Sal, tequila, limão. Tequila, limão, sal. Limão, sal, tequila?Honestamente, na terceira ou quarta dose, ela já nem se lembrava mais da ordem, e nem sabia se o que estava bebendo era tequila mesmo, porque havia um grande desinteresse dos bruxos nas bebidas trouxas. Mas sabia que definitivamente tinha que agradecer a quem quer que havia dado aquela festa aos rejeitados pelo Slughorn. Não que ela estivesse ressentida por não ter conseguido um par para ir a reunião de um dos professores que menos gostava, mas quase toda Ravenclaw estava lá e isso sinceramente a fazia se sentir, como sempre, fora do lugar. Então, só tinha a agradecer a quem havia organizado aquela outra, e aparentemente bem mais divertida, festa. Carlotta serviu de companhia a maior parte da festa - apesar de ela ficar dizendo que abandonaria Kendra no minuto que alguém interessante chegasse, Lotta afastou inúmeros caras aparentemente decentes e no fundo Kendra sabia que era apenas para lhe fazer um pouco de companhia - e havia perdido Yvie em algum momento. E depois de beber de um copo que estava vazio por ali, acabou perdendo Carlotta também. E acabou sozinha, num canto da festa, rodeada por cinco casais diferentes em situações que podiam ser classificadas como altamente profanas.
Era meio mórbido e quase patético que ela estivesse numa situação como aquela. Ela havia se acostumado, de certa forma. Ser amiga de Carlotta Meloni tinha essas e outras coisas que vinham no pacote. Normalmente Yvie fazia companhia a ela, e as duas ficavam murmurando comentários razoavelmente maldosos em voz baixa sobre os casais por aí. Mas ali estava ela, completamente sozinha. E os casais se encaminhavam cada vez em maior quantidade para os dormitórios, e todos bem sabiam o que eles iriam fazer. Quatro letras, uma palavra: sexo. Kendra bufou, afundando-se na cadeira e observando o fundo de seu copo vermelho. Estava ali um assunto que vinha a incomodando por alguns anos. Participava das discussões desse teor sem problema algum, e chegava até a adicionar alguns comentários válidos, mas o assunto sempre terminava em “Não acredito que Kendra ainda é virgem”. É, bom… Nem Kendra acreditava nisso. Tudo que ela não queria era ser uma virgem.
Eventualmente, uma companhia chegou. Dedalus Diggle e Kendra eram… Amigos, por assim dizer. Pra falar a verdade, Kendra nunca se conectou direito com as pessoas de sua casa. Wendy, Dedalus, Caradoc, Benjy, Emmeline…Todo mundo parecia ter uma ligação um com o outro, exceto por ela. Ninguém parecia se identificar com ela. Mas Dedalus era o mais próximo de amigo por ali, e ficar sozinha estava começando a deixá-la numa vibração Death Cab for Cutie demais para uma noite de festa. Abriu a boca para responder a Dedalus, mas ele foi mais rápido, e a levou para um dos armários vazios onde o som não interferia tanto assim - Ei, relaxa - Kendra tentando ficar calma diante da preocupação dele. Mas não podia deixar de sentir um certo conforto em imaginar que alguém no mundo se preocupava com ela - Está tudo… - Começou, pronta para desconversar. Entretanto, desconversar não era exatamente uma opção depois de quatro shots de tequila - Sexo - Disse de repente, de forma desconexa - O que acha? Digo, o que você acha sobre sexo?
- Porque aparentemente, é a única coisa que as pessoas falam por aqui. Quero dizer, tudo bem. Elas podem falar - Kendra gesticulou, num tique de ansiedade, antes de tomar a cabeça para trás numa expressão dramática - Eu só queria que as pessoas parassem de falar disso como se ser virgem fosse a mesma coisa que ter lepra ou sei lá, usar macacões jeans - Ela passou uma das mãos pelos cabelos. Estava abrindo a boca para desculpar-se por sua revolta desnecessária, quando ouviu batidas na porta seguidas de um grito de “Aí, Diggle, mandou bem!”. Rolou os olhos, soltando uma risada sarcástica - Eu disse. Todo mundo só faladisso.
