Alfredo: Living here day by day, you think it's the center of the world. You believe nothing will ever change. Then you leave: a year, two years. When you come back, everything's changed. The thread's broken. What you came to find isn't there. What was yours is gone. You have to go away for a long time... many years... before you can come back and find your people. The land where you were born. But now, no. It's not possible. Right now you're blinder than I am.
Salvatore: Who said that? Gary Cooper? James Stewart? Henry Fonda? Eh?
Alfredo: No, Toto. Nobody said it. This time it's all me. Life isn't like in the movies. Life... is much harder.
‘‘Vá, garoto!’‘, o treinador gritava, mas o menino sabia que simplesmente existem coisas na vida que são impossíveis. Deus sabe que ele queria orgulhar seus pais, chegar onde eles não chegaram --- não era possível que, de três gêmeos, nenhum tivesse herdado o talento esportivo dos pais. O rapaz simplesmente não conseguia se achar nas raias, suas braçadas não possuíam ritmo, a medalha de ouro não era seu sonho. Porém, tinha medo. Medo de falar para os pais o que realmente queria fazer, e esses rirem dele. Por mais compreensivos que Lisa e Pippo fossem, Jaime nunca foi conhecido por temer com racionalidade. ‘‘Eu não consigo.’‘, ele falou, após simplesmente desistir de bater seu tempo mais rápido. O menino de seis anos se rendera.
Se nas raias não tinha ritmo, nas ruas de Scampìa tudo parecia ser diferente. Na Vele, onde ocorriam encontros de um grupo de dança, ele realmente sentia-se bem. Encontrara-se ao som de Kaos One, Eminem e Tupac. Dançava break e tinha muito prazer nisso. Nas noites de sexta-feira, um grupo de crianças e adolescentes também se reunia no mesmo lugar --- porém, dessa vez, para atuar. Jaime gostava disso. O Pelagios fora Pinocchio, o Grilo Falante, Tom Sawyer e vários outros. Foi então que Philippos vira seu filho atuando --- fora avisado por vizinhos das ‘‘travessuras’‘ que o mesmo fazia, mas não sentiu-se mal. Apenas queria que o menino tivesse compartilhado isso com ele.
Aos sete, veio seu diagnóstico. Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Se os pais passaram a encorajá-lo a seguir o seu sonho, tudo se intensificou --- notava-se o talento de Jaime, ele não podia se perder. Atuara em peças e mais peças na escola, até que um olheiro o notou. Cinema Paradiso é o filme preferido de Elisa, mãe do menino, e um que marcara a vida de muitos italianos --- quando foi anunciado o remake, porém, houve um choque. Não queriam que ‘‘destruíssem’‘ um filme tão marcante com uma nova versão.
Um olheiro que trabalhava para os diretores de elenco do filme viu Jaime Pelagios sendo Billy Elliot na peça da escola, e se encantou. O greco-italiano parecia ótimo para o papel de Toto Giardini, o menino que torna-se amigo de Alfredo. ‘‘Mãe, você acha que eu vou conseguir?’‘, ele perguntava, inseguro. ‘‘Claro, claro.’‘, a mãe respondia. Foram testes e mais testes, aquele filme tinha que ter o melhor Toto já visto.
‘‘Jaime, você conseguiu o papel!’‘, dissera-lhe seu pai. Era apenas o começo.