se estabilizou, selene vale voltou ao centro do salão. os iniciados já carregavam suas casas, alguns ainda tinham os sinais físicos da escolha sobre a pele. o frio persistente de borealis, o calor residual de embermere, o formigamento de aetheris nas pontas dos dedos e a estranheza silenciosa que noxvale deixa nas pessoas por horas depois.
"agora vem a parte que ninguém menciona nos registros oficiais. a cerimônia das correntes é a única coisa em ventara que acontece exatamente uma vez. tudo o que vier depois. cada prova, cada semestre, cada escolha que fizerem dentro desta universidade vai exigir que vocês se lembrem do que os ventos encontraram aqui esta noite. não do que vocês acharam que eles encontrariam, do que realmente encontraram, essa diferença vai importar mais do que qualquer disciplina que cursarem." uma pausa mais longa desta vez, observando no olhar dos recém-chegados. "ventara tem cinco cursos, cinco classes. cada uma delas vai exigir algo diferente de vocês amanhã, e no semestre seguinte, e nos anos que ainda não conseguem imaginar daqui. as iniciações não são tradições decorativas, são o primeiro teste real de quanto vocês entendem sobre o que a sua casa significa e, para vocês, especificamente. alguns vão sair das iniciações diferentes do que entraram. isso é esperado. isso é, em alguns casos, necessário. o que não é esperado é que saiam sem entender por que mudaram. ventara não é uma instituição gentil. nunca foi. mas é uma instituição honesta e o que isso significa, na prática, é que ela não vai fingir que os próximos anos serão simples. não serão. o véu é instável, o conhecimento tem um preço que raramente é declarado antes de ser cobrado, e as perguntas mais importantes que vão fazer aqui provavelmente não têm respostas satisfatórias. esta universidade oferece preparação. aproveitem." ela se virou para deixar o salão sem esperar resposta, sem acenar, sem sorrir. na porta, parou por um segundo antes de falar, de costas para os iniciados. "bem-vindos a ventara." e foi embora.
depois da cerimônia, veio a iniciação. cada curso tem a sua própria prova, e ninguém avisa com antecedência o quanto ela vai custar. os cavaleiros são levados aos penhascos dos grifos ao amanhecer. o sol ainda não terminou de nascer quando os portões se abrem e os iniciados ficam diante das criaturas sem treino prévio, sem prova escrita, sem roteiro de nenhum tipo. os professores ficam para trás. os grifos ficam à frente. e o que acontece entre esses dois pontos pertence inteiramente a quem está no meio. alguns iniciados ficam horas tentando se aproximar. outros são derrubados das plataformas antes mesmo de conseguir falar. há aqueles que retornam feridos, desacordados, humilhados de maneiras que não cabem em relatório. mas quando a conexão finalmente acontece, quando a criatura para, olha, e decide, o vínculo é permanente de um jeito que muda os dois. o grifo passa a reconhecer o cavaleiro como parte da própria matilha aérea e conseguem se comunicar mentalmente, em uma ligação. e o cavaleiro aprende, naquele momento específico, que há uma diferença enorme entre ser tolerado e ser escolhido.
os escribas descem sozinhos para os corredores inferiores da biblioteca do éter com uma runa incompleta nas mãos e nenhuma outra instrução além de retornar com ela concluída. o que os espera lá embaixo são livros vivos que se movem pelas prateleiras, corredores que mudam de posição sem aviso, ecos etéreos que repetem fragmentos de conversas que nunca aconteceram. o objetivo é simples. devastador na prática. alguns iniciados ouvem vozes. outros abrem livros que respondem perguntas antes de serem lidos. há aqueles que retornam em estados que os professores anotam nos relatórios sem detalhar. a runa concluída fica marcada no grimório pessoal e permanece ligada ao escriba pelo resto da vida acadêmica.