O menino havia ficado extremamente em ver o resultado de sua ajuda. Ele poderia não ser o realizador daquela festa toda, mas ele sem dúvida alguma havia tido uma parcela de culpa em tudo aquilo. Ele havia ajudado Sirius e Korey com efeitos, feitiços abafadores, e alguns pequenos detalhes que somente Ded poderia ter ajudado. A festa estava muito mais agitada do que a do Slug. Ainda não havia acreditado que havia participado da do Slug geralmente ele participava com Wendy e Cordélia, mas ainda assim estar ali era uma prova que até mesmo um destrambelhado como Dedalus poderia fazer parte de um grupo mais seleto. Imaginava que Slug não deveria ter ficado tão desapontado, pois veio falar por pouco tempo com ele sobre as poções explosivas que ele estava desenvolvendo. Ele não soube como o professor ficou sabendo, mas quando Slug piscou para ele e pediu por alguns explosivos para o ano novo, o garoto ficara com um sorriso bobo no rosto. Aquela fora a deixa que ele precisava para dar o fora dali, pois ele havia prometido para seus amigos que também participaria da outra festa. Ele não estava vestido apropriadamente para uma festa como aquela então no caminho ele foi tirando sua gravata chata, e tentando parecer mais normal do que extremamente arrumando, pois ele havia se arrumado tanto para dar uma boa impressão quando entrasse com Cordélia.
As luzes o cegavam um pouco, e Ded já havia perturbado muito sua mãe quanto a isso. Ele precisava de um óculos. Andava lendo tanto para as aulas que era inevitável que não sentisse aquele desconforto. De toda forma ele estava feliz com a festa em um geral, apesar do cheiro de bebida embrulhando o estomago do mesmo. Ded nunca foi de beber, e nunca achou necessidade nisso, apesar de saber que algumas vezes devia beber socialmente. Não era muito a cara do menino usufruir de bebidas, ainda mais em lugares como aqueles, pois imaginando o final daquela noite sabia que eventualmente alguém precisaria estar sóbrio para ajudar seus colegas. Ded não se importava de ser esse cara. Ele não iria poder ajudar todo mundo, mas quem ele conseguisse ajudar já era um grande passo. Por isso tentou recusar, educadamente, todas as vezes que vinham com copos tentando agradá-lo. Apesar de sua garganta estar extremamente quente, sabia que não era algo tão legal assim. Ele queria água, mas a única no recinto parecia a destilada, então ele estava passando.
Era uma novidade estranha ver Kendra tão quietinha assim. Eles não eram tão próximos, mas definitivamente não eram estranhos. Sem contar que Ded sempre tentava se esgueirar em dias de jogos para acompanhar os mesmos ao lado da menina durante a narração dela. Kendra, na perspectiva de Ded sempre fora uma de suas colegas mais animadas, e algumas vezes até animada demais. Nunca conseguia ficar sem rir com a empolgação da menor, e Ded sempre gostou de garota assim. Kendra e Faylinn eram as amigas que Ded possuía que eram pequenas, e mesmo não sendo tão próximas como Wendy e Cordélia, tinham um lugar único para ele. Se ele pudesse fazer qualquer coisa para tirar um sorriso do rosto da Cooper ele faria. “Sexo? Você quer dizer, sexo, sexo? Ou gênero?” Ele não pode evitar ficar mais constrangido ainda. Estava já extremamente vermelho, e até havia gaguejado um pouco, coisa que não acontecia a muito tempo. Se fosse uma outra conotação sabia que Kendra poderia tirar sarro dele por muito tempo, mas ao ver as mãos de Kendra sabia que a menina também havia bebido um pouco como a maioria ali.
Ficara extremamente sem graça com os comentários alheios, mas ele nunca ligou muito para aquilo. Não como Kendra parecia estar levando. Suspirou abaixando um pouco para encarar a menina. “Eu não acho que ser virgem seja algum ruim até por que eu sou. Não deveria levar isso a sério. São todos grandes idiotas. Acho que sexo é algo importante, e não tem que ser banalizado desse jeito.” Aquele era um assunto um pouco delicado demais, e vergonhoso. Ele não sabia muito bem como se expressar, mas esperava que Kendra não ficasse assim. “Quer sair daqui?” Era a forma de se afastar de todas aquelas pessoas. Dedalus era virgem, mas não se importava. Sabia que quando encontrasse a garota certa valeria a pena. Então Kendra só tinha que saber isso.