O que vocĂȘ tem medo de perder? Quando nada no mundo pertence Ă vocĂȘâŠ

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@paralucilio
O que vocĂȘ tem medo de perder? Quando nada no mundo pertence Ă vocĂȘâŠ
O que vocĂȘ tem medo de perder? Quando nada no mundo pertence Ă vocĂȘâŠ
âProfessora diplomada, mas aluna ao mesmo tempo. Ela te darĂĄ conselhos, mas sozinha ainda chora pensando nos sentimentos. Estressantemente calma, tranquilamente nervosa. Antissocial, mas de repente, se ela tiver afim, atĂ© entrosa. Ela Ă© o mistĂ©rio da noite, mas tambĂ©m a luz do dia. Ă capaz de ser poeta e, ao mesmo tempo, ser poesia.â - Ela Rafa Ela (part. Katty Vilas) - PensoAtivo
Se alguĂ©m lhe perguntasse hoje para onde foi o seu tempo, vocĂȘ saberia responder? NĂŁo quantas coisas vocĂȘ fez. NĂŁo quanto trabalhou. Mas onde esteve enquanto tudo isso acontecia. Carta I â SĂȘneca
NĂŁo Ă© que tenhamos pouco tempo. Ă que perdemos muito dele. HĂĄ tempo que nos Ă© tomado, tempo que deixamos escapar e tempo que entregamos sem perceber. Talvez a pergunta nĂŁo seja quanto tempo temos. Talvez seja: o que estamos fazendo com ele? â SĂȘneca, Carta I
Carta I
Sobre aproveitar o tempo
SĂȘneca a LucĂlio
A carta
SaudaçÔes de SĂȘneca a LucĂlio.
1. Continue a agir assim, meu querido LucĂlio: liberte-se por conta prĂłpria; poupe e aproveite seu tempo, que atĂ© recentemente tem sido retirado a força de vocĂȘ ou furtado ou simplesmente escapado de suas mĂŁos. Faça-se acreditar na verdade de minhas palavras: que certos momentos sĂŁo arrancados de nĂłs, que alguns sĂŁo removidos suavemente e que outros fogem alĂ©m de nosso alcance. O tipo mais desgraçado de perda, no entanto, Ă© aquele devido ao descuido. Ademais, se vocĂȘ prestar atenção ao problema, vocĂȘ verĂĄ que a maior parte de nossa vida passa enquanto estamos fazendo coisas desagradĂĄveis, uma boa parte enquanto nĂŁo estamos fazendo nada e tudo isso enquanto estamos fazendo o que nĂŁo deverĂamos fazer.
2. Qual homem vocĂȘ pode me mostrar que coloca algum valor em seu tempo, que dĂĄ o devido valor a cada dia, que entende que estĂĄ morrendo diariamente? Pois estamos equivocados quando pensamos que a morte Ă© coisa do futuro; a maior parte da morte jĂĄ passou. Quaisquer anos atrĂĄs de nĂłs jĂĄ estĂŁo nas mĂŁos da morte. Portanto, LucĂlio, faça como vocĂȘ me escreve que vocĂȘ estĂĄ fazendo: mantenha cada hora ao seu alcance. Agarre a tarefa de hoje e vocĂȘ nĂŁo precisarĂĄ depender tanto do amanhĂŁ. Enquanto estamos postergando, a vida corre.
3. Nada, LucĂlio, Ă© nosso, exceto o tempo. A natureza nos deu o privilĂ©gio desta Ășnica coisa, tĂŁo fugaz e escorregadia que qualquer um pode esbulhar tal posse. Que tolos esses mortais sĂŁo! Eles permitem que as coisas mais baratas e inĂșteis, que podem ser facilmente substituĂdas, sejam contabilizadas depois de terem sido adquiridas; mas nunca se consideram em dĂvida quando recebem parte dessa preciosa mercadoria, o tempo! E, no entanto, o tempo Ă© o Ășnico emprĂ©stimo que nem o mais agradecido destinatĂĄrio pode pagar.
4. VocĂȘ pode desejar saber como eu, que prego a vocĂȘ, estou praticando. Confesso francamente: meu saldo em conta corrente Ă© como o esperado de alguĂ©m generoso mas cuidadoso. NĂŁo posso vangloriar-me de nĂŁo desperdiçar nada, mas pelo menos posso lhe dizer o que estou desperdiçando, a causa e a maneira de desperdĂcio; posso lhe dar as razĂ”es pelas quais sou um homem pobre. Minha situação, no entanto, Ă© a mesma de muitos que sĂŁo reduzidos Ă misĂ©ria sem culpa prĂłpria: todos os perdoam, mas ninguĂ©m vem em seu socorro.
5. Qual é o estado das coisas, então? à isto: eu não considero um homem como pobre, se o pouco que lhe resta o é suficiente. Contudo, aconselho-o a preservar o que é realmente seu; e nunca é cedo demais para começar. Pois, como acreditavam os nossos antepassados, é demasiado tarde para gastarmos quando chegarmos à raspa do tacho. Daquilo que permanece no fundo, a quantidade é pouca e a qualidade é vil.
Mantenha-se Forte. Mantenha-se Bem.
PARA LUCĂLIO
HĂĄ quase dois mil anos, SĂȘneca escrevia cartas para LucĂlio.
Escrevia sobre o tempo, a amizade, o medo, a morte, a riqueza, a solidĂŁo e sobre a difĂcil tarefa de aprender a viver.
Eram cartas para um amigo.
Mas algumas palavras sobrevivem ao destinatĂĄrio.
Algumas perguntas atravessam séculos.
O que fazemos com o tempo que recebemos? Quanto da vida desperdiçamos sem perceber? O que realmente precisamos para viver bem? Como permanecer serenos em meio ao que não podemos controlar?
Talvez seja por isso que ainda lemos SĂȘneca.
PARA LUCĂLIO nasce como um pequeno arquivo dessas palavras: um lugar para ler antigas cartas Ă luz de inquietaçÔes que continuam profundamente atuais.
Sem pressa.
Uma carta de cada vez.