os protetores passam uma noite inteira diante da muralha de ébano. não existe hora marcada para acabar. não existe sinal de que vai acabar. os iniciados ficam de frente para as fissuras menores do véu sem proteção mágica avançada enquanto sombras se movem do outro lado e vozes atravessam as rachaduras com uma clareza que não deveria ser possível através de pedra e runa. o medo se torna quase físico depois de determinado ponto não metáfora, não impressão, mas algo com peso e temperatura que se instala entre as costelas e não sai. o objetivo não é lutar. é permanecer. porque qualquer um pode aprender técnicas de combate, mas permanecer firme quando o próprio véu começa a encarar de volta é outra coisa inteiramente. quando amanhece, a marca dos protetores surge no pulso, uma cicatriz etérea temporária que retorna durante missões perigosas.
os controladores do éter descem até a câmara do éter. a mesma câmara que ficou interditada depois do acidente de cinco anos atrás e foi reaberta exclusivamente para as cerimônias de iniciação, sob supervisão rigorosa e com runas de contenção que os professores renovam horas antes de cada turma entrar. os iniciados sobem sozinhos em plataformas suspensas acima de uma fissura energética ativa e precisam conduzir o fluxo etéreo através do próprio corpo sem perder o controle emocional. o éter não é neutro. responde diretamente ao que o personagem sente: medo amplifica o caos, raiva acelera a instabilidade, desespero normalmente termina em explosões que os professores do lado de fora fingem não ter ouvido. alguns saem com marcas etéreas permanentes pelo corpo, outros saem apenas exaustos. há aqueles que não conseguem descrever o que sentiram dentro da câmara de forma que faça sentido para alguém que não esteve lá.
os produtores vão para o jardim das raízes profundas. as cavernas subterrâneas abaixo dos jardins suspensos não têm luz natural. cada iniciado recebe uma semente etérea rara e precisa cultivá-la sozinho no escuro, sem instrução específica de como proceder. as plantas respondem emocionalmente ao estudante que as cultiva, algumas florescem rapidamente, outras apodrecem antes de abrir, algumas desenvolvem espinhos agressivos ou cipós que se movem ou raízes que reagem ao medo de maneiras que os professores deliberadamente não detalham antes da cerimônia, porque saber com antecedência muda o resultado. quando a planta finalmente floresce, o produtor recebe sua primeira essência etérea pessoal, um ingrediente que poderá usar pelo restante da graduação em poções, rituais e experimentos que ainda nem imagina.
✦ avisos
os cavaleiros devem decidir seu grifo, os escribas seus grimórios, os protetores suas armas etéreas, os controladores de etér seu núcleo etéreo e os produtores sua essência viva;
cada personagem recebe um atlas, que é um aparelho mágico eletrônico com todas as informações sobre a universidade, os horários que deve cumprir e para contato com outros alunos (e professores) em seu quarto;
os ventos não escolhem por mérito, escolhem por algo mais difícil de nomear... e às vezes essa diferença é exatamente que pesa. por isso, escreva como seu personagem viveu a cerimônia. o salão, as runas no chão de mármore, o escuro que antecede tudo. o que sentiu quando o vento chegou. se chegou rápido ou demorou. se foi exatamente o que esperava ou se surpreendeu de um jeito que ainda não sabe nomear. a casa que recebeu foi a que esperava? o que o vento pareceu enxergar nele que talvez ele ainda não tivesse encarado em si mesmo? quando saiu do salão, o que foi a primeira coisa que pensou?
esta é uma task de rememoração. seu personagem já está em ventara há dois ou três anos. o primeiro semestre ficou para trás, e com ele as primeiras impressões, os primeiros medos e as primeiras certezas que o tempo tratou de complicar (mesmo para o aluno transferido, que tem menos tempo). esta task pede que você volte a esse momento para habitá-lo como seu personagem habitou na época: sem saber ainda o que ventara faria com ele.
o formato é livre. pode ser um diário escrito no calor do momento, um relato em terceira pessoa, uma carta nunca enviada, páginas rasgadas de um grimório, anotações espremidas nas margens de um livro de aula. o importante é que a escrita demonstre a escolha e carregue a voz do personagem, seja ela qual for.
não existe tamanho mínimo ou máximo. existe apenas a honestidade do que seu personagem escolheu registrar (ou não registrar), porque personagens também mentem para si mesmos em diários.
prazo para envio e contagem de pontos: 09/05/2026 - 5 pontos.
os ventos receberam novos nomes entre as nuvens. lizzie, que o éter seja gentil com vocês… porque a universidade definitivamente não será.
hannah dodd como alicia briggs — skeleton 04 | aetheris • escrita arcana • quarto período | clube de estudos ocultos • monitoria de escrita arcana | afinidade etérea: escrita rúnica, percepção etérea, tradução de grimórios e selos de proteção.
oie, tag! temos muuuitas ideias e a primeira task já está pronta! ainda temos vagas para escribas, protetores e produtores e também para as casas borealis, embermere e aetheris! trabalhamos no modelo skeleton, então, o básico do personagens já está pronto. que tal se juntar a nós? ainda não começamos o jogo, dá tempo!
RPG BASEADO EM DARK ACADEMIA
INICIAL | PERGUNTE | PLOT | SKELETON | NAVEGAÇÃO
há quem diga que ventara não aparece para qualquer pessoa. alguns juram que a universidade sequer existe de verdade, apenas uma lenda contada entre famílias antigas de bruxos, escondida em algum ponto impossível acima de nova york. outros afirmam que ela surge apenas para aqueles marcados pelo éter, que sobrevivem tempo suficiente para serem encontrados. a verdade?
ninguém entra em ventara por acaso.durante décadas, muitos dos estudantes vieram da academia preparatória de ílion, um internato mágico criado para ensinar jovens a sobreviver antes da universidade. mas ventara nunca pertenceu apenas a ílion. existem outras escolas espalhadas pelo mundo, pequenos institutos secretos, famílias antigas que ensinam magia dentro de casa e até pessoas que descobriram o éter completamente sozinhas, geralmente da pior maneira possível.porque magia não é algo comum. o éter escolhe. às vezes através do sangue. às vezes através de acidentes que jamais deveriam acontecer.a maioria dos estudantes nasce em famílias bruxas, cercados por histórias antigas, criaturas impossíveis e regras que existem muito antes deles nascerem. outros, entretanto, passaram a vida inteira acreditando ser completamente normais… até o momento em que objetos começaram a se mover sozinhos, sombras responderam seus nomes ou o céu simplesmente pareceu errado.
então, a carta chega, selada com runas douradas, marcada pelos ventos. e impossível de ignorar.suspensa acima das nuvens, entre o mundo mortal e o céu etéreo, ventara existe para formar aqueles capazes de sobreviver ao éter antes que ele os destrua completamente. ali, os estudantes são escolhidos por uma das quatro casas dos ventos antigos: borealis, embermere, aetheris ou noxvale. mas os ventos nunca escolhem sem motivo. alguns alunos entram em ventara para se tornarem grandes magos. outros entram porque não existe mais nenhum lugar para eles no mundo.
e, ultimamente, a universidade parece… diferente. runas estão reagindo de forma estranha, criaturas etéreas têm aparecido perto do campus e alguns professores começaram a agir como se estivessem esperando algo acontecer. ou alguém.bem-vinde à universidade ventara. esperamos que o céu ainda queira você vivo quando tudo isso acabar.
os ventos receberam novos nomes entre as nuvens. nori, que o éter seja gentil com vocês… porque a universidade definitivamente não será.
kaycee gallianetti como olive m. hwan jeong — skeleton 03 | noxvale • estudos do éter • quinto período | monitoria de combate etéreo • clube de estudos ocultos • círculo do eclipse | companion etéreo: simulacro thompson, coelho lunar | afinidade etérea: distorção ilusória, manipulação de sombras leves, ilusões leves, manipulação de vento e criação de poções.
aereos, queridos! precisando de alguma inspiração por aí? nós criamos uma conta no PINTEREST para vocês terem uma ideia melhor do nxn! e ele também será posteriormente usado para tasks, talvez seja uma boa ideia acompanhar! ainda temos algumas vagas disponíveis, que tal se juntarem a nós nessa trama de aventura enquanto o jogo ainda não começou? conheça um pouco do plot no leia mais.
RPG BASEADO EM DARK ACADEMIA
INICIAL | PERGUNTE | PLOT | SKELETON | NAVEGAÇÃO
há quem diga que ventara não aparece para qualquer pessoa.
alguns juram que a universidade sequer existe de verdade, apenas uma lenda contada entre famílias antigas de bruxos, escondida em algum ponto impossível acima de nova york. outros afirmam que ela surge apenas para aqueles marcados pelo éter, que sobrevivem tempo suficiente para serem encontrados. a verdade? ninguém entra em ventara por acaso.
durante décadas, muitos dos estudantes vieram da academia preparatória de ílion, um internato mágico criado para ensinar jovens a sobreviver antes da universidade. mas ventara nunca pertenceu apenas a ílion. existem outras escolas espalhadas pelo mundo, pequenos institutos secretos, famílias antigas que ensinam magia dentro de casa e até pessoas que descobriram o éter completamente sozinhas, geralmente da pior maneira possível.
porque magia não é algo comum. o éter escolhe. às vezes através do sangue. às vezes através de acidentes que jamais deveriam acontecer.
a maioria dos estudantes nasce em famílias bruxas, cercados por histórias antigas, criaturas impossíveis e regras que existem muito antes deles nascerem. outros, entretanto, passaram a vida inteira acreditando ser completamente normais… até o momento em que objetos começaram a se mover sozinhos, sombras responderam seus nomes ou o céu simplesmente pareceu errado.
então, a carta chega, selada com runas douradas, marcada pelos ventos. e impossível de ignorar.
suspensa acima das nuvens, entre o mundo mortal e o céu etéreo, ventara existe para formar aqueles capazes de sobreviver ao éter antes que ele os destrua completamente. ali, os estudantes são escolhidos por uma das quatro casas dos ventos antigos: borealis, embermere, aetheris ou noxvale. mas os ventos nunca escolhem sem motivo. alguns alunos entram em ventara para se tornarem grandes magos. outros entram porque não existe mais nenhum lugar para eles no mundo. e, ultimamente, a universidade parece… diferente.
runas estão reagindo de forma estranha, criaturas etéreas têm aparecido perto do campus e alguns professores começaram a agir como se estivessem esperando algo acontecer. ou alguém.
bem-vinde à universidade ventara. esperamos que o céu ainda queira você vivo quando tudo isso acabar.
o seguinte documento foi encontrado entre os pertences do professor hwan jeong antes que o restante de seus arquivos pessoais fosse incinerado pela administração de ventara, três semanas após seu afastamento. ninguém sabe ao certo quem o separou do resto ou admite tê-lo lido antes de chegar às mãos erradas. está reproduzido aqui, sem edições.
eu sei como isso vai parecer. já sei antes de escrever a primeira linha, de encontrar as palavras certas, de decidir se existe sequer alguma palavra que valha alguma coisa a essa altura. sei porque conheço ventara, sei como a universidade lê documentos, como lê pessoas, como lê silêncio. sei que qualquer coisa que eu escreva agora vai ser interpretada dentro de uma versão da história que já foi decidida, sem mim. mas escrevo mesmo assim. não para me defender, já aprendi que defesa é um luxo para quem ainda tem algo a perder dentro dessas paredes, e eu claramente não tenho mais.
escrevo porque meu filho vai crescer carregando um nome que eu manchei sem nunca ter entendido completamente por quê. e ele merece, se não a verdade, pelo menos a minha versão dela.
eu estava no observatório naquela noite. isso é verdade. não vou negar um fato é verificável, não vou construir uma narrativa que dependa de mentiras pequenas para sustentar uma verdade maior. estava lá, era um dos pesquisadores responsáveis pelo monitoramento das correntes durante o ritual da convergência, uma função que exerci nas duas cerimônias anteriores sem incidente, uma função que me foi atribuída formalmente pela própria administração que agora assina meu afastamento.
era meu trabalho, que eu estava fazendo. porém, aquilo que eu encontrei na câmara naquela noite não era parte do trabalho de ninguém. semanas antes da convergência, os instrumentos de aetheris começaram a registrar anomalias. não eram os tipos de oscilação que esperamos nas semanas que precedem um alinhamento das correntes. eram diferentes em frequência, em padrão, em origem. eu documentei cada uma, preenchi os relatórios correspondentes e enviei cópias para o departamento de pesquisa etérea com notas explicando que as leituras sugeriam atividade no véu que não era consistente com o alinhamento natural, que havia algo além da convergência respondendo, que talvez valesse a pena adiar a cerimônia até entendermos melhor o que estávamos vendo.
os relatórios foram recebidos e ninguém me respondeu. fui falar pessoalmente com dois colegas sênior, mesmo assim, um me disse que as leituras provavelmente eram interferência dos próprios instrumentos, que aetheris estava passando por manutenção havia meses e que os dados eram pouco confiáveis. o outro ouviu tudo que eu disse, fez anotações, e me pediu para aguardar uma resposta formal que nunca chegou.
a convergência não foi adiada. na noite do ritual, assumi minha posição na câmara como determinado. o véu respondeu ao chamado da forma esperada, as correntes se alinharam. por talvez vinte minutos, tudo aconteceu dentro dos parâmetros que os registros históricos descrevem. eu monitorava as leituras e anotava, e por vinte minutos permiti-me acreditar que havia me preocupado com nada. foi quando percebi que as anomalias que havia documentado nas semanas anteriores estavam de volta. e não eram interferência dos instrumentos, eram reais. eram a mesma assinatura que eu havia tentado reportar, a mesma frequência que ninguém quis discutir, e estavam crescendo dentro da câmara em tempo real enquanto o ritual continuava ao redor de mim.
tentei sinalizar para os outros pesquisadores presentes. o ritual estava no ponto em que interrupções são tecnicamente proibidas por protocolo, um protocolo que existe por boas razões, mas que naquele momento era a diferença entre parar algo controlável e deixar crescer algo que não ia ser. sinalizo, faço o gesto que qualquer pesquisador presente deveria reconhecer como indicador de anomalia crítica. fui ignorado. não sei se por descuido ou se porque o ritual absorvia a atenção de todos de uma forma que anomalias periféricas simplesmente não registravam. não sei se por algo pior que descuido.
a fissura se abriu quarenta segundos depois. e tudo que fiz em seguida foi o que qualquer pesquisador etéreo com vinte e três anos de experiência faria. tentei conter. não abri a fissura. não a provoquei. não estava estudando magia proibida, não estava conduzindo experimentos paralelos durante uma cerimônia sagrada. aliás, não estava fazendo nada que a acusação formal afirma que eu estava fazendo. estava tentando fechar a brecha que se abria, usando os métodos de contenção que aprendi nesta universidade, que ensinei nesta universidade, que escrevi sobre em artigos que ventara usou como material curricular por mais de uma década.
não funcionou. qualquer coisa que estava do outro lado da fissura era grande demais e estava com pressa demais, não era o tipo de coisa que responde a métodos de contenção padrão. eu sabia disso quando estava fazendo e fiz mesmo assim porque era o único ali tentando fechar, em vez de evacuar na direção oposta. as rupturas secundárias se espalharam e o caos que se seguiu está documentado em outros lugares de formas mais detalhadas do que eu conseguiria colocar aqui. fui encontrado inconsciente nos corredores fora da câmara horas depois, sem memória do que aconteceu entre o momento em que os métodos de contenção falharam e o momento em que recobrei consciência.
essa lacuna de memória foi usada como evidência contra mim. e, acredite, eu entendo a lógica, de um ponto de vista estritamente formal. entendo que uma lacuna parece uma omissão e que implica intenção. é uma cadeia de raciocínio limpa, satisfatória e completamente desvinculada do que eu sei que aconteceu, que é que o contato com o que estava do outro lado daquela fissura faz coisas à memória que nenhum pesquisador de ventara estava preparado para estudar honestamente. porque estudar isso honestamente significaria admitir que a universidade sabia que havia algo do outro lado esperando bem antes daquela noite.
não estou dizendo que sei quem sabia o quê, estou dizendo que os relatórios que enviei foram recebidos e ignorados. que a cerimônia não foi adiada, apesar das anomalias documentadas e tinham muitas pessoas na lista de acesso à câmara naquela noite, que não constam em nenhuma versão oficial dos eventos. estou dizendo que meu afastamento foi processado em tempo recorde para uma investigação que, segundo os próprios protocolos de ventara, deveria ter levado o triplo do tempo. não estou dizendo que fui escolhido deliberadamente, mas fui conveniente.
meu filho vai crescer ouvindo o nome jeong dito de uma certa forma. vai aprender a reconhecer o peso específico de um silêncio que cai quando ele se apresenta, desenvolver os reflexos que se desenvolvem em pessoas que foram ensinadas pelo mundo a se antecipar à rejeição. vai carregar algo que eu coloquei sobre os ombros dele sem nunca ter pretendido, e essa é talvez a única coisa neste documento inteiro que me custa de verdade escrever com clareza. não posso desfazer, provavelmente não poderei provar, em nenhum fórum que importe, que o que está documentado sobre mim é uma versão incompleta de algo que ninguém dentro dessas paredes tem interesse em completar, mas posso deixar isso escrito.
pode ser que não sirva para nada ou que, mais tarde, para alguém que está fazendo as perguntas que eu tentei fazer e que está sendo ignorado da mesma forma que eu fui, consiga encontrar respostas. pode ser que meu filho, um dia, encontre isso e entenda, não que o pai era inocente porque inocência é uma categoria simples demais para o que aconteceu naquela câmara, mas, que o pai estava tentando fechar uma porta, enquanto todos os outros corriam para longe dela. isso vai ter que ser suficiente. eu sei como isso vai parecer, mas escrevi mesmo assim.
— hwan jeong.
o resto dos pertences do professor jeong foram incinerados conforme determinação administrativa no décimo nono dia após seu afastamento. desde então, ele está desaparecido. nenhum inventário completo foi produzido antes da incineração. o presente documento não consta em nenhum arquivo oficial de ventara.
✦ nota ooc
o acidente e suas consequências físicas em ventara são visíveis até hoje. a acusação contra o pai de skeleton 03 é oficial, mas contestada por quem presta atenção nos detalhes que a universidade prefere não iluminar. skeleton 06 desapareceu naquela noite e reapareceu meses depois irremediavelmente diferente, sem memória e com marcas etéreas que nenhum professor soube explicar satisfatoriamente. pelo menos uma pessoa morreu de uma forma que ventara nunca confirmou publicamente. e o observatório, com a câmara do éter dentro dele, cinco anos depois, ainda está interditado. para uma universidade que preza pela pesquisa etérea acima de qualquer coisa, diz muito mais do que qualquer comunicado oficial jamais admitiria.
antes que os pertences do professor fossem incinerados pela administração de ventara, alguém separou um documento do restante. ninguém sabe ao certo quem e skeleton 05 tem acesso a uma versão corrompida desse arquivo no atlas (que é como se fosse um tablet para gente) om trechos ilegíveis e seções inteiras que simplesmente não carregaram. os outros skeletons, por ora, não tem nenhuma informação além daquelas disponíveis.
todos da universidade tem um atlas e é por meio dele que conseguem se comunicar porque sinal de aparelhos comuns não funcionam.
o passado não está encerrado, está apenas esperando que alguém faça as perguntas certas.
boa noite! vocês poderiam deixar um lugar fácil para saber quais skeletons estão livres? talvez colocar um aviso na página, pra ficar mais fácil a visualização.
oi, 'nony! acabamos de fazer essa mudança, obrigada! pode clicar e ir para a PÁGINA.